Give ‘Em Hell é o álbum de estreia da banda britânica chamada Witchfynde. Seu lançamento oficial aconteceu em 5 de fevereiro de 1980 através do selo Rondelet. As gravações ocorreram no ano de 1979, no Fairview Studios, na cidade de Hull, na Inglaterra. A produção ficou a cargo da própria banda.
Origens e antecedentes
Formado em Nottinghamshire, Inglaterra, o Witchfynde foi apenas um dos muitos grupos do início dos anos 80 a ser convenientemente agrupado na Nova Onda do Heavy Metal Britânico (NWOBHM), mas eles estavam longe de serem tão sonoramente extremos quanto sua imagem exageradamente satânica e referências poderiam sugerir.
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| O Witchfynde |
Na verdade, apesar de exibir uma riqueza de influências de heavy metal, sua música era caracterizada por uma estranha dualidade, tão propensa a abraçar exercícios de pub rock totalmente inocente quanto a se entregar a composições de alto conceito que lembram o rock progressivo dos anos 70.
O Witchfynde foi formado na Inglaterra, em 1974, pelo baixista Richard Blower e o vocalista Neil Harvey.
Richard Blower descobriu o guitarrista Montalo (Trevor Taylor) em uma banda chamada Atiofel. Quando Richard deixou a banda, em 1975, os caras reformularam o Witchfynde com o guitarrista Montalo, o baixista Andro Coulton e o baterista Gra Scoresby, e logo recrutaram o vocalista Steve Bridges.
As raízes do Witchfynde remontam a 1975, como vimos, mas não foi até o final de 1979 que o vocalista Steve Bridges, o guitarrista Montalo, o baixista Andro Coulton e o baterista Gra Scoresby alcançaram qualquer tipo de reconhecimento com o lançamento de seu primeiro single, "Give 'Em Hell", de 1979.
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| Andro Coulton |
Assinando com a Rondolet Records no início de 1980, eles rapidamente seguiram com um álbum apropriado com o mesmo nome e arte da capa não muito sutil (ostentando uma coisa de monstro-demônio com cabeça de cabra), que sem dúvida deu aos futuros pioneiros do black metal Venom uma ideia ou duas.
Mas o conteúdo do álbum dificilmente poderia ser chamado de extremo, apenas beirando o heavy metal na maioria das vezes, já que o grupo flertava com o excesso do rock progressivo e a simplicidade do punk rock em igual medida.
Vamos às faixas:
READY TO ROLL
“Ready to Roll” abre o disco com uma pegada que remete aos primórdios do Judas Priest, com uma dose balanceada de peso e um ritmo contido.
A letra possui certo sentido de celebração:
Happy inside can't you see we're reelin'
There's somethin' comin' and it's getting' near
Must be that heavy stuff you've been dealin'
We're flyin' high we've got nothin' to fear
THE DIVINE VICTIM
“The Divine Victim” é bem mais próxima ao Heavy Metal oitentista, muito graças a um riff simples, pesadíssimo e bastante eficiente.
A letra fala sobre Joana D’Arc:
Joan of Ark
Warrior queen
Loved herself
Witch
LEAVING NADIR
Em “Leaving Nadir”, o grupo escolhe reduzir o peso, alternando passagens mais intensas com outras mais amenas, em uma construção bem divertida.
A letra fala sobre uma espécie de ritual:
We're leavin', we're leavin'
Passed through the white noise
We're leavin', we're leaving nadir
GETTIN’ HEAVY
“Gettin’ Heavy” é um Metal também cadenciado, com um riff pesado e bom refrão.
A letra fala sobre uma sensação negativa:
Woke up lonely, in need of company
If I get her back, have some security
But a snake wrapped itself around me
I feel much safer but now I'm never free
GIVE ‘EM HELL
“Give ‘Em Hell” tem a cara da NWOBHM, com um riff veloz e matador.
A letra possui sentido ameaçador:
If the powers that be tell you
There never were three wise men
Then you'd better believe it's true
They won't ask you to come again
UNTO THE AGES OF THE AGES
A longa “Unto the Ages of the Ages” flerta com o Progressivo, pois aposta em alternância das dinâmicas e uma estrutura mais intricada.
A letra conta uma história demoníaca:
Get up, Will it end Now i fell it wrong
Have no Idea what i mean
I talk those changes
You laid on me
PAY NOW LOVE LATER
“Pay Now Love Later” encerra o álbum de forma empolgante, apostando em um bom Hard/Heavy.
A letra remete a uma prostituta:
The strobe lights were moving
Up and down her thighs
And then she smiled
And made love with her eyes
Considerações Finais
Em termos das principais paradas de sucesso, a estreia do Witchfynde não obteve maiores repercussões.
Entretanto, a mídia especializada em Heavy Metal tem o disco em alta conta. A revista Classic Rock dá a Give ‘Em Hell uma nota 4 (em 5).
Eduardo Rivadavia, do site AllMusic, também dá ao trabalho uma nota 4 (em 5). O crítico afirma: “Witchfynde, de Mansfield, caiu diretamente nesta categoria, pois embora suas letras frequentemente ecoassem as imagens satânicas adotadas por contemporâneos como Venom e Angel Witch, as composições complexas da banda rapidamente revelaram seus fetiches de rock progressivo, entre os quais o Rush do final dos anos 70 foi de longe o mais óbvio”.
O álbum tem sido citado como um exemplo relevante para a produção da cena NWOBHM e como uma inspiração para o subgênero black metal.
Um atributo importante para o sucesso pode ter se originado pela exibição frequente no Friday Rock Show, apresentado por Tommy Vance, na BBC Radio 1.
A banda ganhou alguma exposição ao fazer uma turnê no Reino Unido com o Def Leppard no verão de 1980. O som da banda foi incorporado por uma mistura de influências, como rock progressivo e hard rock, com vários aspectos do som do heavy metal, bem como uso proeminente de imagens satânicas.
Já em outubro de 1980 sairia o segundo álbum de estúdio do grupo, Stagefright.
Formação:
Steve Bridges - Vocal
Montalo - Guitarras
Andro Coulton - Baixo
Gra Scoresby - Bateria
Faixas:
Todas as músicas compostas pelo Witchfynde.
1. Ready to Roll - 4:15
2. The Divine Victim - 5:03
3. Leaving Nadir - 6:12
4. Gettin' Heavy - 3:52
5. Give 'em Hell - 4:03
6. Unto the Ages of the Ages - 8:54
7. Pay Now Love Later - 3:33
Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/witchfynde/
Opinião do Blog:
A New Wave of British Heavy Metal deu ao mundo uma praticamente incontável gama de bandas e o Witchfynde foi uma delas.
Em seu álbum de estreia, a banda Witchfynde demonstra suas influências musicais da década anterior. Give ‘Em Hell bebe nas águas do Hard Rock e do Rock Progressivo, mas com roupagem metálica, notadamente dos discos setentistas do Judas Priest.
Assim, as faixas do álbum dão uma leve fugida do convencional, tendo uma dinâmica suavemente mais intricada, embora longe de complexas. A alternância de andamento, em suas canções mais longas, também é notória.
O Blog elege como favoritas “The Divine Victim”, “Leaving Nadir” e a faixa-título.
Enfim, Give ‘Em Hell é um disco muito bom de Metal e, ao mesmo tempo, pouco reconhecido. Sua óbvia qualidade o coloca como uma obra que deve ser redescoberta, especialmente entre os apreciadores do bom e velho Heavy Metal.





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