“Estava No Abismo Mas Dei Um Passo Em Frente” é o nome do novo trabalho de originais de Pedro Mafama. A edição está prevista para Maio de 2023 pela Sony Music Portugal.
“O meu próximo projecto chama-se “Estava No Abismo Mas Dei Um Passo Em Frente” e é composto por canções de Baile, Rumbas Portuguesas e Marchas, e é o projecto mais alegre e celebratório que já fiz até agora. A vida está a sorrir-me e eu tenho todos os motivos para sorrir de volta, levantar os braços e sentir-me motivado com tudo aquilo que está para vir. Pela primeira vez na vida estou decidido a vencer a melancolia e olhar em frente, porque mesmo que exista um abismo à frente de todos nós e ao qual nunca iremos escapar, às vezes é preciso sorrir, saborear o momento, e avançar com toda a velocidade para o que aí vem. Estou a procurar a felicidade, mais focado que nunca, e a fazer a melhor música que já fiz na vida. E em breve convido-vos a virem comigo – para juntos bailarmos em frente.” – Pedro Mafama
Neste novo álbum, Pedro Mafama debruça-se nos sons da sua infância, com composições da sua autoria, trazendo para o seu universo musical bailes, rumbas portuguesas e marchas, celebrando o momento actual. As gravações do novo disco decorreram no estúdio Namouche, em Lisboa.
Marc Noahé a mais recente revelação da agência Epopeia Records™. No ano de 2019 começou-se a traçar aquele que seria o caminho deMarc Noahnuma residência criativa na cidade de Olhão onde o cantor e os músicos que o acompanham construíram os alicerces para o álbum que se apresentará ainda no decorrer deste ano.
Nos meses que se seguiram, deu-se o processo de maturação desse trabalho bem como a criação de novas canções. A pandemia, que acabou por meter em pausa a atividade cultural, criou a oportunidade para que o Marc se dedicasse de corpo e alma a este trabalho que começa agora a ser revelado ao público.
Durante o mês de fevereiro, Marc Noah irá apresentar o Vídeo Oficial desta canção e anunciará também as novas apresentações ao vivo.
Os Brasileiros Lagum acabam de lançar o novo single “Olha Bela”, já disponível em todas as plataformas digitais e vem ainda acompanhado de um videoclipe em exclusivo no YouTube oficial da banda.
O videoclipe deste novo tema foi filmado este último verão em Portugal, no Algarve, durante a digressão do último disco, que passou também pela Europa com espetáculos em Londres, Porto e Estoril. Os concertos em Portugal tiveram a participação ao vivo da artista Bárbara Tinoco, com quem editaram uma música em conjunto, “Eu Te Amo“.
As 100 melhores canções de todos os tempos para falar de “Heroes” uma canção lançada em 1977 por David Bowie.
Essa musica que faz parte do álbum homônimo, conhecido também como o segundo álbum da trilogia de Berlim. Foi um momento que David Bowie estava morando na Alemanha dividia por um muro. E essa referencia você consegue perceber na letra. A musica fala de um romance de conto de fadas limitado por uma opressão e de um beijo dado próximo a um muro que em questão sabemos que é o famoso muro de Berlim. A canção escrita por David Bowie e Brian Eno, teve como pano de fundo um acontecimento real. Esse fato ocorreu entre o produtor Tony Visconti e sua namorada próximo ao muro. Apesar da canção não ter estourado nos Estados Unidos e Reino Unido no seu ano de lançamento. Ela se tornou uma marca de esperança e um hino sobre a liberdade.
A letra chama atenção para a dificuldade que temos em sermos nós mesmos, e chama atenção para valorizarmos dentro das oportunidades que surgem ou que criamos através da vida. A liberdade que tanto se quer com uma esperança de “nadar com golfinhos”, às vezes presa na simples dificuldade de sermos nós mesmos. A canção tem uma força de um hit qualquer da carreira tão brilhante de David Bowie. Ela deixa de usar o sentido literário para se tornar real, quando o cantor faz uma apresentação em 1987 na Berlim Ocidental. Muitos falam que isso foi um grande catalisador para queda do muro, que teve sua verdadeira queda anos depois. Inclusive David Bowie foi homenageado após sua morte com um agradecimento por ajudar a derrubar o muro.
