
Impala Syndrome é um projeto derivado de Los Impala, um popular grupo venezuelano. Ativo desde 1964, eles eram conhecidos por seus álbuns de twist, beat e outros gêneros pop, principalmente covers de clássicos anglo-saxões cantados em espanhol. Em 1969, Los Impala começou a declinar. Muitos membros deixaram a banda, restando apenas o guitarrista rítmico Francisco Belisario e o baixista Nerio Quintero.
Sem se deixarem abater, recrutaram o baterista Bernardo Ball, o guitarrista Edgardo Quintero e o vocalista Rudy Marquez. Nova formação, novo nome: o quinteto passou a se chamar Impala Syndrome, mais em sintonia com a onda psicodélica que varria a música pop na época.
Reestruturada, em 1969 a Impala Syndrome embarcou em uma turnê europeia e acabou se estabelecendo na Espanha, onde obteve algum sucesso. Fortalecida por esse novo grupo, a banda gravou um novo álbum naquele mesmo ano, lançado pela obscura gravadora americana Parallax, na esperança de alcançar o mercado dos EUA.
Este LP homônimo impressiona imediatamente com sua estética psicodélica, apresentando uma capa estranha e colorida que parece saída diretamente de uma viagem alucinógena. Essa imagem prenuncia perfeitamente a experiência musical que se encontra no interior: uma mistura de rock psicodélico, soul e garage rock com distorção, cantada em inglês, onde a melodia coexiste com experimentações sonoras ousadas. O álbum marca uma ruptura com as versões mais contidas dos trabalhos anteriores do Los Impala, afirmando uma identidade mais elétrica e desinibida.
Em resumo, este álbum é um manifesto visual e sonoro: um quinteto em plena mutação, pronto para explorar os limites da psicodelia, mantendo ao mesmo tempo um pé no groove e no rock acessível.
O álbum abre com “Too Much Time”, uma faixa de hard rock com toques melódicos, construída sobre riffs pesados e cativantes e refrões ao estilo Woodstock. Um ótimo começo para um lançamento em vinil surpreendentemente variado. Em seguida, vêm “Love Grows a Flower” e “New Love Time”, duas baladas oníricas e nostálgicas, banhadas em reverb e uma doçura envolvente.
A jornada continua com “Children of the Forest” e “I Want to Hug the Sky”, onde a banda se aventura por um funk peculiar com influências de blues. “For a Small Fee” e “Let Them Try” resgatam a energia do rhythm and blues com uma urgência febril. “Land of No Time” revela um romance exótico e melancólico, enquanto “Leave, Eve” mergulha em um som garageiro urbano e sombrio.
Por fim, “Run (Don't Look Behind)” encerra o álbum numa viagem alucinógena, habitada pelo espírito do The Doors: baixo rastejante, guitarra arrebatadora e vocais perturbadores.
No final de 1969, o Impala Syndrome retornou a Caracas para uma turnê que terminou no ano seguinte, antes da dissolução do grupo. O Los Impala, por sua vez, se reunia ocasionalmente, mas nunca mais recuperou aquela audácia impulsionada pelo ácido.
Uma obra essencial do rock psicodélico venezuelano do final dos anos 60, densa e visionária, muito pouco conhecida fora das fronteiras do país.
Títulos:
1. Too Much Time
2. Love Grows A Flower
3. Children Of The Forest
4. For A Small Fee
5. New Love Time
6. Let Them Try
7. Land Of No Time
8. I Want To Hug The Sky
9. Leave, Eve
10. Run (Don’t Look Behind)
Músicos:
Francisco Belisário: Guitarra;
Nerio Quintero: Baixo;
Bernardo Ball: Bateria;
Edgardo Quintero: Guitarra;
Rudy Márquez: Vocais
Produzido por: Martin Evans Brummer
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