quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CRONICA - PAPPO’S BLUES | Vol. 3 (1973)

 

Após o lançamento do segundo álbum do Pappo's Blues em 1972, o power trio argentino passou por mais uma mudança de formação. Carlos Pignatta (baixo) e Luis Gambolini (bateria) deixaram o grupo para se dedicarem a outros projetos, deixando Pappo sozinho no comando. Mas o guitarrista e vocalista, já considerado um dos músicos mais respeitados do rock argentino, não teve dificuldades em montar um trio sólido. Ele recrutou o baixista Carlos "Machi" Rufino, ex-integrante do The Walkers, e o baterista Pomo Lorenzo, ex-membro do Los Abuelos de la Nada.

Com essa nova seção rítmica, Pappo gravou o Vol. 3 para a Music Hall no mesmo ano , o terceiro LP do projeto Pappo's Blues.

Tal como os seus dois antecessores, o álbum é um hino de hard rock abrasador e intransigente, impulsionado por um som de blues elétrico pesado cantado em espanhol. Mas longe de se repetir, Pappo refina uma fórmula mais concisa e incisiva, interpretada por um trio formidável.

O álbum abre com a breve instrumental “Stratocaster Boogie”, um aquecimento boogie vigoroso que prepara o terreno perfeitamente para “Pájaro Metálico”, uma faixa supersônica onde a influência do Canned Heat brilha mais uma vez. A mesma marca é encontrada na galopante “Caras en el Parque”, onde o espírito de Hendrix também se faz presente.

Assim como nos volumes anteriores, a sombra do Black Sabbath paira sobre este LP cataclísmico. Primeiro com “Sucio y Desprolijo”, uma faixa suja e movida a querosene que dispara como um foguete interestelar. Depois, temos a aterrorizante “El Brujo y el Tiempo”, impulsionada por riffs devastadores e solos audaciosos.

Mas o trio também ampliou suas influências. Na enigmática “El Sur de la Ciudad”, na explosiva “Sándwiches de Miga” e na curta “Trabajando en el Ferrocarril”, é possível discernir toques celtas e country que lembram Mountain, Grand Funk Railroad ou até mesmo a Allman Brothers Band. Vale ressaltar que “El Sur de la Ciudad” é cantada por Carlos “Machi” Rufino.

Para o final, você precisa atravessar o Atlântico e se instalar em Belfast. Os 6 minutos de “Siempre es lo Mismo, Nena” revelam um blues pesado e imponente, fortemente inspirado na era Taste de Rory Gallagher. Um blues heavy metal capaz de fazer as paredes tremerem.

Mais uma peça essencial do rock nacional para ouvir bem alto!

Títulos:
1. Stratocaster Boogie
2. Pajaro Metalico
3. Sucio Y Desprolijo
4. El Sur De La Ciudad
5. Sandwiches De Miga
6. El Brujo Y El Tiempo
7. Trabajando En El Ferrocarril
8. Caras En El Parque
9. Siempre Es Lo Mismo Nena

Músicos:
Pappo: Guitarra, Voz;
Carlos “Machi” Rufino: Baixo;
Pomo Lorenzo: bateria

Produção: Jorge Álvarez, Billy Bond




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