terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

CRONICA - CROSBY & NASH | Graham Nash David Crosby (1972)

 

Crosby, Stills, Nash & Young seguiram caminhos separados. O canadense voltou à carreira solo, o texano treinou Manassas, mas Crosby e Nash se veem por outro lado continuando a aventura juntos. Depois de uma série de shows em dupla no verão de 71, nossos dois amigos voltam aos estúdios. Não precisando mais dividir o conteúdo com quatro, eles poderão deixar mais espaço para suas composições, dividindo os créditos quase igualmente. Nash (compositor de muitos sucessos do CNSY) ainda tendo mais que Crosby, mas também porque "Blacknotes" não dura nem um minuto.

Nash abre as hostilidades com uma balada country que quase faz você esquecer que ele é natural de Manchester. Bem, musicalmente "Southbound Train" parece ter sido escrita muitas vezes, mas os vocais melódicos e sensíveis de Nash fazem a diferença, assim como as harmonias discretas de Crosby. E tanto pior para esta gaita um tanto intrusiva à la Bob Dylan. Crosby segue com um Folk Rock jazzy como ele costumava escrever. Mas se a sua voz continua tão magnífica (de longe a melhor cantora do CSNY), temos de admitir que o resultado carece do lado hipnótico de um "Déjà Vu". Notaremos um belo solo de guitarra de Danny Kortchmar, embora não alcancemos a intensidade dos de Stills. Após o pequeno interlúdio de voz de piano de Nash, gravada durante um concerto do duo no Carnegie Hall (onde Stills se juntara para o encore), o inglês continua com “Strangers Room”, uma soberba canção Pop/Rock que, como uma balada ao piano, aumenta de intensidade a partir do primeiro refrão. Temos aqui um dos títulos que foi um pouco esquecido do seu repertório e é uma pena que seja tão curto, tendo sido aceite um minuto extra. A balada folk de Crosby "Where Will I Be?" tem um bom trabalho de voz, mas a coisa toda é um pouco discreta. E aí também ela tem dificuldade em comparar com seus sucessos anteriores (“Guinnevere”, “The Lee Shore”, “Triad”). É também o caso da balada Pop "Página 43", ainda que não seja desprovida de interesse do ponto de vista melódico. Soberba canção Pop/Rock cuja intensidade da balada ao piano aumenta a partir do primeiro refrão. Temos aqui um dos títulos que foi um pouco esquecido do seu repertório e é uma pena que seja tão curto, tendo sido aceite um minuto extra. A balada folk de Crosby "Where Will I Be?" tem um bom trabalho de voz, mas a coisa toda é um pouco discreta. E aí também ela tem dificuldade em comparar com seus sucessos anteriores (“Guinnevere”, “The Lee Shore”, “Triad”). É também o caso da balada Pop "Página 43", ainda que não seja desprovida de interesse do ponto de vista melódico. Soberba canção Pop/Rock cuja intensidade da balada ao piano aumenta a partir do primeiro refrão. Temos aqui um dos títulos que foi um pouco esquecido do seu repertório e é uma pena que seja tão curto, tendo sido aceite um minuto extra. A balada folk de Crosby "Where Will I Be?" tem um bom trabalho de voz, mas a coisa toda é um pouco discreta. E aí também ela tem dificuldade em comparar com seus sucessos anteriores (“Guinnevere”, “The Lee Shore”, “Triad”). É também o caso da balada Pop "Página 43", ainda que não seja desprovida de interesse do ponto de vista melódico. um minuto adicional não tendo sido recusado. A balada folk de Crosby "Where Will I Be?" tem um bom trabalho de voz, mas a coisa toda é um pouco discreta. E aí também ela tem dificuldade em comparar com seus sucessos anteriores (“Guinnevere”, “The Lee Shore”, “Triad”). É também o caso da balada Pop "Página 43", ainda que não seja desprovida de interesse do ponto de vista melódico. um minuto adicional não tendo sido recusado. A balada folk de Crosby "Where Will I Be?" tem um bom trabalho de voz, mas a coisa toda é um pouco discreta. E aí também ela tem dificuldade em comparar com seus sucessos anteriores (“Guinnevere”, “The Lee Shore”, “Triad”). É também o caso da balada Pop "Página 43", ainda que não seja desprovida de interesse do ponto de vista melódico.

