Nightvision mostra Devon Allman saindo de seu território familiar e explorando algo muito mais discreto e experimental. Mais conhecido por sua linhagem no blues-rock, Allman despoja-se de tudo aqui, abandonando vocais e estruturas clássicas de canções em favor de uma paisagem sonora instrumental noturna que se aproxima mais do art-rock, da música ambiente e do cinema independente do que dos discos de rock tradicionais.
Este não é um álbum feito para gratificação instantânea. Nightvision se move lentamente, permitindo que os tons respirem e que os climas se desenvolvam. As guitarras cintilam em vez de solos, os sintetizadores zumbem ao fundo e os ritmos avançam com uma pulsação contida, quase hipnótica. A música parece intencionalmente tênue — como caminhar por ruas vazias depois da meia-noite, tendo apenas reflexos de neon e ruídos distantes como companhia.
Há uma clara afeição pela atmosfera vintage dos anos 80 — ecos do espaço do Pink Floyd, da contenção do The Cure e da experimentação inicial do ambient — mas o disco evita a nostalgia pela nostalgia. Em vez disso, Allman usa essas texturas para construir algo pessoal e introspectivo. O álbum flui como uma peça contínua, resistindo a picos e refrões óbvios, o que reforça sua qualidade imersiva, quase meditativa.
Um dos elementos mais interessantes de Nightvision é a sua corrente colaborativa subjacente. As contribuições de sintetizador do filho de Allman, Orion, moldam subtilmente o ambiente do álbum, adicionando um toque eletrónico moderno que se mistura naturalmente com a instrumentação orgânica. Dá ao disco uma sensação discreta de evolução em vez de reinvenção — a experiência encontrando a curiosidade sem alarido.
Fãs em busca de solos de guitarra incendiários ou estruturas clássicas de blues podem achar Nightvision elusivo, até mesmo austero. Mas é justamente aí que reside sua força. Esta é música para ouvintes que apreciam contenção, textura e intenção — o tipo de disco que se revela gradualmente, recompensando a paciência em vez de exigir atenção.
No fim das contas, Nightvision soa menos como uma declaração e mais como um espaço — um lugar para se sentar com som, sombras e silêncio. É um lançamento discreto, porém confiante, que mostra Devon Allman disposto a se afastar das expectativas e confiar na atmosfera em vez da tradição.
Sem comentários:
Enviar um comentário