sábado, 12 de setembro de 2026
JOE ELY & JOEL GUZMAN - LIVE CACTUS ! (2008)
Eles se conheceram pessoalmente em 1998, quando ambos participaram do grande reencontro Tex-Mex com Los Lobos, Flaco Jiménez e The Texas Tornados, apelidado de "Los Súper Seven". A partir daí, estiveram sempre ligados profissionalmente, colaborando em todos os projetos que surgiam, e não demorou muito para que a admiração mútua florescesse, levando a um projeto conjunto que agradou a ambos.
A escolha foi perfeita: um lendário clube de Austin, Texas, sem qualquer seção rítmica para que o acordeão, os vocais e a guitarra pudessem misturar sua incrível química neste Live Cactus de 2008! Uma apresentação acústica de um tipo que não se vê mais.
Infalíveis em capturar o espírito melancólico da música Tejano sem abandonar sua alegria característica, eles fornecem provas irrefutáveis de que esses dois artistas deveriam retornar a um projeto como o que apresentamos hoje. Eles são necessários.
Treze músicas de imenso calibre.
Joe Ely & Joel Guzman - Live Cactus! (2008)
A escolha foi perfeita: um lendário clube de Austin, Texas, sem qualquer seção rítmica para que o acordeão, os vocais e a guitarra pudessem misturar sua incrível química neste Live Cactus de 2008! Uma apresentação acústica de um tipo que não se vê mais.
Infalíveis em capturar o espírito melancólico da música Tejano sem abandonar sua alegria característica, eles fornecem provas irrefutáveis de que esses dois artistas deveriam retornar a um projeto como o que apresentamos hoje. Eles são necessários.
Treze músicas de imenso calibre.
Joe Ely & Joel Guzman - Live Cactus! (2008)
Tracks :
01. Up on the Ridge
02. Slow You Down
03. Because of the Wind
04. All Just to Get to You
05. Miss Bonnie and Mr. Clyde
06. Letter to Laredo
07. Where Is My Love
08. Ranches and Rivers
09. All That You Need
10. Wind's Gonna Blow You Away
11. Maybe She'll Find Me
12. I 'm a Thousand Miles from Home
13. White Freightliner Blues (with Ryan Bingham)
Line up :
Joe Ely : guitars & vocals
Joel Guzman : accordion
Recorderd live in Austin ,Texas ,Cactus Cafe 2008
01. Up on the Ridge
02. Slow You Down
03. Because of the Wind
04. All Just to Get to You
05. Miss Bonnie and Mr. Clyde
06. Letter to Laredo
07. Where Is My Love
08. Ranches and Rivers
09. All That You Need
10. Wind's Gonna Blow You Away
11. Maybe She'll Find Me
12. I 'm a Thousand Miles from Home
13. White Freightliner Blues (with Ryan Bingham)
Line up :
Joe Ely : guitars & vocals
Joel Guzman : accordion
Recorderd live in Austin ,Texas ,Cactus Cafe 2008
Zwan - Live Pinkpop Festival, Netherlands, 09-06-2003
Zwan foi um supergrupo americano de rock alternativo formado em 2001 pelo guitarrista/vocalista Billy Corgan e pelo baterista Jimmy Chamberlin (ambos da banda Smashing Pumpkins).
Outros membros incluíam a baixista Paz Lenchantin (A Perfect Circle), além dos guitarristas David Pajo (Slint) e Matt Sweeney (Chavez).
A banda lançou apenas um álbum, "Mary Star of the Sea" (2003), antes de se separar de forma conflituosa naquele mesmo ano, durante a turnê mundial de divulgação do álbum.
Setlist
1. Lyric
2. Endless Summer
3. For Your Love
4. Settle Down
5. Honestly
6. Jesus, I + God's Gonna Set This World on Fire
7. Of a Broken Heart
8. Mary Star of the Sea
A banda lançou apenas um álbum, "Mary Star of the Sea" (2003), antes de se separar de forma conflituosa naquele mesmo ano, durante a turnê mundial de divulgação do álbum.
1. Lyric
Dio - Dream Evil (1987)
Na segunda e última metade da década de 1980 as bandas de heavy metal pareciam perder as forças fazendo várias mudanças que nem sempre agradaram os fãs e a imprensa que não perdoava fazendo críticas mais do que ácidas em muitos casos entre outros, mas nem por isso acabavam encerrando a carreira antes do esperado causando espanto só que por outro lado haviam outros que estavam bem no auge e ainda correspondiam a altura com grandes lançamentos e o mesmo pode se dizer dos estreantes que vinham com sangue nos olhos para conquistar o seu lugar ao sol.
Ronnie James Dio depois que saiu do Black Sabbath levando consigo o baterista Vinnie Appice e com ele fundou a banda Dio, em 1983 lançaram um discos mais icônicos do heavy metal e que definiu a carreira do baixinho cujo sucesso e lacre viriam com o definitivo The Last in Line (1984) e a garantia de entrada no panteão estava nas mãos de Sacred Heart cujos deuses do metal abençoaram essa turma. Essa trinca era parte de uma época brilhante que refletia o estado de espírito de músicos a fim de fazer boa música, de tocar em arenas lotadas, vender muitos discos, camisetas, de estourar nas rádios e ficar no topo por uma vida toda se for possível.
As pressões na vida de uma artista sempre são muito grandes principalmente quando se lança num curto período de tempo três discos que de imediato entram para a história levando o artista aos níveis mais altos da fama. Dio viu isso no Rainbow (cujo maior problema talvez nem fosse esse e sim a megalomania de Ritchie Blackmore, um verdadeiro mala sem alça) e no Black Sabbath bem de perto e sabia que teria que fazer algo ainda mais grandioso ou se não que pelos fosse compatível com o que já havia sido feito, pois trata-se do ganha pão dele.
A formação que gravou a trinca de ouro já havia se dissolvido, ou melhor dizendo, o guitarrista Vivian Campbell já não fazia mais parte da banda e para o seu lugar Dio recrutou o talentoso Craig Goldie. A música deixou de ser selvagem como era no começo com Holy Diver e daí para diante a música já era algo pensado demais não que isso fosse negativo, mas houve a perda daquele lance mais primal e selvagem deixando o som mais bem-comportado com a presença do tecladista Claude Schnell.
O quarto álbum, Dream Evil, gravado no estúdio Recorder Village, em Los Angeles, marcaria o fim da clássica do grupo, mas ainda assim a música ainda seria muito bem estudada contando até com a participação do grupo vocal Mitchell Singing Boys, ou seja, o objetivo era estar inserido no mainstream com todas as suas regalias podendo desfrutar do melhor que havia destinado para as estrelas que ali chegavam. Em julho de 1987 o disco chega as lojas e marca presença positiva nos charts europeus, mas nos EUA as coisas não são positivas apesar de ficar numa posição considerável devido à forte concorrência existente na terra do Tio Sam.
A estrutura do álbum no que tange as canções é a mesma, a abertura continua com faixas mais aceleradas e é exatamente com “Night People” que Dio dá as caras e coloca as cartas na mesa para jogar o seu jogo perigoso, brilhante, mostrando ao que realmente viera cujo poder de fogo estava centrado na base do heavy metal, ou seja, a guitarra, e tal fato, fica mais evidente em “Dream Evil” uma faixa aonde o talento de Craig Goldie escorre pelas suas veias levando ao público um fluxo contínuo de metal e de revolta que explodiam nos riffs e nos solos pegajosos.
O rock de arena aparece em “Sunset Superman” em linha rápidas, corridas, em meio aos vocais desesperados do baixinho, o cara é um demolidor! A melhor parte, a dos hits, começa em “All The Fools Sailed Away” com toda a força dos vocais do mestre dos magos que somados aos riffs que puxam a força da canção e dos coros mostram a força do heavy metal que esse cara estava praticando. “Naked in the Rain” é o tipo de som que estaria presente na carreira solo de Dio, um grande hit. As faixas mais velozes retornam com “Overlove”, o hit radiofônico tem vez em I Could Have Been a Dreamer um belo dialogo com hard.
“Faces In The Window” é outro grande momento que marca Dream Evil pela racionalização instrumental e vocal que denotam equilíbrio e talento e que uma música ainda que seja pensada ainda pode ser muito poderosa, louca demais. Quando você lê no encarte o título da faixa encerramento “When A Woman Cries” é ingenuamente levado a crer que trata-se de uma balada, mas fica embasbacado pelas linhas de teclado e guitarra que misturam e criam um efeito que remete a década de 1970. Dio e seus camaradas deixaram nas mãos dos fãs um dos maiores álbuns de heavy metal de todos os tempos, ou seja, ele e a sua banda eram muito mais do que aquilo que os marcou uma pena que ele tenha percebido isso, pois seus shows teriam sido bem melhores, mas como não podemos ter tudo o que desejamos pelo menos podemos remediar e que o façamos aqui mergulhando de cabeça nesse álbum.
