segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Banda Black Rio - Saci Perere (1980)

 

Mais um ótimo álbum da Banda Black Rio, banda emblemática do movimento "Black Power" ou "Soul Power" no Rio de Janeiro dos anos 70, desta vez em seu segundo álbum (ou terceiro, tenho algumas dúvidas dependendo de onde eu olhe), talvez melhor que o anterior, embora eu ache menos conhecido, um álbum muito, muito funk (muito mais que o primeiro, me pareceu) e com aqueles toques brasileiros inconfundíveis... Ao contrário de outros grupos de soul-funk, como Kool & the Gang e Earth, Wind and Fire, a Banda Black Rio desenvolveu um estilo particular de soul music instrumental que funde elementos de vários gêneros. Seu estilo era completamente instrumental, uma banda de funk que não se limitava a esse gênero, intercalando jazz, rock, soul e funk com ritmos brasileiros, ou seja, pura experimentação brasileira. 

Artista: Banda Black Rio
Álbum: Saci Perere
Ano: 1980
Gênero: Latin Jazz / Funk / Soul
Duração: 33:07
Nacionalidade: Brasil



Olha, eu não curto muito funk, soul ou o que quer que esses caras morenos estejam fazendo aqui, mas reconheço que, dentro do que eles fizeram, fizeram muito bem, e também com aquele charme de misturar a própria música com essa música "importada" da aldeia global, o que sempre confere originalidade e um toque especial ao resultado. Por todos esses motivos, decidi publicá-los neste espaço.

Banda Black Rio foi uma banda brasileira de jazz funk e jazz fusion formada em 1976 e dissolvida em 1980. Em 1999, outra banda de mesmo nome foi formada, liderada por William Magalhães, filho de Oberdan Magalhães, fundador da banda original.
(...) Frequentemente comparada a grandes bandas americanas de soul-funk como Kool & The Gang, Earth Wind & Fire ou The Headhunters, a música da Banda Black Rio é uma fusão de gêneros que integra elementos de rhythm & blues junto com as variantes mais dançantes de gafieira, samba e jazz. Um dos nomes mais importantes da história musical de seu país, a banda foi pioneira na fusão do samba com a soul music, enquanto liderava o Movimento Black Rio ao lado de Tim Maia e Toni Tornado, com quem revolucionou a cena musical em seu país, com particular incidência no Rio de Janeiro. Na Europa, a banda obteve grande sucesso nas pistas de dança inglesas no final da década.
Wikipédia

 

Bem, o álbum soa assim, caso você esteja interessado: 

 


