sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Renaissance – Uma Sinfonia Progressiva (Parte III)

 

Final dos anos 70: crepúsculo

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Azure D’or, um trabalho mais acessível para o mercado do final da década de 80

Corria o fatídico ano de 1978. A cena punk inglesa, apesar do alarde de ter vindo para desbancar a onda progressiva, mostrou pouco fôlego quando foi absorvida pelo mercado. Acabou gerando no início dos anos 80 o movimento new wave. O que acabou abalando o interesse pelo rock progressivo nos dois lados do atlântico foi a disco music, pois as gravadoras passaram a jogar todas as fichas de divulgação no emergente estilo dançante, que prometia ganhos astronômicos, justamente por ser música de fácil assimilação e vida curta. O efeito disso no rock progressivo foram devastadores. O importante é entender o momento histórico por que atravessava o Renaissance quando realizou Azure D’Or, lançado em 1979.

Era preciso fazer algo de acordo com a realidade do mercado que estava virando as costas para as antigas bandas. A saída seria realizar um trabalho mais acessível, mas sem abandonar os antigos ideais. Analisando hoje, vemos que Azure D’Or é um bom disco, que cumpriu magistralmente sua proposta. O problema é que, na época, nada do que fosse feito fora da onda disco, dava certo. Como eles ficaram em cima do muro, acabou acontecendo o que se previa: não atraiam novos fãs e decepcionaram, em parte, alguns antigos. Acima de tudo, a fórmula deste disco mostra uma honrosa saída para o que poderíamos chamar de progressivo popular.

Com relação ao álbum podemos destacar os seguintes fatos:

– Não se utiliza orquestra, abrindo espaço para que John Tout se estabeleça como o grande músico do Renaissance

– Jon Camp é o responsável por várias composições, incluindo a surpreendente instrumental “The Discovery” e a bela “Kalinda”

– O baterista Terence Sullivan divide uma composição com Thatcher, “Forever Changing”

– Pela primeira vez a banda lista os instrumentos utilizados, destacando-se os teclados de Tout e as guitarras de Dunford.

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John Tout e Michael Dunford (acima); Jon Camp, Annie Haslam e Terry Sullivan (abaixo)

A pouca repercussão de Azure D’Or detonou uma série de acontecimentos que comentaremos mais tarde. Por enquanto retrocedemos um pouco e vamos dar uma olhada na trajetória dos membros originais.

Em busca de um caminho

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O único e excelente disco do Armaggedon

Durante os anos 70, os membros originais do Renaissance continuaram trabalhando com música. Jim McCarty realizou um disco solo, John Hawken foi para o Spooky Tooth e esteve também com o Vinegar Joe. Louis Cenammo se envolveu com o Colosseum e com o Steamhammer, antes de formar o ótimo Armageddon com Keith Relf. Jane Relf colaborou com outros artistas e cantou em comerciais de TV. A ideia de retornar o trabalho interrompido em 1970 foi de Keith (em 1975), após a realização do único disco do Armaggedon. Ele e Louis estavam juntos e resolveram falar com McCarty e Hawken, uma vez que Jane estava interessada em participar.

John Hawken, Jane Relf, Jim McCarty, Louis Cennamo, John Knightsbridge e Eddie McNeil

John Hawken, Jane Relf, Jim McCarty, Louis Cennamo, John Knightsbridge e Eddie McNeil

Todos acharam a ideia ótima e começaram a ensaiar, até que um fato trágico aconteceu em maio de 1976. Keith Relf faleceu vítima de um choque elétrico quando estava tocando guitarra em sua casa. Com isso, os membros remanescentes, profundamente consternados desistiram do retorno. Mas os meses se passaram e após suplantarem a fase mais difícil, resolveram seguir adiante o projeto. Para isso McCarty abandonou a bateria ficando mais livre para dividir os vocais com Jane. São convidados John Knightsbridge para a guitarra e Eddie McNeil para a bateria. Após algum tempo, resolvem batizar o grupo de Illusion em alusão ao segundo disco da banda, já que não podiam usar o nome Renaissance.

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O retorno da formação original, agora sob o nome de Illusion

O disco de retorno saiu em 1977 e teve o nome de Out Of The Mist. Na capa, uma bela e misteriosa foto de Jane. Belas composições retomam o ponto em que haviam parado. Após o lançamento deste trabalho, o Illusion sai em tour pela Europa. O disco estava tendo boa aceitação nos EUA e era ideia da banda tomar o mesmo caminho do Renaissance segunda fase: se mudar para lá. Para isso precisavam gravar rapidamente um segundo disco. Foi realizado então, a toque de caixa, o disco Illusion, lançado em 1978. As sete músicas registradas, embora não sejam obras-primas, mostram que a banda tinha fôlego para encarar de cabeça erguida, as tendências pop que começavam a infestar o mundo progressivo como meio de sobrevivência. As leis de mercado já haviam se modificado e a sorte do progressivo, enquanto produto de consumo, já estava selada.

