terça-feira, 3 de março de 2026

Wire – Wire (2015)

 


“Wire are an English rock band, formed in London in October 1976”. Parece incrível que cheguemos ao ano de 2015 com os Wire no activo, com 39 anos de carreira e 14 álbuns em cima. Pensar que uma das bandas que deu início aos movimento punk e pós-punk resiste no século XXI é algo transcendental, surreal, único. Para quê continuar a fazer música quando podiam estar a fazer uma tournée a tocar um qualquer álbum antigo e encherem-se de dinheiro?

Para além de todo um histórico precioso (que só por si merecia a audição deste álbum por todo e qualquer apreciador de música que se preze) os Wire não andam aqui a brincar aos músicos, fazendo um excelente álbum, para o qual também em muito contribuiu a inclusão de um novo elemento no processo criativo, o guitarrista Matthew Simms. Isso mesmo foi assumido em entrevista pelo líder Colin Newman, apelidando até de uma espécie de Renascimento a esta fase da banda. E o que é facto é que sendo um álbum já longe da veia punk com que se iniciaram nestas andanças, marca muitos pontos como álbum rock per se. Afinal, para que servem rótulos e a necessidade de rotular os estilos?

Indo às músicas em si, arrancamos logo com “Blogging”, que só pelo título dá para perceber que estamos (nós e os Wire) mesmo em 2015, ano em que até o Papa tem uma conta de twitter. “Shifting” e “Burning Bridges” são tranquilas, “In Manchester” é animada e entra bem no ouvido logo à primeira. “High” serve apenas de passagem para a enorme (em duração e impacto) “Sleep-Walking”, tensa, sempre com vontade de explodir. Na segunda metade do álbum destaco “Joust & Jostle” e “Octopus”, sendo que o momento alto de todo o álbum chega mesmo na música final. “Harpooned” é musica de só por si merecer audição em repeat, do alto dos seus 8 minutos. Crua, poderosa, impossível de deixar alguém indiferente.

Há que ouvir isto e perceber que estamos em 2015 e há uma banda que com 39 anos merece ser ouvida pelo que fez, faz, fará.



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