A canção se torna atual quando podemos olhar para ela e vê que os muros imaginários sociais vêm cada dia oprimindo mais não só casais como os da letra. Como também o relacionamento na escolha de como amar e quem amar. As escolhas politicas, religiosas e a liberdade do indevido de viver como ele mesmo gostaria de ser pelo menos por um dia. A leveza de ser quem realmente é, e nunca querer ser enquadrar em padrões que são como roupas que não nos cabe. O grito que Bowie da na canção é uma voz que sai para quebrar os muros e barreiras dos preconceitos que há tempos vem atrasando uma real liberdade de vivermos bem sendo-nos mesmo e respeitando as escolhas e liberdade do próximo. A canção fala que todos nós podemos ser um herói pelo menos um dia. Que possamos gritar e não perder a fé por dias melhores nessa luta como verdadeiros heróis quebrando os muros que limitam a vida através dos preconceitos e opressão.
Guitarrista e vocalista do Kiss revisita clássicos da soul music/r&b e apresenta material inédito em novo trabalho solo gravado em estúdio
O Soul Station é um projeto criado por Paul Stanley (guitarrista e vocalista do Kiss) em meados de 2015. O grupo tem realizado algumas apresentações esporádicas em pequenos clubes nas brechas deixadas pelas longas turnês do Kiss. Nesse trabalho, o Starchild busca expressar toda sua paixão pela soul music e R&B – gêneros que marcaram seu desenvolvimento como músico ainda na adolescência nos anos 60.
Ouvidos pouco atentos que se acostumaram com a imagem teatral e o som hard rock do quarteto mascarado americano podem até estranhar esse novo passo dado por Stanley, todavia, a influência da soul music sempre esteve presente na música do Kiss, basta prestar atenção em canções como “Shout It Out Loud”, “Do You Love Me”, “Then She Kissed Me” (composta por Phil Spector e gavada originalmente pelo grupo feminino The Crystals), “Sure Know Something”, “Nothing Can Keep Me From You” (Diane Warren) e outras mais.
Em “Now and Then”, Paul Stanley mostra versatilidade e autenticidade ao reinterpretar clássicos da soul music como “Just My Imagination (Running Away With Me)” (The Temptations), “Ooo Baby Bay” (Smokey Robinson & The Miracles), “The Tracks of My Tears” (Smokey Robinson & The Miracles), “O-O-H Child” (The Five Stairsteps), “Let’s Stay Together” (Al Green), “Could It Be I’m Falling in Love” (The Spinners), “La-La Means I Love You” (The Delfonics), “You’re Are Everything” (The Stylistics) e “Baby I Need Your Loving” (The Four Tops). O artista também não faz feio ao apresentar cativantes composições autorais como as grudentas “Save Me (From You)”, “I Do” “I, Oh I”, “Whenever You’re Ready (I’m Ready)” e “Lorelei”. Outro ponto que merece destaque é a competência dos músicos que integram a enorme banda que o acompanha na empreitada, dentre eles o excelente guitarrista brasileiro Rafael Moreira e Eric Singer, baterista do Kiss.
“Now and The” é um trabalho elegante e genuíno que em momento algum soa caricatural. Apesar de não precisar provar nada para ninguém ao longo das mais de cinco décadas de sucesso à frente do Kiss, Paul Stanley reafirma sua competência e versatilidade como cantor e compositor ao abraçar de maneira exitosa a soul music e o R&B.
FICHA TÉCNICA
Artista: Paul Stanley’s Soul Station
Álbum: Now and Then
Produção: Paul Stanley e Greg Collins
Data de lançamento: 5 de março de 2021
Duração: 48m39s
Faixas:
01. Could It Be I’m Falling in Love (Steals/Steals)
02. I Do (Stanley)
03. I, Oh I (Stanley)
04. Ooo Baby Baby (Moore/Robinson)
05. O-O-H Child (Vincent)
06. Save Me (From You) (Stanley)
07. Just My Imagination (Running Away With Me) (Strong/Whitfield)
08. Whenever You’re Ready (I’m Ready) (Stanley)
09. The Tracks of My Tears (Moore/Robinson/Tarpin)
10. Let’s Stay Together (Green/Jackson Jr./Mitchell)
11. La-La Means I Love You (Bell/Hart)
12. Lorelei (Stanley)
13. You Are Everything (Bell/Creed)
14. Baby I Nedd Your Loving (Dozier/Holland/Holland)
A banda americana Kansas ganhou destaque no Brasil pela adocicada balada “Dust in the Wind”, presente no ótimo disco “Point of Know Return” (1977). Entretanto, os primeiros trabalhos do grupo são marcados por uma sonoridade progressiva bem original, que não copia meramente as grandes bandas inglesas do gênero como Yes, Genesis, Emerson, Lake & Palmer, Jethro Tull e Pink Floyd, algo muito comum à época.