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A linda capa do segundo e derradeiro disco do Illusion

A gravadora Island achou que seria perda de tempo e dinheiro lançar o segundo trabalho nos Estados Unidos. Com isso os planos da banda foram por água a baixo e eles rescindiram o contrato. Chegaram a produzir algumas músicas para apresentar a outras gravadoras, mas nada aconteceu e eles encerraram as atividades. Essas últimas canções posteriormente seriam editadas em disco chamado Enchanted Caress. Cada um seguiu o seu caminho, mas se reuniram nos anos 80 no grupo Stairway, que lançou o álbum Moonstone em 1988. E em 2001 McCarty, Cennamo, Hawken e Jane Relf, mais músicos convidados, lançaram o álbum Through The Fire sob a alcunha de Renaissance Illusion!

De volta ao Renaissance: Anos 80 e 90

Com a pouca aceitação de Azure D’Or, mais uma vez o impasse estava criado. Quando as coisas não vão bem, certos problemas que estavam hibernando, despertam. Assim, as velhas incompatibilidades vêm à tona e provocam o que parecia óbvio: o fim da banda. O primeiro a sair foi John Tout, seguido de Terry Sullivan. Jon Camp entrou para o grupo de Roy Wood, o Helicopters. Os remanescentes Annie e Dunford formam o duo Nevada, que chega a realizar algumas gravações, editadas em single. Apesar desses acontecimentos, a chama do Renaissance ainda estava viva.

Os decepcionantes Camera Camera (esquerda) e Time Line (direita)

Os decepcionantes Camera Camera (esquerda) e Time Line (direita)

Em 1981 e 1983, após assinarem contrato para dois discos com a IRS, são editados os álbuns Camera Camera e Time Line, contando com Dunford, Camp e Haslam. Para os teclados é convidado Peter Gosling e, para a bateria, Peter Barron. O público progressivo não poderia esperar muito desses trabalhos. A banda tentava voltar às listas dos mais vendidos, mas sem se sair bem, pois não conseguia captar a idéia de música descartável. Os puristas ficavam indignados e a contrapartida não ocorria, pois as vendagens para o público pop não eram grandes. Mesmo assim, os shows lotavam, pois os fãs queriam ver a banda de qualquer jeito. Apesar de muito inferiores às antigas músicas, as novas canções tinham qualidade acima da média e soavam bem ao vivo, com arranjos mais complexos.

Contudo, isso não foi o suficiente para manter as atividades e em 1987, após alguns concertos esporádicos realizados a partir de 1984 e a saída de Jon Camp, o barco foi abandonado de vez. O último concerto foi realizado em 6 de junho de 1987 em New Jersey.

A chama que não se apaga!

The Other Woman, o retorno do Renaissance

The Other Woman, o retorno do Renaissance

Mas a lenda não estava morta. Os relançamentos, compilações de material inédito e ao vivo, e edições especiais vem aumentando a fama da banda. Em 1994, Dunford revive o nome com o lançamento do disco The Other Woman, com a cantora americana Stephanie Adlington. Também são lançados Ocean Gypsy e a coletânea Trip To The Fair. E após um longo hiato, em 2001, Annie Haslam, Michael Dunford, Terence Sullivan e John Tout, mais alguns músicos convidados, retornam com o Renaissance lançando o disco Tuscany, que é seguido pelo trabalho gravado ao vivo no Japão, chamado In The Land Of The Rising Sun.

Terry Sullivan gravou um disco chamado South of Winter com um grupo chamado Renaissant. Nesse trabalho temos a colaboração da poetisa Betty Thatcher e os teclados de John Tout. Em setembro de 2008, John Tout apareceu pela primeira vez em público, depois de mais de 25 anos, com Annie Haslam e a Jann Klose Band na Pennsylvania. O mesmo John Tout sofreu um ataque cardíaco, em 2009, e, felizmente, conseguiu se recuperar bem.

Ainda em 2009 Annie anunciou que ela e Michael Dunford estariam comemorando os 40 anos do Renaissance, com uma nova formação da banda e que voltariam a excursionar.  Também foi lançado um EP com três músicas chamado The Mystic And The Muse. Entre as excursões a banda grava material para um futuro disco, mas infelizmente em 20 de novembro de 2012 Michael Dunford morre em sua casa, vítima de hemorragia cerebral.

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O belo Grandine il Vento

Em abril de 2013 o novo álbum é lançado, Grandine il Vento, dedicado à memória de Michael Dunford. No ano seguinte o disco é relançado como Symphony of Light com três faixas bônus (a do EP mencionado acima). Nesse trabalho temos a participação de ilustres conhecidos do prog rock como John Wetton e Ian Anderson. Mesmo com a perda de Dunford, o grupo continua fazendo turnês pela Europa e Estados Unidos, mantendo viva a chama.

Infelizmente, no dia 1° de maio de 2015, John Tout falece vítima de insuficiência pulmonary no  Royal Free Hospital em Hampstead, Londres. Em sua página do Facebook, a banda prestou homenagem ao músico.

