"Cos" foi um grupo belga de Rock Progressivo fundado em Bruxelas em 1974 em torno de Daniel Schell (guitarra, flauta e efeitos sonoros). Ao longo do tempo, houve muitas mudanças na formação, com alterações de álbum para álbum. O nome "Cos" era uma referência à "lincos" ou linguagem cósmica, uma língua criada por Hans Freudenthal (em sua obra "Lincos: Design Of a Language for Cosmic Intercourse", de 1960) para comunicação com vidas extraterrestres. As origens desta banda estão no grupo "Classroom", também criado por Daniel Schell, em 1967, para tocar um Jazz eletrificado com toques de Rock. Eles tocaram em vários festivais e, no final da década, Schell foi para Londres para estudar, mas logo foi convocado para prestação do serviço militar. No final de 1970, o Classroom voltou acrescentando a cantora Pascale de Trazegnies, de voz peculiar (apelidada "Pascale Son"). A banda, que até então era puramente instrumental, ganhou vida nova com sua presença de palco e seus talentos vocais. Schell passou a aprender a tocar instrumentos como clarinete, flauta e saxofone. O Classroom seguiu participando de festivais, fazendo shows tanto na Bélgica, quanto no exterior (em 72, foi banda de abertura do Magma em dois festivais e isso levou a uma amizade entre os músicos de ambas as bandas). A música do Classroom foi evoluindo, mantendo a base jazzística, mas incorporando outros elementos e desenvolvendo novos processos de composições. No final de 73, o Classoroom passou por diversas mudanças na formação e foi abandonando o Jazz e passou a caminhar mais na direção do "Rock tingido de Jazz", na linha de grupos como Can, King Crimson, Magma etc. Foi nessa época que Daniel Schell fez amizade com músicos da cena Prog e, em 1974, diante de tantas mudanças artísticas, o Classroom tornou-se o "Cos".
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| Daniel Schell, Bob Dartsch, Charles Loos, Pascale Son, Alain Goutier |
O álbum foi notado por Marc Moulin que passou a tocá-lo regularmente na rádio belga. Isso levou-o a vender 2 mil cópias e permitiu o Cos a construir uma reputação na Bélgica e fazer apresentações em países vizinhos. No final de 74, o tecladista Charles Loos saiu (ele preferiu tocar Jazz convencional) e foi substituído por Tony Kleinkramer, um tecladista holandês que morava em Bruxelas. O Cos seguiu fazendo turnês e tocando em festivais. Kleinkramer acabou saindo e sendo substituído pelo multiinstrumentista Marc Hollander, que compartilhava muitos gostos similares com Daniel Schell (a escola Canterbury, eruditos como Belà Bartók, música não ocidental e Jazz). Durante 75-76, a banda trabalhou ativamente na preparação de um segundo álbum, enquanto continuavam em turnês. "Viva Boma" (de nov/76) trouxe uma nova formação (Pascale Son e Daniel Schell, mais Marc Hollander nos teclados, clarinete, sax etc., Alain Goutier no baixo e Guy Lonneux na bateria) e é considerado tão bom quanto a estreia. Ainda mais Canterbury Sound, mantendo bases Zeulh/Jazz, um show de Pascale Son com seus "vocais infantis/inocentes/frágeis", muita bateria/percussões, progressões harmônicas complexas, múltiplos teclados, oboé/flauta/clarinete/violoncelo. O nome "Viva Boma" poderia se referir a Boma, uma cidade africana ao longo do rio Congo (por isso a capa frontal com hipopótamos - lembrando que o Congo foi uma colônia belga entre 1906-1960) e a "avó" (num dialeto belga, daí a foto de trás com a banda e namoradas junto com uma avó na frente a ao centro). Os sons Canterbury é ainda mais forte, Marc Moulin (produtor) tocando teclado Fender Rhodes, solos de guitarra místicos, muita classe, um álbum esplêndido que, dizem, tipifica a cena belga dos anos 70 como nenhum outro. Muitos truques para efeitos sonoros (como um órgão Farfisa tratado via pedais Fuzz e Wha-wha, mais uma câmara de eco com alteração de velocidade), muitos instrumentos com sonoridade modificada (baixo, guitarra etc.) via sintetizador EMS, todo aquele "sabor" Zeuhl/Jazz (Daniel Schell e Marc Hollander eram fãs do Magma, do Zao e de Henry Cow), um aprimoramento em relação à estreia, uma evolução repleta de ideias e refinamentos, atmosferas elegantes, uma joia. O álbum foi bem recebido pela crítica da época e vendeu relativamente bem na Bélgica, Alemanha e França.
Graças ao sucesso crescente, o Cos fez turnês para promover o álbum. Marc Hollander passou a montar um selo, o Crammed Discs, e fundaria outra banda (o Aksak Maboul). Aos poucos, ele foi deixando o Cos e Charles Loos voltou. "Babel", o terceiro álbum lançado em 1978, foi gravado durante 77, e ainda soa bastante como os dois primeiros. Embora ainda seja excelente e estejam mantida a evolução musical (com a integração de inúmeras influências como dodecafonismo, erudito, minimalismo, Jazz-Rock, Disco Music, Krautrock etc.), no geral, o trabalho fica um pequeno degrau abaixo dos dois primeiros. A banda ainda lançou "Swiß Chalet", em 79, um álbum conceitual, espécie de ópera, contando uma história de um gigolô que seduz mulheres ricas na Suíça. As faixas retratam a história e suas personagens. O baixista novo Jean Mutsari (de Ruanda) traz influência significativa para a sonoridade aqui acrescentando um viés africano (o novo baterista Philippe Allaert, de origens congolesas, também contribui com isso). Trata-se de nova evolução artística, agregando musicalmente novas influências, inclusive da música eletrônica e da New Wave. Este trabalho foi mal recebido pelos fãs do Prog-Rock. O Cos seguiu gozando de grande popularidade em vários países europeus, mas após esse disco Alain Goutier e Charles Loos cessam suas participaçõoes na banda. Na sequência, foi a vez da cantora Pascale Son sair. Daniel Schell, no entanto, decide seguir em frente. Em 82, ele e Philippe Allaert se cercam de novos músicos e gravam "Pasiones" (lançado em 83), uma produção atípica, outro álbum conceitual de ópera, que até teve uma boa recepção mantendo a banda ativa até 84, quando Allaert saiu e pôs fim ao grupo.







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