“Kansas”, lançado em 1974, é o trabalho de estreia da banda e apresenta uma mistura de boogie rock de arena com passagens sinfônicas complexas e mudanças de tempo inusitadas. Todos integrantes possuem pleno domínio técnico sobre os respectivos instrumentos musicais, mas as performances incendiárias do guitarrista Kerry Livgren, do violonista Robby Steinhardt e do tecladista e vocalista Steve Walsh chamam bastante a atenção. Aliás, o timbre vocal deste último serviu de parâmetro para muitos vocalistas das bandas do chamado AOR (adult oriented rock).
Ao todo a bolachinha é composta por oito faixas. Dentre elas, destacam-se as grandiosas “Journey From Mariabronn” (inspirada no romance “Narciso e Goldmund”, escrito por Hermann Hesse), “Apercu” e “Death of Mother Nature Suite” e o hardão explosivo “Belexes”.
O Kansas segue em atividade com os membros originais Rich Williams (guitarra) e Phil Ehart (bateria). No ano passado lançaram o excelente “The Absence of Presence”, décimo sexto álbum de estúdio da discografia da banda. Atualmente eles divulgam o recém lançado “Point of Know Return Live & Beyond”, disco gravado ao vivo que reúne faixas retiradas de doze shows realizados entre 2019 e 2020.
A banda Som Imaginário foi criada em 1970, para acompanhar o cantor Milton Nascimento no espetáculo “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”, mas acabou ganhando vida própria e lançou três álbuns de estúdio.
Os dois primeiros trabalhos lançados pelo conjunto – Som Imaginário (1970) e Som Imaginário (1971) – possuíam sonoridade predominantemente psicodélica. Fizeram parte das primeiras formações músicos como Zé Rodrix (órgão, flauta e vocal), Tavito (violão e vocal) e Naná Vasconcelos (percussão).
Terceiro e derradeiro trabalho do grupo, “A Matança do Porco” trilha um caminho mais refinado que seus antecessores e aposta em canções com fortes inspirações na música fusion e no rock progressivo. Além disso, influências de estilos como bossa nova e samba se fazem presentes e conferem às canções uma sonoridade bastante peculiar.
A formação que gravou a bolachinha era composta por Wagner Tiso (piano e órgão), Luiz Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria) e Fredera (guitarra), músicos da primeira linha da música popular brasileira, com vasta experiência em estúdio e palco.
Ao todo são nove canções, com destaque para a longa faixa-título, que mistura a sutileza do piano de Tiso com os solos rascantes de Fredera e vocalizes brilhantemente executados por Milton Nascimento. Outro ponto alto do disco é a bateria inventiva de Robertinho Silva, que confere personalidade e suingue para as canções predominantemente orquestrais de Tiso.
O Som Imaginário ainda realiza algumas apresentações ao vivo esporádicas enfatizando o repertório de “A Matança do Porco”. Integraram a última formação da banda os músicos Wagner Tiso (piano e teclados), Luiz Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria e percussão), Victor Biglione (guitarra) e Nivaldo Ornelas (saxofone e flauta).
Se você gosta de rock progressivo, você precisa conhecer “A Matança do Porco”. Trata-se de um trabalho original, composto e executado com maestria. Certamente um dos melhores álbuns brasileiros do gênero.
Em tudo o que pegam, Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe incutem detalhe e pormenor em quantidades discretas. Da mesma forma que o tempo passa e ninguém dá por ele, a música dos Kings Of Convenience entra pelos nossos ouvidos adentro sem que nós nos apercebamos do seu real valor.