Annie Haslam: O símbolo de uma lenda

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A lenda Annie Haslam

É normal que em cada uma das grandes bandas de rock progressivo haja uma figura de destaque. No caso do Renaissance, apesar da clara liderança do Michael Dunford, foi a figura e a voz de Annie Haslam que se sobressaíram. Podemos ir mais longe e afirmar que ela é o grande arquétipo feminino do rock progressivo. Suave beleza, magnífico timbre, personalidade marcante. Não fosse sua existência, com certeza o rock progressivo seria mais pobre. Paralelo às atividades do Renaissance, a partir de 1975, ela começou a eventualmente colaborar com outros artistas.

Essas atuações acabaram por deflagrar a realização de seu primeiro álbum solo, na mesma época em que era lançado Novella. O disco foi batizado de Annie In Wonderland, e contem belas canções de características semelhantes aos trabalhos do grupo. A partir de 1984 Annie seguiria uma carreira solo de forma modesta, mas produtiva. Em 1993 ela teve um sério problema de saúde, pois foi diagnosticado câncer nos seios, mas felizmente depois de tratamentos com radio e quimioterapia, o problema foi sanado. Atualmente Annie reside na Pennsylvania, Estados Unidos.

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O disco solo de Annie Haslam

Renaissance – Discografia selecionada

Apresentamos aqui os principais álbuns relacionados ao grupo

– Renaissance – 1969

– Island/The Sea – 1969 (7”)

– Illusion – 1971

– Prologue – 1972

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– Ashes Are Burning – 1973

– Turns of The Cards – 1974

– Scheherazade And Other Stories – 1975

– Live At The Carnegie Hall – 1976 (live)

– Novella – 1977

– Back Home Once Again/The Captive Heart – 1977 (7’)

– A Song For All Seasons – 1978

– Northern Light/Opening Out – 1978 (7”)

– Azure d’Or – 1979

00046– The Winter Tree/Island Of Avalon – 1979 (7”)

– Jeckyll And Hyde/Forever Changing – 1979 (7”)

– Camera Camera – 1981

– Fairies/Remember – 1981 (7”)

– Bonjour Swansong/Ukraine Ways – 1981 (7”)

– Time Line – 1983

– Richard The IX/Flight – 1983 (7”)

– Live At The Royal Albert Hall, part 1 – 1997 (live)

– Live At The Royal Albert Hall, part 2 – 1997 (live)

00041Songs From Renaissance Days – 1997 (compilation of rare tracks)

– BBC Sessions – 1999 (live)

– Day Of The Dreamer – 2000 (live)

– Unplugged – Live at The Royal Academy Of Music – 2000 (live)

– Tuscany – 2000

– In The Land Of The Rising Sun – 2002 (live)

– Live + Direct – 2002 (live)

– British Tour ’76 – 2006 (live)

– Dreams And Omens – 2008 (live)

– The Mystic And The Muse – 2010 (EP)

00048– Live in Chicago – 2010 (live)

– Tour 2011 – 2012 (live)

– Past Orbits Of Dust – 2012 (live)

– Grandine Il Vento – 2013

– DeLane Lea Studios 1973 – 2015

– Academy Of Music 1974 – 2015 (live)

 

    Annie Haslam

 

00042– I Never Believed In Love/Inside My Life – 1977 (7”)

– Annie In Wonderland – 1977

– Going Home/Inside My Life – 1978 (7”)

– Still Life – 1985

– Annie Haslam – 1989

– Blessing In Disguise – 1994

– Lily’s In The Field/ – 1995 (cds, with Steve Howe)

– Under The Brazilian Skies – 1998 (live)

– The Dawn Of Ananda – 1999

– It Snows In Heaven Too – 2000

– One Enchanted Evening – 2002 (live)

– Woman Transcending – 2006

– Live Studio Concert Philadelphia 1997 – 2006

– Night And Day – 2006 (EP, with Magenta)

Jane Relf

 

– Without A Song For You/Make My Time Pass By – 1971 (7”)

– The Fisherman/ – 2002 (7”)

– Jane’s Renaissance: The Complete Jane Relf Collection 1969-1995 – 2008

 

    Illusion

– Out Of The Mist – 1977

– Illusion – 1978

– Enchanted Caress – 1990

00040Nevada (Annie Haslam & Michael Dunford)

– In The Bleak Midwinter/Pictures In The Fire – 1980 (7”)

-You Know I Like It/Once In A Lifetime – 1981 (7”)

– Pictures In The Fire – 2000 (compilation)

Michaek Dunford’s Renaissance

 

– The Other Woman – 1994

– Ocean Gypsy – 1997

– Trip To The Fair – 1998 (compilation)

Stairway (Jim McCarty & Louis Cennamo)

 

00049– Aquamarine – 1986 (mc)

– Moonstone – 1988 (mc)

– Moonstone – 1988 (compilation of the above cassettes)

