sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Rivers of Nihil - Rivers of Nihil (2025)

 

Se vamos falar de metal, tem que ser brutal ou nada feito. Se você não consegue imaginar um álbum surfando na onda do metal extremo com um saxofone recorrente (além de piano, violoncelo e outros instrumentos), mudanças drásticas e criatividade sem limites, então convido você a descobrir o álbum autointitulado do Rivers of Nihil, o quinto álbum de estúdio da banda americana de death metal técnico. Ele solidifica seu som progressivo e moderno, fundindo death metal técnico com experimentação jazzística, música eletrônica e pós-rock, evocando as texturas densas que definem o estilo, mas com toques pessoais que criam um som verdadeiramente original. Esta obra de 50 minutos explora o lirismo e os elementos atmosféricos em uma efervescência ousada e experimental, definindo-se como uma jornada desafiadora que consolida a maturidade musical da banda e marca sua reinvenção com uma nova dinâmica vocal apresentando um forte contraste entre vocais guturais e limpos, exibindo toda a sua complexidade técnica e as ricas atmosferas que definem a banda.

Artista:  Rivers of Nihil 
Álbum:  Rivers of Nihil 
Ano:  2025
Gênero:  Metal Extremo
Duração: ----
Referência:  Discogs
Nacionalidade:  EUA


O álbum autointitulado do Rivers of Nihil , lançado em 2025, marca um ponto de virada e o início de uma nova era para esta banda da Pensilvânia. O álbum sugere um retorno às suas raízes e, simultaneamente, um novo começo — uma dualidade diretamente refletida na música. O guitarrista e arquiteto musical Brody Uttley buscou fundir o melhor da discografia anterior da banda, criando uma obra que recaptura a intensidade técnica e a brutalidade de seus primeiros álbuns, com riffs poderosos e grooves imponentes, mantendo, ao mesmo tempo, os elementos progressivos e atmosféricos de seus trabalhos mais aclamados.


A produção destaca-se pela sua limpeza e clareza, permitindo que cada camada instrumental, do death metal técnico aos interlúdios de jazz/pós-rock, ressoe com precisão, realçando elementos-chave como o uso distinto do saxofone, que enriquecem o som sem cair no caos. 

