terça-feira, 8 de novembro de 2022

BIOGRAFIA DE Kid Rock


 


Kid Rock

Robert James Ritchie (Romeo17 de Janeiro de 1971), mais conhecido por seu nome artístico Kid Rock, é um músico natural dos Estados Unidos da América.

O seu álbum de estreia, Grits Sandwiches For Breakfast, foi lançado em 1991 pela editora Jive Records, mas o sucesso no top americano só veio em 1999, com o seu sexto álbum, Devil Without A Cause, que com o hit "Bawitdaba", e vendeu mais que 12 milhões de copias. Kid Rock conseguiu manter-se no top mesmo depois de uma tímida aceitação do álbum Cocky, de 2001, em grande parte graças à balada country "Picture", com participação da cantora Sheryl Crow. No dia 9 de outubro de 2007 Kid Rock lançou o seu décimo primeiro álbum, intitulado Rock N Roll Jesus. Born Free, o oitavo álbum de estúdio do cantor Kid Rock, foi lançado a 15 de Novembro de 2010. Kid Rock já vendeu mais de 27 milhões de álbuns até a presente data no mundo inteiro.

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Kid Rock

Álbuns de estúdio



Styx - Crash of the Crown [2021]

 

Styx - Crash of the Crown [2021]



O décimo sétimo disco da carreira dos Styx. Trata-se de Crash of the Crown, o qual já está na lista de melhores lançamentos de 2021 em disparado. O grupo atualmente conta com a dupla consagrada de guitarras e vocais, formada por James "JY" Young e Tommy Shaw, Lawrence Gowan (teclados e vocais), Todd Sucherman (bateria) e Ricky Phillips (baixo), acompanhados de Will Evankovich (violões, guitarras, mandolin, sintetizadores, vocais de apoio), mas está na ativa desde o início dos anos 70. E o que impressiona em Crash of the Crown é como o grupo envelheceu muito bem. Não parece que estão na estrada há 50 anos (sim, o tempo passa), mantendo um nível tão alto tanto em criatividade quanto na qualidade musical, renovando-se sem perder a essência que o tornou um dos maiores nomes do hard rock americano em toda a história da música. O álbum abre com os teclados futurísticos de "The Fight Of Our Lives", que parecem saídos de alguma faixa perdida do Vangelis, e aos poucos, os demais instrumentos vão surgindo, explodindo nos vocais repletos de harmonia que consagraram o grupo. A curta faixa cantada por Shaw traz aquelas referências de Queen que apareceram em outras obras da banda, e empolga de cara, estabelecendo uma espécie de prelúdio para a sequência do disco. "A Monster" possui um ritmo dançante que parece saído dos grandes salões de uma Europa Medieval. Pesada, a canção vai entrando em nossa cabeça como uma broca repleta de chicletes, grudando bastante, e com diversas variações, mostra as diversas qualidades do Styx, com destaque especial claro para as lindas harmonias vocais, os trechos de mandolin e também a alternância dos sintetizadores, ora hammond, ora mellotron, ora moog. Muito bom e progressivo. 
Foto divulgação do álbum

Os violões de "Reveries" mantém esse climão medieval, quebrado no explosivo refrão, perfeito para arenas entoarem em uníssono. Aqui destaca-se também os solos de JY e Shaw. Seguimos pela linda "Hold Back The Darkness", uma obra fantástica comandada pelos teclados de Gowan e o violão de Shaw. Ambos alternam-se nos vocais, e a canção desenvolve-se com um cheirão de Pink Floyd que certamente irá fazer muita gente coçar a cabeça. Linda faixa, lindo refrão, bastante diferente do que poderíamos pensar em termos de Styx. O clima prog é quebrado pelo piano de "Save Us From Ourselves", com referências ao famoso depoimento de Winston Churchill, e muito próxima pelo Styx clássico do final dos anos 70, principalmente pelos vocais de Shaw e os solos de guitarra. 

