quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Artistas de Rock Progressivo Italiano

Showmen 2 biografia
Showmen foi uma banda de Nápoles importante na história do RPI, assim como no rock and roll. A primeira encarnação data de 1966 e incluiu em sua formação Elio d'Anna, que viria a formar a potência do RPI Osanna. A primeira formação misturava pop italiano com soul / R e B e teve vários singles de sucesso antes de se separar por volta de 1970. Pouco depois disso, vários membros se juntaram a alguns novos músicos para formar o Showmen 2, que tentaria misturar alguns dos sons originais do Showmen. com os excitantes novos sons do rock que estavam começando a permear a Itália. Esta formação é de interesse dos fãs do RPI, pois produziu o excelente álbum Showmen 2 de 1972 . Enquanto estavam juntos, eles tocaram no Genova Pop Festival de 1972 e em outros festivais ao ar livre da época. A história é familiar: o álbum não t vendeu muito bem e a banda se separou logo depois disso, com Senese e Del Prete formando o Napoli Centrale, que na verdade fez muito sucesso e gravou vários álbuns de jazz-rock. A história de Showmen 2 abrange as eras beat e progressiva, com pontos de interesse em ambas. Seu único álbum apresenta elementos de seu passado recente misturados com acenos distintos na crescente cena RPI. Embora não seja descontroladamente avant-garde de forma alguma, a emoção do momento é sentida na improvisação animada, estilos misturados e respingos ocasionais no oceano do som progressivo. [Jim Russel/Finnforest] Seu único álbum apresenta elementos de seu passado recente misturados com acenos distintos na crescente cena RPI. Embora não seja descontroladamente avant-garde de forma alguma, a emoção do momento é sentida na improvisação animada, estilos misturados e respingos ocasionais no oceano do som progressivo. [Jim Russel/Finnforest] Seu único álbum apresenta elementos de seu passado recente misturados com acenos distintos na crescente cena RPI. Embora não seja descontroladamente avant-garde de forma alguma, a emoção do momento é sentida na improvisação animada, estilos misturados e respingos ocasionais no oceano do som progressivo.


Parecido com





Fotos








Nick Cave & The Bad Seeds – Abattoir Blues/The Lyre Of Orpheus (2004)


Quem era Nick Cave em 2004? Abattoir Blues/The Lyre Of Orpheus, disco duplo em que as rodelas não se complementam – já lá vamos – é a resposta. Os temas são os do costume, algures entre o amor e a morte e os labirintos até chegarmos a ambos os destinos. A inspiração não é absoluta, como noutros momentos, mas os momentos meritórios são, ainda assim, diversos.

Depois de um período particularmente inspirado em termos de álbuns de originais, mas com o menor Nocturama editado no ano anterior, Nick Cave chega a 2004 e perde o seu Bad Seed mais influente: Blixa Bargeld. O trabalho é duplo, mas Cave poderia perfeitamente ter editado primeiro Abbatoir Blues e, meses depois, anos à frente, The Lyre Of Orpheus – o primeiro é um disco de blues, rasgado, direto, pista lançada para aquilo que viria a ser, um par de anos depois, o projeto Grinderman; o segundo é uma obra intimista e mais lenta, embora sem a avalanche de negritude que os álbuns mais recentes do músico têm incorporado.

“Get Ready For Love”, logo a abrir, é perfeita: tem ginga, um coro gospel e é levada ao colo por uma bateria portentosa. A bitola, por ser um disco de Nick Cave com os Bad Seeds, é por si só elevada, e a faixa de arranque não desilude, mas os males da praxe atingem todos: por ser um disco duplo, seria difícil Abattoir Blues/The Lyre Of Orpheus ser imaculado e não ter momentos menores. Tem-nos, e aqui e ali o empolgamento perde para o aborrecimento – nada de grave, apenas em dose suficiente para retirar o disco dos cinco melhores álbuns de Cave, mas não o suficiente para definir a obra abaixo do patamar de ótima.