Se você quiser que eu repita a história completa da banda, copiarei o que postei no primeiro post:
A Banda Black Rio foi criada na segunda metade da década de 1970. Na época, havia um movimento que buscava fundir soul e samba. Mas a verdade é que esse movimento não era estritamente musical e tinha uma grande variedade de nomes. Black Power, Soul Power ou o mais famoso de todos, Black Rio. Os nomes eram em inglês porque a ideia básica era fundir línguas, quebrar o individualismo, abrir espaços e, acima de tudo, inquietar um pouco os puristas, algo que por si só parece uma causa nobre.
Os eventos narrados ocorreram principalmente na zona norte do Rio, habitat natural de favelas, morros e escolas de samba. O movimento Black Rio se estabeleceu nos bailes de fim de semana muito frequentados que aconteciam ao redor das escolas. O público, composto por milhares de pessoas, era predominantemente negro e influenciado principalmente por ativistas dos direitos civis dos EUA. Os seguidores do Black Rio absorveram as ideias e as transformaram em uma nova abordagem adaptada à realidade brasileira da época.
Nesse contexto, a gravadora Warner, recém-criada no Brasil, queria formar uma banda que se tornasse pioneira do movimento. Para isso, contataram Oberdan Magalhães, renomado saxofonista, que aceitou o desafio de formar a Banda Black Rio. Nascido e criado em Madureira, Oberdan era primo de Silas de Oliveira, grande compositor de samba-enredo e um dos fundadores da Escola de Samba Império Serrano, além de afilhado de Mano Délio Da Viola, outro grande sambista.
Tão influenciado por Pixinguinha quanto por Coleman Hawkins, grande admirador de Cartola e Stevie Wonder, Oberdan perseguiu seus planos de fusão musical tendo em mente as casas noturnas cariocas, onde começara a tocar com apenas 15 anos. Nessa idade, integrou o grupo Impacto 8, onde começou a delinear o que viria a ser a Banda Black Rio. No Impacto 8, Oberdan conseguiu reunir músicos como Raul De Souza e Robertinho Silva, com quem tocou uma curiosa mistura de jazz, soul e samba. Em seguida, juntou-se ao pianista Dom Salvador e ao grupo Abolição, onde conheceu alguns dos músicos que fariam parte da formação original da Banda Black Rio, como o trompetista Barrosinho, o trombonista Lúcio e o baterista Luis Carlos. Entre shows e gravações, conheceu também o guitarrista Cláudio Stevenson, o baixista Jamil Jones e o pianista Cristóvão Bastos, formando a banda Rio 40ª.
Quando recebeu a proposta da Warner, Oberdan contatou a todos e produziu um trabalho repleto de grooves de samba e funk, mas com a musicalidade característica do jazz. Com essa formação, gravaram três discos: "Maria Fumaça" (1976), "Gafieira Universal" (1978) e "Saci Pererê" (1980), além de receber convites para participar de gravações de nomes como Luiz Melodia e Caetano Veloso. Com este último, gravaram "Bicho Baile Show", um LP ao vivo.
A banda continuou se apresentando até o início da década de 1980, quando Oberdan se envolveu em um acidente de carro fatal que o levaria à morte em 1984. O trágico acontecimento levou a Banda Black Rio a suspender todas as atividades.
Quinze anos depois, quando poucos se lembravam deles, o filho de Oberdan, William Magalhães, pianista, tecladista e arranjador de artistas tão importantes quanto Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Ed Motta, Marina Lima e Milton Nascimento, decidiu dar continuidade ao projeto iniciado pelo pai. William Magalhães tinha uma longa trajetória profissional na época. Iniciou sua carreira musical com apenas 7 anos de idade e cresceu em um ambiente extremamente musical, frequentando os ensaios e concertos do pai, além de outras atividades musicais que aconteciam ao seu redor, nas quais sua família estava quase sempre envolvida. Na adolescência, estudou jazz, com a pianista Sonia Vieira. Ao atingir a idade adulta, foi contratado pela banda de Gilberto Gil, com a qual excursionou inúmeras vezes. Em 1996, recebeu o prêmio APCA de melhor arranjador por seu trabalho no álbum "Registros à Meia–Voz", de Marina Lima.
Nos anos 90, William começou a pesquisar o trabalho que a Banda Black Rio havia produzido anos antes e estudou esboços e partituras que haviam ficado inacabados após a morte prematura de seu pai. Munido de todas as informações e experiências necessárias, gravou o que seria o último trabalho da banda até então, Movimento, renomeado na Inglaterra como Rebirth. O álbum ganhou vários prêmios, mas as vendas não foram suficientes para a gravadora, e a Banda Black Rio continuou a fazer shows, mas não gravaria mais. Atrás deles, estavam quatro álbuns que deixaram um testamento sonoro para uma era e uma banda que hoje é praticamente desconhecida fora do Brasil.
Maria Fumaça é a Banda Black Rio em sua forma mais pura. Grooves poderosos cheios de funk, mas também samba e bossa nova, em um LP bem elaborado, projetado especificamente para curtir a música e a vida. Ouça a primeira faixa; temos certeza de que você sentirá vontade de mover cada músculo do seu corpo.
Esperamos que goste.
Jazz funk bossa ok.


Talvez você também não goste completamente do estilo, então deixe para lá e não me incomode, por favor...
Abaixo você tem o álbum completo para ouvir...
Abraços...
 
 
 
 
Lista de Tópicos:
01. Saci Pererê
02. Miss Cheryl
03. Melissa
04. De onde vem
05. Subindo o Morro
06. Amor natural
07. Profissionalismo é isso aí
08. Broto Sexy
09. Tem que ser agora


Formação:
- Oberdan Magalhães / sax soprano, sax alto e sax tenor
- Lúcio Silva / trombone
- José Carlos Barroso / trompete
- Jamil Joanes / baixo
- Cláudio Stevenson / guitarra
- Cristóvão Bastos / teclados
- Luiz Carlos Batera / bateria, percussão

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