Em "Frozen Smiles", Nash mistura suas influências do Pop/Rock inglês com o Folk Rock de Dylan (a gaita, de novo...) encerramento . Mas antes, Crosby oferece-nos com a balada atmosférica e jazzística "Games" aquela que é sem dúvida a sua mais bela composição do álbum. Apreciaremos o belo trabalho de Craig Doerge no piano. Nash surpreende então ao propor com "Girl To Be On My Mind" uma balada Pop mas de forte inspiração Soul que até agora não lhe tínhamos conhecido. Ela certamente não teria sido negada por McCartney. O Rock flutuante com a mensagem ecológica de "The Whale Song" é outra grande conquista de Crosby para o álbum. E o fato de que a banda de apoio usada é de membros do Grateful Dead (muito boa linha de baixo de Phil Lesh, belo solo de Jerry Garcia no outro) provavelmente não está alheio a isso. Curiosamente, a dupla reservou sua música mais alta para o final do álbum. “Immigration Man” é um hit (que vai virar) e merecia começar o disco no lugar de “Southbound Train”. Uma faixa de rock tranquila com uma mensagem irritante que não envelheceu nem um pouco e é uma das melhores faixas do repertório de Nash.

Dedicado à musa (e ex) em comum, Joni Mitchell, este primeiro álbum da dupla ia ser um grande sucesso e mostrou várias coisas. Primeiro, que eles poderiam muito bem ter sucesso sem Stills e Young. Em segundo lugar, a ausência deste último deu lugar a certos títulos mais dispensáveis, principalmente do lado de Crosby. E ultimamente, se Nash estava então no auge da sua criatividade (como o seu primeiro álbum a solo já tinha provado), Crosby já não era realmente capaz de compor canções tão vibrantes como em Crosby, Stills & Nash e Deja VuSe isso não o impedia de ainda ter coisas boas reservadas (principalmente "Jogos" e "A Canção da Baleia" com um grau menor de "Página 43"), seu uso excessivo de drogas após um drama pessoal estava começando a poluir sua criatividade (já que o álcool logo enfraqueceria o de Stills). Felizmente, sua bela voz permaneceu intacta.

Diante desse sucesso, a dupla não demorou a sair em turnê, levando na bagagem um certo Don Felder...

Títulos:
1. Southbound Train
2. Whole Cloth
3. Blacknotes
4. Stranger’s Room
5. Where Will I Be?
6. Page 43
7. Frozen Smiles
8. Games
9. Girl To Be On My Mind
10. The Wall Song
11. Immigration Man

Músicos:
Graham Nash: Vocais, teclados, gaita, guitarra
David Crosby: Vocais, guitarra
Danny Kortchmar: Guitarra
Craig Doerge: Teclados
Leland Sklar: Baixo
Russ Kunkel: Bateria
John Barbata: Bateria (1.11)
Jerry Garcia: Guitarra (10), pedal guitarra de aço (1)
Phil Lesh: baixo (10)
Bill Kreutzmann: bateria (10)
Dave Mason: guitarra (11)
Greg Reeves: baixo (11)
Chris Ethridge: baixo (1)

Produção: Bill Halverson, David Crosby e Graham Nash


Por uma história da música eletrônica popular brasileira


 De tempos em tempos um vídeo de Mano Brown em debate com o escritor Francisco Bosco volta a viralizar. Na conversa, gravada em 2017, o rapper discute apropriação cultural e cita o o peso e o significado que um camiseta do Racionais MCs possui: “Você tá com camisa do Racionais e tá indo pra onde? Pra rave!? Não, não, não!”

Embora muito compartilhada nas redes como uma espécie de piada, a fala de Brown reflete uma discussão mais ampla: uma visão compartilhada de que a música eletrônica é uma área dominada pela elite branca, sendo assim um espaço de discriminação contra pretos e pessoas de quebrada. Essa é uma ideia comum e Brown não foi o único a tocar no ponto. Outro importante expoente do rap brasileiro, o grupo Facção Central também retrata a música eletrônica como uma cultura da elite — e elitista — nos versos da música “A Bactéria FC”: “Fala pra vaca da sua filha cancelar o ectasy/ não vai rodar a banca com meu som na festa rave/ O rap concebido em sampler de sangue/ Não é trilha pra bisneto de dono da casa grande”.

