sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Hard Rock escocês do Nazareth

 

Manny Charlton, Pete Agnew, Dan McCafferty e Darrell Sweet
Nazareth foi formado em dez/68 em Dunfermline, Escócia, a partir de membros de um groupo semi-profissional local chamado "The Shadettes" (que contava com Dan McCafferty nos vocais, Manny Charlton nas guitarras, Pete Agnew no baixo e Darrell Sweet na bateria). Eles eram inspirados pelos Beatles e pelos Rolling Stones. Vamos fazer uma retrospectiva dessa história toda e reavaliar a discografia da banda. Agnew e McCafferty haviam se conhecido no primeiro dia de aula, na escola, aos 5 anos de idade. Ali, de cara, eles foram colocados para dividir uma mesinha dupla e se tornaram os melhores amigos para a vida toda (veja só o que é o destino). "Lembro-me da data exata em que nos tornamos profissionais em tempo integral", diz Pete. "Foi no dia primeiro de jul/71 e nosso empresário nos disse: 'Virem profissionais e eu lhes pagarei o mesmo salário que vocês ganham agora'. Estávamos todos casados ​​na época, então, embora não fosse muito dinheiro, tornou as coisas muito mais fáceis para realmente começarmos""Mas nós tivemos que lutar e insistir um pouco", contou o vocalista Dan McCafferty com um sorriso. "Nós já tínhamos alguns shows regulares e estávamos ganhando um bom dinheiro além dos empregos diários. Nós decidimos que testaríamos por um ano. Se não desse certo, então poderíamos todos voltar a trabalhar em empregos. E é algo que fazemos até hoje – todo primeiro de julho, Pete ou eu ligamos um para o outro e dizemos: 'Você gostaria de testar mais doze meses?'"Em 1967, Agnew montou seu primeiro grupo de destaque, The Shadettes – que foi onde eles encontraram o futuro baterista do Nazareth, Darrell Sweet. "Ele tinha apenas 16 anos, tocava bateria em uma banda de gaitas de fole e costumava aparecer em nossos shows de kilt – às vezes um bastante desgastado pelo uso", lembra Agnew. "Às vezes, chamávamos Darrell para o palco para tocar conosco e ele acabou se juntando a nós"Até Dan McCafferty chegar um ano depois, Pete Agnew tinha sido um dos dois vocalistas da banda. McCafferty se tornou um Shadette em circunstâncias bem semelhantes às que Bon Scott mais tarde se juntaria ao AC/DC"Eu era o roadie da banda. Quando um dos cantores decidiu que estava saindo no dia de um show, os caras decidiram me dar uma chance. Eles já tinham me ouvido cantando na van. Mas foi um caso de entrar direto e sem ensaio. A roupa amarela de Des, o cara que tinha saído, praticamente serviu e se encaixou em mim"A marca registrada vocal de McCafferty sempre foi sua aspereza. E embora ele tenha fumado a vida toda, ele não tem uma explicação real para a abrasividade, ou fortaleza, de sua laringe. "A única coisa que consigo pensar é que sou um cara que veio do trabalho braçal", ele conta. "Se você pensar sobre isso, Bon Scott e Brian Johnson também trabalhavam duro a semana toda. Talvez, como eu, eles tenham levado essa agressividade para o palco com eles"A peça final do quebra-cabeça foi Manuel 'Manny' Charlton, um guitarrista que a banda conhecia há muitos anos, mas cuja escolha em 68 os estimulou a descartar toda aquela mentalidade rígida de Top 40 das bandas de baile. "Quando Manny entrou, ele foi o primeiro cara a sugerir escrevermos nossas próprias canções", diz Agnew. "Nós nunca tínhamos pensado nisso até então, porque eles empregavam você como uma jukebox humana. Então, de repente, Zeppelin, Purple e Spooky Tooth apareceram e toda uma gama de possibilidades se abriu".
Em dez/68, o quarteto decidiu se mudar o nome para "Nazareth", tirando o nome da icônica canção "The Weight" ('I pulled into Nazareth, feeling 'bout half past dead') da The Band (lembrando que a Nazaré a que se refere esta canção fica na Pensilvânia). Por vezes, este nome os fez serem confundidos com uma banda religiosa — e até mesmo trouxe algumas mensagens de ódio, no começo — mas era um nome memorável o suficiente. O fato de terem um patrocinador financeiro sólido na forma do empresário de bingo Bill Fehilly (o empresário mencionado no início deste artigo) também ajudou. O primeiro show oficial do Nazareth fora da Escócia foi no Marquee, em Londres, e a banda teve suas primeiras fotos publicitárias tiradas no pub de topless ' The Nell Gwynne', na Wardour Street"Ainda tínhamos palha saindo das orelhas", diz Agnew. "Mas quando nossas esposas viram as fotos com as strippers… Cara, putz, foram muitas as explicações que tivemos que dar"
A extensa agenda de shows da banda chamou atenção da Pegasus Records, para quem eles eventualmente gravariam seu álbum de estreia autointitulado "Nazareth" (de nov/71). Apresentando um cover de "Morning Dew", de Tim Rose, o álbum decolou na Alemanha, mas não fez tanto sucesso no Reino Unido. Trata-se de um disco que pode surpreender os fãs que só conhecem o Nazareth por seu Hard Rock e pelas baladas poderosas que caracterizariam a carreira da banda pouco à frente. Aqui, havia uma coleção de canções diversificadas que apontavam para as tendências que dominariam a produção posterior. Embora certamente não tivesse a consistência de álbuns futuros, era um trabalho bem legal e surpreendentemente aventureiro. O som era, no geral, mais suave, mas sem que faltasse o bom e velho Rock pauleira. Destaques para "Witchdoctor Woman", para o cover "Morning Dew" (um clássico Folk transformado num épico Hard Rock e vitrine para o imaginativo trabalho de guitarra de Manny Charlton), para as baladas country "I Had a Dream" e "Country Girl" (com melodias sonhadoras num clima suave de teclados e guitarras). A abordagem experimental e carregada de efeitos usada para dar vida às canções era outro ponto de interesse (por exemplo, em "Fat Man", o uso de um pedal "talk box" em grande parte dos vocais, o que realçava a solidão da letra). Havia também toques de orquestração (como em "Red Light Lady"). Em resumo, era uma estreia que utilizava muitos estilos diferentes para mostrar talento e habilidades.


