quinta-feira, 5 de março de 2026

Ramiro Musotto - Sudaka (2004)

 


Em nossa seção sobre o melhor da música brasileira, relembramos o argentino Ramiro Musotto. Embora nascido na Argentina, ele passou seus últimos anos no Brasil, dedicando-se a explorar e desenvolver os sons de instrumentos tradicionais como o berimbau, entre outros. Hoje, trazemos de volta este álbum, que apresentamos há algum tempo. Pura luz, pura vida, pura música — tudo para manter viva a memória de um grande desconhecido, um mestre argentino do berimbau. E enquanto revisitamos grandes obras apresentadas há muito tempo, para que não caiam facilmente no esquecimento, lembramos novamente de Ramiro com este álbum singelo e vibrante. Com vocês, revivemos a música do Sr. Musotto, para que ele nunca deixe de estar conosco.


Artista: Ramiro Musotto
Álbum: Sudaka
Ano: 2004
Gênero: Percussão Tribal Afro-Brasileira / World Music
Nacionalidade: Argentina - Brasil


O texto a seguir corresponde ao período em que ele ainda estava neste mundo:
 Ramiro Musotto, como tantos outros argentinos que emigraram por volta de 1983, decidiu ir para o Brasil. Depois de viver um ano em São Paulo, mudou-se para o norte, para a Bahia, onde reside há 12 anos.
Curiosamente, Ramiro nasceu na cidade de Bahía Blanca, na província de Buenos Aires, Argentina — baiano de nascimento, mas baiano de coração e por adoção.
Hoje, ele mora em Salvador, onde se especializa em instrumentos tradicionais como o berinbau, o tímpano e outros instrumentos da região.
Sua formação musical foi aprimorada ao lado de gigantes da MPB (Música Popular Brasileira), como Carlhinos Brown, Maria Bethânia, Lenine, Marisa Monte, Lulu Santos, Daniela Mercury, Paralamas do Sucesso e outros astros brasileiros. Sua
música é uma maravilhosa fusão de folclore afro-brasileiro e música eletrônica.
Wikipédia





E eles pediram, algo que eu não sabia, mas mais uma vez Alberto (que está ganhando várias medalhas) aparece e entrega! Para encerrar uma semana repleta de contribuições e coisas estranhas que causaram sensação, este CD não decepciona em nada... porque ao ritmo de semicolcheias deslizamos pelas cordas de um berimbau, um em particular, aquele que soube fundir em um equilíbrio sutil a percussão acústica afro-americana e a música eletrônica. Vamos à resenha, onde contarei tudo sobre ele.

Para aqueles que não viram a resenha que fiz há algum tempo apresentando-o e falando sobre seu segundo álbum, vou copiá-la novamente:


 Então, andei pesquisando sobre Ramiro Musotto e aqui está o que descobri: ele nasceu em La Plata e morou em Bahía Blanca desde jovem. Aparentemente, ele já tocava na Orquestra Sinfônica da cidade antes mesmo de completar 18 anos. Ao mesmo tempo, participava de grupos dedicados à música de protesto latino-americana. Aos 18 anos, mudou-se para o Brasil e estudou percussão, primeiro em São Paulo e depois se estabeleceu em Salvador (Bahia), onde permaneceu por doze anos e ajudou a moldar o som (especialmente a percussão) da música pop baiana como a conhecemos hoje. Ramiro Musotto aplicou seus estudos em percussão, que incluíam desde rituais afro-brasileiros introduzidos pelo Candomblé até o axé, o samba reggae e as diversas variações da música eletrônica.
Seu trabalho inclui colaborações com alguns dos maiores músicos do Brasil, como Caetano Veloso , Marisa Monte , Gilberto Gil , Paralamas e Lenine , além de gravações com Jorge Drexler , Paulinho Moska e Kevin Johansen, entre outros.
Seu álbum de estreia, "Sudak"a (2001), fundiu música eletrônica repetitiva com cantos tradicionais brasileiros, criando uma das obras-primas essenciais da música brasileira. Foi gravado em um estúdio caseiro durante seu tempo livre enquanto fazia turnês com sua banda.
Este segundo álbum segue o mesmo caminho. É uma obra onde a percussão — principalmente afro-brasileira — e a música eletrônica se fundem, com cada elemento presente, mas sem ofuscar o outro. Essa síntese alcança um impacto poderoso, e a criação de paisagens sonoras, como espaços de contenção com diferentes camadas e temas, é crucial. É como se o álbum não fosse composto de canções, mas sim de passagens sonoras, onde a melodia fica em segundo plano (algo semelhante à abordagem de Jorge Reyes e companhia, mas em uma frequência diferente).
O álbum é dominado por ritmos folclóricos afro-brasileiros e afro-cubanos. Há Zamba, Batá, Capoeira, Rumba e Candomblé. O som do berimbau é explorado e está presente em todo o álbum (Musotto é um especialista nesse instrumento), que consiste em apenas duas notas.
Ele já foi descrito como "o Hendrix do berimbau", e embora seu alcance instrumental se estendesse muito além desse instrumento, a descrição reflete perfeitamente o talento de Ramiro Musotto.

Não tenho muito mais a dizer, só queria deixar isto para vocês ouvirem durante o fim de semana, e claro, não podia faltar no nosso blog...



Lista de Tópicos:
01. Caminho
02. Ginga
03. Raio
04. Botellero
05. Bayaka
06. Antônio das mortes
07. Ijexá
08. Xavantes
09. Neuquén torcazas
10. A dança do vermelho Tezcatlipoca

Formação:
- Ramiro Musotto / Todos os instrumentos (percussão, samplers, programação, cordas, etc.)





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