E isso não é uma simples treta rap versus eletrônica. A DJ Mari Gonçalves é uma mulher negra que integra o Turmalina e Arruaça, dois coletivos de música eletrônica do Rio Grande do Sul. Numa entrevista que fiz com ela, a artista falou sobre o embranquecimento dessa cultura: “Quando eu assisti aquele documentário Pump up the volume: A history of House music foi que eu entendi o processo de higienização e de apropriação que a música eletrônica foi sofrendo ao longo dos anos. Vi o filme e fiquei pensando na falta de representatividade. A gente ia para os rolês e não se via”.

Apesar dos grandes festivais de EDM estarem repletos de gente branca endinheirada, é bom lembrar que no Brasil a música eletrônica de pista possui uma origem popular, negra e com fortes bases fora do eixo Rio-São Paulo, sobretudo as festas de aparelhagem em Belém. “As festas paraenses foram, muito antes dos clubs paulistanos, os locais onde a house e seus derivados da dance music eletrônica primeiro seduziram os dançarinos brasileiros”, afirma o antropólogo Hermano Vianna no livro Música do Brasil (2000). “O gosto pelo baticum eletrônico se espalhou rapidamente pelos outros estados da Amazônia, principalmente através de fitas piratas vendidas por camelôs”, detalha o autor.

No início dos anos 2000, uma aparelhagem como a Tupinambá (e repare neste nome indígena!) , operava com a mais alta tecnologia de som, com paredões eletrônicos formados por computadores, mini-discs, samplers, mixers e teclados sequenciadores. E o repertório? “A gente começa geralmente com o house pop, o house nacional. Aí vai entrando a música baiana, vai entrando o pagode… Aí vem o brega, o brega de montão, tem que ser uma hora de brega. Vem a lambada, o merengue, forró, que também tá muito forte”, contou o DJ Dinho, que comandava o Tupinambá, em entrevista à série documental Música do Brasil, exibida em 2000 pela MTV. Ou seja, a musicalidade eletrônica estava tão conectada à cultura local que ela poderia ser tocada na mesma festa que outros ritmos brasileiros mais tradicionais, como o forró, e não seria considerado um elemento estranho. O beat eletrônico estava entranhado na festa cotidiana, nas formas de dançar, nas relações entre as pessoas e seu território.

Além das aparelhagens, outro marco dessa música eletrônica popular — ainda longe de ter o devido reconhecimento — foi o Dance Nacional, movimento de house music que teve seu auge em Manaus entre os anos 1985 e 2000. Segundo a pesquisa de mestrado do historiador Marcos Roberto de Oliveira, essas festas eram realizadas em “danceterias voltadas para o público de favela” e reuniam cerca de três a quatro mil pessoas. Um dos pioneiros do gênero foi o DJ Raidi Rebello. Em 1990, ele lançou o LP Dance Music Vol. 1, um set mixado que trazia as novidades internacionais do freestyle, house e techno. Quatro anos depois, ele nacionalizou esse som em Dance Mix 4, que trazia a primeira faixa em português do estilo: “Dance com a Gente”, cantada pelo MC Vappo 


O dance nacional — que Hermano Vianna descreve em seu livro como “House Amazônico”, imprimindo um certo tom exotizante — também foi permeado por tensões de classe social. Em entrevista ao pesquisador Marcos Roberto de Oliveira, Raidi Rebello contou que a playboyzada (ou “filhinhos de papai”, para usar o termo dele) ficava estacionada em seus carros do lado de fora das festas. Segundo Raidi, estes não entravam nas danceterias porque preferiam manter distância do público da periferia — mas não podiam resistir ao poder de sedução daquela música. “Eles mandavam o cara que ele engraxava o sapato dele comprar as fitas que eram vendidas aqui”, relatou o DJ, revelando como as elites encontraram formas de de consumir aquele novo som sem misturar-se com os pobres e pretos “galerosos” que formavam sua comunidade.

