David Holland (nascido em abr/1948, em Northampton) foi um baterista inglês, mais celebrado por sua participação no Trapeze (entre 1969-79) e no Judas Priest (entre 1979-89). Aos seis anos, Holland começou a ter aulas de piano, mas logo desenvolveu uma "mania por bateria", em suas próprias palavras, e implorou a seus pais que o deixassem ter uma. Após sua primeira aparição como substituto numa banda local, Holland percebeu que queria realmente ser músico. Aos 14 anos, ele passou a tocar com outra banda local chamada "The Drumbeats", enquanto em paralelo vendia móveis e tapetes. Durante toda essa primeira fase juvenil, Holland ouvia Jazz tradicional. Sua primeira influência no Rock foi Johnny Kidd & the Pirates (grupo inglês que fez sucesso entre final dos anos 50 e meados dos anos 60). Mais tarde, ele se interessou pela Black Music no estilo de Booker T & the MG's, pelo Blues-Rock do Free e pelo Rock psicodélico e progressivo do Traffic. No início de 1965, ele ingressou na banda "Dorian Gray", de Northampton. Mais tarde naquele ano, Holland foi persuadido a sair e se juntar ao "The Liberators", que tinha contratos de gravação/gerenciamento e, em poucas semanas, evoluiu para "Pinkerton's Assorted Colours", uma banda Pop que fazia largo uso do Autoharp (uma espécie de cítara), na linha do "Loving Spoonful". Em 1966, um single, "Mirror Mirror" (lançado em jan/66 pela Decca e produzido pelo futuro produtor do Moody Blues, Tony Clarke), alcançou a 8ª posição nas paradas do Reino Unido.
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| Pinkerrton's Assorted Colours: David Holland, Barrie Bernard, Samuel Kempe, Tony Newman e Thomas Long |
Holland permaneceu na banda até ago/68, quando se juntou ao Finders Keepers (banda de Wolverhampton), um grupo de covers Pop. No entanto, Holland manteve um trabalho como músico de sessões de estúdio. Ele já não tocou no single "Smile a Little Smile for Me", lançado pelo Pinkerton's Assorted Colors sob o nome de "The Flying Machine". Os Finders Keepers, aos quais logo se juntaram Mel Galley (guitarra) e Glenn Hughes (baixo), gravaram vários singles, com algumas das canções hoje disponíveis em diversas compilações. Logo na sequência, o trio uniria forças com o vocalista/sopros John Jones e o multi-instrumentista Terry Rowley (do famoso The Montanas) para formar o Trapeze (cujo nome foi uma ideia de Terry Rowley).
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| Finders Keepers: Mel Galley, Glenn Hughes, Ian "Sludge" Lees, Dave Holland e Alan Clee |
O Trapeze apareceu no programa de TV britânico "Color Me Pop" e logo foi inundado por ofertas de contratos de gravação, incluindo um da Apple dos Beatles. A banda, no entanto, optou pelo recém-formado selo Threshold, pertencente aos membros do Moody Blues. O Trapeze logo abriria para os 'Moodies' e outras bandas conhecidas. Na Threshold Records, a banda lançou três discos, a estreia como quinteto e o restante como "power trio". O Trapeze estava ganhando força na época, especialmente no sul dos EUA, mas perdeu uma peça importante quando Glenn Hughes decidiu deixar a banda e se juntar ao Deep Purple para a gravação de seu álbum "Burn". Mel Galley e Dave Holland tentaram seguir em frente e adicionaram um baixista e um segundo guitarrista. A dupla também fez turnê como parte da banda de outra dupla, Justin Hayward e John Lodge, que estava lançando o álbum "Blue Jays" (de 75), durante um hiato do Moody Blues. Em 1978, o Trapeze gravou seu último LP de estúdio, "Running/Hold On". Anteriormente, Galley e Holland havia ajudado na gravação do primeiro álbum solo de Glenn Hughes, "Play Me Out", oferecendo uma mistura única de Jazz psicodélico e Funk. Em 1979-80, Holland gravou algumas partes de bateria para os álbuns solo de Justin Hayward, "Songwriter" e "Night Flight".