– Chakra Dance – 1989

– Medicine Dance – 1992

– Raindreaming – 1995

 

Jim McCarty

– On the Frontier – 1973 (as Shoot)

– Out Of The Dark – 1994

– Searching Of The Dreamchild – 1995 (as Pilgrim)

– Gothic Dreams – 1997 (as Pilgrim)

– Weekend In Memphis – 2000

– Outside Woman Blues – 2001

– Two Steps Ahead – 2002

– Sitting On The Top Of Time – 2009

Renaissance Illusion

– Through The Fire – 2001

 

Renaissant

– South Of Winter – 2004

Renaissance – Uma Sinfonia Progressiva (Parte II)

 

Anos confusos: A transição

Parte das informações contidas a seguir são conclusões retiradas de algumas análises, pois não tivemos acesso a uma reconstituição detalhada daquela fase.

Keith Relf, John Hawken, Jane Relf, Jim McCarty, Louis Cennamo

Keith Relf, John Hawken, Jane Relf, Jim McCarty, Louis Cennamo

No ano seguinte à realização de Renaissance, a banda registrou cinco canções que viriam formar a base do segundo LP, que só seria lançado em 1971. Nestas sessões, na música “Past Orbits Of Dust” é convidado o pianista Don Shin. Nesta canção e em “Love Is All” registram-se as primeiras participações da poetisa Betty Thacher – amiga de Jane Relf – nas letras. Ela foi uma das responsáveis pela qualidade dos temas desenvolvidos durante toda a carreira da banda. As músicas seguiam a mesma linha do disco anterior, com mais incursões renascentistas e barrocas, eventualmente explorando até os sons dos “spirituals”, onde Jane tem uma oportunidade de mostrar toda a sua bela extensão vocal. Quase todas as músicas se converteram em clássicos folk-progressivos.

No decorrer de 1970, constatou-se uma pouca repercussão do trabalho de estréia, o que serviu para agravar algumas divergências musicais existentes. Assim os primeiros a manifestar sua decisão de abandonar o barco foram Keith Relf e Louis Cenammo, que pretendiam desenvolver um trabalho mais pesado, fato comprovado pela criação da banda Armageddon anos depois. Jim McCarty, por sua vez, com a saída dos colegas, resolveu também abandonar o projeto, mas não queria o fim da banda. Convidou então um amigo, guitarrista Michael Dunford, e deu a ele a tarefa de reformar e continuar a trajetória do grupo, com plenos poderes, inclusive sobre o nome Renaissance. Ele convidou o baixista Neil Corner, o baterista Terry Slade e o vocalista Terry Crowe. Os quatro, mais Jane e Hawken, partem para uma tour pela Europa. Durante essas apresentações, os dois últimos remanescentes da formação original resolvem partir. Hawken é convidado a fazer parte do Spooky Tooth, sendo substituído por John Tout, também de formação erudita, e Jane resolve dar uma parada na carreira.

Capa externa do álbum

Capa externa de Illusion

Um pouco antes, esse sexteto entra em estúdio e registra a música “Mr. Pine”, incluída no segundo disco, que havia sido batizado de Illusion, procurando desta forma retratar a fase que estavam passando. Esse LP foi lançado somente na Alemanha, em 1971, sem nenhuma divulgação internacional, o que foi lastimável, pois se trata de uma obra belíssima, destinado a ser um marco que acabou não acontecendo.

Durante esse período de transição da banda, entre 1970/1971, o grupo arrumou uma substituta para a Jane Relf: uma cantora americana chamada Binky Cullom. E esta improvável e ainda mais desconhecida formação, no meio de tantas transições, ainda teve tempo de deixar um registro em vídeo (não oficial). Trata-se de um especial produzido para uma rede de tv alemã, onde a banda aparece tocando músicas dos seus primeiros discos, além de uma música inédita no final. Estão lá Terry Crowe e Binky Cullon nos vocais, Michael Dunford na guitarra e backing vocals, John Tout nos teclados, Neil Korner no baixo e Terry Slade na bateria. Neste vídeo, é possível perceber a fase de transição da banda, que ainda procurava reencontrar seu caminho. Curioso também notar que as vozes de Terry Crowe e Binky Cullon eram muito semelhantes às dos irmãos Relf, e que Dunford sempre foi um bom guitarrista, apesar de, mais tarde, praticamente abandonar este instrumento, passando a usar só o violão.

Morte e renascimento

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John Tout, Annie Haslam, Terry Sullican, Jon Camp e Michael Dunford

Com a virtual derrocada do projeto original, Dunford – que também decide não atuar com a banda – reporta a situação ao seu amigo McCarthy, que para salvar a ideia, o aconselha a mudar de agente e permanecer no projeto apenas como produtor. Através de um anúncio no Melody Maker, recrutam a cantora Annie Haslam e resolvem mudar quase todo o line-up: entram o baixista Terry Sullivan, o baixista Jon Camp e o guitarrista Mick Parsons. Este último viria a falecer em um acidente tendo sido substituído por Rob Hendry. Essa formação, mais John Tout, viria a realizar o primeiro trabalho da nova fase, a obra-prima “Prologue”, em 1972.