Casos como o das aparelhagens de Belém e o house nacional de Manaus apontam para uma genealogia da música eletrônica brasileira que vai além dos grandes centros urbanos do país, bem como ressaltam o papel fundamental das mãos das classes populares na construção e disseminação das inovações culturais eletrônicas no país. A música eletrônica não é um elemento estranho nas quebradas. Ao contrário, ela está no cerne de várias expressões culturais advindas das periferias, onde emergem revoluções sonoras que vão transformar a identidade local e nacional.

A música eletrônica é um território em disputa

Cada região do país desenvolve suas singularidades musicais, dando saltos criativos em experimentação com as novas tecnologias da época. O funk, por exemplo, trouxe ao repertório musical brasileiro uma gramática eletrônica cujas influências viajam do Miami Bass de 2 Live Crew até o Electro de Egyptian Lover, passando ainda pelo Techno dos alemães Kraftwerk — o pesquisador e músico Paulo Beto conta, no prefácio da biografia da banda, que os bailes do Rio de Janeiro eram o único lugar no Brasil em que a música “Boing Boom Tschak” fazia uma multidão dançar no ano de 1986, quando a faixa foi lançada. Ao mesmo tempo, o funk não contentou-se em trazer elementos de fora, mesclando os beats eletrônicos com percussões de origens afro-brasileiras que levariam a realizações únicas, como o Tamborzão.

A música eletrônica é um território em disputa. Repensar a sua história no Brasil torna-se cada vez mais urgente. Mas não como um projeto arqueológico (do tipo descobrir os fundadores, encontrar marcos do passado para torná-los peças de um museu parado no tempo), e sim como retomada de seus fundamentos para construir um futuro outro, movido pela energia das experimentações vanguardistas populares. Porque é isto que a história das aparelhagens, do dance nacional e do funk nos mostram: o pioneirismo das periferias em absorver tendências da música do mundo e, intimamente conectadas com as tecnologias, desenvolver uma forma de música diversa, disruptiva e globalizada, mas sobretudo brasileira.

'Forrozinho': o piseiro de cria dos interiores do Nordeste

 


“Puxa o fole, fi de rapariga!”: o bordão entoado pelo forrozeiro paraibano Duquinha na música “Abre a Mala e Solta o Som”, no início dos anos 2000, voltou à moda este ano. Só que agora em um cenário bem diferente. A faixa “Pique dos Malvadão”, que viralizou em páginas de vaquejada no TikTok e Instagram, resgata a voz do cantor — mas não a sanfona. Em vez do fole, a música traz vocais dos MC GW e KF cantando letras de putaria sob uma base que combina funk e forró. Essa música é do beatmaker cearense MTS no Beat e é um dos principais hits do chamado forrózinho ou xote funk, som que dominou as festas pelo interior do Nordeste, sobretudo as vaquejadas.

As vaquejadas nordestinas entraram no imaginário popular do Brasil com toadas e aboios de romantismo trágico e amor pelo campo. Ou ainda canções de forró como “Saga do Vaqueiro”, sobre as alegrias e tristezas da vida do vaqueiro. Há muitos anos, esses eventos passaram a ter grandes shows, como um verdadeiro festival que dura todo o fim de semana. Mas é por fora dos grandes palcos que a novidade do forrozinho surgiu.  

Localizada no agreste Pernambucano, Surubim é conhecida como a “capital da vaquejada”. Em setembro, a cidade recebeu a primeira edição da vaquejada após dois anos de pausa pela pandemia. No palco, apresentaram-se nomes do porte de Wesley Safadão, João Gomes e Taty Girl. Mas na parte de fora, paredões de som acumulavam-se tocando quase exclusivamente o tal forrozinho. Ali eu tive uma das experiências acústicas mais impressionantes da minha vida: três paredões, cada um tocando uma música diferente, formavam um triângulo. E no meio deles as pessoas dançavam embaladas pelo acúmulo de todas aquelas camadas sonoras. Dançavam seguindo uma massa sonora difusa e de ritmo acelerado, não uma música definida. “Na vaquejada [o forrozinho] é o que mais gera! O bicho pega de verdade, o pessoal fica tudo doido”, me conta o DJ Jeffdepl, um dos principais nomes do estilo — ao lado de MTS no Beat, DJ Mandrak Nordestino, DJ Melk e Luiz O Poderoso Chefão.

