Ah, o hard rock americano setentista! Seu som cru de pegada forte difere bem (pra quem tem ouvido iniciado) do clássico hard rock inglês. Grand Funk e Bang que o digam. Entre tantos outros exemplos, está esse grupo que surgiu na forte cena regional de Forth Worth, interior do Texas. Foram famosos no circuito texano que tinha muita projeção no sul da Califórnia. Com seu som vigoroso e guitarresco, abriram shows para Beach Boys e para o próprio Grand Funk, cujo produtor, Terry Knight, deu uma força na carreira dos rapazes. Seus álbuns tiveram boa projeção regional e são verdadeiros tesouros perdidos por aqui ou mesmo em outras praias do mundo. Com o advento do cd e, posteriormente, das plataformas digitais, ampliou seu público. A banda segue na ativa, mas foi nos anos 70 que consagraram seu estilo.
Tudo começou ainda no início da década de 60. O núcleo do que viria a ser o Bloodrock se formou em 1963, sob o nome de The Naturals. Faziam covers do top 40 dos charts americanos e participavam assiduamente das famosas Battle of Bands, que tanto fomentou a cena musical americana. Tiveram até um single lançado em 65, sem qualquer repercussão. No ano seguinte, mudaram nome (e formação) para The Crowd + 1, sob o qual também lançaram outro compacto. O resultado foi um pouco melhor em virtude do aumento da base regional de fans. Mas foi a partir de 1969 que tudo começou a mudar. Conheceram Terry Knight que sugeriu a mudança para Bloodrock e contratou os rapazes, dando-lhes um novo direcionamento musical. O resto é uma história muito pouco conhecida.
Com uma formação de sexteto gravou dois belos discos em 1970. Bloodrock e Bloodrock 2 figuraram entre as 30 primeiras posições da Billboard com seu rock encharcado de blues e Bourbon, sonoridade típica do lado rocky do Texas. Para se ter uma ideia do estilo do pouco conhecido grupo, podemos afirmar que os integrantes do Black Crowes tiveram acesso e ouviram muito os seus álbuns. O ano de 1971 também marcou o lançamento de mais dois discos, Bloodrock 3 e Bloodrock USA. Ótimos álbuns de hard rock, mas com desempenho inferior nos charts, à esta altura novamente dominados por outra invasão britânica capitaneada por Zeppelin, Purple e Sabbath.
A partir de 1972 a banda sofre mudanças na formação e muda o direcionamento musical. Influenciados pelo prog, adicionam instrumentos de sopro e ampliam as harmonias dos teclados em sua música, perdendo um pouco a identidade que flutuava indecisa entre o prog e o jazz. Os discos lançados em 72 e 74 (Passage e Whirlwind Tongues) são até interessantes, mas parece uma outra banda. As atividades são encerradas com a total falta de repercussão desses lançamentos.
Com a força da digitalização seus discos voltaram a agitar o mercado e a banda se reuniu em 2005, com a formação clássica dos primeiros discos. A partir daí uma enxurrada de live álbuns e coletâneas inunda o mercado e recoloca o grupo em evidência. Mesmo sem lançamentos inéditos, a banda segue em atividade. De qualquer forma, seus três primeiros discos são verdadeiros tesouros perdidos do hard rock ianque. Tenho os dois primeiros e afirmo que valem muito a pena. Pauleirinha da boa!

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