Houve inúmeras conexões com o Deep Purple no álbum "Rampant" de mai/74. Como "Machine Head" do Purple, "Rampant" foi gravado em Montreux, Suíça, no equipamento móvel dos Rolling Stones e mixado no Kingsway Recorders (do cantor do Purple, Ian Gillan). Além de ser supervisionado por Glover, incluiu uma participação especial do tecladista do Purple, Jon Lord, em "Glad When You're Gone" e em "Shanghai'd In Shanghai". Como era a norma para bandas de Rock naquela época, o Nazareth estava trabalhando num ritmo surpreendentemente rápido: McCafferty conseguiu gravar sete faixas vocais em um único dia! Além disso, "Rampant" foi o terceiro álbum do Nazareth em um período turbulento de 15 meses. O álbum trouxe o grupo temperando seu ataque Hard Rock de batida constante com uma surpreendente e eficaz ponta de Southern Rock nas canções. O resultado foi um álbum que soava como um cruzamento do AC/DC antigo com Lynyrd Skynyrd em seus momentos mais pesados. Alguns dos destaques incluíram "Glad When You're Gone", combinando Country com riffs de guitarra encharcados de wah-wah, e "Jet Lag", um olhar irônico sobre a vida de um roqueiro em turnês. No entanto, a melhor canção era a poderosa faixa de abertura, "Silver Dollar Forger", um conto Hard Rock de um fora da lei correndo para casa com os policiais em seu encalço com um arranjo surpreendentemente elaborado e muitos riffs de guitarra impulsionadores. Soava como tema de algum filme de perseguição de carro dos anos 70 que nunca existiu. "Rampant" também gerou um single de sucesso e favorito das rádio com "Shanghai'd in Shanghai", um Rock bate-estacas que funcionava numa batida eficaz e forte com seu refrão gritado. Uma desvantagem deste álbum é que ele não tinha o lado experimental de "Razamanaz". Havia pouca variação no estilo ou elementos musicais de faixa para faixa. Mesmo assim, "Rampant" é uma coleção consistentemente energética e envolvente de Hard Rock com toques sulistas que agradou em cheio a base de fãs do Nazareth e até conquistou fãs de grupos como Lynyrd Skynyrd e Molly Hatchet. "Naquela época, ficávamos completamente pasmos ao ler que o Emerson Lake & Palmer estava no estúdio há seis meses", Agnew contou com um encolher de ombros. "Em 1973-74, além de gravar, também conseguíamos fazer cerca de 250 shows. Estes anos são um borrão para mim". A amnésia do baixista não foi causada pelo que você poderia esperar. Embora sua canção de estrada simbólica "Jet Lag" tenha citado NYC, Macon, El Paso, Detroit e Colorado, a banda esclareceu que, para eles, groupies e drogas — mercadorias consumidas avidamente pela maioria no circuito de turnês dos EUA — estavam fora do menu. "Não estou tentando soar nobre, mas eu tinha uma esposa e filhos”, diz McCafferty. "As pessoas perguntavam: 'Você quer tentar isso?'. Mas eu recusava tudo, porque eu era tão ingênuo, que pensei que me tornaria um viciado em drogas instantaneamente".
Agnew: "Fizemos turnês por lá com a maioria das bandas britânicas. E embora eles voltassem falando sobre drogas, raramente vi algum dar uma tragada (de baseado). Para muitos deles era só conversa; eles sabiam que se fossem pegos dando uma tragada, perderiam o visto daquele jeito [estala os dedos]". "As bandas americanas tendiam a ser diferentes", McCafferty aponta ironicamente. "Tommy Bolin (guitarrista do Deep Purple, cujo vício em heroína o matou em 1976) era um cara tão talentoso, mas ele costumava ficar tão picado. Ele dizia: 'Cara, eu caí do palco hoje à noite - eu rasguei a merda das minhas calças'. Ele literalmente caía 30 pés e não se machucava, porque era muito mole. Claro, nós também tocamos com o Aerosmith". "Aqueles caras eram um indicador do que não fazer", Agnew completou sabiamente. Da mesma forma, Keith Moon. "Tocamos com o The Who e como eles aguentaram todas aquelas palhaçadas é algo que nunca saberei. Se ele fosse o baterista do Nazareth, seria um caso de, 'Audições agora, por favor!'. Uma vez experimentei um trago de cannabis – tudo o que houve foi me deixar realmente tonto e foder minha performance. A única vez que essa banda fez papel de boba foi com a ajuda de uma garrafa de uísque. É verdade, tínhamos uma reputação por isso. Mas era só porque todo mundo estava chapado". "Rampant" pode ter sido o último álbum do Nazareth a entrar no Top 20 britânico, mas seu sucessor "Hair Of The Dog", de abr/75 (com produção própria de Manny Charlton e concluído em apenas nove dias numa casa numa parte remota de Kent) reforçou o domínio do grupo sobre o mercado americano e a grana aumentou significativamente após seu lançamento.
Depois de construir lentamente, mas seguramente, uma base de fãs ao redor do mundo com os álbuns "Razamanaz", "Loud 'n' Proud" e "Rampant", o Nazareth finalmente atingiu o auge em 1975 com "Hair of the Dog". A faixa-título definia o clima para este álbum austero de Hard Rock com sua combinação de riffs de guitarra implacáveis, uma batida pulsante, movida por cowbell, e um vocal raivoso de Dan McCafferty que denunciava um "destruidor de corações, agitador de almas". O resultado final foi um Rock memoravelmente feroz que se tornou figurinha fácil nas estações de rádio roqueiras. O restante do álbum dividia o tempo entre uma parte Hard Rock igualmente pulverizadora e alguns experimentos intrigantes com o som do grupo. Na categoria Rock, faixas notáveis incluíam "Miss Misery", um lamento de um romance ruim conduzido por um riff amaldiçoado digno do Black Sabbath, e "Changin' Times", uma melodia Hard Rock pulsante conduzida por um riff de guitarra hipnótico e circular. Na categoria experimental, o grande destaque era "Please Don't Judas Me", uma faixa épica sobre paranoia que trocava riffs pauleira por uma atmosfera assustadora, dominada por sintetizadores, que era ainda mais aprimorada por um trabalho de slide guitar. A edição americana deste álbum também incluiu um hit surpresa para o grupo com sua reinterpretação de balada poderosa do clássico "Love Hurts" (dos Everly Brothers). No entanto, o destaque surpresa do álbum era mesmo uma faixa que preenchia a lacuna entre o Hard Rock direto e as canções experimentais, "Beggars Day/Rose in Heather". Ela começava como um Rock pesado, mas se transformava suavemente no meio do caminho em um instrumental moderado e espacial, onde linhas de sintetizador elevadas davam suporte a um trabalho de guitarra temperamental. No geral, "Hair of the Dog" é o melhor álbum da carreira do Nazareth. É obrigatório tanto para os fãs do grupo, quanto para qualquer um que ame o Hard Rock dos anos 70.


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