Este não é também o trabalho ideal para apresentar Nick Cave aos incautos, mas, para os fãs e frequentadores regulares desta praia, as ondas que por aqui se surfam são de degustação obrigatória. “There She Goes, My Beautiful Friend” e “Nature Boy”, na reta final do primeiro disco, antecipam “Fable of the Brown Ape”, faixa final de Abbatoir Blues e das mais desafiantes do trabalho.

The Lyre Of Orpheus, que entra depois, merece ser revisitado agora que tomámos contacto com um novo Nick Cave, o de Push the Sky Away e dos discos seguintes: mesmo que menos dramático, e com um Cave ainda mais cantor que pregador, há já referências religiosas e o chamamento pela força de um qualquer ser superior – se o músico canta para um Deus ou para uma mulher, só o próprio saberá (“Still your mind/Still your soul/For still, the fire of love is true/And I am breathless without you”, canta em “Breatless”).

“O Children”, no final, é o grande momento deste segundo álbum de 2004. De novo com coro gospel, é Cave em grande forma – poderia ser um tema de “Murder Ballads”, por exemplo, e melhor elogio que este é difícil encontrar.

Quem era Nick Cave em 2004? Definitivamente não era o mesmo dos anos anteriores, percebemos agora, em 2021, que também está longe de ser o mesmo músico da segunda década deste milénio. Abattoir Blues/The Lyre Of Orpheus, não sendo objetivo principal na discografia do australiano, é pedaço de música melhor que o que o antecedeu (Nocturama) e o que se seguiu (Dig, Lazarus, Dig!!!). Por esta altura Cave cria também os Grinderman e arrisca tudo numa persona mais blues-rock. Depois, vieram uns anos mais calmos. E em 2013, volta-se a fazer história…


Nick Cave – Dig, Lazarus, Dig!!! (2008)


É assim que os músicos de rock devem envelhecer!!!

Começar por referir que Dig, Lazarus, Dig!!! é o produto de um senhor de 50 anos, e isso é relevante sobretudo numa altura em que Cave já nada tinha a provar a ninguém, mas ainda assim soube dar mais um retoque na sua imagem (sim, falar em reinvenção seria ambicioso demais) – acrescentou um bigode de chulo mexicano, agarrou ele próprio numa guitarra, mostrou que o projecto paralelo Grinderman não era uma brincadeira e incorporou na sua discografia em nome próprio um disco de rock vivaço, com sangue na guelra.

Sim, os fãs mais antigos dizem que o disco não é nada por aí além. Sim, dizem que é pouco inspirado, e que está longe do seu auge de Let Love In e The Boatman’s Call. Mas porra, fossem assim os discos maus de muita banda que por aí anda a vender milhões e o mundo seria um lugar bem melhor para viver.

“Dig, Lazarus, Dig!!!” é uma poderosa canção que agarra pela repetição do pedido a Lázaro para escavar, mostrando em meros minutos o que é a persona Cave, sempre de volta de mitos bíblicos seja para glorificá-los ou para questioná-los. Porque a condição humana a isso obriga, acredite-se ou não, tenha-se fé ou não, não há como menosprezar o impacto que as crenças dos seres humanos têm na forma como levam a sua vidinha. Cave disseca este fenómeno, da mesma forma como terá dissecado uma rã nos seus tempos de escola na distante Austrália. Entretanto deu várias voltas ao mundo, incorporou diferentes vivências da Santíssima Trindade – drogas e sexo e rock n’roll – e espalha o seu evangelho a quem o ouve. E que bem que sabe ouvi-lo, agora e sempre.

Entretano acontece música da boa, realce para “We Call Upon the Author”, frénetica e para “Hold on to Yourself”, crooner de américa profunda. O álbum encerra com um excelente blues “More News From Nowhere” com Cave passando a maior parte do tempo a relatar notícias, em modo jornalista e não cantor, e é uma delícia.

A marca Nick Cave & the Bad Seeds está, inquestionavelmente, impressa com letras grandes na história da música contemporânea e Dig, Lazarus, Dig!!! não envergonha a mesma, apesar de haver outras amostras melhores do grandeza do senhor. Amén.


Destaque

ROCK ART