A faixa-título é aquele momento que todo fã do Styx adora adorar, quando JY assume os vocais. Sabemos que dificilmente JY canta uma música ruim, e "Crash of the Crown" é muito boa realmente. Não parece que essa canção possui apenas 4 minutos, tamanha a quantidade de mudanças. Ela começa com sua levada agitada e os vocais graves do músico, e então ua virada no mínimo curiosa durante o refrão, com a entrada dos vocais de Gowan e Shaw. Quem está mandando muito bem também é Gowan, que faz diversas estripulias nos teclados. Mais uma mudança surpreendente, trazendo de novo as referências ao Queen, encerrando outra bela faixa. "Our Wonderful Lives" e seus violões nos colocam direto em algum local entre The Grand Illusion e Pieces of Eight, ainda mais com a entrada dos vocais e do moog. Essa canção tipicamente Styx conta com a presença mais que ilustre do baixista Chuck Panozzo, que fez parte da banda em diversas formações, e também de Steve Patrick no belo solo de trompete. 

Linda versão transparente

A faixa mais longa de Crash of the Crown, "Common Ground", surge com o moog seguido por violões na melhor linha Styx progressivo, e dê-lhe harmonias vocais. Mas vejam, a mais longa dura apenas 4 minutos, onde Sucherman dá seu espetáculo em particular. Os toques acústicos se mantém em "Sound the Alarm", mais uma linda balada cantada por Shaw, e com o órgão de igreja muito presente, junto de diversas camadas de teclados. O ritmo frenético de "Long Live the King" choca pela mudança abrupta no que estávamos ouvindo anteriormente, mas continua com Crash of the Crown em alto nível. Refrão forte, boa presença dos teclados e mais uma canção bem diferente no que esperamos de Styx. Passamos pela vinheta "Lost at the Sea", cantada por Gowan acompanhado pelos teclados e uma base formada por baixo (novamente Panozzo), guitarra e bateria, e somos levados a tabla de Michael Bahan em "Coming Out The Other Side", uma canção mais amena, que nos prepara para a reta final do disco, celebrando um refrão para se cantar abraçado aos amigos, lembrando um pouco o Yes dos anos 90, ainda mais com o solo de slide (feche os olhos e imagine que é Steve Howe ali).

Chuck Panozzo, Ricky Phillips, Todd Schurmann, Tommy Shaw, James Young e Lawrence Gowan

Voltamos aos teclados e aos vocais em harmonia do início do álbum em "To Those", funcionando como o epílogo de Crash of the Crown, e se aqui o álbum encerra-se, seria redondinho, em um clima mais que perfeito. Mas há ainda uma breve vinheta, "Another Farewell", que leva para o dedilhado brilhante de "Stream", outra que nos remete a Pink Floyd, mas agora ao de Animals, com um belo solo de slide, e que conclui o álbum de forma surpreendente, ainda mais para cima, e que sugere uma espécie de continuidade ao que foi desenvolvido no disco. Fantástico!

O ponto negativo de Crash of the Crown é de que justamente quando estamos curtindo a canção, ela acaba. Mas por outro lado, ouvir o álbum na totalidade parece que na verdade ouvimos uma única suíte de 43 minutos. Temos então um disco que traz um conceito interessante para o pós-pandemia, mesclando os dias de luta, isolamento, repressão com a celebração da vida,  através da esperança de que teremos dias melhores em breve, mas principalmente, que o Styx ainda tem muita lenha para queimar.

Contra-capa do CD

1 The Fight Of Our Lives

2 A Monster

3 Reveries

4 Hold Back The Darkness

5 Save Us From Ourselves

6 Crash Of The Crown

7 Our Wonderful Lives

8 Common Ground

9 Sound The Alarm

10 Long Live The King

11 Lost At Sea

12 Coming Out The Other Side

13 To Those 3:01

14 Another Farewell 0:26

15 Stream 2:56


25 DE ABRIL DISCOS

25 DE ABRIL: MARCHA DO MFA


"Grândola" é a "Grândola", mas a Marcha do MFA ("A Life On The Ocean Wave") também arrepia.

