domingo, 1 de fevereiro de 2026

CRONICA - COLOR HUMANO | Color Humano (1972)

 

Em 1972, o guitarrista Edelmiro Molinari fundou o Color Humano após o fim do Almendra. O projeto não se baseava em um power trio fixo: Rinaldo Rafanelli tocava baixo, enquanto a bateria era dividida entre David Lebón (ex-Pappo's Blues) e Rodolfo García, ex-baterista do Almendra, dependendo da música. Essa formação fluida refletia perfeitamente o estado do rock argentino na época: instável, em constante evolução, mas transbordando criatividade.

O nome do grupo não é insignificante. Color Humano foi emprestado diretamente da faixa principal do primeiro álbum do Almendra, composta por Edelmiro Molinari. Essa composição já funcionava como um verdadeiro manifesto estético: uma forma psicodélica, expansiva e imersiva, que flertava com o rock progressivo, onde sombras hendrixianas, lirismo dramático e tensão elétrica se cruzavam.

Ao batizar seu novo grupo dessa forma, Eldemiro Molinari afirma claramente sua linhagem, ao mesmo tempo que anuncia o desejo de ir além: rumo a um rock mais denso, mais abrasivo, mais visceral. Essa direção é plenamente confirmada por seu primeiro álbum, Color Humano, lançado em 1972 pela Microfon.

Embora haja algumas faixas folk com violão acústico delicado e vocais de apoio sussurrados, como “Padre Sol, Madre Sal” e “El Hachazo”, com sua atmosfera íntima e crua, esses momentos são fugazes. Este álbum é impulsionado principalmente por uma visão stoner rock e cósmica, profundamente influenciada pelo espírito de Jimi Hendrix, cantada em espanhol.

O exemplo mais marcante é “Humberto”, com mais de 10 minutos de duração. Uma peça elástica, uma verdadeira extensão de “Color Humano”, parece querer recapturar o espírito de “Hear My Train A Comin'”, mas de forma mais sombria, mais beligerante, mais alucinatória. Sobre um andamento lento e um baixo bluesy, o violão de seis cordas é imerso em efeitos wah-wah nebulosos, enquanto Edelmiro Molinari entrega vocais teatrais.

Quanto ao resto, “Silbame, Oh Cabeza” é um boogie rastejante e feroz que termina numa improvisação xamânica, nebulosa e jazzística, que lembra o Quicksilver Messenger Service enraizado nos pampas. Com uma sonoridade à la Pink Floyd, “Larga Vida Al Sol” tenta nos embalar numa névoa dramática com suas melodias. No hard jazz rock, a instrumental “Introducción Polenta” encerra este LP num cenário pesado e lunar.

Um álbum de estreia do Color Humano onde acid rock, psicodelia e cosmos se misturam com um blues intenso, anunciando um grupo pronto para explorar territórios sonoros desconhecidos.

Títulos:
1. Padre Sol, Madre Sal
2. Sílbame Oh Cabeza
3. Larga Vida Al Sol
4. El Hachazo
5. Humberto
6. Introducción Polenta

Músicos:
Edelmiro Molinari: Guitarra, Voz, Piano
Rinaldo Rafanelli: Baixo, Órgão, Coro
David Lebón: Bateria, Coro
+
Rodolfo García: Bateria

Produzido por: Edelmiro Molinari




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