segunda-feira, 23 de março de 2026

LARRY CORYELL ● The Eleventh House: Level One ● 1975


Artista: LARRY CORYELL 
País: Estados Unidos
Gênero: Jazz-Rock Fusion
Álbum: The Eleventh House: Level One 
Ano: 1975
Duração: 34:55

Nascido em 1943 na cidade de Galveston, Texas, Coryell cresceu em Seattle, Washington, onde sua mãe lhe colocou para ter aulas de piano aos 4 anos. Na adolescência ele mudou para a guitarra. Quanto à sua escolha de profissão, inicialmente foi estudar jornalismo na Universidade de Washington. Não obstante, a música estava sempre presente em sua vida, seja através de aulas particulares, seja prestando atenção a artistas como CHET ATKINSCHUCK BERRRYJOHN COLTRANEWES MONTGOMERYBEATLESTHE BYRDS e BOB DYLAN. Em 1965 Coryell se mudou para Nova York, e no ano seguinte formou um grupo de som psicodélico denominado THE FREE SPIRITS, no qual também tocava cítara e cantava. Além de começar suas colaborações com outras bandas. Seu trabalho começou a crescer de diferentes formas, seja individualmente, seja em parcerias.
E já no final de 1969 gravou, junto com John McLaughlinBilly CobhamChick Corea e o contrabaixista Miroslav Vitous, o disco Spaces, que alavancou ainda mais sua carreira. Segundo o site Progarchives, foi o embrião do jazz-rock fusion dos anos 70. Em 1972 Larry tocou no Festival de Jazz de Montreux, e também lançou uma de suas maiores obras-primas, o disco Offering. Pouco depois ele e outros músicos concretizaram o projeto THE ELEVENTH HOUSE, que apesar da curta duração, de 1973 a 1975 (um adendo: esse projeto ainda lançou mais um disco em 1976, não consegui descobrir se foram músicas previamente gravadas, ou se eram recentes), foi substancialmente produtivo, com turnês na Europa e até no Japão. Ademais, THE ELEVENTH HOUSE tocou em festivais e shows que contaram com outras bandas, como KISSFRANK ZAPPARENAISSANCEGENTLE GIANTYES RICK WAKEMAN. Depois disso, e até praticamente o final de sua carreira, ele enveredou por caminhos onde imperou a diversidade, e portanto se afastando muitas vezes do Jazz-Rock Fusion que marcou sua obra até 1975. De acordo com o Wikipedia, em 1979, junto com John McLaughlin e Paco de Lucia, seguiram em turnê pela Europa. Segundo o Progarchives, seu trabalho também se extendeu à educação musical, transmissões radiofônicas e jornalismo (escreveu uma coluna mensal na revista Guitar Player entre 1977 e 1989). Enfim, um legado gigantesco para a música.

Agora, vamos para a resenha do disco: ele é todo instrumental. O início é arrebatador, com harmonias e arranjos espetaculares, bem Mahavishnu Orchestra. A guitarra assume as notas mais longas, enquanto outros instrumentos dialogam entre si com notas curtas, e o baixo vai costurando tudo isso. Os solos de guitarra são magníficos! A música vai terminando com a diminuição gradativa de volume.

Na 2a faixa o clima é meio festivo, oferecendo também um pouco de um clima de certa celebração. Os sopros pintam a composição com um ar altivo e um feeling jazzístico. É uma composição executada no ponto certo da agilidade. As viradas de bateria estão excelentes. No meio da música alguns efeitos de wah-wah, levemente psicodélicos, são apresentados, sobretudo na guitarra. Os teclados têm bastante liberdade aqui, e fazem uso disso muito bem. Mais para o final o baixista faz leves mudanças de timbre, adotando um clima um pouco funkeado. Que conjunto incrível esses caras faziam!

A próxima música é tranquila, mais soft. Boa escolha de colocá-lo nesse lugar no álbum. As harmonias e viradas fluem gostosas. Algumas notas são um bocadinho brincalhonas.

Em "Some Greasy Stuff", o começo é bem funky, imprimindo um swing contagiante às performances. Pouquinho depois entram os sopros, em excelentes combinações de arranjos com os teclados, remetendo a uma proposta de uma big band bem dinâmica. E aí entra a guitarra roqueira de Coryell. E essas três diferentes idéias vão se alternando, se complementando, debatendo, conciliando, até o final da faixa.

"Nyctaphobia" é, para mim, junto com a 1a faixa do disco, duas das músicas mais incríveis de jazz-rock fusion que já ouvi. Extremamente dinâmica, com paradas precisas e geniais. Os timbres são geralmente graves e as execuções, grandiosas. As mudanças de cadência são sutis, e as mudanças de compassos são inteligentíssimas, muito elaboradas e ricas.

Na 6a faixa algumas idéias sinfônicas aparecem no início da composição, mas logo dão lugar ao jazz-rock fusion novamente. Pouco depois acontece uma seção mais introspectiva, com dedilhados gentis na guitarra, sopros sobrevêm, sem pressa, e marcações suaves na bateria e baixo completam o quadro. Segue-se a última parte, mais elétrica e enérgica. A composição nessa parte fica um pouco perdida, e termina de uma forma um tanto abrupta.

Na próxima música acontece um violão mais erudito, clássico, com cadências meio complexas. Há alguns elementos que se repetem, e que não são muito cativantes. Bem, a idéia de colocar essa proposta inteiramente acústica, nesse momento do disco, é ótima. Pena que é uma das performances menos inspiradas do disco.

Na 8a faixa voltam com seu estilo habitual. Dessa vez os músicos estão mais alinhados com a composição, ou seja, não assumem tantas liberdades quanto estavam fazendo na maioria das faixas anteriores. Há uns efeitos jocosos realizados nos sintetizadores, dando um charme extra à música. O final é um pouco mais simples, chegando até a parecer com o Passport.

Como encerramento, entregam uma fabulosa profusão de vivacidade e mudanças de compassos. Algumas distorções são feitas em alguns instrumentos, acrescentando força hendrixiana às execuções. Mais uma vez termina repentinamente.

Faixas:
01. Level One (3:21)
02. The Other Side (4:35)
03. Diedra (3:56)
04. Some Greasy Stuff (3:30)
05. Nyctaphobia (4:03)
06. Suite (5:32):
      - a) Entrance
      - b) Repose
      - c) Exit
07. Eyes of Love (2:35)
08. Struttin' with Sunshine (3:20)
09. That's the Joint (4:03)

Músicos:
- Larry Coryell / guitarra
- Mike Lawrence / trompete, flugelhorn
- Mike Mandel / teclados
- John Lee / baixo
- Alphonse Mouzon / percussão
Com:
- Steve Khan / guitarra de 12 cordas (faixa 1)


Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Mariel Roberts Musa – Sunder (2026)

O muro na fronteira entre os EUA e o México é um símbolo de divisão e, infelizmente, representativo de um clima político fabricado. Durante ...