O TOQUE ELETRÔNICO

O forrozinho é uma combinação de forró e funk. Mas ela se dá não por uma mistura ou mera influência musical de um sobre o outro. Existe um compartilhamento das ferramentas e métodos de criação em programas de criação de beats (como o FL Studio) que imprimem um toque mais eletrônico e uma pressão maior no som do forrozinho. É como um piseiro de cria.

“O que os donos de som mais falam pra gente é do grave seco com o médio seco [do forrozinho]. Toca bonito quando bota pra tocar no paredão. Toca aquela batida firme, seca, que chama mais atenção que o piseiro

DJ JeFFDEPL

Antes de fazer forró, muitos dos produtores do forrozinho faziam funk. E agora aplicam várias formas de fazer funk no forró — como o uso de recortes de voz para formar uma levada rítmica, a estrutura de loops, uso de acapellas de MCs e pontos do funk. A citada “Pique dos Malvadão”, por exemplo, usa o ponto da famosa montagem funk “Teclado Lindinho 2009”. Por sua vez, o remix de “Crina Negra” (música muito tocada em quadrilhas juninas) do DJ Mandrak Nordestino utiliza vocais do MC Vuk Vuk e pequenos recortes de “Beautiful Liar” da Beyoncé e Shakira para formar a base do seu beat.

“Passei uns cinco, seis anos produzindo só funk. do jeito tradicional que o pessoal lá do funk faz, que é pegar um sample, uma acapella e fazer uma montagem. Eu tô fazendo a mesma coisa no forrozinho, só muda o ritmo”, explica o DJ Jeffdepl. Do município de Paulistana, interior do Piauí, ele tem 21 anos e produz desde os 15. Foi um dos primeiros a fazer essa levada do forrozinho. “No Maranhão foi onde estourou primeiro. O pessoal me marcava, me mandava foto, vídeo. Aqui no Nordeste —Piauí, Ceara, Maranhão — é pegando fogo, estourado”.

O DJ Jeffdepl é o responsável por um dos primeiros hits do forrozinho: uma versão de Coelhinha, da paulistana MC Pipokinha, lançada há cerca de seis meses. A música fez sucesso e chamou atenção da banda cearense A Turma da Pisadinha, que decidiu gravá-la no ritmo do DJ. A partir daí, Jeff de PL saiu enfileirando hits, como o remix de “Mágico do Som” (dos MCs WM e Lan) e “Wedewel (Tipo Tazmania)” (do MC Pequeno Diamante). Todas passam de um milhão de views em canais no YouTube — em certos canais, “Wedewel” tem até mais de 10 milhões e entrou no repertório de gigantes do forró, como Xand Avião.

O forrozinho pode ser considerado um desdobramento da pisadinha. Isso porque a pisadinha — vertente surgida em 2004 mas que ganhou força em 2020, sendo o ritmo mais ouvido no Spotify daquele ano — instaurou uma sonoridade mais eletrônica no forró. No entanto, há diferenças entre a pisadinha/piseiro e o forrozinho. Uma delas, segundo Jeff, é que o forrozinho é mais voltado para “os risca-faca” do interior. Mas a principal diferença é o seu som, especialmente destinado aos paredões.

“O que o pessoal dos paredão, dono de som automotivo mais fala pra gente é do grave seco com o médio seco. Toca bonito quando bota pra tocar no paredão. Toca aquela batida firme, seca, que chama mais atenção que o piseiro geralmente”, descreve. “O piseiro é mais aquela batida de lata, e o forrozinho é aquele som mais médio grave (o ‘tu-tu-tu’)”.

TOCANDO NOS MEMES E PAREDÕES

São dois os principais meios de divulgação do forrozinho: de um lado, os memes das páginas de forró e vaquejada no Instagram e TikTok. Do outro, os CDs/atualizadores de pen drive. Tratam-se de equipes que reúnem as músicas mais tocadas do momento e vendem em pendrives ou em pastas na nuvem, para os donos de som baixarem, tendo sempre um repertório atualizado.

