sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Wara - "El Inca" (1973)

 

Banda formada em La Paz (sim, na Bolívia), em 1972. Dante Uzquiano conheceu Omar León no caminho de volta de Buenos Aires para La Paz. Eles voltavam do "BA Rock", o primeiro festival de Rock que aconteceu na Argentina, em 1971. Eles se aproximaram pelo tamanho do cabelo, mas logo perceberam gostos comuns e combinaram um encontro. Em La Paz, os dois se juntaram a Jorge Comori (guitarras) e a Pedro Sanjimés (teclados), que posteriormente os apresentou a George Cronembold (bateria). Pouco depois, Carlos Daza se juntou ao grupo (aliás, Daza, Cronembold, Comori e Uzquiano já haviam tocado num grupo de música de bailes chamado "Conga"). Comori decidiu deixar o grupo. A formação ficou: Omar León (baixo), Pedro Sanjimés (teclados), George Cronembold (bateria) e Carlos Daza (guitarras). Nataniel Gonzales (vocais), vindo de Oruro, se juntou a eles (Dante Uzquiano permaneceu na banda, porém absorvido pelos estudos). A afinidade dos integrantes e as composições que foram surgindo gravitavam em torno do Rock Progressivo.
Em pé: Jorge Cronembold, Pedro Sanjimés e Carlos Daza.
Sentados: Nataniel Gonzales e Omar León
"Wara" significa "estrela" na língua Aymará (povo conhecido como Quollas e estabelecido desde a era pré-colombiana no sul do Peru, Bolívia, Argentina e Chile - foi Dante Uzquiano, então estudante de antropologia/arqueologia, que escolheu este nome, uma palavra que não era da língua espanhola, nem inglesa, para identificar que o grupo era claramente boliviano e se tornaria exportador de música). Era a década de 70, grupos de Rock locais prestavam tributo ao Led ZeppelinUriah HeepYesAlice Cooper etc. A contracultura desenvolvia-se sem que os poderes políticos conseguissem detê-la (lembrando que a Bolívia vivia sob a ditadura militar de Hugo Bánzer Suárez, com elevados níveis de repressão e discriminação). Conseguiram gravar um LP intitulado "El Inca (Música Progressiva Boliviana)", que revolucinaria a cena local musical por seu estilo único, fusão de melodias nativas com Prog-Rock sinfônico, algo que não soava como nenhuma outra banda. Havia obviamente influências de bandas inglesas como Uriah HeepDeep Purple (do início), Atomic Rooster etc., havia os vocais em espanhol (letras muito patrióticas e sentimentais), guitarras incendiárias, aquela típica sonoridade setentista, elementos de Hard Rockriffs blueseiros e a participação de músicos convidados para criar um aspecto mais orquestral (flauta, violoncelos, violinos, oboé, fagote). Bem, a cena musical boliviana nunca teve destaque quando falamos em Rock latino-americano, mas o Wara fez bonito aqui. 
No lado 1, "El Inca (El Señor De La Tierra)" com mais de 7 minutos, "Realidad" com mais de 5 minutos e "Cancion Para Una Niña Triste", belíssima canção com quase 6 minutos. No lado 2, "Wara (Estrella)" com mais de 8 minutos e "Kenko (Tierra De Piedra)" com mais de 6 minutos. Enfim, um Hard Prog, mesclando momentos mais tranquilos com outros mais roqueiros, linhas de baixo/bateria bem legais, muitos backing vocals em harmonia e climas bluesy. Pouco depois, Cronembold e León mergulharam numa pesquisa em comunidades andinas. Cronembold contou: "Meus estudos no conservatório nos levaram a frequentar festivais de música nativa e a gravá-los. Como vestíamos jaqueta de couro e calça jeans, nós érams vistos com desconfiança, mas aos poucos fomos nos aproximando e membros das comunidades perceberam nossa sinceridade". Eles passaram a buscar encontrar uma identidade para o Rock nacional naquela música nativa. Assim, o Wara passou a adicionar elementos Folk, andinos, da cultura e das raízes do povo boliviano. Como desdobramento, nasceu o álbum "Maya", o primeiro da série "Hichhanigua Hikjatata", totalmente composto na língua Aymará (essa expressão título significa "Agora você vai me encontrar"). "Era hora de resgatar o ser boliviano e essa ideia é válida até hoje, porque os bolivianos continuam num processo de busca por sua própria identidade cultural", afirmou Cronembold há alguns anos. Nesse "Maya", a banda buscou interpretar musicalmente o livro "Raza de Bronce", do autor Alcides Arguedas, um historiador famoso e obra considerada fundamental no movimento indigenista sulamericano. Musicalmente, a coisa tornou-se um Prog Folk Rock envolvendo mais experimentação com instrumentos andinos. A banda se fixou com Carlos Daza (violões, guitarras, sopros e percussões), Omar León (baixo, guitarra, sopros e percussões), Dante Uzquiano (vocais e percussões), George Cronembold (percussões), além de um grupo de músicos flautistas (sopradores de quena) e tocadores de charango (pequeno violão andino). Nessa linha musical de fusão folclórica, eles lançaram "Maya" (em 75), "Paya" (em 76), "Quimsa" (em 78), "Pusi" (em 82), "Pheska" (em 89) e "Sojta" (em 92). 




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