Todas as ideias do projeto inicial são, a partir de Prologue, desenvolvidas com mais profundidade e, digamos, com uma maior visão profissional. Analisemos os fatos:

– Jim McCarty – um dos idealizadores – ainda estava envolvido, “fiscalizando” e colaborando. Sua participação como compositor em “Prologue” comprova isso.

– Michael Dunford, que se tornou a eminência parda da banda, havia sido escolhido pessoalmente por McCarty, para continuar o seu trabalho.

– A forte presença feminina continuou, quando da substituição da magnífica Jane Relf pela maravilhosa Annie Haslam.

– Os elementos eruditos foram mantidos, só que agora buscando um som mais cheio, criando climas de orquestra sinfônica.

Início do sonho: Prologue

A obra prima Prologue

A obra prima Prologue

Embora não demonstrando a capacidade de um Yes, nem a evolução de um Genesis, nem a criatividade de um King Crimson, nem a coragem de um ELP, muito menos a genialidade de um Gentle Giant, o Renaissance cumpriu de maneira exemplar o que se propôs.

Neste terceiro disco a banda mostra sua vocação de criar standards da música popular internacional como podemos conferir nas seis peças que formam a obra. A introdução, “Prologue”, com sua grandiloquência, viria a se tornar o número de abertura dos shows da banda. “Kiev” introduz os neófitos na outra vertente: lindíssimas baladas capaz de emocionar até uma pedra. “Sounds Of The Sea” tem barulho do mar, canto de pássaros e uma agradável melodia introspectiva, que é um convite ao relaxamento e à meditação. “Rajah Kahn”, de 11 minutos, mergulha de maneira intensa nas tradições árabes e hindu, dando um toque místico e mostrando um intenso trabalho de pesquisa. Essa faixa conta com a participação do tecladista do Curved Air, Francis Monkman. “Spare Some Love” e “Bound For Infinity” entram direto naquela lista de standards. A belíssima capa que une surrealismo e futurismo é criação da Hipgnosis, é claro!

Consolidação: Ashes Are Burning

Ashes are Burning, consolidando o sucesso do grupo

Ashes are Burning, consolidando o sucesso do grupo

No ano de 1973, é realizado o disco Ashes Are Burning, que viria a ser a pedra de toque da consolidação do sucesso da banda, principalmente nos EUA, Alemanha e Brasil. Apesar de estar na lista dos supergrupos ingleses, a verdade é que a banda sempre obteve um reconhecimento maior fora do Reino Unido. É que lá eles são considerados apenas mais uma banda folk moderna, enquanto que em outros países eles eram venerados como grupo progressivo.
O quarto disco – onde utilizam uma orquestra e que marca o retorno oficial de Michael Dunford nos violões, no lugar de Rob Hendry – possui pelo menos três verdadeiros baluartes da década de 70: “Can You Understand”, “Carpet Of The Sun” e “Ashes Are Burning”. Completavam o masterpiece, as maravilhosas “Let It Grow”, “On The Frontier” e “The Harbour”. Todas as músicas são de autoria de Michael Dunford e Betty Thatcher, à exceção de “On The Frontier” parceria da poetisa com McCarty.

Esse disco serve para mostrar definitivamente a importância da interpretação de Annie Haslam para as canções do Renaissance. Realmente uma outra obra-prima. Dessa vez temos mais um músico convidado: Andy Powell, do Wishbone Ash, que contribui com belos solos na fantástica faixa título.

Foi com esse maravilhoso disco que tomei conhecimento dessa fantástica banda. Infelizmente, na virada 70/80, ainda nos tempos do vinil, pouca coisa da banda estava disponível, ou seja, apenas cinco Lps!

Desafios – Turn Of The Cards e Scheherazade

O desafio de Turn of the Cards

O desafio de Turn of the Cards

Os anos que se seguiram foram de muitas excursões pela Europa e Estados Unidos, com paradas providenciais para registrar mais duas peças históricas: Turn Of The Cards (1974) e Scheherazade And Other Stories (1975).

O primeiro busca repetir a fórmula de Ashes Are Burning, só que com uma maior sofisticação no tratamento dos temas, muitas sutilezas, buscando criar uma espécie de neoclassicismo progressivo, em uma linguagem ao mesmo tempo bem moderna para os inventivos anos 70, mas com um pé no passado, com maior variações de movimentos em pelo menos três músicas que podemos considerar suítes sinfônicas: “Running Hard”, “Things I Don’t Understand” e “Mother Russia”.

As outras canções, mais curtas, seguem a linha dos belos refrões de ascendência folk: “I Think Of You”, “Black Flame” e “Cold Is Being” (esta baseada em tema de Albinoni).