Podemos encontrar partículas de amor em todo o lado. Não existe um único lugar no mundo que nunca tenha sido visitado pelo amor. O amor existe e chega a todos os cantos, adapta-se a todas as formas e manifesta-se em todos os tempos. Pode acontecer que, em determinado momento, o amor deixe de existir. Por vezes, a sua força perde intensidade e outros estados de espírito surgem para proteger as nossas fraquezas. Assim nascem o orgulho, o sossego e a paz. A verdade é que o amor nem sempre é possível. A sua beleza reside nessa realidade. O amor é uma substância rara, de valor infinito. É ele quem ver ter connosco – e não o contrário. Não podemos, nem devemos persegui-lo. O amor é incontrolável e quase sempre indomável, ao contrário da paz. A paz é uma decisão que resulta de uma reflexão. Ponderamos, estudamos possibilidades de ação e, no fim, decidimos se queremos a guerra, que é provocada pelo amor, ou se pretendemos a paz, que deriva da nossa aceitação da verdade.
Para Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe, esta é a regra de ouro da vida. Toda a gente tem de escolher entre o amor e a paz invariavelmente. Ainda que seja possível levar vidas em que as duas substâncias coexistem, apoiando-se uma na outra, há sempre um instante de decisão em que nos focamos numa matéria e preterimos outra. Ou o amor ou a paz. Depois desse momento, tudo é possível. É a vida a desvendar-se. O amor pode garantir a paz e a paz pode garantir o amor, mas o que é facto é que isso nem sempre acontece. Muitas vezes, os dois sentimentos conduzem-nos a pontos de chegada distintos.
O mais recente álbum dos King Of Convenience aborda este tema na perfeição, não tivesse sido batizado Peace Or Love. A dupla folk norueguesa não lançava música nova desde 2009, ano em que saiu Declaration Of Dependence. Por essa razão, este novo trabalho constitui um regresso (e dos bons), ainda que a musicalidade apresentada não seja muito diferente daquela que alicerça os LP’s anteriores do duo.
Os dias passam repentinamente. Se as pessoas não prestam atenção, não dão por eles. De repente, passou um ano. De repente, passaram seis anos. De repente, passaram doze anos. A passagem do tempo funciona de uma maneira particular. O tempo é discreto, mas está sempre perto de nós. Desde 2009, muita coisa aconteceu nas vidas de Erlend e Eirik, mas sobretudo na de Erlend. Para além de ter posto um ponto final nos The Whitest Boy Alive, Øye fez as malas, despediu-se de Bergen (e também de Berlim) e aterrou em Siracusa, na Sicília, em 2012. É na ilha italiana que, rodeado por raios de sol, amigos de todos os países e mergulhos em fundos de mar coloridos, começa a compor e a cantar em italiano. Dois anos depois, Erlend Øye viria a lançar Legao, o seu segundo álbum a solo. Mesmo estando longe de casa, o músico norueguês não deixou de acompanhar os processos criativos e musicais de Bergen. Erlend Øye é verdadeiramente um cidadão do mundo. Estamos a falar de uma pessoa que, efetivamente, tem direito a utilizar essa expressão tão mal aplicada por indivíduos vaidosos que, cheios de si e dos seus feitos de viajante, dizem conhecer o mundo. Øye conhece o mundo e faz por conhecê-lo. Esta vontade é percetível na música que o artista cria desde o início. Ao contrário do seu fiel amigo, Eirik tem levado uma vida artística mais calma. Nunca tendo verdadeiramente abandonado Bergen, o músico permaneceu nos Skog (atualmente Kommode), o grupo que havia criado com Erlend no fim da década de noventa. No entanto, Eirik e Erlend, como bons amigos que são, nunca perderam o contacto. Na verdade, o primeiro foi ajudando o segundo em várias ocasiões. Nesse contexto, Eirik viajou frequentemente para Itália e acompanhou as digressões a solo de Øye um pouco por todo o mundo. Para quem gosta da música destes noruegueses e nutre um carinho especial pelas vozes e sons que soltam, vale a pena fazer uma pausa para ver (e escutar) este vídeo.
Erlend e Eirik não se reencontraram em 2021 porque eles nunca chegaram a perder o contacto. 2021 é simplesmente o ano em que o duo lançou mais um álbum. Tendo em conta que, até 2009, os Kings Of Convenience só tinham três álbuns na carteira, o lançamento de Peace Or Love é um verdadeiro acontecimento musical. Falamos de uma banda que raramente tem opositores. As músicas que a dupla apresenta chegam, desde sempre, aos ouvidos de todos. Há poucos grupos assim, não há? Temos a certeza de que não existe uma pessoa que «odeie» ou «não suporte» os Kings Of Convenience.