Faixas:
01 Night People
02 Dream Evil
03 Sunset Superman
04 All The Fools Sailed Away
05 Naked In The Rain
06 Overlove
07 I Could Have A Been Dreamer
08 Faces In The Window
09 When A Woman Cries
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Discografia do Led Zeppelin
Jimmy Page, em 1968, chamou Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones para juntarem-se eles e, assim, das cinzas do The Yardbirds surgiu o Led Zeppelin que foi uma das bandas mais importantes do cenário rock setentista. Junto do Deep Purple e do Black Sabbath formou a santa trindade do rock naquela década. Na verdade, a banda era um quinteto cujo quinto membro era Peter Grant, o empresário, o cara certo para colocar a banda no lugar que ela deveria estar e este somado ao vigor dos caras para cair na estrada, gravar discos, foi essencial para conduzi-los ao topo. O grupo tem uma história tórrida de excessos, discos clássicos, ocultismo (magia negra) e misticismo fatos que rendiam acusações pesadas contra Page (que iam desde sacrifícios de animais até de crianças e de virgens) que de fato foi estudante e tinha fascinação pelo mago Aleister Crowley. O quarteto viveu com todo o glamour a trilogia sexo, drogas e rock and roll, tinham contas bancárias bem forradas de grana, mas infelizmente teve a sua trajetória abreviada muito cedo, em 1980 no mês de setembro, na casa de Jimmy Page, por conta de uma overdose alcóolica. Não dá para especular e nem pelo menos vislumbrar o que teria rolado com eles já que não aconteceu porque a banda saiu prematuramente de cena, mas o que se sabe é que deixaram um legado que cada vez mais atraí admiradores, fãs e teve vasta influência sobre muitas bandas que vieram nas décadas posteriores. Se você é fã de rock e está começando a dar seus primeiros passos no gênero aqui está um ótimo começo para entrar no esquema e saber como pode caminhar por ele de maneira tranquila e faceira. Vamos lá, ouvidos a obra e boa viagem.
Este é um dos melhores discos de estreia da história ou talvez é o mesmo o melhor, mas uma coisa era evidente nascia um novo caminho na música, isto é, o hard rock ainda cheio de cacoetes de blues que é mote deste trabalho aqui impresso. Só para esclarecer um fato: não teve adiantamento da Atlantic Records coisa nenhuma quem bancou o disco do Jimmy Page que recebeu a título reembolso o tal adiantamento e pagou os outros, mas ficou com a parte maior por motivos óbvios. Andando dentro da bolacha o começo é arrasador com “Good Times Bad Times” cuja sequência é marcada “Babe I’m Gonna Leave You” um belo cover de Joan Baez marcado pela correlação de forças entre o acústico e o elétrico. O blues não ficou de fora e aqui apresentam duas covers do mestre do gênero Willie Dixon “You Shook Me” e “I Can’t Quit You Baby” numa roupagem pesada e hard, indicando assim o nascimento de um novo no estilo. A força da banda aparece em Dazed and Confused. “Communication Breakdown” é a precursora nata do heavy metal e do hard rock e, além destas, também tinha a alucinante “How More Many Times” que fechava de forma matadora a estreia do Zeppelin de chumbo, o ano de 1969 não foi mais o mesmo. (Nota 10)
Led Zeppelin II é a sequência do álbum de estreia, a banda mostra evolução e mais requinte, amadurecimento que não é precoce dado aos integrantes e a experiência de Page e Jones que sabiam muito bem onde pisavam e quais eram os caminhos que deveriam ser trilhados. Várias turnês nas costas e tempo praticamente zero para parar e pensar no que fazer fez com que o álbum fosse, em sua maioria, composto na estrada. Um dos maiores clássicos do rock é justamente “Whole Lotta Love” que abre o disco e tem a missão de liquidar os ouvintes e o faz com maestria. Assim como o outro o fio condutor de toda essa doideira sonora pesadona e hard, o blues e o rock que se entrelaçam formando um amalgama sonoro de rachar os tímpanos como Heartbreaker, o blues de raiz sustentado pelo hard de “Bring In On Home” faz delirar, Ramble On segue essa mesma linha e tem também a veloz “Living Loving Maid (She’s Just A Woman). Quando se fala neste disco é impossível deixar de fora “Mob Dick”, essa faixa cujo solo além de ser brilhante e massacrador projetou o baterista no cenário mundial como um dos melhores do ramo e fora que era presença obrigatória no set list dos shows. Led Zeppelin II é um disco brilhante, cerebral que coloca termo a uma era fantástica que ganharia outros contornos no ano seguinte. (Nota 10)
Em 1969, o Led Zeppelin estreou a toda velocidade Led Zeppelin I e emendou a fúria com o caótico Led Zeppelin II colocando-se como uma das forças do novo som que surgia, em outras palavras, eram os penetras numa época em que a música era vista como uma utopia, um novo paradigma, que poderia salvar o mundo e ajudar a reconstruído abolindo o status quo. Os britânicos, em 1970, deram uma brusca virada no som e ao contrário do som elétrico pesado e baseado nas guitarras distorcidas, sólidas e furiosamente hard rock enveredando pelo lado mais experimental e acústico acasalando, incubando, uma mudança que pode ser entendida como um ponto de transição. Led Zeppelin III dividiu opiniões, enfrentou acusações, mas sobreviveu apesar de injustiçado encontrou o seu merecido lugar entre os clássicos. No lado A à parte elétrica começa com a curta e poderosa “Immigrant Song” que narra as viagens dos vikings, Celebration Day e sua excelência, da qual, está explicitada nos riffs de Page e nos vocais eletrizantes de Plant, “Out On The Tiles” é daquelas porradas arrasa quarteirão e, aqui Bonham e Jones detonam. Em "Since I've Been Loving You", blues autoral, está registrado um dos grandes solos de Page. No primeiro lado da bolacha também “Friends” uma canção acústica simplesmente estupenda e inaudita. No segundo lado é que está registrada a suposta heresia do Led Zeppelin, premedita ela foi composta por Page e Plant que pegaram suas namoradas e se exilaram em Gales num local chamado Bron-Y-Aur e mandaram ver lá naquele local sem energia elétrica mais próximos da natureza e das paisagens rurais do sul daquele país. Gallows Pole é uma canção tradicional de folk que recebeu rearranjos de Page, um mavioso e agradável leque de sensações. “That’s The Way”, do lado acústico, é a canção mais brilhante e mais emocional abrigada neste lançamento que na verdade é um certificado do brilhantismo do grupo. Em “Tangerine” está configurada a imponência na fusão entre o elétrico e o acústico e mais gama de instrumentos aplicados como banjos, violões, guitarras de doze cordas e bateria. Mal compreendido, Led Zeppelin III estava de certo na contramão e ao mesmo tempo escancarava o seu talento musical, a sua versatilidade, em razão de que era um grupo buscando a sua identidade e, claro, em processo de mudança que se completou no ano seguinte. (Nota 10)
Aqui está o maior clássico do Led Zeppelin além de ser comercialmente próspero, o maior êxito em termos de vendagem, e obter o maior grau de avanço por ter conseguido se sobre sair ao anterior, ou melhor, ter completado a transição, que, segundo Page, as pessoas não haviam entendido que objetivo era chegar naquele ponto extravasando um nível mais elevado, de que, foi possível extrair o que eles tinham de melhor para oferecer. A sonoridade do disco anterior ganhou força e incorporada ao quarto lançamento foi responsável direta por criar um som monolítico e que foge do lugar comum. Folk, blues, hard rock, forjaram uma sonoridade robusta e pegajosa, etérea e mítica. “Black Dog” já no começo completamente arrasador converteu-se numa das maiores lições de rock realmente pesado que já surgiram na música, o impacto da sua ferocidade reverbera até hoje na mente como um agente hipnotizador. “Rock and Roll” é um hino perfeito, o ritmo acelerado e imponente destruidor de barreiras. “The Batlle of Everymore” é uma das mais belas canções já apresentadas, um mix primoroso e lapidado dessa nova sonoridade, cujo dueto de Plant e Sandy Danny (cantora de folk no grupo Fairport Convention) impõe um jogo de violões Page que são simplesmente sensacionais. A mística “Stairway to Heaven”, o maior hit do grupo, cai diretamente dentro de um mundo paralelo e oculto fazendo dela outro hino. “Misty Mountain Hop” é outro grande rock e outro exemplo do que pretendiam os britânicos ao executar as mudanças de sonoridade, mas aqui há um apelo mais pop e radiofônico que em nada a desabona. Outra balada, mas com a característica pegada folk é “Going to California” onde narra-se na bela voz de Plant os excessos cada vez mais pesados na estrada. “Four Sticks” reserva para John Bonham todos os méritos, o cara mostrou que é foi deveras um dos maiores bateras ao superar a dificuldade de grava-la com duas baquetas em cada mão. A saideira vem o pesadíssimo blues/hard de When The Levee Breaks” e aqui novamente se sobre sai o talento do baterista que imprimiu nela uma levada pesada e cheia de malícia. Depois disso o Led Zeppelin estava em todos os lugares, a banda estourou mundialmente e isso serviu para coloca-los em definitivo dentre os melhores, no panteão do rock. (Nota 10)
