segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Grandes canções: Dexy's Midnight Runners — "Come On Eileen" (1982)

 

"Come On Eileen", linda canção do grupo inglês Dexy's Midnight Runners (creditada originalmente a Dexy's Midnight Runners & the Emerald Express), foi lançada em jun/82 como single antecipando o segundo álbum da banda, "Too-Rye-Ay" (de jul/82). "Come On Eileen" alcançou o nº. 1 das paradas nos EUA e foi o segundo nº. 1 deles no Reino Unido (o primeiro foi "Geno"). A banda fora fundada em 1978, em Birmingham, Inglaterra, por Kevin Rowland (vocais, guitarra) e Kevin "Al" Archer (vocais, guitarra). A dupla havia participado de uma banda Punk de curta duração chamada "The Killjoys". O nome "Dexy's Midnight Runners" veio da droga "Dexedrine", muito usada na época por fãs de Northern Soul (como os dois Kevin) para conseguirem energia para dançar a noite toda. É mole? (o Northern Soul foi um estilo e um movimento musical e de dança, derivado dos Mods e da Black Music americana). A dupla recrutou músicos ("Big" Jim Paterson para o trombone, Geoff "JB" Blythe para o sax, Steve "Babyface" Spooner para o sax alto, Pete Saunders para os teclados, Pete Williams para o baixo e John Jay para a bateria) e esta formação passou a tocar ao vivo no final de 1978. Em meados de 79, Bobby "Jnr" Ward substituiu Jay na bateria.
O empresário do The Clash, Bernard Rhodes, assinou com eles e os encaminhou para um estúdio para gravar "Burn It Down" (composição de Rowland), que Rhodes renomeou como "Dance Stance". Em resposta para críticas de Rhodes aos seus vocais, Rowland desenvolveu um estilo mais emocional com teatralidade. Após uma série de shows abrindo para The Specials e usando ternos, Rowland decidiu que a banda precisava de um visual próprio. Tendo em mente o filme "Mean Streets" ("Caminhos Perigosos" no BR, filme de 73, de Martin Scorsese e estrelando Robert de Niro), todos passaram a usar jaquetas e casacos de couro, chapéus de lã, roupas de mau-encarados de rua. "Dance Stance" foi lançada pelo selo de Rhodes (com distribuição da EMI), mas sem todo o sucesso esperado. Como resultado, a banda se separou de Rhodes e assinou com a própria EMI, que destacou Pete Wingfield para produzi-los. O tecladista Saunders e o baterista Ward saíram e foram substituídos por Andy Leek e Andy "Stoker" Growcott, respectivamente. O single seguinte foi "Geno", que foi direto ao nº. 1. Era uma canção sobre Geno Washington, cantor de R&B americano dos anos 60, um dos primeiros artistas que Rowland viu. O sucesso até fez Washington voltar a se apresentar! O tecladista Andy Leek saiu (alegando que não queria ser famoso!) e Pete Saunders retornou para a gravação do álbum de estreia.
O álbum "Searching For The Young Soul Rebels" foi lançado em jul/80. A introdução com barulho de estações de rádio sendo ligadas e gritos de gangues ordenando "queimar tudo" soavam como se fosse um álbum do Sham 69. Mas quando a música começava, os sopros, o órgão Hammond e os vocais Soul não convencionais de Kevin Rowland deixavam claro tratar-se de um álbum de Soul inglês. Vibrante, vivo, despreocupado com perfeccionismos, Rowland no papel de vocalista inesperado, porém perfeito para capturar a época e o momento do Reino Unido (início do Thatcherismo). R&B, refrões atrevidos, toques de filmes noir, um álbum que foi direto aos corações ingleses, cultuado até hoje. A histórica capa (com um garoto católico de Belfast carregando seus pertences após ter que sair de casa por conflitos na Irlanda) foi escolhida por Rowland, um descendente irlandês. Frente a algumas resenhas pouco elogiosas na imprensa musical inglesa, Rowland impôs um embargo a entrevistas e, ao invés delas, publicava textos explicando a posição da banda em vários assuntos. Saunders, então, foi substituído por Mick Talbot nos teclados. Após alguns meses de turnê, Rowland insistiu para mudar a letra feita por Kevin "Al" Archer para o próximo single da banda, "Keep It". O single foi um fracasso e cinco membros debandaram, irritados com Rowland e sua política de não falar com a imprensa. Archer e Paterson permaneceram, a princípio, mas depois até mesmo Archer resolveu sair, o que reduziu o Dexy's a apenas Rowland e Paterson (os "Celtic Soul Brothers", nas palavras de Rowland, uma referência às origens escocesas de Paterson e às suas próprias irlandesas). Os dois passaram a compor novas canções e remontaram a banda com velhos amigos (Kevin "Billy" Adams na guitarra/banjo, Seb Shelton na bateria, Mickey Billingham nos teclados, Brian Maurice Brummitt no sax, Paul Speare no sax e Steve Wynne no baixo). Esta nova formação adotou também um novo visual que incluía capuz, botas de boxe, além de treinos de condicionamento físico (=malhação), que nas explicações de Rowland estimulava o espírito de luta (!). Beber antes dos shows era totalmente proibido.
"Plan B", o primeiro single dessa nova fase, saiu em mar/81, mas sem promoção pela EMI, fracassou. Daí, migrariam para a Mercury Records. O primeiro single seria "Show Me" (de jul/81) produzido por Tony Visconti, que alcançou o nº. 16 das paradas no Reino Unido. Houve uma sessão para a BBC na qual a banda apresentou uma prévia de faixas que seriam retrabalhadas para o segundo álbum. Wynne foi demitido e substituído por Mick Gallick (chamado de "Giorgio Kilkenny") no baixo. Kevin "Al" Archer, então, tocou para Rowland demos de seu novo grupo, The Blue Ox Babes, cheio de violinos. Rowland teve ideia de fazer a seção de sopros também tocar cordas. "Liars A to E", foi o terceiro single dessa nova formação, lançado em out/81. Naquele nov/81, eles tocaram três noites no The Old Vic, de Londres, com a seção de sopros também tocando cordas e a coisa funcionou perfeitamente bem. Ao se preparar para gravar o primeiro álbum pela Mercury, Rowland decidiu convidar músicos treinados para compor a seção de cordas (a "The Emerald Express"). Porém, todo esse interesse de Rowland por cordas e metais, fez com que Paterson e Maurice sentissem seu papel na banda diminuir e eles resolveram sair. Rowland ainda foi habilidoso para persuadi-los a gravar o novo álbum e esta formação confusa e fraturada gravou "Too-Rye-Ay" no início de 82, criando um híbrido de Soul e Celtic Folk similar à nova direção musical de Kevin "Al" Archer. Então, surpreendentemente, a coisa toda deu certo, o álbum mantinha toda a energia da estreia, enquanto adicionava calor e poesia. E, no meio de tudo, havia "Come On Eileen", um clássico atemporal, brilhantemente selvagem, encapsulando tudo que Rowland estava buscando fazer: uma fusão de Soul + Celta + R'n'R. Impossível não ser levando pela emoção, uma canção capaz de fazer o ouvinte querer dançar, chorar, rir e sei lá mais o quê. Dramática, pungente, inspiradora, majestosa, "Come On Eileen" (e todo o álbum "Too-Rye-Ay") é uma obra-prima impulsionada pela alma genial de Kevin Rowland e pela incrível banda que ele montou.



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