Algumas informações adicionais a respeito do álbum Turn Of The Cards:
* “Things I Don’t Understand” foi a última contribuição do Jim McCarty para a banda

* “Running Hard” usa uma frase melódica usada antes em “Mr. Pine” do álbum Illusion

* “Mother Russia” usa uma frase melódica do segundo movimento da peça “Concierto de Aranjuez” de Joaquin Rodrigo.

* Esse foi o último álbum do Renaissance que inclui trechos de peças clássicas ja existentes

* No Reino Unido, foi o primeiro lançamento do selo BTM Records (British Talent Managers). Em 1977, depois de 10 discos, incluindo mais dois do Renaissance, o selo foi à falência

* A quem interessar possa, o castelo fotografado na capa do álbum é o Warwick Castle, localizado na cidade de mesmo nome no condado de Warwickshire

Capa do álbum

Um dos melhores momentos da história do Rock Progressivo

O disco seguinte, Scheherazade and Other Stories, traz o Renaissance em um dos melhores momentos da história do Rock Progressivo, utilizando todas as referências das obras anteriores, mas com um maior amadurecimento e uma técnica apuradíssima nas composições, arranjos e execução dos instrumentos. Surpreendentemente, dois novos compositores se associam a Dunford e Thatcher: nada menos que John Tout e Jon Camp. No antigo lado A, 3 músicas na linha renascentista tradiconal: “A Trip To The Fair” com seus típicos riffs de piano clássico, “The Vulture Fly High”, enérgica composição que mostra a boa fase que atravessavam e “Ocean Gypsy”, com belíssimo refrão, que se converteria em um dos maiores sucessos do grupo. Curiosidade: “A Trip to the Fair” trata do primeiro encontro entre Annie Haslam e seu marido Roy Wood (The Move, Electric Light Orchestra, Wizzard).

O lado B trazia a mais ambiciosa produção da banda, a faixa “Song Of Scheherazade”, uma Maravilhosa suíte de quase 25 minutos, onde a banda lança-se ao desafio ao fazer uma obra de vasto fôlego. Dividida em 9 movimentos, a obra conta a mesma lenda árabe de “As Mil e Uma Noites”. É a história de uma bela jovem ameaçada de entrar na lista das ex-esposas de um sultão, que tinha por hábito, decapitá-las ao entardecer. Para escapar, Scheherazade contava a cada dia um novo capítulo de interessantes histórias que pareciam não ter fim. O sultão, sempre muito interessado, foi adiando a execução até desistir do intento. Um grande tema para uma grande obra progressiva, realizada com grupo, orquestra e coral. O disco foi recebido com louvores pela crítica e pelos fãs, o que tornou 1975 o melhor ano da banda e que acabou gerando a edição, no ano seguinte, de um álbum duplo contendo os melhores momentos de três dias de lotação esgotada no Carnegie Hall, junto com a New York Philarmonic.

A segunda metade dos anos 70: no topo

O Auge do sucesso

O Auge do sucesso

No trabalho ao vivo Live at Carnegie Hall, o set list foi o seguinte: Prologue (7:30), Ocean Gypsy (7:13), Can You Understand (10:26), Carpet Of The Sun (3:37), Running Hard (9:40), Mother Rússia (10:23), “Scheherazade” (28:48) e “Ashes Are Burning” (22:59). As músicas selecionadas, os arranjos e a performance da banda tornaram esse disco um dos mais belos “ao vivo” da história progressiva.

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Novella, um álbum menos orquestral

Depois de tantos bons trabalhos em sequência, o que viria a seguir não decepcionaria: 1977 marca o lançamento de Novella, bom trabalho que confirma as presenças de Camp e Tout como auxiliares nas composições de Dunford e Thatcher. Tornaram-se clássicos: “Can You Hear Me”, cheio de viradas, com quase 15 minutos e “Midas Man”, além da belíssima “The Sisters”. Na verdade as outras músicas também confirmam o amadurecimento da banda em todos os sentidos, dos arranjos ao avanço da técnica instrumental. O disco soa um pouco menos orquestral, passando a sensação de que o formato de banda eletrificada está mais consolidado, isto apesar de Dunford se utilizar apenas de “acoustic guitar”.

Um detalhe: Novella foi lançado no Reino Unido quase seis meses depois do lançamento americano, isso em virtude, como citei anteriormente, da gravadora britânica BTM ter ido à falência. Com isso, muitos fãs importaram massivamente a edição americana. Além disso, a capa das duas edições são diferentes.

Capa do álbum

O enérgico A Song for All Seasons

No ano seguinte, em 1978, mais uma grande realização, que marca a utilização ostensiva de teclados, guitarra elétrica e orquestra. A Song For All Seasons é um trabalho mais enérgico e mais cheio, com poucos espaços livres para respirar. 8 temas são desenvolvidos de forma memorável, mostrando que a banda estava conseguindo promover pequenas mudanças estruturais em sua fórmula de sucesso, em uma contínua progressão que a poderia eternamente em evidência no cenário internacional. Sabemos que a história não confirmou esta tese, mas estava tudo ali para que isso acontecesse.

