@forcedexposure
A Máquina Rosa e o Fantasma do Culto Perdido:
Crônica de uma Descoberta Oculta
Você vê aquela capa e todos os seus sentidos são acionados. É brutal, poderoso, como um grito psicodélico entre os dentes. "Isso vai ser uma loucura", pensei. Eu esperava uma enxurrada de riffs arrogantes, blues suado, rock lamacento, ou pelo menos algo que me chutasse no peito com a fúria que só certas bandas sabem invocar quando estão com fome. Mas não. O que encontrei foi outra coisa. Desde a primeira faixa, eu sabia que "Age Machine" não seguiria o caminho que eu imaginava depois da estreia — aquele álbum que me pareceu um "hit cult", uma descoberta que gritava do underground. Em vez disso, este álbum soa mais sério, mais contido... mais maduro, sim, mas também mais morno. Há uma mudança de pele, e embora seja possível perceber uma evolução no conceito, também se sente que parte da chama se perdeu. Às vezes, era uma luta. Eu me peguei pensando: "Para onde foi aquela faísca? Para onde foi a energia liberada do primeiro álbum?" Músicas como "Friend of Jesus" e "Golden Rollin' Belly" eram insuportáveis para mim, como se estivessem tentando ser alguma coisa e estivessem presas no meio do caminho entre a paródia e o bocejo. Mas, apesar de tudo, continuei ouvindo. E foi aí que notei algo curioso: o álbum tem duas almas, duas personalidades que se revezam para falar. Como um disco com duas faces.
O "Lado A" — faixas 1, 2, 6, 7, 9 e 10 — é onde reside a essência nova, mais refinada e experimental. Ali, você sente a intenção de crescer, de buscar algo diferente sem perder completamente o espírito original. É onde o álbum realmente respira. Em contraste, o "Lado B" — faixas 3, 4, 5 e 8 — assume uma pegada mais alegre, quase pop, às vezes, com toques de folk, country e R&B. Algumas músicas funcionam, mas outras são enjoativas ou simplesmente irritantes.
Foi então que percebi que "Age Machine" é um dois-em-um disfarçado: se você o ouvir com paciência e astúcia, ele se revela como dois miniálbuns entrelaçados. Um mais ousado, o outro mais indulgente. Um rosado e luminoso, o outro com sombras e ambição. Demorei um pouco para chegar a esse ponto. Eu esperava um salto em direção ao prog inicial, ou mesmo um álbum de gênero bem executado, com um espírito psicodélico e experimental mais evidente. Mas não. O álbum seguiu por um caminho mais leve. Isso não o torna ruim, mas o torna desconcertante. É preciso cavar mais fundo para descobrir as verdadeiras intenções da banda.
Minha recomendação: comece com o "Álbum A". Se você se identifica com essa abordagem mais madura e sutil, opte pelo "Álbum B" como bônus. Não espere um sucesso direto; espere um álbum que se revele com o tempo, se você souber como procurar.
É um álbum ruim? Não. É decepcionante? Um pouco. Tem valor? Sim, desde que você esteja disposto a escavar com lupa e paciência. Para o bem ou para o mal, "Age Machine" conseguiu algo que poucos álbuns conseguem: desconcertar e depois recompensar. E talvez seja por isso que, mesmo com suas falhas, merece seu lugar na estante cult. Até mais.
01. Age Machine
02. No Opportunity, No Experience NeededA
03. Friend Of Jesus
04. Golden Rollin' Belly
05. Never Let Go
06. Lost Nirvana
07. Seventh Dawn
08. Won't You Come Home
09. Mumbo Jumbo
10. Putney Breakdown
CÓDIGO: G.1-25

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