quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Búho Ermitaño - Implosiones (2023)

 

Diretamente de Lima, surge o rock psicodélico experimental, com muita improvisação, ruído, space rock e stoner rock — um som de grande versatilidade e uma busca constante por novas sonoridades. Os sintetizadores pendem para o space rock, enquanto os charangos e a percussão trazem elementos folclóricos, tudo combinado com a força das guitarras elétricas psicodélicas e uma poderosa seção rítmica, criando um estilo muito particular e único. Este é o segundo álbum completo (e, por enquanto, o último) desta banda psicodélica peruana, uma confluência de sons que lembram o Krautrock do Can, o Pink Floyd mais espacial, o Agitation Free e o Ozric Tentacles, mas com um toque latino-americano. Isso cria um estilo muito particular e único que tentaremos descrever, fazendo o nosso melhor para descrever este adorável e pequeno álbum, bastante inclasificável — uma anomalia sonora muito interessante que recomendo vivamente que ouçam.

Artista:  Hermit Owl
Álbum:  Implosions 
Ano:  2023
Gênero:  Rock Psicodélico / Space Rock
Duração:  41:06
Referência:  Discogs
Nacionalidade:  Peru


Em primeiro lugar, recomendo que você assista à animação que a Rockarte fez na época sobre a arte gráfica deste álbum: 

https://cabezademoog.blogspot.com/2023/10/buho-ermitano-implosiones-edicion.html 

E agora vamos nos concentrar um pouco no próprio álbum...

Algo que me lembro de Horizonte, o álbum de estreia do coletivo Búho Ermitaño, de Lima (lançado em 2014 — é evidente que esses caras não têm pressa), era o foco nas possibilidades da improvisação. Seu som bebia do krautrock dos anos 70, da psicodelia oriental e da música andina, resultando em faixas expansivas que buscavam imergir o ouvinte em uma espécie de transe (o que poderia testar a paciência de qualquer um, especialmente porque algumas faixas não eram totalmente satisfatórias, na minha opinião). Implosiones, seu segundo lançamento, tem um caráter mais contido, focado em confinar suas ideias em um formato mais conciso, mas no qual adicionam novas influências ao seu repertório. Assim, a faixa de abertura, "Herbie", é uma brincadeira hipnótica e percussiva que flerta com o avant-funk; os vocais surpreendentes de "Explosions" me lembram um pouco o Animal Collective; "Prelude" ostenta um arpejo crepuscular que a torna a faixa mais bela do álbum em um sentido convencional. O restante do álbum se desenrola em coordenadas próximas ao space psych-rock, familiar para quem conhece a banda, embora com texturas mais refinadas e polidas do que em seu álbum de estreia cru e — o mais importante — com uma direção composicional clara, como em "Ingravita" e "Buarabino", faixas cujas transições instrumentais são fluidas e altamente convincentes. O mesmo pode ser dito de "Rebirth", a faixa de encerramento, que novamente sucumbe à influência da música vernacular, apresentando instrumentos indígenas, mas gradualmente se transforma em uma seção energética e ruidosa antes de retornar à calma em seus minutos finais. Em suma, este é um trabalho bastante sólido de um projeto que opera intermitentemente no circuito de shows da capital, mas consegue capturar sua evolução sonora em uma gravação e apresentar ideias interessantes — mesmo partindo da natureza antiquada de suas referências — que são empregadas com competência e agora com um maior senso de propósito.

LesterStone

 


Mas muitas pessoas tentaram explicar essa anomalia sonora chamando-a de "implosões", então vamos nos aprofundar nessa discussão...