Um dos destaques desse disco é a atuação de Jon Camp como compositor, guitarrista e vocalista em algumas faixas. Sua atuação no baixo também é irrepreensível, como se pode verificar em “Opening Out”. Outro destaque é a progressiva e belíssima faixa título. A bela “Back Home Once Again” acabou sendo utilizada como trilha sonora de uma série de TV inglesa chamada The Paper Lads. A faixa “Northern Lights”, lançado em single, chegou ao Top 10 no Reino Unido, sendo o single mais vendido da banda.

Terence Sullivan, Annie Haslam, Jon Camp, John Tout

Terence Sullivan, Annie Haslam, Jon Camp e John Tout

Após este excelente trabalho, a banda se viu diante de uma grande encruzilhada, mas isso fica para a terceira parte…


Renaissance – Uma Sinfonia Progressiva (Parte I)

 

Vamos dar um profundo mergulho no universo musical do Renaissance. Um dos pontos mais importantes a serem refletidos nesta análise é a notória capacidade que o grupo teve de provocar uma convergência de certas posições antagônicas no cenário progressivo internacional. A primeira delas refere-se à necessidade de enquadrar o som do grupo em um sub-gênero. Apesar de diversas tentativas, parece que nunca se chegou a um consenso e a convivência entre os diferentes enquadramentos sempre foi pacífica.

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A segunda situação é bem curiosa. Trata-se da aceitação, por praticamente todos, de uma espécie de dualidade contraditória presente no som da banda. Ao mesmo tempo em que vemos nela toda a essência do verdadeiro e mais puro rock progressivo (que em seu preceito básico renega todas as fórmulas de construções harmônicas de fácil apelo popular), reconhecemos que no fundo, o Renaissance utiliza alguma delas. Isto explica, pelo menos em parte, o fato de se tratar de uma banda cujos discos podem estar tanto em posição de destaque numa loja especializada em rock progressivo, quanto na prateleira da loja da esquina.

Poucos consumidores de música pop sabem o que é rock progressivo, mas muitos conhecem o Renaissance. Da mesma forma, raríssimos são os colecionadores de rock progressivo que não possuem trabalhos dessa banda. Talvez possamos buscar as respostas para essa situação no momento histórico que deu o nome ao grupo: o Renascimento ou Renascença. O estudo desse período e seus simbolismos podem nos dar subsídios para entender as proposições básicas da música do Renaissance.

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Música no Renascimento

A Idade Média e o Renascimento

A época medieval sobreviveu até o século XI, quando a cultura, que estava restrita aos mosteiros começou a ultrapassar as muralhas das fortificações religiosas e lentamente retornou à população, através da formação de professores, criação de escolas e universidades e acesso aos livros, traduzidos do árabe para o latim. Era a renascença da cultura. Na música a evolução foi notória, com a chegada da polifonia, tanto na música religiosa quanto na secular. A valorização da cultura tornou-se moda e um dos resultados disto foi que a nobreza achou por bem mostrar o seu desenvolvimento para as parcelas menos esclarecidas. Isso proporcionou aos menos favorecidos, o acesso a um bem cultural que normalmente não teriam. Este fato foi especialmente forte na música, com a apresentação para a população de grupos eruditos que começavam a aparecer, financiados pela nobreza.

Isso se tornou mais forte na época barroca, mas seu início foi na renascença. A partir desses preceitos, já temos alguns pilares para sustentar a tese a respeito da “dualidade” da música do Renaisance: música erudita para o povo, unido sinfonias sofisticadas com tratamentos orquestrais às canções de apelo melódico e origem folclórica, facilmente assimilável. A história do Renaissance é construída por esta oferta de um caminho alternativo, para que todos tenham a oportunidade de usufruir uma música agradável ao mesmo tempo em que vivenciam uma experiência que busca um tipo de união entre os conceitos composicionais sofisticados provindos dos conservatórios e academias de música e o “som das ruas”, incluindo todos os elementos que se inserem em cada um.

Grandes compositores russos: Mussorgsky (centro)

Grandes compositores russos: Cui e Balakirev (acima), Mussorgsky (centro); Borodin e Korsakov (abaixo)

Vamos saltar cerca de 300 anos, do renascimento ao romantismo, e dar uma olhada nos compositores nacionalistas russos: Mussorgski, Balakirev, Borodin, Cui e Rimsky-Korsakov. Foram eles que retomaram o caminho delineado na renascença de valorizar a música popular em sua essência mais pura, o folclore, e a partir dele, realizar suas peças clássicas. Neles o Renaissance buscou as orquestrações cheias de colorido e as ricas harmonias, bem como a ideologia de evolução tendo como partida as antigas e tradicionais melodias do povo.

O Renaissance trafegou da música folk ibérica até a origem celta, enriquecendo ainda mais a sua proposta. Outros compositores russos influenciaram o grupo, principalmente àqueles que formaram a base da música épica e sinfônica do século 20, como Prokofiev e Rachmaninov.

