O Invisible foi originalmente formado, em Buenos Aires, por Luis Alberto Spinetta (guitarras e vocais; um dos músicos de Rock mais influentes da América do Sul e, junto com Charly García, um dos pais do Rock argentino), após o fim de sua banda anterior, "Pescado Rabioso", no final de 1973. Para o baixo e bateria, ele buscou dois ex-Pappo's Blues, Carlos "Machi" Rufino e Hector "Pomo" Lorenzo, respectivamente (ambos tocaram no álbum "Vol. 3"). A estreia do novo trio aconteceu no Teatro Astral, em 23/nov/73, com boa aceitação de público. A música era Rock direto, pauleira, com influências de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Black Sabbath. A base feita por Machi e Pomo era excelente e somada às letras "delicadas" de Spinetta, logo chamaram atenção da gravadora Talent (selo argentino fundado como uma divisão "Rock" da Microfon, de Jorge Álvarez, e especializado em bandas locais de Prog e Hard Rock).
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| Pomo Lorenzo, Machi Rufino e Spinetta |
O trio oferecia nesses lançamentos um Hard Rock psicodélico misturado com Blues e Jazz, com solos de guitarra incríveis e trabalho de baixo/bateria sensacional. A foto com estrada de terra e as marcas de pneus, pegadas e uma poça d´água com reflexo do céu e das árvores tornou-se icônica na música argentina. Nada aqui tinha Prog, mas foi um início marcante (e um disco amado por muitos fãs de Rock argentino) refletindo as influências deles. No ano seguinte, surgiu "Durazno Sangrando", estreia por uma grande gravadora (a CBS) e um álbum totalmente Prog (e que muitos consideram o melhor trabalho deles). A música agora era bem menos Hard e amplamente apoiada nas letras poéticas muito bem escritas por Spinetta (baseadas no livro "Segredo da flor de ouro", de Carl Gustav Jung e Richard Wilhelm).
Originalmente, o LP vinha com um poster, que sofreria censura do governo da época por "lembrar o sexo feminino" (é mole?). Apenas 5 faixas, duas no lado 1 ("Encadenado al ánima" com quase 16 minutos e "Durazno Sangrando" com quase 4 minutos) e três no lado 2 ("Pleamar de águilas" com mais de 4 minutos, "En una lejana playa del animus" com mais de dez minutos e "Dios de la adolescencia" com menos de 3 minutos). O foco não estava no virtuosismo, mas na música em si, majestosa, inspirada, centrada no gênio de Spinetta. Misturando música erudita, o Rock sinfônico, o R'n'R, o Blues, a psicodelia, entre outros elementos, dali brotava um todo extremamente coerente (música descontraída e suave, lembrando algumas das grandes bandas italianas da época). Rock Progressivo de verdade, temas musicais memoráveis, excelentes performances, imprevisibilidade, num dos melhores trabalhos do grande Spinetta. O trio não costumava dar entrevistas e isso acabou criando uma aura mística em torno deles e rumores constantes.
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| Gubitsch, Machi Rufino e Luis Alberto Spinetta; Embaixo, Pomo Lorenzo |
P.S.: a banda se separou no final de 76 (o show de despedida aconteceu em 12/dez/76) por divergências internas. Spinetta seguiu em carreira solo.







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