sábado, 28 de fevereiro de 2026

Grandes canções: The Cure - "Pornography" (1982)

 

"Pornography", o quarto álbum do The Cure, foi lançado em mai/82. Precedido pelo single "Charlotte Sometimes", foi o primeiro álbum com o então novo produtor Phil Thornalley e gravado no RAK Studios, entre jan-abr/82. Estas sessões levaram a banda à beira de um colapso pelo uso pesado de drogas, brigas internas e a depressão do vocalista Robert Smith (que a despejou no conteúdo musical e nas letras do disco). O álbum acabou representando o capítulo final numa fase bem sombria da banda (na sequência "Seventeen Seconds", de 1980; "Faith', de 1981"; e depois "Pornography"). A formação na época era de trio (Robert Smith nos vocais, guitarras e teclados; Simon Gallup no baixo e teclados; Lol Tolhurst na bateria e teclados). Após o lançamento de "Pornography", o baixista Simon Gallup deixaria a banda e o Cure mudaria o som para um New Wave mais brilhante e acessível às rádios. Embora tenha sido mal recebido pela imprensa na época, o álbum foi adquirindo estatura ao longo das décadas e é hoje aclamado e considerado um marco no desenvolvimento do chamado "Gothic Rock". 
"Charlotte Sometimes" foi lançada em single em out/81, mas foi seu lado B, "Splintered In Her Head", pesada e alucinatória, que deu dica do que estava por vir. Robert Smith já revelou aspectos da concepção do álbum: "Eu tinha duas escolhas na época, que eram ceder completamente (e cometer suicídio) ou gravar um disco e tirar aquilo de mim". Ele também contou que realmente pensou que era aquilo era o fim do grupo, que ele teve toda a intenção de encerrar e que desejou fazer um disco definitivo tipo 'foda-se' e depois encerrar a banda. Smith estava mentalmente exausto durante esse período: "Eu estava com um estado de espírito muito deprimido entre 1981 e 1982. A banda ficava em turnê cerca de 200 dias por ano e aquilo tudo estava um pouco demais, porque nunca havia tempo para fazer mais nada". A banda, Smith em particular, queria fazer o álbum com um produtor diferente de Mike Hedges, que produzira "Seventeen Seconds" e "Faith". Smith e Tolhurst se encontraram brevemente com o produtor alemão Conny Plank nos escritórios da Fiction Records na esperança de que ele produzisse o álbum, já que ambos eram fãs de seu trabalho com o Kraftwerk, no entanto, o grupo logo decidiu por Phil Thornalley. "Pornography", ainda seria o último álbum do Cure a apresentar Tolhurst como baterista (a partir dali, ele se tornaria o tecladista da banda). Nas sessões de gravação do álbum, havia muitas drogas. A banda tomou LSD e bebeu muito álcool e, para economizar dinheiro, dormiu no escritório da gravadora. Smith relatou: "Tínhamos um acordo com fornecedores próximos dali e, em todas as noites, eles traziam suprimentos. Decidimos que não jogaríamos nada fora. Construímos uma montanha de embalagens vazias num canto, uma pilha gigantesca de lixo. Ela simplesmente foi crescendo e crescendo". De acordo com Tolhurst, "queríamos fazer um álbum definitivo e intenso. Não me lembro exatamente por que, mas fizemos". As sessões de gravação começaram e terminaram em três semanas. Smith observou: "Na época, perdi todos os amigos que tinha, todos, sem exceção, porque eu era incrivelmente desagradável, terrível e egocêntrico". Com o álbum, ele canalizou todos os elementos autodestrutivos de sua personalidade no sentido de fazer algo. A poderosa Polydor Records, dona do selo Fiction, inicialmente não gostou do título escolhido, que considerou potencialmente ofensivo. Descrevendo a música do álbum, o jornalista Dave Hill do NME escreveu: "Bateria, guitarras, vocais e produção unidos numa forma matadora de clima texturizado e crescente, espécie de Phil Spector no inferno" (uma alusão à "wall of sound" criada por Spector). Vocais carregados e desacelerados, overdubs, guitarras estranhas, atmosferas góticas e sinistras, som denso e realmente poderoso. Era uma descida completa até os territórios mais sombrios dos sentimentos, um pesadelo em espiral preso num mal-estar terminal do existencialismo juvenil. Intransigente e desafiador, até hoje.
Pornography / Pornografia
A hand in my mouth, a life spills into the flowers / Uma mão em minha boca, uma vida derrama entre as flores
We all look so perfect as we all fall down / Todos nós parecemos perfeitos como todos nós caímos
In an electric glare the old man cracks with age / Em um clarão elétrico, o homem velho se racha com a idade
She found his last picture in the ashes of the fire / Ela achou a última imagem dele nas cinzas do fogo

An image of the queen echoes round the sweating bed / Uma imagem da rainha ecoa ao redor da cama suada
Sour yellow sounds inside my head / Sons amarelos azedos dentro da minha cabeça
In books and films and in life and in heaven / Nos livros, nos filmes, e na vida, e no céu
The sound of slaughter as your body turns / O som da matança enquanto seu corpo gira

But it's too late / Mas é muito tarde
It's too late / É muito tarde
It's too late / É muito tarde
It's too late / É muito tarde

One more day like today and I'll kill you / Mais um dia como hoje e eu te matarei
A desire for flesh and real blood / Um desejo por carne e sangue real
I'll watch you drown in the shower / Eu assistirei você se afogar no chuveiro
Pushing my life through your open eyes / Empurrando minha vida por seus olhos abertos

I must fight this sickness / Eu tenho que combater essa doença
Find a cure / Encontrar uma cura
I must fight this sickness / Eu tenho que combater essa doença




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