Para o álbum seguinte, "Exercises", de jul/72, Roy Thomas Baker (que, mais tarde, trabalharia com o Queen, Alice Cooper e Foreigner, entre muitos outros) foi promovido de engenheiro de som a produtor. Foi um esforço contendo faixas predominantemente acústicas, com harmonias exuberantes, e poucos sinais do Rock agressivo apresentado na estreia. Alguns bons momentos, mas certamente foi o documento de uma banda que cometeu um erro temporário ao decidir sua direção musical. Nos shows, o Hard Rock puro e poderoso já lhes fazia fama, mas aqui eles decidiram abandonar o ataque pesado. Em faixas como "Madelaine" e "In My Time", a banda soava mais como descontraídos baladeiros Pop (e nada parecidos com Deep Purple ou Thin Lizzy). E este papel folkie acústico não combinava em nada com o Nazareth. Nos poucos destaques, havia "Woke Up This Morning" (uma faixa forte que oferecia uma performance vocal bluesy de Dan McCafferty, ritmo forte e ótimo trabalho de slide guitar de Manny Charlton), "Called Her Name" (outra com ritmo consistente e soando com pegada forte) e "1692 (Glencoe Massacre)", mas no todo foi um álbum que soava leve e sem direção. "Enquanto fazíamos o primeiro álbum, Alex Harvey (da The Sensational Alex Harvey Band) nos visitou no estúdio", lembra Agnew. "Ele percebeu que estávamos infelizes e nos deu um bom conselho: 'os engenheiros trabalham para nós, então devemos dizer a eles o que fazer". Entretanto, mesmo em 'Exercises', ainda não tínhamos ideia de que tipo de banda queríamos ser. Em termos de vendas, foi um desastre. Só minha mãe o comprou". Felizmente, com a ajuda do baixista/produtor Roger Glover (do Deep Purple), a banda conseguiria retornar ao seu estilo Hard Rock e finalmente capturar seu som ao vivo no seu álbum seguinte, que lhes consolidaria reputação como banda do alto escalão dos anos 70.


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