Este disco, autografado pelos "capitães" Vasco Lourenço e Sousa e Castro, foi editado pela Comissão Organizadora das Comemorações do 5º Aniversário do 25 de Abril, Dia da Liberdade, em 1979, não tendo sido vendido ao público.

A imagem do disco (também do autocolante desse mesmo ano) é o resultado de um concurso feito nas escolas do País.


EDUARDO LEMOS


OSIRIS - OS0008

Canção Para Catarina (Lima Brumon/Eduardo Lemos) . Convite (F. Heitor/Luís Filipe)

MANUEL CORGAS


BANDA - EAP 60 018 - 1975

25 de Abril - Balada Para Um Soldado - Fonte Da Minha Aldeia - Por Quem Será Que Eu Luto

Conjunto de António Chaínho.

25 DE ABRIL: CANÇÃO DA PAZ


ORFEU - KSAT 537 - 1975

Canção da Paz (Manuel Teixeira Ruela/P. Carlos) - Não Se Perde o Pensamento (Manuel Teixeira Ruela/Manuel Alegre)

A intérprete é Maruga.

Lê-se na contracapa do disco que este é o "primeiro editado em Portugal de música revolucionária do Dr. Manuel Teixeira Ruela".

Médico, político, compositor, Manuel Teixeira Ruela "depois de uma vida de luta contra o fascismo, depois de torturado pelos esbirros da famigerada PIDE/DGS, teve de se exilar na Argélia".

Morreu em Paris, antes de 25 de Abril de 1974.

GRÂNDOLAS


GUILDA DA MÚSICA/COMPANHIA NACIONAL DA MÚSICA - GM 002/4

Caixa de 4 CDs, dois dos quais com canções ("Grândola Vila Morena", "Traz Outro Amigo Também", "Venham Mais Cinco", "Canto Moço", "E Depois do Adeus", "Life On The Ocean Wave...) e os restantes dois com reportagens de Adelino Gomes, Paulo Coelho e Pedro Laranjeira no dia 25 de Abril de 1974




CRONICA - ASH RA TEMPEL | Join Inn (1973)

 

Boas notícias ! Klaus Schulze após uma tentativa solo em 1972 com o enigmático Irrlicht retorna ao Ash Ra Tempel, juntando-se ao guitarrista Manuel Göttsching e ao baixista Hartmut Enke. Depois de um notável e essencial álbum auto-intitulado no estilo krautrock, os dois últimos continuaram a aventura publicando dois LPs, o anexo Schwingungen e o fracassado Seven Up em colaboração com Timothy Leary, o apóstolo do LSD. Em suma, duas panquecas de Ash Ra Tempel que não estavam à altura do primeiro disco. De fato, o retorno de Klaus Schulze parece ser uma dádiva de Deus, onde o grupo poderá se beneficiar da experiência de IrrlichtDeve-se notar, no entanto, que Klaus Schulze retoma a bateria abandonada em seu álbum solo. Em 1973, Ash Ra Tempel lançou seu 4º LP publicado na Ohr e intitulado Join Inn .

A pousada conjunta! Obviamente este registro foi feito em transe sob a influência do fumo e de outras drogas psicotrópicas. Isso não será sem consequências para o futuro. Composto por duas peças, uma de cada lado, portanto, esta obra completamente barrada começa com “Freak'n'roll” às vezes acompanhado de alguns efeitos sonoros. Este é um verdadeiro tour de force de free rock, mais de 19 minutos de improvisação muitas vezes repetitiva ao estilo de Hendrix em um estilo krautrock. Manuel Göttsching inspira-se com o seu cósmico elétrico de seis cordas, Klaus Schulze revela-se um formidável baterista com os seus intermináveis ​​rolos e Hartmut Enke é possuído pelo seu baixo cheio de hélio.

