Eu não tinha intenção nenhuma de ouvir The Velvet Underground hoje. Mas ontem encontrei a caixa com 5 CDs por 69 centavos (em perfeito estado, inclusive). Já tenho os dois primeiros na coleção e vou ouvi-los novamente em outra ocasião (um deles é recente, veja abaixo). Mas nunca ouvi os dois seguintes, nem nenhum material de arquivo. Sei que são radicalmente diferentes dos dois que conheço, mas ainda assim são muito apreciados. Vamos ver como é o álbum de 1969, e aí ouço os outros dois nas próximas semanas.
Meu lado cínico me diz que, se este não fosse um álbum do Velvet Underground, ninguém daria a mínima. Mas, por outro lado, também não havia muita coisa parecida no final dos anos 60. É quase um retorno à cena folk de Greenwich Village do início da década. No entanto, tem essa abordagem solitária, que só encontraria seu público 20 anos depois. É tão diferente do que havia acontecido antes que você se pergunta por que eles simplesmente não mudaram o nome da banda. A verdade é que o Velvet Underground não era tão popular assim na época. Eles eram mais famosos do que lucrativos, e nenhum de seus álbuns fez sucesso nas paradas, se é que fizeram algum. Foi só muitos anos depois, muito tempo depois de já terem deixado de existir, que eles encontraram seu público. Eu não sou exatamente um fã de folk, muito menos de indie lo-fi. E é aí que este álbum se encaixa. A grande exceção é "The Murder Mystery", uma faixa longa que sugere o que poderia ter sido um terceiro álbum de rock de vanguarda de sucesso. Acho que as pessoas se esforçam muito mais para apreciar este álbum do que se esforçariam para apreciar algum artista desconhecido da mesma época. O RYM, por exemplo, o classifica como o 5º álbum mais bem avaliado de 1969. Completamente absurdo do meu ponto de vista. Eu guardaria este álbum se ele não fizesse parte da caixa? Não. De jeito nenhum. Pelo menos não terei a tentação de guardar um LP original se a situação se apresentar.
As faixas bônus são em sua maioria retiradas da coletânea de sobras do Velvet Underground de meados dos anos 80. As gravações de estúdio foram feitas alguns meses depois do álbum mencionado acima. Elas são bem mais animadas, com foco em blues, garage rock e psicodelia, remetendo ao som inicial da banda.
O segundo álbum do Velvet Underground é o que mais me fascina, pois mostra o quão longe a MGM/Verve estava disposta a ir no final dos anos 60. Considerando que eles também tinham Zappa e The Mothers em seu elenco. Este álbum é tão underground quanto qualquer coisa lançada nos Estados Unidos por uma grande gravadora – pensando que a concorrência viria, por exemplo, do selo Friendsound da RCA. O lado B é simplesmente insano.
Também me intriga muito o que é considerado altamente colecionável hoje em dia, em comparação com o que não é: a disposição subversiva. Seja jazz, psicodelia, folk, rock, country ou metal, quanto menos respeito se tem pela sociedade civilizada, mais desejável é o LP. Especialmente dos anos 1950 em diante. Tudo o que é convencional e "certinho" quase não tem valor intrínseco. Não importa a cor da pele, raça ou religião, o importante é desafiar o sistema de alguma forma. Às vezes me pergunto se os discos de 50 centavos de hoje serão muito procurados daqui a 20 anos (principalmente depois que caras como eu basicamente os derem de graça, ou até tiverem que jogar fora), e se os discos de bandas como The Velvet Underground não valerão nada (ou serão ilegais – vai saber!). A consciência universal é cíclica. White Light/White Heat é o ápice da rebeldia.
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