segunda-feira, 16 de março de 2026

The Darkness - One Way Ticket To Hell... And Back [2005]

 



O sucesso que o The Darkness atingiu com seu primeiro disco, "Permission To Land", foi espantoso. Qualquer fã de Hard Rock tirou chapéu pra façanha que os caras conquistaram ao colocá-lo no primeiro lugar das paradas britânicas, além de ótimas posições por toda a Europa e boa repercussão pela América. O single I Believe In A Thing Called Love elevou o nome do conjunto a ponto de ficarem conhecidos até mesmo no Brasil, quando a canção foi parar na trilha sonora de novela global!

Durante tempos sem surgimento de novos rockstars, eis que o The Darkness nasceu e chutou a bunda de todo mundo. A ansiedade aumentava quando se pensava que poderiam produzir mais coisa boa. Mas, após quase dois anos na estrada, o grupo demonstrou um sinal de fraqueza com a saída do baixista Frankie Poullain, aparentemente por diferenças musicais - no fim do texto, o real motivo de sua saída virá à tona.

O segundo álbum da banda começou a ser feito ainda com Poullain, que co-escreveu quatro canções do mesmo. O guitarrista Dan Hawkins gravou grande parte das linhas de baixo até que o novo baixista foi anunciado para terminar as gravações: o técnico de guitarra de Dan, Richie Edwards.

Da esquerda pra direita: Richie Edwards,
Justin Hawkins, Dan Hawkins, Ed Graham

"One Way Ticket To Hell... And Back" foi finalmente lançado em novembro de 2005, cerca de cinco meses após o previsto. Para os cegos que aguardavam um novo "Permission To Land", foi uma grande decepção. O The Darkness voltou com a corda toda, com a mesma sonoridade que o consagrou anteriormente, mas um pouco menos irreverente e um pouco mais sério.

Claro que a irreverência não foi deixada de lado. Os clipes, muito bem elaborados e que prendem a atenção do telespectador, são a maior prova disso. Trata-se, todavia, de um disco mais complexo em certos pontos. O grande fio condutor é o Hard Rock direto e reto com influências diretas de bandas como AC/DC e Slade, mas há nuances mais elaboradas no conjunto da obra, com direito a inserções discretas de gaita de foles, sitar, flauta, piano, sintetizadores e outros instrumentos pouco usuais no Rock. Como o líder Justin Hawkins definiu: "o The Darkness é o elo perdido entre um AC/DC gay e um Queen heterossexual".

Creio que a grande "culpa" disso seja do produtor Roy Thomas Baker, famoso principalmente por produzir grandes clássicos do Queen. Entre aspas porque só enriqueceu o som. "One Way Ticket To Hell... And Back" não é um disco descartável, que o ouvinte dedica apenas uma hora de sua vida a ele. A maioria, com certeza, vai repetir esses 35 minutos por várias vezes, pois são atraentes e bem estruturados.


O frontman Justin Hawkins adotou uma verdadeira postura de líder por aqui. Seus vocais, menos exagerados dessa vez, são destacados nas composições e na produção. Além disso, cuida da grande maioria dos solos de guitarra, que estão animais - basta conferir os de Is It Just Me? e Hazel Eyes. Seu irmão Dan faz um bom trabalho tanto na guitarra rítmica quanto no baixo, complementado por Richie EdwardsEd Graham faz o básico muito bem, no maior estilo Phil Rudd.

No ano seguinte ao lançamento do álbum, o The Darkness encerrou suas atividades por desavenças entre Justin, sua esposa-empresária e os outros integrantes. Enquanto estes montaram o incrível Stone Gods, aquele embarcou no mediano Hot Leg após sessões de desintoxicação. Mas, felizmente, neste ano eles retornaram com a banda que os consagraram - com Frankie Poullain.

Entre os destaques dessa pérola, estão a abertura One Way Ticket (que fala sobre cocaína), a arrasa-quarteirão Is It Just Me? e seu clipe genial, a balada Hazel Eyes e a quase-Mercuryana English Country Garden. Pode não ser tão descompromissado quanto seu antecessor, mas "One Way Ticket To Hell... And Back" tem muita qualidade e vale muito a pena ser ouvido.

01. One Way Ticket
02. Knockers
03. Is It Just Me?
04. Dinner Lady Arms
05. Seemed Like A Good Idea At The Time
06. Hazel Eyes
07. Bald
08. Girlfriend
09. English Country Garden
10. Blind Man

Justin Hawkins - vocal, guitarra, piano, órgão, sintetizador, sitar, mini-Moog
Dan Hawkins - guitarra, baixo, carrilhão de orquestra, pandeireta, triângulo, percussão, backing vocals
Richie Edwards - baixo, backing vocals
Ed Graham - bateria




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