O Marathon Man excursiona e grava com a The Allman Brothers Band, Gov’t Mule, The Dead (aka Grateful Dead), faz participações especiais em gravações e shows da brodagem e ainda arruma um tempo pra gravar disco solo (e duplo!). Isso tudo com o melhor timbre de guitarra que existe na atualidade e vocais absurdamente cheios de feeling.
De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?
Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.
O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.
A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.

Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.
O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.
Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.
O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.
A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.
Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.
Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.
Disc 11. Man in Motion2. River’s Gonna Rise
3. Everyday Will Be Like a Holiday
4. Sick of My Shadow
5. Your Wildest Dream
Disc 2
1. On a Real Lonely Night
2. Hattiesburg Hustle
3. A Friend to You
4. Take a Bullet
5. Save Me
Warren Haynes (guitarras e vocais)
George Porter Jr (baixo)
Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais)
Ian McLagan (Wurlitzer e piano)
Raymond Weber (bateria)
Ron Holloway (sax tenor)
Ruthie Foster (backing vocais)
De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?
Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.
O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.
A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.

Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.
O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.
Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.
O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.
A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.
Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.
Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.
Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.
Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.
Disc 1
1. Man in Motion
2. River’s Gonna Rise3. Everyday Will Be Like a Holiday
4. Sick of My Shadow
5. Your Wildest Dream
Disc 2
1. On a Real Lonely Night
2. Hattiesburg Hustle
3. A Friend to You
4. Take a Bullet
5. Save Me
Warren Haynes (guitarras e vocais)
George Porter Jr (baixo)
Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais)
Ian McLagan (Wurlitzer e piano)
Raymond Weber (bateria)
Ron Holloway (sax tenor)
Ruthie Foster (backing vocais)

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