terça-feira, 3 de junho de 2025

Ted Nugent – Motor City Mayhem [2009]

 



Louco de atar, o Tedão é uma figura folclórica nos Estados Unidos. Manobra sua Gibson Birdland com a mesma maestria com que manobra um rifle de caça.

O Motor City Madman, como é conhecido, concedeu uma entrevista histórica à revista Guitar Player americana nos anos 80 na qual ele disse: “precisamos entrar no palco com excesso de poder de fogo. A ideia é não precisar de retorno, afinal, o pessoal da cidade vizinha deve poder curtir o nosso show.” (Tradução livre do tio Zo aqui)

Seus shows são antológicos: sunguinha minúscula nos anos 70, calça com rabo de castor nos anos 80 e entrada triunfal sobre o lombo de um Bisão nos anos 90. Nada pode ser considerado previsível ou minimalista quando o assunto é o Tio Ted.

Não! O bichinho não está nanando no colinho do Tio Ted

É nesse clima de alta performance que o Motor City Madman (não resisti ao trocadilho) nos brindou com a gravação de um show no DTI Energy Music Centre, em Detroit, realizado em 4 de julho (data mais que providencial) de 2008. Até nisso o homem demonstra seu amor à pátria: o dia da independência dos Estados Unidos.

Quando assisti o filme A Águia Pousou pela primeira vez, vi a cena em que os americanos, diferentemente das estratégias e táticas de guerra adotadas por ingleses e alemães, entram atirando pra tudo que é lado numa missão suicida, lembrei direto do Tedão. Se ele fosse milico, ia entrar com uma metralhadora em cada braço metendo chumbo no que quer que se movesse. Mas usa uma guitarra. E esse é o seu 6.000º show em 41 anos de carreira.

O repertório é vasto, abrangendo o que de melhor o homem fez, como Cat Scratch Fever e Free For All (que na versão original de estúdio conta com Meat Loaf nos vocais). Tem clássicos do rock n’roll, como Baby Please Don’t Go. E, obviamente, o hino dos Estados Unidos que teve sua primeira versão para guitarra elétrica com Jimi Hendrix em Woodstock aparece por aqui.


A voz do cara pode ser um desastre e seus solos, às vezes, engasgados. Mas a atitude dele é demais. Poucos o igualam em energia de palco, ninguém o supera. Em algumas músicas ele recebe a ajuda de Derek St Holmes nos vocais e guitarra base, o que deixa o som bem mais interessante. Na bateria temos ninguém menos que Mick Brown (Dokken, aqui chamado Wild Mick Brown) e, no baixo, Greg Smith, que também gravou com Dokken, além de Blackmore’s Rainbow, Alice Cooper e por aí vai.

Aliás, ressalto que Mick Brown rouba a cena em diversos momentos, espancando a sua bateria e mostrando que foi criado na escola do instrumental power trio, preenchendo absolutamente todos os espaços.

Rock ‘n’ roll na veia. Pra quem não tem frescura e curte atitude. E é bom comentar neste post senão vai tomar chumbo, entendeu?

Track List

CD 1

1. Ted Nugent Intro
2. Star Spangled Banner
3. Motor City Madhouse
4. Wango Tango
5. Free For All
6. Stormtroopin’
7. Dog Eat Dog
8. Need You Bad
9. Weekend Warrior
10. Love Grenade
11. Honky Tonk (with Joe Podorsek)
CD 2

1. Wang Dang Sweet Poontang
2. Bo Diddley / Lay With Me
3. Baby Please Don’t Go
4. Geronimo And Me
5. Jenny Take A Ride (with Johnny “Bee” Badanjek)
6. Soul Man
7. Hey Baby (with Derek St. Holmes)
8. Cat Scratch Fever (with Derek St. Holmes)
9. Stranglehold (with Derek St. Holmes)
10. Great White Buffalo
11. Fred Bear
12. Outtro

Ted Nugent (guitarra e vocais)
Wild Mick Brown (bateria)
Greg Smith (baixo)
Derek St Holmes (guitarra e vocais quando indicado)





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