O processo de criatividade do Led Zeppelin era enorme e desconhecia limites, portanto, a capacidade de síntese e de desenvolvimento e de transformação os fazia absorver uma enorme gama de influências e simbiose entre eles e a música era um fator gerador de novas aventuras, loucas e ébrias que permearam a sua discografia. Um exemplo perfeito e capaz de explica-los e desvendar as mentes que na verdade eram um farol iluminado de ideias é o disco Houses of the Holy que vem totalmente em direção oposta ao antecessor por fugir pela tangente ao adicionar, além do hard rock, reggae, folk, funk, blues, progressivo e psicodélico fazendo um misto complexo de todos esses gêneros conseguindo alcançar a perfeição. O começo dessa empreitada começa com a melodiosa e psicodélica “The Songs Remains The Same” que de fato faz jus ao título, isto é, a música continua a mesma só que mais brilhosa, caprichada e variada, enfim, um clássico real bem ao alcance dos ouvidos. “The Rain Song” explora o romantismo pelo lado mais emocional existe no coração do ouvinte. A pancadaria hard aparece em “Over the Hills and Far Away” que nos leva para dar um role ardente por cima dos morros e montanhas mais distantes. “The Crunge” faz uma viagem turbulenta por dentro do funk recheada de grooves. Os dias dançantes e suas pirações rolam com “Dancing Days”. “D’yer Mak’er” cujo título é o fonema de Jamaica pronunciada em inglês é um reggae autoral do Zeppelin no mesmo esquema de Bob Marley e deve tê-lo deixado com, pelo menos, um pouquinho de inveja pela sonoridade misturada com rock transformando-a numa canção excitante, abrasadora e arrebatadora refletindo um forte apelo sexual. O lado experimental e progressivo entra em cena com “The Quarter” que se transformou imediatamente num clássico. Fechando o disco vem “The Ocean” um hard cheio de grooves que reflete o talento do grupo para compor faixas clássicas e grudentas. Depois de lançado o disco, eles caíram na estrada para levar a festa zeppeliana recheada de excessos, capitaneada pelo hedonismo, e selvageria sem igual naquele ano decisivo, no jogo perigoso praticado pelos britânicos que cada vez ampliavam a sua influência sobre as legiões de fãs que cada vez mais chegavam embalados pela utopia de um mundo possível pela música representado nas arenas do mundo afora adonde rolava a manifestação do sagrado. Nota (10)
Até aqui já haviam cinco discos, todos clássicos, bem colocados nas paradas, shows lotados e cada vez mais e mais concorridos, isto, é o Led Zeppelin se fixava de vez no topo e assim permaneceria até o fim prematuro em 1980. Só que antes do fim haviam outros capítulos da história dessa turma a serem desbravados, trazidos a lume. O talento refletido na criatividade dos músicos o fez construir um dos seus maiores álbuns que assim como os anteriores (sendo depois de Led Zeppelin IV o álbum mais vendido deles), além de passar no implacável teste do tempo, foi muito bem sucedido comercialmente e fazia do Led Zeppelin a maior banda de rock do planeta, sem embargos seguiam livremente, eles eram os gigantes caminhando livres pela terra, continente por continente, arrasando nos palcos e fora deles agitavam uma vida baseada no hedonismo e repleta dos excessos que esta famosa trilogia permitia. A construção de Physical Graffiti, sexto álbum da carreira, duplo, foi erigida a partir de muitas sobras de estúdio de discos como Led Zeppelin III, Led Zeppelin IV e do Houses of the Holy (que forneceu a larga maioria), enfim, das quinze faixas que o compõe apenas oito foram compostas para entrar no disco fato que faz dele um álbum heterogêneo e, ainda assim, magnífico, exemplo de uma grande obra de arte, irretocável. No lado A a festa hedonista começa com a peso pesada “Custard Pie” um hard rock brilhante que pode ser considerada uma joia da coroa de brilhantes, um ritmo mais cadenciado marcado pela batera e pelos riffs, solos e pelos vocais rasgados põe em relevo as qualidades do grupo. “The Rover” é um conjunto instrumento que prima pela excelência sonora explorando o lado mais emocional e melodioso e pegajoso, sensual e devorador, extasiante. O lado épico e cavalar se desenrola nos mais de onze minutos de “In My Time Of Dying” alternando momento cadenciados com outros velozes e mais pesados é um enlevo, chamado a desvario alucinado na busca da iluminação conduzido pelo instrumental absurdamente insano e blues/rock desconcertante que é emanado dos instrumentos da rapaziada. “Houses of the Holy” dispensa apresentações, porém é a fiel representante o hard rock tipicamente zeppeliano, uma lição. “Trampled Under Foot” é um grande rock cuja base pop/funk a transforma numa faixa mais dançante. “Kashmir” é a faixa mais emblemática e que fato marcou a banda, o maior hit, e também a demonstração cabal da filiação sonora ao rock progressivo e também apresentando os elementos orquestrais e orientais forma imbatível.
No lado B a coisa é ligeiramente diferente, fato que faz pensar que o fato do disco ser variado, quiser dizer, que tenha sido elaborado para assim ser, contudo, não foi assim que aconteceu porque o disco é fruto de uma série de recorte e cola de sobras de estúdio de discos anteriores conforme foi supracitado, porém é aí que reside magia deste álbum formado por partes dissimilares. Logo de cara com “In The Light” acontece o reencontro com o progressivo completamente viajante, e, que, fica claro toda a diferença de ter alguém com o versátil John Paul Jones nos teclados reforçando a relação com o misticismo que permeou o trabalho da banda ao longo os anos. A instrumental acústica "Bron-Yr-Aur" traz o folk a cena de forma brilhante e certeira por meio de suas belas melodias hipnotizadoras. O lado mais suave está na faixa "Down by the Seaside" inconfundivelmente radiofônica. "Tem Years Gone” incensa o lado romântico com peculiar delicadeza que transpira pelos poros dos instrumentos. Em "Night Flight" atacam com um country rock mais puxado para o hard rock sem fazer concessões. O retorno ao hard rock ocorre com "The Wanton Song". As faixas "Black Country Woman" e “Boogie with Stu” entregam numa bela roupagem sonora duas importantes faixas de rock acústico. Passando a régia e fechando a conta vem “Sick Again” um excelente hard, marcante que frisa muito bem o som pesado e prodigioso do Led Zeppelin. Eles haviam chegado ao auge sem sombras de dúvidas e o futuro prometia e, fãs e imprensa esperavam deles algo ainda mais grandioso, só que até ali, o álbum, Physical Graffiti era a expressão máxima de uma banda redonda e enxuta e que mesmo mergulhada nos excessos de vida uma regulada pelos excessos da fama produzia o que havia de melhor de forma poderosa e que se apresentava como o ponto de salvação para uma miríade de jovens desvairados em busca iluminação, mas mal sabiam que este era o último registro dessa época dourada, os deuses também tinham os pés de barro. (Nota 10)
Aqui registra-se o começo do declínio, sim, como foi dito antes, os deuses têm os pés de barro, só que, Presence apesar de não ser um clássico e comparecer no rol dos álbuns injustiçados apresentava a força Zeppelin com um excelente álbum. A banda sempre fez o que bem entendeu e é aí que reside o ponto forte, heroico, deste quarteto que assim como trilhou os caminhos dourados da estrada perigosa do sucesso começou a experimentar pela primeira vez o sabor amargo da descida, visto que, os excessos cobrariam a conta e realmente mandaram o seu cobrador bater-lhes a porta. Aquele que parecia ser o último suspiro, a premonição dos dias ruins, ainda deixava o penúltimo recado de ainda haviam forças a sem resgatadas lá do fundo da alma e fazem resistir e foi assim que Plant acidentado levantou-se mais uma vez, todo alquebrado, de aparência fadigada, para juntar-se aos seus companheiros para mais uma vez dizerem ao mundo que nada estava acabado. Nesse clima meio moribundo, meio alegre e ébrio, realizam o sétimo capítulo de sua saga. Abrindo a viagem vem a cena a épica “Achilles Last Stand” marcando o espetacular retorno ao hard rock e também inspirada, pela parte de Plant, pelo poeta místico e vidente William Blake. Como o mote é o hard rock na sequência vem “For Your Life” com seus riffs viscosos e extasiantes. O ritmo mais funk aparece em “Royal Orleans” uma faixa curta e bem marcante em que Plant explica Jones, que desdenhara do vocalista, a importância de um cantor numa banda de rock. Outro grande momento é “Nobody’s Fault But Mine” que traz em si um hard violento carregado de blues remetendo ao passado recente de álbuns dos primeiros álbuns por onde imperava um som mais cru e diretão. “Candy Rock Store” vem com alguns violões, mas sem grandes exageros na parte acústica mantendo a intensão que o deu origem de pé. O lado mais melódico e pop desse álbum está representado em “Hots On For Nowwhere. No final vem “Tea For One” um blues emocional repleto de melancolia onde sobrou para a guitarra de Page solar e brilhar. O Led Zeppelin com Presence respirou fundo ganhando fôlego para prosseguir, mas, ainda assim, a estrada pela qual rodava seu tour bus era a do eclipse e cada quilômetro rodado a hora da verdade ia aparecendo sem disfarces para lhes dizer que o tempo estava finalmente acabando. (Nota 9,0)