O segundo lado oferece os 24 minutos de “Jenseits”. Uma trilha de rock espacial vagamente perturbadora nos traz de volta às obras de Irrlicht para uma atmosfera flutuante que nos leva a um estado de coma. Uma fabulosa jornada cerebral repleta de camadas sonoras frias, ondas de sintetizador geladas, vestidas com um sutil arpejo linfático na guitarra desenvolvendo seu tema melódico de forma lenta e progressiva. Mas ouvindo, Klaus Schulze não veio sozinho. De fato, ouvimos discretas intervenções vocais. Eles são assinados pela vocalista Rosi Müller, a mais recente recruta.

Em suma, Ash Ra Tempel oferece um must-have do gênero krautrock. No entanto, ao ver a capa Klaus Schulze parece se distanciar do grupo onde observamos os músicos posando e ele isolado em um quadro. Inevitavelmente, Klaus Schulze deixa definitivamente o Ash Ra Tempel para seguir carreira solo e se tornar um dos mestres da música eletrônica. Ele é seguido de perto por Hartmut Enke, que abusou demais do LSD. Não teremos notícias dele novamente. Ele morreu em dezembro de 2005. Isso deixa Manuel Göttsching e Rosi Müller, que tentarão um esforço final no mesmo ano.

Títulos:
1. Freak'n'roll
2. Jenseits

Músicos:
Hartmut Enken: Baixo
Klaus Schulze: Bateria, Eletrônica
Manuel Göttsching: Guitarra
Rosi Müller: Vocais

Produtor: Rolf-Ulrich Kaiser

ROXY MUSIC - STRANDED (1973)

 1263 - ROXY MUSIC - STRANDED (1973) (REPOST)



ROXY MUSIC
''STRANDED''
NOVEMBER 1973
41:06
**********
01 Street Life 03:29
02 Just Like You 03:36
03 Amazona 04:16 (Bryan Ferry, Phil Manzanera)
04 Psalm 08:04
05 Serenade 02:59
06 A Song for Europe 05:46 (Bryan Ferry. Andy Mackay)
07 Mother of Pearl 06:52
08 Sunset 06:04
Tracks By Bryan Ferry Except 03, 06
**********
Bryan Ferry/Keyboards, Piano, Vocals
John Gustafson/Bass
Eddie Jobson/Keyboards, Synthesizer, Synthesizer Violin, Violin
Chris Laurence/Bass, String Bass
Chris Lawrence/Additional Personnel, Bass
London Welsh Male Choir/Additional Personnel, Choir/Chorus, Vocals, Vocals (Background)
Andy Mackay/Oboe, Saxophone
Phil Manzanera/Guitar
John Porter/Bass
Paul Thompson/Drums, Timbales, Timpani
Christian Wainwright

Sem Brian Eno, o Roxy Music imediatamente se tornou menos experimental, mas permaneceu aventureiro, como Stranded ilustra. Sob a direção de Bryan Ferry, Roxy se moveu em direção a um território relativamente simples, adicionando camadas maiores de piano e guitarras pesadas. Mesmo sem as lavagens dos sintetizadores de Eno, a música de Roxy permanece inquietante de vez em quando, mas nesta nova encarnação, eles favorecem materiais mais medidos, seja a reflexiva "A Song for Europe" ou as texturas inconstantes de "Psalm". Mesmo os roqueiros, como a crescente "Street Life" e a segmentada "Mother of Pearl", são distinguidos por composições sutis que enfatizam tanto o glamour torturado de Ferry quanto a compreensão cada vez mais impressionante de detalhes sonoros de Roxy.



DEEP PURPLE NO CAMPO PEQUENO: LONGA É A VIDA DO ROCK & ROLL

 

Casa cheia para receber a instituição britânica. Nota introdutória: é assim que se faz.