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Arte renascentista

Primeiras conclusões:

Como resumo do que vimos até aqui temos os seguintes aspectos:

– Proposta completa de unir o clássico ao popular

– Construções sinfônicas influenciadas pelos compositores russos

– Aspectos românticos bem delineados

– Forte presença da música gaélica tradicional – folk celta

– Referência a outras músicas tradicionais, como a ibérica, a hindu e a árabe, bem como a apropriação de elementos jazzísticos.

A utilização das melodias da tradição folclórica foi a grande solução encontrada e representou a grande contribuição do Renaissance à história do Rock Progressivo: um folk rock sinfônico irresistível, quase uma unanimidade entre os apreciadores da beleza da música.

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Principal formação do Yardbirds: Keith Relf, Jim McCarthy, Jeff Beck, Chris Dreja e Jimmy Page

Biografia analítica – Do blues ao flower power

Tudo começou no final dos anos 50 e a origem foi o blues, que tinha desembarcado nos portos ingleses, sendo bem recebido como veículo porta-voz do proletariado industrial. Aliado ao folk irlandês as sementes da música negra frutificaram em cidades portuárias como Liverpool, que geraram os Beatles. Em Londres e condados, o blues continuava no comando através de Alexis Córner, Blues Incorporated, John Mayall, etc. Deste cenário emergiram muitos grupos, como o Metropolis Blues Quartet, criado em 1962 e formado por Keith Relf (vocals, harmônica), Jim McCarty (drums), Paul Samwell-Smith (bass), Chris Dreja (rhythm guitar) e Anthony Tophan (lead guitar). Com a saída de Topham e a entrada de Eric Clapton, o nome é mudado para Yardbirds, cujo estilo buscava fazer um som que estava na moda na época: um blues pesado, aproveitando-se da energia do emergente rock’n’roll.

Depois da saída de Clapton, pelo menos dois outros “monstros” passaram pela banda: Jeff Beck e Jimmy Page. Após alguns álbums de boa aceitação, os membros resolveram terminar o grupo, pois tinham outros planos. Ocorre que a chegada de outros bons grupos, como Hollies, Kinks, Manfred Mann, Traffic, etc., apagou um pouco o brilho do grupo, que não estava se sentindo à vontade ao trabalhar com temas mais pops, aos mesmo tempo que se sentia atraído pelo emergente psicodelismo. Dois ex-componentes teriam vital importância para nossa história: Keith Relf e Jim McCarty, que estavam interessados em estudar religião e fenômenos psíquicos o que os encaminhou para um novo rumo musical.

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Formação original: John Hawken e Jim McCarthy (acima); Keith Relf, Louis Cennamo e Jane Relf (abaixo)

Nasce a banda: a formação original

Depois de uma tentativa frustrada em 1968 com uma banda folk acústica chamada Together, eles resolveram formar o Renaissance em 1969, em Surrey, tendo como proposta a união de suas experiências folk com elementos eruditos e o rock de vanguarda que começava a fazer sucesso na Inglaterra. Possivelmente o mais importante nome catalisador desta idéia tenha sido o pianista John Hawken, de larga experiência erudita. Foi com ele que se iniciou a tradição de inserir nas músicas da banda, trechos de músicas eruditas de grandes compositores do passado, sem que fossem dados os devidos créditos. No primeiro disco, eles dão as pistas iniciais, creditando os “classical riffs” ao tecladista. Posteriormente chegou-se a usar algumas melodias clássicas como base da composição.

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Gatefold externo do ábum de estreia

Voltando aos primórdios do grupo, os componentes iniciais convidaram o baixista Louis Cennamo e para completar a formação, cientes de que a música pretendida se enriqueceria com a utilização simultânea de vocal masculino e feminino, convidam a irmã de Keith, a cantora Jane Relf, que com seu belo timbre viria a ser a primeira mulher a ter seu nome intimamente ligado à banda. Ainda em 1969 assinam um contrato com a gravadora Island e neste mesmo ano lançam o primeiro disco que teve como título o mesmo nome do grupo. Renaissance é um trabalho cujo destaque é o do piano de John Hawken.

As cinco músicas são um resumo da proposta de que o grupo desenvolveria nos anos seguintes, trafegando de sons étnicos/folk ao romantismo tradicional,passando pelo jazz e pelo barroco. Trata-se de um trabalho de grande impacto se considerarmos o ano em que foi realizado. Grandes músicos com uma grande proposta que passou quase despercebida na Inglaterra, em parte devida à imensa e fervilhante produção que acontecia na época.

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Gatefold interno do álbum de estreia

A verdade é que o mercado não estava pronto para reconhecer e absorver tanta coisa boa que estava acontecendo ao mesmo tempo. Entre o primeiro e o terceiro disco, a banda passa por um período muito confuso, que até hoje não se conseguiu  esclarecer muito bem,

Destaque

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