terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CRONICA - OS MUTANTES | Jardim Elétrico (1971)

 

Após o período da Tropicália, Os Mutantes continuaram sua jornada na esfera psicodélica, determinados a se firmarem como protagonistas do gênero. Jardim Elétrico foi lançado em 1971 pela Polydor e estendeu o impulso iniciado com A Divina Comédia e Ando Meio Desligado no ano anterior. O grupo manteve a mesma formação: Sérgio Dias (guitarra, voz), Arnaldo Baptista (piano, órgão), Rita Lee (vocal), Dinho Leme (bateria) e Liminha (baixo).

Com os arranjos de Rogério Duprat, Os Mutantes refinam seu som aqui. A capa do álbum, com uma planta carnívora saída diretamente de uma história em quadrinhos devorando tudo em seu caminho contra um fundo colorido e incandescente, define claramente o tom. Jardim Elétrico busca uma abordagem mais concisa e direta, mantendo a fantasia caleidoscópica e a inventividade sonora que definem o estilo único do grupo.

O álbum começa com tudo: órgão estrondoso, iodelei alucinatório, guitarra funky, solos de rock psicodélico, ritmos exóticos dobrados e vocais cheios de alma. Com "Top Top", Os Mutantes criam, de forma ousada e dramática, uma fusão improvável de Big Brother & The Holding Company e James Brown, num turbilhão psicodélico tão audacioso quanto explosivo.

Outro belo encontro em “Tecnicolor”: as melodias dos Beatles se entrelaçam com as harmonias vocais do CSN&Y, evocando vastos espaços abertos e uma sensação de fuga. Os Fab Four também reaparecem na despreocupada “Lady Lady”, assim como na pungente e vibrante “Virgínia”, com seu cenário bucólico e onírico.

No restante, a orquestração de “Benvinda” flerta com o soul, enquanto “Portugal de Navio” se aventura em um jazz de cabaré alucinatório. A ambiência acústica sul-americana de “El Justiciero” quase evoca uma figura semelhante a Che Guevara. Em “It's Very Nice pra Xuxu”, o órgão cria uma atmosfera celestial enquanto Sérgio Dias canaliza Joe Cocker.

Mas, acima de tudo, há um desejo palpável de ultrapassar limites na banda brasileira, que agora se aventura no hard rock. A faixa homônima “Jardim Elétrico” impacta com força, enquanto “Sarava” adota uma abordagem de heavy prog bastante convincente.

O álbum encerra em um tom mais suave com “Baby”, uma canção de jazz tropical cantada em inglês, onde Rita Lee oferece um final delicado e tranquilo.

Um álbum rico, ousado e livre, que estabelece definitivamente o grupo como um dos mais criativos da cena do rock brasileiro dos anos 60/70.

Títulos:
1. Top Top
2. Benvinda
3. Tecnicolor
4. El Justiciero
5. É Muito Bonito Pra Xuxu
6. Portugal De Navio
7. Virgínia
8. Jardim Elétrico
9. Senhora, Senhora
10. Saravá
11. Baby

Músicos:
Arnaldo Baptista: Vocais, Teclados
Rita Lee: Vocais, Percussões
Sérgio Dias: Guitarra, Vocais
Liminha: Baixo
Dinho Leme: Bateria
+
Rogério Duprat: Arranjos

Produção: Arnaldo Baptista




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