Achei que eu já tivesse resenhado essa pérola alemã do rock raro aqui ou no blog anterior, Sopranois. Procurei no mecanismo de busca de ambos e tive a grata surpresa de que esse cultuado e excelente grupo ainda estava inédito, exceto pelas dicas do guru do gênero, o ultra antenado Wagner Xavier, cujos vídeos o Brother John publica aqui com frequência. Pois é, trata-se de um excelente trio alemão que fazia um hard prog de primeira linha e lançou três ótimos álbuns nos anos 70. Embora tenha surgido no boom do krautrock germânico, seu estilo em nada se encaixa nesse gênero. Sua sonoridade é mais afeita aos grupos britânicos de hard e prog. Era como se os genes do Thin Lizzy e do King Crimson se misturassem numa alquimia improvável, surpreendente e maravilhosa.
Não me lembro como conheci a banda. Fato é que tenho o vinil original do último disco, Time Ride (hoje raríssimo e muito valorizado), há muito tempo. Imagino que o tenha descoberto nas produtivas prosas na lendária loja Rare Rock, em Juiz de Fora. Hoje possuo em cd todas as três excepcionais obras dessa banda que se separou em 73, mas que se reagrupou posteriormente e ainda continua em atividade com esporádicas apresentações pela terra natal e circuitos fronteiriços.
Formada na rica cena alemã da virada dos anos 60 para os 70 (não há informação precisa sobre a região ou cidade) por Gunnar Schaffer no baixo e vocal, Ringo Funk na bateria e Rainer Martz na guitarra e teclado, era muito elogiada no circuito de pubs e festivais ao ar livre, que aconteciam em abundância pela Europa daqueles tempos. Logo descolaram um contrato de gravação pelo ótimo selo independente alemão, Bellaphon, e obtiveram sucesso com os singles Heya e Na Na Hey He, inclusive com projeção em diversos países da Europa Central. O feito garantiu convites para acompanhamento de turnês do Steppenwolf e Credence pelo continente, além do ótimo grupo pop holandês Golden Earring.
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O primeiro álbum sai em 1970. Cosmic Blues é mais pesado do que seus sucessores, com franca inspiração nos ianques do Grand Funk Railroad. Um ótimo cartão de visitas. No ano seguinte sai o segundo e auto intitulado disco, conhecido como disco do índio por causa da capa, mantendo a mesma pegada e com ótimos hits. Com a explosão do rock progressivo, a banda decidiu incorporar alguns elementos do estilo e enriqueceram ainda mais seu som. Time Ride surge em 1972 como um álbum requintado, belíssimo, com climas envolventes e melodias fáceis. Para mim, seu melhor trabalho.
Infelizmente esses lançamentos muito acima da média do que foi produzido naquele rico período não alcançaram o merecido sucesso comercial, embora a banda continuasse prestigiada na Alemanha, Suiça , Bélgica, Holanda e até na Escandinávia e inclusive ganhado convite para abrir shows do Deep Purple nesses países. Mas trata-se de um som que agrada em cheio e certamente eleva o patamar de qualquer coleção de rock setentista. Em 2003, ganhou edições em CD com relativo sucesso, mas não o suficiente para tirá-los da obscuridade. Pelo menos motivou a reunião do trio que continua a se apresentar por aí, ou melhor (infelizmente), por lá!

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