Noite de ovação ao rock e às suas propriedades catárticas que espevitam qualquer um mesmo a um domingo à noite. Ovação ao rock, com selo histórico, feito de exuberantes manobras nos instrumentos e de solos prolongados e riffs robustos irrepreensíveis.

A noite foi assim. Foi comandada pelos "ruidosos" e históricos Deep Purple - instituição (formada em 1968) que chegou a figurar no Guinness como a banda que tocava o som mais alto ao vivo e considerada um dos vértices do triângulo, conhecido como a "santa trindade do hard rock e heavy metal britânico" - posição muito honrada que cimentou ao lado dos Led Zeppelin e dos Black Sabbath. 

Antes da entrada em palco dos Deep Purple, atuaram os Urock. O sexteto, que tem fortes ligações a Portugal, abriu a noite com uma declaração de franca dedicação ao rock & roll. O set aqueceu a sala e todos os que ali estavam à espera dos Deep Purple. O quinteto apareceu cerca de uma hora depois, o tempo necessário para a arena ficar apinhada de gente. Sala esgotada para a masterclass que veio a seguir. 

O grupo inglês chegou a Lisboa com "Whoosh!", disco que veio ao mundo em 2020, mas o périplo foi por glórias discográficas com mais idade - sobretudo por "Machine Head", que este ano celebra 50 anos. Contámos seis do disco de 1972. A honrar a pontualidade britânica, os veteranos subiram ao palco à hora marcada. Eram 21h00. No ecrã gigante, estavam as caras dos cinco, lado a lado, esculpidas em pedra, a lembrar o álbum "Deep Purple In Rock" (de 1970). Ian Gillan (voz), Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Don Airey (teclas) e Simon McBride, que muito recentemente substituiu Steve Morse à guitarra, estavam prontos para a lição. A plateia também. 

A acelerada 'Highway Star' abriu o alinhamento. Aposta ganha na casa da partida, com a faixa que abre o disco "Machine Head". A malha energizou o público assim que se propagou pela sala e não demorou até que a voz do sorridente e conversador Ian Gillan se espalhasse também, sem grandes contemplações, pela arena. 

Transição direta para 'Pictures of Home', também do disco de 1972, e mais uma para puxar pela voz do frontman do grupo que não se acanhou na hora de gritar. Fê-lo sempre com a classe e o charme de um cavalheiro que, nas partes instrumentais, se recolhia para dar espaço aos colegas de palco. Com alguma ironia, 'No Need To Shout' [Não é Preciso Gritar], saída do álbum mais recente, veio a seguir na ordem do alinhamento que se estendeu por hora e meia.

set foi sendo pincelado, amiúde, com as novidades, como a mais lenta 'Nothing at All', que foi ouvida depois. As novidades foram bem acolhidas pelo público que os Deep Purple tinham aos pés, mas os clássicos é que meteram os braços dos que ali estavam no ar. Os clássicos e os solos. Como o de Simon McBride, que, magnificamente, manuseou a guitarra debaixo de quatro fios de luz cruzados, enquanto o público escutava em absoluto silêncio. A proeza antecipou 'Uncommon Man'. Foi também nesta altura que o coletivo prestou homenagem ao músico Jon Lord, um dos elementos da classe de 68 dos Deep Purple, falecido em 2012.

'Lazy - outra de "Machine Head" - ofereceu um rodízio de virtuosismos de todos os músicos que estavam em cena. Cada instrumento que chega às mãos dos Deep Purple tem um ciclo de vida de próprio, uma narrativa. Assistimos a esses ciclos num estado de absoluta contemplação só quebrado pela vontade de exultar o que estamos a ver. 'Lazy' antecipou o belo (e trágico) 'When a Blind Man Cries'. O mergulho foi profundo no blues-rock, uma submersão conduzida pelo choro da guitarra e da qual emergimos com a garra de Ian Gillan quando segurou na voz as últimas palavras.