A turnê de promoção do álbum Houses of the Holy, em 1973, foi marcada pelo hedonismo, os excessos vinham a tira colo, banda estava lá nas alturas, grana, sexo e drogas a vontade, enfim, tudo sorria para a banda. Eles resolveram fazer filmagens para fazer um filme intitulado The Songs Remains The Same. O filme é ruim, a trilha sonora não é, mas deixou muito a desejar porque o que se vê em cima do palco é uma embriagada até a alma completamente sem rumo e perdida no meio das músicas com solos intermináveis beirando a chatice e em muitos casos são inócuos. Isto pode ser conferido, por exemplo, em Dazed and Confused que parece se arrastar de muletas em quase vinte e nove minutos de pura masturbação instrumental. “Whole Lotta Love” segue pelo mesmo caminho com aqueles medleys chatos e irritantes, mas ainda mantém o charme dos riffs matadores. Stairway to Heaven salva-se justamente por causa do solo arrebatador. “No Quarter” parece mais uma bad trip de ácido que carreia por mais de doze minutos, mas o resultado é satisfatório. “Rock and Roll” ficou legal e bem pesadona com um clima mais cadenciado. Enfim, o disco não é completamente um desastre só que também não é um maravilha e nem um primor devido as andanças ensandecidas de uma turma completamente chapada e extraviando-se em improvisos que vão do mais legal até o mais chato e sem graça, porém, além disso, há versões definitivas como em Over The Hills And Far Away”, “Misty Mountain Hop”, “Heartbreaker” que fazem parte da reedição de 2007 que teve o áudio completo relançado e desfazendo a má impressão causada pelo recorte mal feito que veio as lojas em lp duplo em 1976. (Nota 8,5)
Em 1979, o Led Zeppelin colocava os dois pés no fim só que ainda não sabia que sua hora havia chegado. In Through The Out Door foi o último disco de estúdio dos britânicos. Um disco que reuniu em suas composições, mais fracas, elementos que já haviam sido trabalhados nos registros anteriores. Novamente era possível conferir o reggae, blues, hard rock, progressivo e o country que assumiu a maior fatia de influência sobre a nova sonoridade do grupo. Outro fator que marcaria bem este álbum é a sobreposição do teclado e do sintetizador de John Paul Jones sobre as guitarras de Page que foram o norte, a base, da sonoridade devastadora praticada por eles até ali. Uma curiosidade é capa, ela tem seis versões, ângulos diferentes, do homem sentado no bar. Além dessa curiosidade um dos fatores que explica o declínio do grupo é o fato de Jimmy Page estar afundado na heroína e a banda também já apresentava no corpo sinais visíveis de estarem carcomidos pelos excessos e vícios dos anos de estrada vividos loucamente e sem destino. A saideira de estúdio manda de cara um hard poderoso e muito pesado em “In The Evening” entra em cena o country numa roupagem mais leve, uma faixa frágil aquém dos dias brilhantes. “Fool In The Rain” é um pop insosso. “Hot Dog” é uma canção de country/hard que não cheira e nem fede. “Carrouselambra” salva-se porque apesar de ser country encontra-se de cara com o progressivo criando um bom clima bem viajante. Em “All My Love” ao invés do romantismo Plant, autor da letra, homenageia o seu filho falecido, ela tornou-se um dos maiores hits do grupo. “I'm Gonna Crawl" fecha salvando o disco do fiasco, os caras aqui mandam um belo blues no estilo balada. Ficou claro que o álbum refletia os problemas pessoais de cada um dos integrantes bem como as alegações deles o justificam como uma tentativa de reciclagem buscando ampliar horizontes. Porém era uma despedida devido ao fato da morte alcançar John Bonham, em 1980, na casa de Page pondo imediatamente termo a carreira do Led Zeppelin cedo demais. (Nota 5,0)
Depois da morte de John Bonham não é segredo que o Led Zeppelin acabou, mas vasculhando mais uma vez o baú encontraram mais sobras e aproveitando-se do interesse que que os fãs tinham no Led Zeppelin e, também para honrar um contrato com a Atlantic Records e para pagar impostos dos ganhos anteriores é que estas faixas gravadas entre as décadas de 1960 e 1970 deram origem ao nono e derradeiro álbum oficial de estúdio do Led Zeppelin. Resumido a oito faixas CODA pode ser considerado um bom material de despedida. “We’re Gonna Groove” é um retrato fiel da fase mais criativa do Zeppelin que pratica um hard rock que fazia o mundo rachar lá nas emendas, eram uma banda com sede de ganhar o mundo. Ela era tocada nos shows e aqui passou um por um processo de limpeza tendo sido retirados os overdubs de guitarra e ruídos da plateia. “Poor Tom” é sobra das sessões de gravações de Led Zeppelin III e reflete bem o espírito acústico e folk abrindo as portas de um universo que ainda não parecia ter sido totalmente explorado. “I Can’t Quit You Baby” vem com uma versão diferente, mas não deixa a desejar a que foi gravada em Led Zeppelin I. “Walk Water” foi retirada das sessões de Houses of the Holy e poderia ter sido muito ter sido lançada, mas o que podasse dizer sobre ela é a porrada hard que entra forte na mente de forma alucinante. “Ozone Baby” veio das sessões de In Through the Out Door e aqui cabe uma observação porque ela não foi adicionada já que é bem mais acima da média e por isso o resultado poderia ter sido bem melhor. Nela Plant brilha, dá show, visto que, o lado emocional cativa na hora. “Darlene” a exemplo da anterior também foi retirada do que sobrou de In Through Out Door e também deixa no ar a mesma questão uma vez que é muito superior ao material ali registrado. Aqui temos um típico rock com ótimos riffs de Page que dominam nos solos e batem lá no hipotálamo fazendo-se retorcer no solo de piano de Jones. “Bonzo’s Mountreux” é um solo de bateria gravado em 1976, mas é legal pela perfeita sincronia e de como o batera tocava pesado. A saideira “Wearing the Tearing” também foi retirada de In Through the Out Door reacende a questão já levantada aqui duas vezes e então pulamos a terceira dali retirada, o hard aqui escancarado traz vários questionamentos, mas, novamente, deixa para lá não adianta chorar pelo leite derramado uma vez que podemos conferi-la e ficarmos com os nossos devaneios sobre esta ou aquela escolha feita na época. A verdade é que CODA pode ser considerado um álbum pouco lembrado e que tem um valor documental muito forte e que serve até para questionar escolhas malfeitas que poderiam ter mudado os rumos de um disco que era bom e ao mesmo tempo uma decepção, mediano, de 1979. Em 1993 o disco foi relançado e ganhou a adição de mais 4 faixas que também eram sobras e até entraram nos singles como B-Sides. De toda maneira os fãs pela última vez puderam ter em mãos o último registro oficial do Led Zeppelin, mas, não foi só isso, pois os integrantes nos anos 80 cada um foi a sua vida e se lançaram em carreiras solo, os gigantes agora dormiam em sono profundo. (Nota 7,0)
A primeira vez que ouvi esse disco sai com a impressão de que este sim era um álbum ao vivo de verdade, aliás, pensava e muito porque este concerto gravado para BBC não havia sido lançado primeiro. A banda estava no seu melhor momento e o set list recheado de músicas dos dois primeiros álbuns cujo hard rock e blues transbordavam a competência do quarteto, uma banda fabulosa e que dava indícios claros de que cada vez mais iria crescer e o limite talvez nem fosse mais o céu. Ao contrário de The Songs Remains The Same onde tudo parecia estar perdido me meio uma sessão de masturbação musical sem eira e nem beira aqui tudo aparecia direto e reto sem exageros fato que se comprova em “Whole Lotta Love”, da qual, ouve-se a reprodução original, a direta "The Girl I Love She Got Long Black Wavy Hair" tem nos riffs de Page a chave do seu encanto, e o cover de Robert Johnson “Travelling Riverside Blues” cuja nova roupagem criada pelo grupo deu novo fôlego, “I Can’t Quit You Baby” aparece numa bela e definitiva versão, da qual, os vocais de Plant tiram lá do fundo da alma a melancolia que explode nos solos curtos e virtuosos de Page, porém aqui ela está dividida em duas partes acrescentando um mistério lúgubre. A heavy “Communication Breakdown”, também dividida em duas partes, também se destaca pela versão pesada e rápida, virulenta que não faz concessões a nada e nem a ninguém, o Led Zeppelin entrava com os dois pés no peito de quem estava pela frente atrapalhando o caminho. "What Is and What Should Never Be" é uma bela balada e que caiu como uma luva para edulcorar a tensão emanada de tanta eletricidade, um breve relaxamento antes de recair na pancadaria. "Dazed and Confused" recebeu aqui a melhor versão ao vivo, ou seja, sem firulas apenas direta e reta e lacônica nos shows já que é um dos emblemas do Led Zeppelin e do rock. “Somethin' Else" ganhou uma versão divertida e bem pesada e era comum aparecer nos medleys improvisados nos shows. "How Many More Times" essa uma das canções que o Led Zeppelin arrebenta ao vivo com levadas de jazz, o peso do hard rock e os climas recheiam os momentos enfumaçados, nesta versão os solos de Page são arrebatadores e o resto da rapaziada também não fica atrás e o tanto é que Bonham arrepia na bateria.
