sábado, 28 de março de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Corte Dei Miracoli - "Corte Dei Miracoli" (1976)

A banda "Corte Dei Miracoli" foi fundada em 1973 em Savona, Itália (cidadezinha litorânea na Ligúria, próximo da França). Todos os integrantes vinham de bandas anteriores: Graziano Zippo (vocais), Alessio Feltri (teclados), Michele Carlone (teclados), Gabriele Siri (baixo) e Flavio Scogna (bateria e percussões). Note a formação com dois tecladistas e nenhum guitarrista. Eles conseguiram gravar apenas um álbum pelo pequeno selo Grog Records (distribuído pela Fonit Cetra) com ajuda de Vittorio De Scalzi (guitarrista do New Trolls, que estava envolvido na gestão da gravadora). Claro que com dois tecladistas a música da banda era bem sinfônica, ora mais pesada, ora mais leve, geralmente lírica, moderadamente complexa, num todo criado por bons instrumentistas. Era uma mistura de elementos do Rock Progressivo (pense GenesisVan der Graaf GeneratorPremiata Forneria Marconi, etc.), mas era um Prog sinfônico diferente, muito melódico, que contrastava com outros grupos italianos da época. Michele Carlone, um dos tecladistas, deixou o grupo pouco antes das gravações do álbum, em 1975, e foi substituído pelo experiente pianista de Jazz Riccardo Zegna. Vittorio De Scalzi fez algumas guitarras (principalmente na faixa de abertura) e mixou o álbum.
Apenas cinco faixas: "...E Verrà L'Uomo" (7:00), "Verso Il sole" (6:34), "Una Storia Fiabesca" (6:52) no lado 1, "Il Rituale Notturno" (7:12) e "I Due Amanti" (13:40) no lado 2. Música emotiva, bonita, melodiosa, com excelente entrosamento instrumental, teclados duplos, momentos memoráveis e absolutamente lindos (lembrando Locanda Delle Fate e Banco em alguns aspectos), enfim, outra joia dos anos 70 produzida na Itália. Moog, sintetizadores emulando cordas, pianos acústico e elétrico, órgão Hammond, clavintete, são os teclados vintage que protagonizam este trabalho com orquestrações, camadas e efeitos de adorno. Boa qualidade de produção, sonoridade setentista, teclados clássicos, elementos jazzísticos, inspirações eruditas, romantismo sombrio, vocais apaixonados e intensos em italiano, grande profundidade emocional, tudo muito sinfônico, e a joia do álbum, a suíte final "I Due Amanti" (baseada na história do corcunda de Notre-Dame), épica e multifacetada. Alma, orgulho, emoção italianos palpáveis do início ao fim. Há semelhanças com o som de outras bandas, mas o resultado é distinto e único. Em 1976, o guitarrista Valerio Piccioli se juntou à banda, mas a Corte Dei Miracoli existiu até o verão de 1976, quando se desfez. Alessio Feltri, Gabriele Siri e Valerio Piccioli estiveram envolvidos numa segunda encarnação malsucedida do "Il Giro Strano", banda anterior deles, enquanto Zegna continuou no campo do Jazz formando o trio "Gialma 3".
Em 92, o selo Mellow lançou o CD "Dimensione Onirica" contendo gravações demo feitas entre 73-74 pela primeira formação da banda (contendo Michele Carlone nos teclados). Em 94, a Mellow soltou "Live At Lux", contendo gravação de um show em 76, já com a mesma formação do álbum autointitulado


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