'Anya' veio antes do brilharete do simpático Don Airey nas teclas, que presenteou o público com um medley versátil o suficiente para incluir, por exemplo, o fado 'Coimbra', cantado, em uníssono, por toda a sala. A odisseia sonora de 'Perfect Strangers' veio logo depois e, já perto do final, soltou-se o indomável 'Space Truckin'. As vozes do público acompanhavam, eufóricas, a voz de Gillan que ia orquestrando, de braços erguidos, os milhares que tinha à frente. 

Antes do encore, Simon McBride, de guitarra nos braços, chegou-se à frente para um dos momentos mais esperados da noite: o riff de 'Smoke On The Water'. O tema serviu de mola para meter telemóveis e braços no ar, dada a urgência da captação imediata do momento. 

E eis que chegou o encore. A multidão, das mais variadas idades, aplaudiu, de forma efusiva, o regresso do quinteto ao palco. Ainda se ouviram dois clássicos e um solo de baixo, cortesia de Roger Glover. Seguiu-se a primordial 'Hush', versão que os Deep Purple tocaram pela primeira vez em 1968, e logo a seguir 'Black Night', com os instrumentos desvairados e em comunhão (apoteótica) com o público. 

Foi a noite dos Deep Purple em Lisboa. Eles que brilham, sem perigo de se extinguirem, na cosmologia do rock.

 


RUI VELOSO LEVA TRIO DE GUITARRAS AO TIVOLI A 6 DE DEZEMBRO

 

O músico vai estar acompanhado por Alexandre Manaia e Eduardo Espinho. Um euro por cada bilhete vendido irá reverter para a Casa do Artista

Rui Veloso está de volta a Lisboa para um concerto em formato trio de guitarras - com Alexandre Mania e Eduardo Espinho. O concerto está marcado para o dia 6 de dezembro, no Teatro Tivoli BBVA.

Segundo o comunicado que chegou esta segunda-feira à redação, o espetáculo em Lisboa "tem a componente de apoio à cultura e aos artistas em Portugal". A nota acrescenta que "um euro por cada bilhete vendido irá reverter a favor da Casa do Artista". Os bilhetes já estão disponíveis para venda nos locais habituais.

Rui Veloso já esgotou mais de vinte concertos desta digressão em formato intimista, incluindo duas datas no Teatro Tivoli BBVA, dois Coliseus do Porto AGEAS, uma data no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, bem como noutras salas portuguesas.


 


RARIDADES

 

Melody - Yesterlife (1977)

France prog


Link















segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Current Rage – Seven Songs [40th Anniversary Expanded Edition] (2022)

Sete MúsicasCurrent Rage O elo musical perdido entre Atenas e Atlanta.
Para comemorar o 40º aniversário do clássico esquecido, esgotado, o único disco indie do Current Rage está sendo presenteado com uma edição remasterizada e expandida de “Seven Songs”. A relativa escassez do EP original hoje sugere que o item não circula no mercado com muita frequência, tornando-o maduro para a reintrodução no mercado atual com esta versão expandida.
Anthony DeCurtis da revista Rolling Stone observou o Current Rage como "Um destaque em ascensão", em seu artigo que mostra a explosão de bandas inovadoras que saíram da área de Atlanta-Atenas em 1983, na esteira da ascensão do REM à proeminência nacional.

MUSICA&SOM

1. Right Side of the Brain (2:15)
2. Waikiki (2:34)
3. Bitte Schön (Beat to Shame) (2:18)
4. Sweet Torture (2:40)
5. Scream In the Dark (2:45)
6. My Dog, Sam (2:30)
7. Looking Through Gels (2:11)
8. Punch A Clock (1:58)
9. Adventures in America (2:29)
10. Constant Hiss (2:17)
11. The Theme (1:39)
12. Book Pressed Flowers (3:05)
13. Tequila (2:07)
14. AF (2:06)
15. My Dog, Sam (2:23)
16. WRAS Interview 1982 (1:03)