Rivers of Nihil foi uma daquelas bandas cujo álbum de estreia, "The Conscious Seed of Light" (2013), me cativou desde o primeiro segundo. Como qualquer verdadeiro fã de metal, senti-me compelido a comprar a versão física, especialmente porque a arte de Dan Seagrave capturou perfeitamente a essência do álbum. Depois, com "Monarchy" (2015), um disco muito mais enraizado no Death Metal Progressivo, a banda demonstrou que estava passando por um forte processo criativo. Eles ainda mantinham o núcleo poderoso e devastador do Death Metal em sua música, mas nos dois álbuns seguintes, abraçaram completamente o Metal Progressivo, abandonando a intensidade de seus dois primeiros lançamentos. Naquele momento, eu tinha poucas expectativas em relação aos seus trabalhos subsequentes. No entanto, agora a banda lançou seu quinto álbum de estúdio, autointitulado, mais uma vez pela Metal Blade Records. O que podemos esperar deste novo disco?... Vamos descobrir.
Esses americanos estavam em constante ascensão, com muitos fãs aguardando ansiosamente seus novos álbuns. Curiosamente, partindo da expectativa de que cada álbum fosse mais interessante que o anterior, a banda se deixou dominar por um único estilo. Agora, em seus dois últimos álbuns, o foco tem sido se tornar uma banda de metal progressivo. Assim, chegamos a "Rivers of Nihil", do qual não se esperava muito, nem que tivesse o mesmo conceito impactante dos dois primeiros álbuns, devido ao domínio absoluto do metal progressivo. Contudo, após algumas horas e dias ouvindo este quinto álbum de estúdio dos americanos, é interessante notar que seu lado death metal retorna em várias faixas. Embora não em sua forma mais completa, há ideias muito mais poderosas, e eles sabem como incorporar esse elemento ao seu som progressivo, que vinha ofuscando cada vez mais sua verdadeira essência. Agora, a banda atinge seu ápice, refletindo tudo o que vivenciaram nesses últimos 15 anos desde sua formação em 2009. A arte da capa, criada por Dan Seagrave, rompe com o conceito tradicional das capas de álbuns anteriores e demonstra que a banda prestou muito mais atenção a... todos os detalhes, como que a dizer que esta é a nova cara da banda em todos os sentidos.
Da faixa de abertura, “The Sub-Orbital Blues”, à faixa de encerramento, “Rivers of Nihil”, a presença do seu lado mais pesado, ou Death Metal, está no seu auge. Embora talvez não tão pronunciado quanto nos seus dois primeiros álbuns, esta nova versão apresenta resultados melhores. Os vocais, agora com uma multiplicidade de vozes, conferem uma sensação muito mais aberta, e é evidente que dedicaram muita atenção a cada detalhe. De vocais limpos com efeitos a vocais de black metal e death metal, e uma avalanche de riffs poderosos, o resultado é uma obra-prima de 50 minutos. Músicas como “Dustman” e “Evidence” exemplificam isso, exibindo uma ferocidade incrível ao longo de todo o álbum. Este é o maior trunfo do álbum, pois finalmente encontraram o equilíbrio certo para se definirem verdadeiramente como Death Metal Progressivo, superando os seus dois álbuns anteriores em muitos aspetos. Como sempre, a presença do saxofone é fundamental para o seu som complexo e ideias marcantes, e funciona excecionalmente bem no geral. Em músicas como "Criminals", entre outras, o sutil elemento de riff de Black Metal se destaca, pois é brilhantemente integrado à música, resultando em uma sonoridade intensa. O fato de todos os integrantes cantarem no álbum proporciona à banda uma ampla gama de texturas, permitindo que explorem diversas ideias sem perder a essência sonora. É um álbum surpreendente, com cânticos psicodélicos e circenses que, em "Criminals", vão te deixar de queixo caído.
"Rivers of Nihil" não recebeu muita atenção devido à sequência de álbuns medianos, mas, como sempre acontece, quando menos se espera, a banda acerta em cheio e entrega um álbum intenso e brutal em todos os sentidos, com aquele toque progressivo, porém bem estruturado e controlado, sem que ele domine completamente a sonoridade, permitindo a adição de outros elementos à mistura.

Sercifer

Embora talvez não seja tão revolucionário quanto os trabalhos anteriores, é um álbum essencial para os fãs, que irão apreciar esta obra ambiciosa, repleta de guitarras densas que estabelecem um tom vasto e complexo desde o início, evidenciando a imprevisibilidade da banda. Há muitos momentos que remetem aos anos 70, sons de trilha sonora de ficção científica dos anos 80 com sintetizadores complexos, linhas de baixo jazzísticas e aquelas mudanças de estilo quase constantes, reafirmando a visão criativa da banda em 2025.

Mas é melhor você ouvir...


"Rivers of Nihil" é um álbum bem executado e tecnicamente impecável, embora as opiniões se dividam quanto ao seu nível de inovação. Os fãs o celebram como o trabalho mais equilibrado da banda e a representação mais fiel de sua identidade atual, destacando a coesão e o equilíbrio entre brutalidade e lirismo. Em contrapartida, os críticos apontam para a falta de ousadia e uma sensação de déjà vu, argumentando que, embora tecnicamente brilhante, a banda recicla elementos de sucesso e carece do "fator uau" de seus antecessores. Cada um com sua opinião.