O que é facto é que Peace Or Love demorou algum tempo a sair da gaveta. Quem o diz é o próprio Erlend Øye, que conta que a dupla começou a trabalhar no álbum em 2015. No entanto, em menos de três anos, os artistas sentiram-se cansados e perderam alento. A culpa foi da distância que separava Erlend e Eirik. Foi quando Feist chegou à Europa para realizar (mais) uma digressão que a dupla norueguesa voltou a pegar nas gravações embrionárias de Peace Or Love. Os três juntaram-se, realizaram alguns concertos em conjunto e, nos tempos livres entre espetáculos, escutaram as músicas já existentes e criaram outras que viriam a integrar o álbum – “Love Is A Lonely Thing” e “Catholic Country”.
É fácil entrar em Peace Or Love. Esta situação acontece, aliás, em todos os trabalhos dos Kings Of Convenience e das aventuras a solo de Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe. Os sons delicados que os artistas noruegueses produzem chegam a todos. Os vocais leves e as guitarradas dóceis prendem qualquer pessoa a um estado de absoluta calma e tranquilidade. A partir do momento em que escutamos a primeira faixa do álbum (“Rumours”), sabemos ao que vamos. Ao longo dos dez temas seguintes, o registo não muda e os nossos sentidos agradecem. Há composições mais mexidas do que outras (os singles “Rocky Trail” e “Fever”), no entanto, todas as canções estão ligadas à mesma impressão. Por esta razão, Peace Or Love, que não atinge sequer os 40 minutos de duração, passa a correr pelos nossos ouvidos. Tal como nos anteriores LP’s do duo, ao fim de cada audição, temos vontade de regressar ao começo do álbum e ouvi-lo outra vez.
Peace Or Love não é o melhor álbum feito pelos Kings Of Convenience. Acaba por ser uma tarefa difícil identificar o melhor trabalho da dupla nórdica porque, para além de todas as suas produções terem igual qualidade, ficamos com a sensação de que, independentemente do álbum, as músicas são todas iguais, na medida em que, geralmente, seguem a mesma composição e adereços. Em Peace Or Love, os Kings Of Convenience não arriscaram. Não arriscaram aqui, nem em qualquer outro trabalho assinado por eles. Mas será que precisavam? A música que os artistas de Bergen têm partilhado com o mundo não tem fugido deste género, no entanto, não há uma música do seu reportório que não tenha qualidade ou valor. Em tudo o que pegam, Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe incutem detalhe e pormenor em quantidades discretas. Da mesma forma que o tempo passa e ninguém dá por ele, a música dos Kings Of Convenience entra pelos nossos ouvidos adentro sem que nós nos apercebamos do seu real valor.
A forma como o duo aborda o amor (e as suas vicissitudes) é impressionante. Tanto em Peace Or Love, como em experiências anteriores, os artistas tornam o amor num jogo simples, de resposta fácil. Quando Erlend e Eirik cantam e tocam guitarra, sabemos o que temos de fazer para atingir a vida plena que desejamos. As onze faixas que edificam Peace Or Love estabelecem, claro, uma relação profunda com o mundo do amor, da paz e com o encontro e desencontro desses estados de alma. É impossível fugir deles.
Os Kings Of Convenience têm desde sempre a capacidade de construir imagens quase reais e quase palpáveis no interior sensorial dos seus ouvintes. Em Peace Or Love, voltam a fazê-lo. Da primeira faixa até à última (Washing Machine), os nosso sentidos transportam-nos para uma tarde de verão passada numa vila rural e marítima italiana; para uma manhã de leitura numa esplanada de rua francesa; ou para uma carruagem de comboio europeia que atravessa o verde dos Balcãs. Em todos estes cenários, damos por nós a pensar. Enquanto o sol queima a nossa pele ao de leve, refletimos sobre o que já vivemos e o que pretendemos viver. As reflexões encontram pensamentos e, de repente, sempre de repente, damos por nós a pensar sobre a paz e o amor. Sabemos que a vida é um conjunto de decisões. É desse reconhecimento que a pressão nasce. Somos obrigados a decidir da melhor forma possível, a fim de, no futuro, não colhermos arrependimentos. Quando somos confrontados com a escolha entre a paz e o amor, é impossível termos a certeza de qual é que é a opção certa. No ar fica a eterna questão. A paz? Ou o amor?