Em 2003 o Led Zeppelin atacou outra vez, mas agora era com um disco triplo ao vivo cujo conteúdo são shows da turnê norte americana de 1972 que foram registrados no Fórum LA em 25 de junho de 1972 e Long Beach Arena em 27 de junho de 1972. São gravações que permaneceram desconhecidas do grande público, mas circulavam no mercado de bootlegs. As faixas antes de se transformarem no álbum How The West Was Won passaram por um pesado processo de engenharia musical. O set list contém músicas de Houses of the Holy e o restante são dos álbuns Led Zeppelin I, II, III e IV, as performances trazem a banda no seu melhor momento e até produz outro questionamento referente ao álbum The Songs Remains The Same já que é muito melhor do que ele porque a banda bem mais redonda e enxuta e que sabe o que está fazendo nos solos, nos improvisos, ao invés soar como uma locomotiva perdida prestes a sair dos trilhos, masturbação instrumental sem sentido, enfim, uma doideira sem limites. As versões aqui apresentadas eternizaram essas faixas cristalizando na memória dos fãs do passado e do presente que tiveram acesso a elas que em duas horas e meia mostram-nos o que era um show do Led Zeppelin nos seus dias dourados. Em “Immigrant Song” o destaque é absoluto das linhas de guitarra de Page, os solos desgovernados falam tudo e parecem trazer Odin do Olimpo para vir em pessoa curtir o show. “Heartbreaker” tem uma levada insana de bateria, os riffs e solos rasgados e mais os vocais diretos e retos de Plant fazem a média, a conexão entre a banda e a plateia através dos improvisos. “Black Dog” estabelece o hard mais pesado e virulento já escutados e executados por um conjunto de rock. “Over The Hills And Far Away” aparece mais hard e bem mais concisa e coesa entre solos e riffs escandalosos de Page exalando insanidade pelos poros. "Since I've Been Loving You" que confirma que as raízes do Led Zeppelin são de fato o blues, o clima melancólico e chorado que vem lá do fundo da alma são emitidos pelos vocais e guitarras que dominam a faixa em momentos puramente emocionais. O misticismo "Stairway to Heaven" não poderia ficar de fora e talvez sem ela nem haveria um show do Led Zeppelin, a versão aqui apresentada é outra das mais belas execuções feitas em cima do palco pela banda. Concisa e etérea é uma bela viagem dentro ao recôndito da alma humana para desvelar os segredos mais profundos.
No set não poderiam faltar as peças acústicas uma das marcas do Led Zeppelin ao vivo, o folk de "Going to California" sem ganhou versões encantadoras e o mesmo pode-se dizer de “That’s The Way” que sempre orna os shows e a versão de "Bron-Yr-Aur Stomp" é igualmente matadora e esmalta bem esse momento. A heavy n’ hard "Dazed and Confused" vem com uma versão bem dilatada, mas dentro seus improvisos a banda entrega versões instrumentais de “The Crunge” e “Walter’s Walk”, enfim o aqui foi entregue uma ótima versão que ao invés de se arrastar de muletas por mais de cinte minutos ela rola como uma verdadeira protagonista que se escreve por linhas tortas e funciona. "What Is and What Should Never Be" funciona como um momento de descanso depois da fase mais elétrica e pesada do show, aqui a banda imprime uma versão mais pesada. "Dancing Days" tem ótimas linhas, todas insanas, é verdade, um hard sem muitas exigências que funciona muito bem com efeitos do pedal wah-wah de Page e mais alguns solos que vão lá na mente, direto e reto. “Mob Dick” é momento em que Page, Jones e, especialmente, John Bonham entram em cena parecendo fazer uma jam para depois dos riffs entrar um fantástico e virtuoso, alucinante, solo de bateria que o colocou na posição de melhor baterista de rock. Em seguida vem "Whole Lotta Love" com seus riffs demolidores e um ritmo absurdamente pesado, pesadão mesmo, cujos improvisos trazem algumas versões de faixas gravadas nos anos 50 primórdios do rock, porém, além disso, esta versão é animal. Uma das faixas mais emblemáticas não poderia faltar e, então, "Rock and Roll" se apresenta no front para esquentar ainda mais o show fazendo sua ode ao gênero completamente direta e reta arromba as portas da mente. “The Ocean” e suas linhas insanas de baixo, aliás, o que seria do Led Zeppelin se não tivesse o talentoso John Paul Jones? É difícil fazer uma afirmação mais acurada, mas permite dizer faltaria mais brilho e esmero em canções como essa por onde Page viaja nos riffs e solos que nos levam por uma viagem insólita na voz de Plant e na batera de John, era definitivamente o auge. Encerrando com um blues marcado pelo frenesi de uma banda que surfava por cima e bem longe das montanhas e que de fato havia conquistado mais do que oeste e que agora através "Bring It On Home" anunciava que chegara a hora de ir embora, as gaitas de Plant e o ritmo alucinante posterior é completamente matador e dispensa dizer de quem é o brilho e o que cada um faz o fato é que trata-se de uma canção poderosa que gruda na mente de forma perene. (Nota 9,5)
Depois que o Led Zeppelin encerrou as atividades a banda ainda se reuniu mais três vezes cuja primeira foi em 1985 no Live Aid contando com Phil Colins e com Tony Thompson na bateria e com o baixista Paul Martinez, a curta performance foi caótica devido à falta de ensaio da dupla de bateras, problemas técnicos e pela voz rouca de Plant, enfim, naquele dia nada deu realmente certo. Em 1988, eles se reuniram outra vez e desta vez foi para celebrar o aniversário de 40 anos da Atlantic Records. Nesta apresentação o baterista Jason Bonham, o filho de John, e também tinha John Paul Jones, mas também por problemas técnicos a apresentação também foi ruim. A terceira vez foi em 1995 quando foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame pelo pessoal do Aerosmith e depois foram para o palco tocaram com Tyler e Perry e também com Neil Young, mas nesta vez o baterista foi Michael Lee. Fora isso Plant e Page chegaram a juntar-se sem a presença de John Paul Jones fato este que causou mal-estar rendendo uma saia justa no Rock and Roll Hall of Fame quando o baixista e tecladista disparou: “Obrigado, meus amigos, por, finalmente, lembrarem o meu número de telefone” deixando Plant e Page evidentemente com aquela cara de enfurecida. Juntos o guitarrista e o vocalista fizeram o álbum No Quarter Jimmy Page and Robert Plant Unledded apresentando músicas do Led Zeppelin com uma nova roupagem gravado no Marrocos por iniciativa da MTV, parceira não foi muito longe, mas teve o álbum de despedida intitulado Walking into Clarksdale lançado em 1998. Depois disso cada um seguiu o seu caminho até que em 2007 os gigantes se levantam novamente, mas desta quarta vez foi para um concerto beneficente em homenagem à memória de Ahmet Ertegun em 10 de dezembro de 2007, em Londres O2 Arena. Desta vez ao contrário das três vezes anteriores que culminaram em fracassos acumulados as coisas funcionaram e o Led Zeppelin brilhou novamente, mas desta não teve ninguém de Jason Bonham na bateria. O show foi filmado e havia especulações de que haveria um lançamento desse material e de fato houve e em 2012 o filme chegou aos cinemas e também as prateleiras das lojas em cd duplo, lp triplo e dvd e blue ray com os cds em ambos pacotes.