Red Hot Chili Peppers – Freaky Styley (1985)


 Em 1985, logo no início do ano, um grupo chamado USA For Africa, composto por artistas como Bob Dylan, Ray Charles, Paul Simon, Diana Ross, Lionel Richie, Tina Turner, Michael Jackson, Stevie Wonder e vários outros, cantava a canção “We Are The World”. Um pouco mais tarde, nesse ano, dá-se um concerto histórico, de seu nome Live Aid, que apresenta inúmeros artistas, entre os quais os Queen e ainda uma reunião dos Led Zeppelin. Foi também neste ano que os Red Hot Chili Peppers lançaram o seu segundo álbum Freaky Styley.

Num ano em que os artistas acima mencionados eram os que davam cartas – já para não falar dos Dire Straits, Pink Floyd, Wham!, e até Whitney Houston, que lançou o seu álbum de estreia neste ano – pouco espaço havia para os mais medianos numa altura em que não havia internet, quanto mais Bandcamps e Spotifys . Escusado será de dizer que os Red Hot Chili Peppers não passavam de uns badamecos janados da Califórnia que ainda ninguém ligava.

O seu primeiro disco, intitulado simplesmente The Red Hot Chili Peppers, não tinha sido uma carta de apresentação por aí além. A banda, na altura, composta pelos eternos irmãos de vida Anthony Kiedis e Flea e ainda Cliff Martinez na bateria e Jack Sherman na guitarra, ficou desagradada com o toque pessoal do produtor (e guitarrista dos Gang of Four) Andy Gill, que lhe deu um tom demasiado polido. Resultado, o disco vendeu pouco e não causou grande impacto na cena musical (para não dizer nenhum).

Em 1985, Jack Sherman, que tinha entrado na banda para ocupar o lugar do guitarrista original Hillel Slovak, sai para ceder o seu lugar ao ocupante original. Slovak, que faleceu em 1988 devido a uma overdose de heroína, era uma figura central na vida de Kiedis e Flea. Se estes dois sempre foram amigos inseparáveis, Slovak era, sem dúvida, o 3º mosqueteiro. Era a terceira perna do tripé. E a felicidade que o seu regresso gerou, misturado com os excessos (e que excessos) que a idade trazia (Kiedis e Flea tinham 23 anos em 1985), fez com que Freaky Styley fosse, igualmente, um pouco excessivo. A heroína era aqui a maior compositora e inspiradora mas também a maior distratora, desorganizadora e geradora de caos.

No entanto, ainda assim, os Red Hot conseguiram editar um álbum com 14 canções, sendo duas delas covers. Uma, duma banda fetiche de Flea, os Meters (“Hollywood (Africa)”) e outra dos Sly & The Family Stone (“If You Want Me To Stay”). O sucesso do trabalho realizado em muito se deveu ao novo produtor, o icónico e figura incontornável do funk, George Clinton. Foi ele que conseguiu sacar à banda alguma responsabilidade e também alguma inspiração.

Freaky Styley tornou-se assim o álbum da banda que mais se aproximou do funk puro. Isto nota-se bem em vários temas, como na faixa-título ou em “Jungle Man” e “Nevermind”, por exemplo. Mais para o meio do disco, o punk rock dá ares da sua graça em “Battle Ship” ou em “Catholic School Girls Rule” e em todo o álbum consegue-se ouvir algum psicadelismo também. O estilo inconfundível de Flea no baixo está presente mas o que não se ouve ainda é a voz mais cristalina de Kiedis que todos conhecemos hoje em dia e que nasceu em Blood Sugar Sex Magik.

Apesar de tudo isto, Freaky Styley não deixa de ser um óptimo álbum. Por mais droga e irreverência que os Chili Peppers pudessem experimentar naquela época, a musicalidade ainda era o que mais lhes corria na veia. Bom, talvez à excepção de Slovak.

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