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| Judas Priest: Glenn Tipton, Rob Halford, K. K. Downing, Ian Hill e Dave Holland |
Holland deixou o Trapeze e se juntou ao Judas Priest em ago/79. Ele tocou bateria em muitos dos álbuns inesquecíveis do Judas, como "British Steel" (de abr/80), "Screaming for Vengeance" (de jul/82), "Defenders of the Faith" (de jan/84), "Turbo" (de abr/86) e "Ram It Down" (de mai/88). Durante a década de 1980, Holland também colaborou com o guitarrista Robin George, como parte de sua banda "Life" e no projeto solo de George, "Dangerous Music". Em 1989, problemas pessoais (questões de saúde e familiares) e diferenças musicais forçaram Holland a deixar o Judas Priest. Ele foi substituído pelo baterista original do Saints Or Sinners, Scott Travis, que também já havia tocado na banda Racer X. Ao longo da década de 90, além de fazer turnês com o Trapeze (brevemente reformado) e participar de várias bandas (como o Screaming Jets) durante suas turnês europeias, Holland deu clínicas de bateria e aulas particulares, gerenciou/produziu bandas (como a banda britânica "The Love Garden" e a banda sueca "Shutlanger Sam") e tocou em várias gravações de seus ex-companheiros. Em 96, ele participou de sessões que envolveram Glenn Hughes, Tony Iommi (do Black Sabbath) e o tecladista Don Airey (conhecidas como "The 1996 DEP Sessions"). Em 98, uma colaboração com Al Atkins, vocalista original do Judas Priest, foi lançada, apresentando alguns covers das primeiras músicas do Priest. Aliás, o Judas Priest com Atkins no comando havia tocado com o Trapeze em 1971.
Em 2004, Holland foi preso e posteriormente considerado culpado por um júri em Northampton por uma acusação de tentativa de estupro e cinco acusações de agressão indecente. Os crimes ocorreram na casa rural de Holland, em 2002, contra um jovem de 17 anos, que havia contratado Holland para lhe dar aulas de bateria. O júri também considerou Spiros Laouitaris, co-réu, de 22 anos, inocente de quatro acusações de agressão indecente. No veredicto, o juiz declarou que Holland havia "planejado deliberada e calculadamente uma estratégia para abusar jovem que sabia ser excepcionalmente vulnerável". Holland negou veementemente todas as acusações, dizendo ao tribunal: "Pode ter havido um abraço estranho ou algo parecido. Eu sei que é politicamente incorreto hoje em dia, mas as crianças gostam de receber um pouco de carinho". A vítima ocasionalmente passava a noite na casa de Holland, enquanto tinha aulas, e seus pais souberam do que Holland estava fazendo quando receberam uma carta de seu filho detalhando o abuso sexual. Ele foi condenado a oito anos de prisão. Numa entrevista durante o processo criminal, Holland revelou publicamente que era bissexual. Quando a notícia de sua prisão se tornou pública, Iommi removeu as faixas de bateria de Holland e regravou-as por Jimmy Copley, não querendo qualquer associação com um criminoso sexual condenado. Holland foi libertado da prisão em 2012. No final de 2006, entretanto, Holland disse ao autor Neil Daniels em uma carta da prisão que estava escrevendo sua autobiografia e declarou sua intenção de apelar da condenação, dizendo: "Fui condenado por um crime que não cometi, e como tantos outros em situações semelhantes àquela em que me encontro, uma ofensa que nem nunca existiu". Ele também criticou o próprio sistema legal, dizendo a Daniels: "Não há absolutamente nenhuma diferença entre os critérios que podem ser aplicados em crimes sexuais agora e aqueles que foram aplicados em casos de bruxaria no século XVII". Holland morreu em jan/2018, aos 69 anos, no Hospital Universitario Lucus Augusti, em Lugo, Espanha. Ele estava vivendo perto da cidade de A Fonsagrada (ele comprara uma propriedade rural e vivia lá como um desconhecido e sem ninguém nunca imaginar seu passado de fama). A morte foi devida a um câncer de fígado e de pulmão. Ele foi cremado.
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| Uma das últimas fotos de Holland |
A condenação de Dave Holland foi questionada em diversas ocasiões, tanto por sua mãe, parentes, por amigos (como o guitarrista K.K. Downing) e também por seus vizinhos em Lugo, todos descrevendo-o como alguém gentil, educado e amoroso, só teve boas lembranças dele. Em 2019, vieram à tona detalhes mais sólidos fornecidos pelo jornalista Mark Eglinton, que prestou diversas informações à imprensa, lançando dúvidas sobre um julgamento "cheio de irregularidades" reforçando a possibilidade de Holland ter sido ignorado/induzido a ser colocado atrás das grades por um estupro que não cometeu e que pode ter sido um enorme erro judiciário.





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