Depois de mais de uma década de sem se apresentarem ao vivo, eles pareciam ter continuado de onde pararam com a exceção de ter como quatro membro, o baterista, Jason Bonham que substituiu muito bem seu pai honrando o seu legado fazendo desaparecer qualquer suspeita pudesse haver quanto a isso. Os três remanescentes da formação original e mística do Led Zeppelin agora já longe da boa forma e vigor físico de outros tempos onde brilharam e com maestria, fúria, levaram o som inebriante, poderoso e viajante transformando as apresentações em grandes celebrações e festas do rock com todos os excessos retomam e com classe realizando uma performance impecável os clássicos sem precisar de se apoiar em releituras para esconder as falhas. “Good Times Bad Times” abre o show e arremete-nos de cara para os anos iniciais, a voz de Plant apesar de não ter a potência daqueles dias ainda é capaz trazer a nós a mesma emoção, a guitarra de Page com o passar dos anos ficou ainda melhor e John Paul Jones mostrou que ainda pode desmanchar o seu baixo em linhas e mais linhas poderosas. Em “Ramble On” mantém o mesmo vigor e com essa roupagem mais atual comprova que o som do Led Zeppelin é ainda é o mesmo e também é atual. “Black Dog” é música de Page, o cara ainda esbanja o mesmo feeling nos riffs e solos e Plant despeja pura intimidade é como se estivéssemos, em 1972, na época mágica em que eles faziam verter o céu na terra ao rasgar o véu da inocência. A épica e maluca “In My Time Of Dying” estão presentes todos os elementos que fazem ser quem são Jason não decepciona e mostra ser um baterista cheio de recursos assim como os seus companheiros que despejam o mesmo apelo sexual em cima do ritmo fazendo atingir com fervor o clímax. Este de fato é um show para lembrar a vida toda e por isso mesmo uma música como “For You Life” não poderia faltar e ela dá as pistas da injustiça feita ao álbum Presence (1976), os riffs e solos hipnóticos resumem-na a um alimento para o espírito dos mais saborosos. A funkeada “Trampled Under Foot” ainda se destaca pela alucinantes linhas de piano.
“Nobdy’s Fault But Mine” ainda proporciona a sua interminável viagem aos confins da mente, totalmente cerebral e pungente. O progressivo, psicodélico de “No Quarter” é onde John Paul Jones brilha com seu órgão fazendo linhas viajantes, lisérgicas totalmente desvairada um convite ao desatino. “Since I've Been Loving You” é figura carimbada em qualquer show ou gravação ao vivo, visto que, é um clássico composto pela banda cujas raízes são blues componente de base da sonoridade zeppeliana, a melancolia e os destaques são os mesmos nessa versão. A misteriosa e enfumaçada “Dazed and Confused” também não poderia ficar de fora já que uma das marcas registradas do grupo e também pedra angular do hard rock e do heavy metal, mas aqui ao contrário dos dias passados ela não trouxe no bojo os seus intermináveis improvisos, ou seja, não foi além de original concepção que foi mais alargada. “Stairway To Heaven” ainda é a música de maior impacto e esta versão edulcorada com órgão abrilhantou ainda mais o momento mais emocional quando Page despeja seu solo enlouquecedor. “Song Remains The Same” reativa o sonho hippie uma viagem psicodélica pesada, a música era de fato um paradigma de uma possível transformação. A dançante “Misty Mountain Hop” conversa intacto o seu lado vibrante e desnorteado. “Kashmir” uma trip ao oriente totalmente sedutora cheia de caminhos e alucinações místicas em busca do sagrado. Pela primeira vez o Led Zeppelin não se estendeu em “Whole Lotta Love” como fazia nos seus melhores dias apresentando-o de forma interminável perdida nas pirações instrumentais chapadas incluindo medleys que muitas vezes não eram legais aqui ela obedeceu a padrões razoáveis e o que foi apresentado é perfeito e lógico. Fechando o show veio a toda velocidade a emblemática “Rock and Roll” uma ode ao rock e ao que ele conserva de melhor, mas é uma pena que a voz de Plant já não alcance mais as notas mais altas, mas a interpretação caiu muito bem e manteve o nível. Depois desse show e do material estar nas mãos dos fãs de todo o planeta não demorou para surgirem as propostas e as especulações sobre um possível retorno para a gravação de um novo álbum e de uma turnê que nunca se realizaram diante das negativas constantes de Robert Plant. Indpendente disso a verdade é que os fãs pelo menos podem agora ter uma ideia do que seria o Led Zeppelin hoje em cima do palco e de como soariam as músicas visto as performances arrasadoras contidas no álbum. Enfim, mas ainda é possível sonhar, pois quem sabe um dia, quando menos esperarmos, isso não acontece. (Nota 9,0)
Iron Maiden - Rock in Rio (2001)
Quem viu a primeira passagem do Iron Maiden pelo Brasil, em 1985, ficou deslumbrado por ter a experiência de ver pela primeira vez um gigante do heavy metal em pleno auge, e por isso, não foi à toa, que a primeira edição, a fase romântica, marcou de forma indelével o imaginário coletivo das gerações posteriores que tomaram conhecimento do que havia acontecido, que era um sonho distante, através dos famosos bootlegs que faziam a cabeça e também fizeram decolar a imaginação e a vontade de viver na pele a experiência do que seria assistir ao vivo e a cores um show da Donzela de Ferro. Ulteriormente rolou a segunda edição do dito festival, a penúltima edição da fase romântica, isto é, uma sequência antológica repleta de shows tórridos de Megadeth, Judas Priest, Queensrÿche entre outros que a exemplo dos primeiros também estavam no auge de suas carreiras. O Iron Maiden em 1990 lançou o álbum No Prayer For The Dying, um disco que não é ruim, contudo, está longe dos maiores êxitos e, depois, em 1992, soltou Fear Of The Dark que também não salvou exceto pela faixa título que se tornou um emblema e em todos os shows e parte considerável dos lançamentos ao vivo está presente. As coisas não foram legais, os dois álbuns não decolaram. Em 1993, a saída de Bruce Dickinson pegou todos de surpresa anunciando a sua saída do grupo e o fato gerou tanta comoção que até show de despedida teve, cheio de pirotecnias, foi transmitido para o mundo o todo, no Brasil quem fez a transmissão foi a Band.
Para tapar o buraco deixado pela ausência de Bruce Dickinson, a banda fez um espetáculo, ideia do empresário Rod Smallwood, isto é, anunciou um concurso para encontrar o novo frontman da Donzela de Ferro e nem é preciso dizer que choveu fitas de gente como André Matos (que na época estava no Angra e foi finalista), mas infelizmente não foi ele o contratado. Quem venceu o concurso foi Blaze Bayley que na época tocava numa obscura banda de hard rock chamada Wolfsbane. Aqui, enfim, começa o período mais sombrio da história do grupo britânico, o cara não tinha nada haver com estilo do grupo, ou seja, Harris teria que mudar completamente as composições para o novato poder canta-las. Era o prenuncio de um desastre, e foi, o começo aconteceu com X-Factor (1995) e ali já havia ficado claro que cometeram um erro ao fazer essa loucura. A imprensa especializada e os fãs tanto de uma quanto de outra das duas bandas sabiam disso. Enfim, a banda tentou deixa-lo mais à vontade para que ele pudesse se adaptar, mas era impossível ele não tinha voz para cantar as músicas clássicas e de tanto forçar dava um show de desafinação. O ponto final veio com o horripilante Virtual XI (1998), os shows eram de ruins para péssimos por conta de não haver em Blaze o mesmo tipo de voz de seu antecessor e por isso mesmo quando chega a hora de mandar o que ele não tinha, os agudos, tudo rolava por água abaixo, e realmente foi...