Hoje, trago para vocês o álbum "Implosiones", lançado em junho deste ano pela banda peruana Búho Ermitaño, produzido pela gravadora independente peruana Buh Records, sediada em Lima.
Como amante da música neo-psicodélica, devo dizer que "Implosiones" apresenta elementos muito interessantes para análise musical. Além de incorporar elementos familiares do rock psicodélico, um revival do folk e uma exploração da música instrumental, Búho Ermitaño nos leva a uma jornada psicodélica com este álbum repleto de influências do rock alternativo, rock psicodélico, space rock, acid rock, jam sessions e música experimental (e ainda tem uma capa belíssima!).
O álbum apresenta uma exploração de vários instrumentos, como sintetizadores, theremin, flauta, charango, talkbox e cítara, juntamente com a formação clássica de guitarra elétrica e baixo, loops interessantes e pedais de efeito. Além de incorporar as influências clássicas já presentes no rock neopsicodélico dentro do contexto europeu e americano, a banda peruana consegue apresentar ritmos interessantes e uma exploração instrumental e rítmica enraizada na cultura latino-americana.
Este álbum é definitivamente um dos meus lançamentos favoritos de 2023. Recomendo que os ouvintes reservem um tempo do seu dia para relaxar e ouvi-lo, embarcando nesta jornada psicodélica através de "Implosions".

Nathália Andrião


E é melhor você ouvir enquanto eu termino o post...



Vamos então ao último comentário que selecionei para tentar descrever este pequeno álbum com o qual encerramos mais uma semana no blog.

Algo que me lembro de Horizonte, o álbum de estreia do coletivo Búho Ermitaño, de Lima (lançado em 2014 — é evidente que esses caras não têm pressa), era o foco nas possibilidades da improvisação. Seu som bebia do krautrock dos anos 70, da psicodelia oriental e da música andina, resultando em faixas expansivas que buscavam imergir o ouvinte em uma espécie de transe (o que poderia testar a paciência de qualquer um, especialmente porque algumas faixas não eram totalmente satisfatórias, na minha opinião). Implosiones, seu segundo lançamento, tem um caráter mais contido, focado em confinar suas ideias em um formato mais conciso, mas no qual adicionam novas influências ao seu repertório. Assim, a faixa de abertura, "Herbie", é uma brincadeira hipnótica e percussiva que flerta com o avant-funk; os vocais surpreendentes de "Explosions" me lembram um pouco o Animal Collective; "Prelude" ostenta um arpejo crepuscular que a torna a faixa mais bela do álbum em um nível convencional. O restante do álbum se desenrola em coordenadas próximas ao space psych-rock, familiar para quem conhece a banda, embora com texturas mais refinadas e polidas do que em seu álbum de estreia cru e — o mais importante — com uma direção composicional clara, como em "Ingravita" e "Buarabino", faixas cujas transições instrumentais são fluidas e altamente convincentes. O mesmo pode ser dito de "Rebirth", a faixa de encerramento, que novamente sucumbe à influência da música vernacular, apresentando instrumentos indígenas, mas gradualmente se transforma em uma seção energética e ruidosa antes de retornar à calma em seus minutos finais. Em suma, este é um trabalho bastante sólido de um projeto que opera intermitentemente no circuito de shows da capital, mas consegue capturar sua evolução sonora em uma gravação e apresentar ideias interessantes — mesmo partindo da natureza antiquada de suas referências — que são empregadas com competência e agora com um maior senso de propósito.

LesterStone

 

Você pode ouvir o álbum na página deles no Bandcamp:
https://buhrecords.bandcamp.com/album/implosiones


Lista de faixas:
1. Herbie (6:00)
2. Explosions (6:15)
3. Prelude (2:44)
4. Ingravita (6:12)
5. Buarabino (8:35)
6. Entre los Cerros (3:52)
7. Renacer (7:28)

Formação:
- Leo Pando / sintetizadores (1,2,4,6), theremin (4), baixo (2,5), guitarra elétrica (7)
- Franz Núñez / guitarra elétrica (1-6), flauta (1), vocais (2), sintetizador (6), baixo (7)
- Irving Fuentes / charango (5,7), baixo (4), vocais guturais (2), talkbox (6)
- Diego Pando / guitarra elétrica (1-5,7), vocais principais (2), baixo (1,6), gritos (1)
- Ale Borea / loops e pedal de efeitos (1,2,4), percussão (1,5,6), cítara (4)
- Juan Camba / bateria (1-7), percussão (1-2,5), flautas (7)

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