Alice Phoebe Lou transformou um coração partido num manifesto de autoafirmação.
Alice Phoebe Lou fugia do amor enquanto tema para as suas letras. Achava-o muito visto (ou ouvido) e considerava que não acrescentaria nada de relevante ao mundo se também o fizesse. É audaz dizer que o amor é banal, mas essa mesma audácia veio a comprovar-se dois anos depois do lançamento do álbum que a levou para as luzes da ribalta, Paper Castles, de 2019. Em março deste ano, a artista sul africana contrariou o seu próprio preconceito de que as letras devem sempre transbordar de significado e profundidade e escreveu diretamente com o coração, sem pensar muito no assunto. Com Glow, deixou que o seu subconsciente tomasse as rédeas e, como a própria admite, era impossível impedir que transparecessem na criação os sentimentos (amorosos) em que nadava.
O mais recente álbum de Lou foi inteiramente gravado analogicamente, por meio dos amplificadores e microfones mais antigos que se conseguiu encontrar no estúdio. Há uma certa vivacidade e calor acrescentados às músicas que de outra maneira não seria possível, além de um sentimento de genuinidade particular – parece mais cru, ou mais caseiro, e menos feito para se produzir um espetáculo grandioso, indo de encontro à honestidade e simplicidade das letras. Com uma bateria, um teclado, um baixo e uma guitarra se faz um disco que, provando a também intemporalidade do amor, nos assegura de que não há nada de errado no banal. Chamemos-lhe experiência comum, então.
Muito se brinca com as sonoridades em Glow. Guitarras que pairam e sons que brilham. Em “Only When I”, boiamos no espaço enquanto nos deixamos levar pelo baixo, que também ganha protagonismo em “Dusk”, que nesta se junta a um saxofone para uns apontamentos jazzísticos. Os primeiros acordes de “Lonely Crowd” transformam-se na melodia leve de “Lover // Over the Moon”, tão leve como se sente Alice, dado o fascínio que tem à pessoa que ama, revivendo na sua cabeça as memórias boas vezes e vezes sem conta. O ritmo divertido de “Lovesick” dá as mãos à solta “Glow”, na qual Alice se pergunta “Do I dare to feel this feeling?” ao som da sua guitarra. A resposta é, claro, sim, estamos aqui para isso.
Lou amou e viveu o que com isso chegou à sua vida. É simultaneamente leve e pesado, o amor; nós a amarmos; nós a sermos amados. Há encanto nesta intensidade que nos faz flutuar, como nos (d)escreve tão bem em “Heavy // Light as Air”. Mas com a mesmíssima intensidade vive agora a independência de quem viu a sua dedicação traída. A guitarra e o sintetizador dão uma festa em “Dirty Mouth”, onde o mau é bom e o bom é mau. Esta dualidade vê-se até instrumentalmente, com o passar de um ritmo divertido para uma melancólica justificação do seu escudo adquirido contra o amor. Rejeita-o porque a magoaram e agora protege-se.
Glow é aprender a ser e é ser-se jovem e não compreender inteiramente todas as coisas, mas não ter medo de mostrar essa ingenuidade e lidar levemente. Ter o nosso crescimento deixado à vista de todos requer coragem, convenhamos. Não é condenável sentir intensamente, muito pelo contrário. Lou foi à procura de um propósito e encontrou a vulnerabilidade de que não sabia precisar para questionar o próprio ego e deixar de precisar tanto da admiração alheia. É, no entanto, verdade que todas as músicas tocam todas mais ou menos nos mesmos pontos, mesmo sendo sempre muito verdadeiras, e falta-lhes alguma exploração harmónica rumo à novidade, pelo que as faixas nem ficam muito na cabeça.
É bonito ver um confronto claro com a realidade de ser jovem e estar enamorado. Ora se ama muito, ora se sofre muito. Alice tanto é forte e independente e lida bem com as transições da vida, como também procura as razões do irracional e transborda em sentimentos. Que chatice isso de sentir, às vezes. Glow é uma viagem à sua mente, numa onda de autodescoberta de alguém que começa a saber quem é, exaltando confiança e individualidade.