A banda sentou-se com o seu staff e, dessa vez, tiveram que repensar tudo e chegar até uma resolução cujo diagnóstico era demiti-lo, pois, caso contrário a próxima turnê seria a despedida era insustentável manter aquela situação mais do que tenebrosa por mais tempo. Depois de despedi-lo, Steve Harris e Smallwood decidiram que Bruce Dickinson (que estava numa ótima fase de sua carreira solo que já estava consolidada) tinha que retornar de qualquer maneira porque ou era aquilo ou acabar. Bruce Dickinson não se opôs a voltar a tocar com ex companheiros desde que eles aceitassem o retorno de Adrian Smith (o cara foi o responsável pelo sucesso do grupo na sua fase dourada). O retorno anunciado pela imprensa dizia que agora eles viriam em sexteto, quer dizer, teriam três guitarristas no estúdio e nos palcos. Foi nesse oba-oba que em 2000, eles soltaram Brave New World, o disco dividiu opiniões, porém, ao mesmo tempo, mostrava um Iron Maiden renovado e, dessa vez, havia o acréscimo do progressivo a sonoridade que era ainda mais direcionado pelas guitarras que agora seriam trigêmeas e exalavam talento, virtuose, jamais vistos em outra banda.
Quando anunciaram a terceira edição do Rock in Rio, a última da fase romântica, em 2001, para a surpresa dos Maiden maníacos a banda iria fazer a segunda apresentação no festival e o momento não poderia ser melhor para isso, pois os fãs brasileiros depois de quinze anos, a antiga e a nova geração, poderiam juntos pela primeira vez dividir o mesmo recinto para assistirem ao show de um banda que recentemente havia reorganizado a formação original e vinha com um grande álbum de estúdio na bagagem para mostrar. Eles foram á atração principal, no palco mundo, fechando a noite, no dia 19 de janeiro de 2001, tocando depois de Queens Stone of Age (um competente que conquistou o público), o Sepultura (show de uma banda decadente que estava a anos luz de seu passado glorioso que os consagraram como um dos grandes nomes do heavy metal mundial), teve também Rob Halford (que ano anterior, depois do projeto One, retornou ao heavy metal e atacou com o furioso Ressurection e, ali, tudo fez jus ao álbum e a segunda parte de sua ressureição com um show maravilhoso) para um público estimado em mais de cinquenta mil metalheads que se despencaram de todas as partes do país, mas haviam boatos afirmando que o total eram mais de duzentos e cinquenta mil que estavam circulando por ali naquele dia e que não puderam assistir porque a organização borrou nas calças por medo de tumulto, desordem generalizada, enfim, um grande equívoco misturado ao preconceito. Este show foi o último da Brave New World Tour e a banda ao invés deixar-se prostrar pelo cansaço mandou um set list de tirar o fôlego, mas não ficou atado aos clássicos tocaram metade do novo disco e mandaram ver o material da fase Blaze Bayley.
O show foi filmado e, em 2002, foi lançado nos formatos DVD e CD, acontecimento que gerou um sentimento de surpresa e de extremada alegria especialmente naqueles que como este que vos escreve que poderia finalmente conferir o show perdido, o DVD trás ao expectador uma experiência quase que real de assistir a um show no pé do palco vendo os integrantes arrebentando, isto é, o material gravado ali é não são pedaços de shows extraídos para monta-lo estamos falando do show inteiro sem interrupções que um aparelho de home theater potente resolve e o mesmo se diz de um ótimo sistema de som para tocar o cd. Depois da introdução, com a opera Arthur’s Farewell de Jerry Goldsmith, a banda não perde tempo entra totalmente eletrizante despejando para cima da plateia “Wicker Man”, o primeiro single de Brave New World, e também a primeira das cinco tocadas o do álbum. A banda fazia parecer continuar de onde havia parado, o som pejado de melodias e com guitarras esfuziantes faziam com que esta banda trouxesse os céus abaixo. A sequência veio com a matadora “Ghost Of The Navigator, um clássico instantâneo, cativante pelo conjunto instrumental e pelo refrão poderoso, forte e melódico, totalmente, sentimental, isto é, o momento épico que marcou época na cidade maravilhosa nas mudanças de ritmo complexas.
O Iron Maiden apostou em composições mais longas que reafirmavam mais do que nunca Steve Harris como um dos maiores compositores do heavy metal, o cara usou todo o catálogo de suas influências, da qual, se fez claro em “Brave New World” e por um momento pensei estar dentro do mundo de Aldous Huxley, um verdadeiro visionário que previu o futuro em sua obra magnífica, misteriosa e enigmática que teima em ser cada vez mais atual, o Maiden aqui mandou uma porrada clássica que arremete diretamente ao seu passado magnífico que se perfaz numa viagem alucinante por distantes galáxias do pensamento, um último estertor antes do ponto final. Depois de mandar uma trinca do novo álbum, eles começam a soltar os clássicos e já mandam de cara à arrebatadora “Wrathchild” que vem com um solo ainda mais preciso e matador, o trio de guitarras provava a sua eficiência dizendo ao subconsciente dos expectadores que vieram mesmo para ficar. Em seguida soltam a pesada e rápida “2 Minutes do Midnight” e aqui Bruce Dickinson demonstra a sua força vocal que vai lá nas alturas recuperando o brilho e o prestígio dos imortais do heavy metal em longos e complexos devaneios instrumentais. Depois de presentear os fãs com dois clássicos retomam a sequência de Brave New World e entregam “Blood Brothers”, a antepenúltima de Brave New World, uma boa balada heavy repleta dos lances sentimentais que são extravasados pela voz ardente de Dickinson que junto com o coro da plateia a deixam ainda mais hipnótica.
Uma não duas provas de que Blaze não tinha condições de fazer parte do Iron Maiden estão, da qual, a primeira é Sign Of The Cross do X-Factor e os vocais de Bruce atingem todas as notas que o seu antecessor jamais conseguirá por conta dos talentos diferentes. Bruce Dickinson é parte fundamental do Iron Maiden e somente ele é quem está apto a cantar nos discos lançados por eles. Blaze não é ruim é ótimo vocalista, mas infelizmente a banda parece não ter se tocado de que nunca haveria a possibilidade, a menos que mudassem de estilo, de haver o encaixe perfeito dele na banda. Essa faixa surpreende pela complexidade instrumental que exige dos músicos toda sua habilidade, uma peça das influências de progressivo que relembram gente do naipe de Nektar, Wishbone Ash. O Iron Maiden é daquelas bandas sempre para a frente e vive nos palcos o presente, mas nunca abandona ou o relega a segundo plano, ou seja, faz um misto muito bom entre ambas as fases, porém, nesse caso que se tratava de um álbum novo privilegiaram-no, e bem, retornando a ele com a acelerada “The Mercenary” um ótimo exemplo da reciclagem que a banda fez na sua sonoridade que nortearia o futuro. Com “The Trooper”, um hino, talvez o momento mais alto do show, eles convocam as suas tropas para bater cabeça e mais de cinquenta mil cabeças cantam junto com Dickinson enquanto a cavalaria vem como um raio saltando das guitarras flamejantes do trio superpoderoso e em linhas pulsantes e eletrizantes de Steve e a artilharia de McBrian não perdoa arrasando em linhas poderosas e cavalares.
Abrindo o segundo disco, o Maiden vem com Dream of Mirrors, a última do Brave New World tocada nesse show, essa música e as outras mais longas eram o início de algo que seria corrente nos shows da banda, e os clássicos cada vez mais sairiam de cena, exceto os principais, para dar mais espaço para os discos mais novos. A faixa em si é uma das mais longas do show e em relação a sua estrutura não é muito diferente e nem menos complexa do que as outras, entretanto, ela é um reflexo da nova fase do grupo que prima por músicas mais longas, melódicas, complexas e pesadas mantendo a agressividade característica e pungente da Donzela de Ferro. Mais uma vez, agora em definitivo, o Iron Maiden revisita o Virtual XI e aí está uma prova cabal e extremamente contundente de que este como o antecessor dele eram discos para o Bruce Dickinson cantar, a faixa de The Clansman ganhou ainda mais vida e por ser épica Dickinson pós ainda mais emoção nela e banda detonou nas partes que lhe coube elevando o nível além da estratosfera. Retornando aos clássicos, foi apresentada ao público uma versão estonteante de “The Evil That Man Do”, ali foram exorcizados todos os demônios, e é a prova de que é o próprio homem através de suas ações é quem faz mal a si mesmo, mas ainda bem que pode ser consertado com esse retorno e com esse disco e com essa versão matadora.