Inovação ou Repetição em Seu Quinto Álbum?
No dia 30 de maio, o Rivers of Nihil lançará seu quinto álbum homônimo pela Metal Blade Records. Com uma formação renovada e produção de Carson Slovak e Grant McFarland, a banda busca solidificar sua identidade após a saída de Jake Dieffenbach em 2022. A pergunta inevitável é: este álbum representa uma verdadeira evolução ou simplesmente um refinamento de seu som anterior?
Desde sua estreia, The Conscious Seed of Light (2013), o Rivers of Nihil tem transitado entre o death metal técnico e progressivo. No entanto, foi com Where Owls Know My Name (2018) que eles alcançaram notoriedade graças à sua abordagem atmosférica e ao uso não convencional do saxofone. Em Rivers of Nihil, a produção é nítida e destaca cada elemento instrumental, sem, contudo, correr muitos riscos.
O álbum, com dez faixas e mais de 50 minutos de duração, tenta condensar a essência da banda em uma única obra. A adição de Andy Thomas (ex-Black Crown Initiate) na guitarra e nos vocais trouxe uma dimensão diferente, embora não necessariamente revolucionária.
Análise do álbum:
O álbum consiste em dez músicas que exploram diferentes facetas do som da banda. "House of Light" encapsula melhor a abordagem atual, combinando riffs técnicos, refrões melódicos e a inclusão do saxofone, que já se tornou um clássico. Outras faixas como "Criminals" e "The Sub-Orbital Blues" demonstram a capacidade da banda de equilibrar agressividade e atmosfera, embora sem oferecer reviravoltas realmente inesperadas.
No entanto, há uma sensação de déjà vu em várias das composições. Faixas como "American Death" e "Despair Church" tentam expandir o som da banda, mas acabam reciclando elementos que já funcionaram no passado. Onde está o elemento surpresa que um dia fez do Rivers of Nihil uma banda excepcional? 
O álbum também conta com participações especiais de Stephan Lopez no banjo, McFarland no violoncelo e diversos outros vocalistas que enriquecem a obra.
Comparação com trabalhos anteriores:
Embora este álbum incorpore elementos de todas as fases anteriores da banda, sofre de um problema recorrente em muitas bandas progressivas: autorreferência excessiva. Enquanto Where Owls Know My Name representou uma mudança estilística e The Work (2021) pendia para o conceitual, este novo material soa mais como um refinamento do que uma reinvenção.
Não é um álbum ruim, mas também não é uma obra-prima. É tecnicamente impecável, mas a falta de ousadia o torna menos memorável do que seus antecessores.
Estratégia de turnê e promoção
Para promover o lançamento, a banda embarcará em uma turnê pela Europa e América do Norte. As datas principais incluem sua apresentação em Londres, no dia 9 de março, e sua passagem por Los Angeles, no dia 7 de junho. Acompanhados por Cynic, Beyond Creation e Dååth em datas selecionadas, a turnê visa consolidar sua base de fãs em mercados estratégicos.
Além da música, a estratégia promocional da Metal Blade Records segue o mesmo roteiro de sempre: edições limitadas em vinil, uma variedade de cores para colecionadores e uma forte ênfase em pré-vendas. Nada fora do comum, mas eficaz.
Em conclusão,
Rivers of Nihil entrega um álbum sólido, mas sem a frescura que os caracterizou no passado. Não há dúvida de que a banda continua sendo uma das mais competentes no death metal progressivo, mas este disco não marca uma virada em sua carreira. É uma aposta segura para seus fãs, mas deixa a questão em aberto: eles estão realmente evoluindo ou simplesmente aperfeiçoando uma fórmula já estabelecida?

O Santuário da Rocha


Se quiser, você encontra várias resenhas do álbum online.

Você pode ouvi-lo na página deles no Bandcamp:
https://riversofnihil.bandcamp.com/album/rivers-of-nihil




Lista de faixas do site oficial
: 01. The Sub-Orbital Blues
02. Dustman
03. Criminals
04. Despair Church
05. Water & Time
06. House Of Light
07. Evidence
08. American Death
09. The Logical End
10. Rivers Of Nihil

Formação:
- Adam Biggs - baixo, vocal
- Brody Uttley - guitarra
- Jared Klein - bateria
- Andy Thomas - guitarra, vocais




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