Iron Maiden é uma faixa visceral que não pode faltar, visto que, ela reflete toda a agressividade, peso e melodias desorientadores que faz o ouvinte se equilibrar nos estertores da mente já combalida e retorcida por conta de riffs e solos, linhas de bateria e de baixo somando a vocais potentes totalmente insanos. Outro grande momento desse discos é a clássica e perene “The Number Of The Beast” que depois da introdução descamba para mais absurda pancadaria fazendo os miolos saltarem para fora do crânio de tanto bater cabeça, rodopiar, sem parar na frente do palco ou cdplayer em casa tamanha é a força desnorteadora dessa faixa poderosa, mágica. Depois de um momento de iluminação vem a revelação com a “Hallowed Be Thy Name”, do qual, o tema forte faz dela uma força, um manifesto, do heavy metal e toca nos assuntos inerentes ao homem em sua existência frágil por aqui. O saudosismo é um fator sério numa banda clássica que conta com várias e várias músicas que fizeram história marcando em definitivo e de forma indelével a carreira e, principalmente, a vida dos fãs e isso exige que essas músicas sempre ou quase sempre marquem presença nos shows como é o caso de "Sanctuary" uma faixa que arremete ao punk e a atitude mais seca e direta do Maiden e que ao vivo ganha uma dose extra de agressividade fazendo dela quase um estupefaciente. Iron Maiden é uma faixa visceral que não pode faltar, visto que, ela reflete toda a agressividade, peso e melodias desorientadores que faz o ouvinte se equilibrar nos estertores da mente já combalida e retorcida por conta de riffs e solos, linhas de bateria e de baixo somando a vocais potentes totalmente insanos.
Outro grande momento desse discos é a clássica e perene “The Number Of The Beast” que depois da introdução descamba para mais absurda pancadaria fazendo os miolos saltarem para fora do crânio de tanto bater cabeça, rodopiar, sem parar na frente do palco ou cdplayer em casa tamanha é a força desnorteadora dessa faixa poderosa, mágica. Depois de um momento de iluminação vem a revelação com a “Hallowed Be Thy Name”, do qual, o tema forte faz dela uma força, um manifesto, do heavy metal e toca nos assuntos inerentes ao homem em sua existência frágil por aqui. Fechando em ritmo frenético e pulsante vem “Run To The Hills” cujos os solos iniciais já dizem tudo sobre a faixa e que de fato, eles, são feitos de aço puro que corre nas veias abertas do Brasil. Rock In Rio foi um disco em que a banda, na turnê, testou todos os limites, expurgou definitivamente todos os seus demônios e demonstrou grandes avanços e encaminhou os rumos que afetariam seu futuro. Para nós brasileiros ficou a experiência de ver um show especial causador de fortes emoções de poder encontra-se ali no meio da plateia sentado em casa com os amigos e a namorada e poder se gabar dizendo “estão vendo? Aquele cara ali! Olhem... sou eu...”, para os que não foram fica um gostinho bom de poder ver na televisão ou ouvir no aparelho de som avalanche sonora e impetuosa do Iron Maiden que renascia completamente rejuvenescido e com mais fôlego para enfrentar os vários desafios que apareceriam pelo caminho. Mesmo com os defeitos na produção este álbum pode ser considerado uma peça única na discografia da banda já que nem uma outra banda conseguiu extrair tanta paixão e emoções a flor da pele de uma plateia tão quente, entusiasmada e insana como é a brasileira e os gringos puderam sentir isso na pele ao ouvir a plateia rasgar o coração a beira do palco como se não houvesse amanhã, a eternidade é logo ali e aí está a prova.
Track List:
CD1
01 Intro
02 The Wicker Man
03 Ghost Of The Navigator
04 Brave New World
05 Wrathchild
06 2 Minutes To Midnight
07 Blood Brothers
08 Sign Of The Cross
09 The Mercenary
10 The Trooper
CD2
01 Dream Of Mirrors
02 The Clansman
03 The Evil That Man Do
04 Fear Of The Dark
05 Iron Maiden
06 The Number Of The Beast
07 Hallowed Be Thy Name
08 Sanctuary
09 Run To The Hills
Abrindo o segundo disco, o Maiden vem com Dream of Mirrors, a última do Brave New World tocada nesse show, essa música e as outras mais longas eram o início de algo que seria corrente nos shows da banda, e os clássicos cada vez mais sairiam de cena, exceto os principais, para dar mais espaço para os discos mais novos. A faixa em si é uma das mais longas do show e em relação a sua estrutura não é muito diferente e nem menos complexa do que as outras, entretanto, ela é um reflexo da nova fase do grupo que prima por músicas mais longas, melódicas, complexas e pesadas mantendo a agressividade característica e pungente da Donzela de Ferro. Mais uma vez, agora em definitivo, o Iron Maiden revisita o Virtual XI e aí está uma prova cabal e extremamente contundente de que este como o antecessor dele eram discos para o Bruce Dickinson cantar, a faixa de The Clansman ganhou ainda mais vida e por ser épica Dickinson pós ainda mais emoção nela e banda detonou nas partes que lhe coube elevando o nível além da estratosfera. Retornando aos clássicos, foi apresentada ao público uma versão estonteante de “The Evil That Man Do”, ali foram exorcizados todos os demônios, e é a prova de que é o próprio homem através de suas ações é quem faz mal a si mesmo, mas ainda bem que pode ser consertado com esse retorno e com esse disco e com essa versão matadora.
Iron Maiden é uma faixa visceral que não pode faltar, visto que, ela reflete toda a agressividade, peso e melodias desorientadores que faz o ouvinte se equilibrar nos estertores da mente já combalida e retorcida por conta de riffs e solos, linhas de bateria e de baixo somando a vocais potentes totalmente insanos. Outro grande momento desse discos é a clássica e perene “The Number Of The Beast” que depois da introdução descamba para mais absurda pancadaria fazendo os miolos saltarem para fora do crânio de tanto bater cabeça, rodopiar, sem parar na frente do palco ou cdplayer em casa tamanha é a força desnorteadora dessa faixa poderosa, mágica. Depois de um momento de iluminação vem a revelação com a “Hallowed Be Thy Name”, do qual, o tema forte faz dela uma força, um manifesto, do heavy metal e toca nos assuntos inerentes ao homem em sua existência frágil por aqui. O saudosismo é um fator sério numa banda clássica que conta com várias e várias músicas que fizeram história marcando em definitivo e de forma indelével a carreira e, principalmente, a vida dos fãs e isso exige que essas músicas sempre ou quase sempre marquem presença nos shows como é o caso de "Sanctuary" uma faixa que arremete ao punk e a atitude mais seca e direta do Maiden e que ao vivo ganha uma dose extra de agressividade fazendo dela quase um estupefaciente. Iron Maiden é uma faixa visceral que não pode faltar, visto que, ela reflete toda a agressividade, peso e melodias desorientadores que faz o ouvinte se equilibrar nos estertores da mente já combalida e retorcida por conta de riffs e solos, linhas de bateria e de baixo somando a vocais potentes totalmente insanos.
Outro grande momento desse discos é a clássica e perene “The Number Of The Beast” que depois da introdução descamba para mais absurda pancadaria fazendo os miolos saltarem para fora do crânio de tanto bater cabeça, rodopiar, sem parar na frente do palco ou cdplayer em casa tamanha é a força desnorteadora dessa faixa poderosa, mágica. Depois de um momento de iluminação vem a revelação com a “Hallowed Be Thy Name”, do qual, o tema forte faz dela uma força, um manifesto, do heavy metal e toca nos assuntos inerentes ao homem em sua existência frágil por aqui. Fechando em ritmo frenético e pulsante vem “Run To The Hills” cujos os solos iniciais já dizem tudo sobre a faixa e que de fato, eles, são feitos de aço puro que corre nas veias abertas do Brasil. Rock In Rio foi um disco em que a banda, na turnê, testou todos os limites, expurgou definitivamente todos os seus demônios e demonstrou grandes avanços e encaminhou os rumos que afetariam seu futuro. Para nós brasileiros ficou a experiência de ver um show especial causador de fortes emoções de poder encontra-se ali no meio da plateia sentado em casa com os amigos e a namorada e poder se gabar dizendo “estão vendo? Aquele cara ali! Olhem... sou eu...”, para os que não foram fica um gostinho bom de poder ver na televisão ou ouvir no aparelho de som avalanche sonora e impetuosa do Iron Maiden que renascia completamente rejuvenescido e com mais fôlego para enfrentar os vários desafios que apareceriam pelo caminho. Mesmo com os defeitos na produção este álbum pode ser considerado uma peça única na discografia da banda já que nem uma outra banda conseguiu extrair tanta paixão e emoções a flor da pele de uma plateia tão quente, entusiasmada e insana como é a brasileira e os gringos puderam sentir isso na pele ao ouvir a plateia rasgar o coração a beira do palco como se não houvesse amanhã, a eternidade é logo ali e aí está a prova.
Track List:
CD1
01 Intro
02 The Wicker Man
03 Ghost Of The Navigator
04 Brave New World
05 Wrathchild
06 2 Minutes To Midnight
07 Blood Brothers
08 Sign Of The Cross
09 The Mercenary
10 The Trooper
CD2
01 Dream Of Mirrors
02 The Clansman
03 The Evil That Man Do
04 Fear Of The Dark
05 Iron Maiden
06 The Number Of The Beast
07 Hallowed Be Thy Name
08 Sanctuary
09 Run To The Hills
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