“O pessoal dos CDs tem uma força muito grande. Ajudam muito na divulgação. O pessoal das páginas é mais pique rede social e o pessoal do CD é o resultado pessoalmente”, diz Jeffdepl. Ele detalha: “Exeplo: eu tô aqui e faço um CD de forrozinho. Aí eu fiz isso e repassei pro pessoal ds CDs: Load CDsBlack CDsHard CDs etc. Eles pegam as atualizações, fazem a equalização deles, botam no Sua Música e vendem. Aí eu to aqui de boa, depois de umas duas semanas escuto um carro passando tocando a música. Geralmente o cara do carro não pegou na internet, no youtube. Eles não pegaram na atualização dos caras do CD. O que mantém o forrozinho em alta é essa galera. E a galera das páginas”.

DJ Jeffdepl, do Piauí, é um dos principais nomes do forrozinho

Jeff explica que não recebe nenhuma comissão dos atualizadores de pen drive por usar suas músicas. “Prefiro receber por plataforma e show. Para mim, o que eles fazem é uma forma de divulgação. E quanto mais divulgação melhor”.

Aproveitando o momento de alta, artistas do forrozinho uniram forças na produtora Cangaço 7 Som. Criada por Jeff, a produtora foi formada há um mês e ainda está se organizando. Mas já conta com alguns dos maiores nomes da nova vertente, como MTS no Beat, DJ Melk e Luiz Poderoso Chefão. “Criei mais na intuição de unir o pessoal. Ainda não assinamos contrato com ninguém, é mais associacao”, ressalta o DJ.

Enquanto os DJs se unem, o forrozinho começa a ganhar identidade própria e conquistar o ouvido de outros artistas e de outras regiões do país. Em outubro, o DJ Jeffdepl foi a São Paulo para trabalha em estúdio com o MC Menor Diamante (a voz do hit “Wedewel/Tipo Tazmania”). A música “Senta Pros Bandido”, do paulista DJ Guuga com o paraibano Biu do Piseiro e a mineira MC Myres tem a pegada do forrozinho. E o ritmo também está presente em um novo viral do forró: “Novinha do Onlyfans (tchan ran tchan tchan)”, de Kadu Martins, além do ritmo aplica também a lógica das vinhetas. A música atualmente está na 17ª posição dos videoclipes mais acessados no YouTube Brasil.

“Muita gente fala que o forrozinho vai bater de frente com o piseiro. Acho que isso tá bem distante, mas acho que tá ficando um ritmo solo ali”, reflete o DJ Jeffdepl. “As músicas tudo viralizando, praticamente tudo que a gente solta tem tipo 20 mil [visualizações]. A gente produz todo dia, é muito conteúdo”.

FADOS do FADO...letras de fados

 



Fado do Porto ???

Manuel Alegre / João Braga
Repertório de João Braga 

No princípio de tudo era a cidade
Cinco letras de Douro e de Cristal
Um gosto de Ribeira e Liberdade
Aqui onde houve nome, Portugal

Cinco letras de pátria e de raíz
Sabem a vinho e pão quando as soletras
Cinco letras e o resto é um país
Onde o Porto de diz com cinco letras

E há Camilo a escrever perdidamente
A mão de Teresa acena por Simão
Amor de Perdição que é o que sente
Quem traz na alma o Porto e a paixão

E há um D. Pedro a passar com seu cavalo
Cinco letras de rio e de Rabelo
E quando alguém vier para cercá-lo
Verá chegar os Bravos do Mindelo

O primado das palavras

Letra de Joaquim Pessoa
Desconheço se esta letra foi gravada
Publico-a na esperança de obter informação credivel


Amor, não sei de coisa mais violenta
Que ficar de noite à tua espera
É triste como uma manhã cinzenta
Destruindo o coração da Primavera

E aqui como um pássaro deitado
Julgando ouvir na chuva a tua voz
A madrugada deita-se a meu lado
Fingindo que na terra estamos nós

Mas eu sinto chegar esta amargura
Que vem fechar-me os olhos e depois
Já nem sei se é um sono ou se é loucura
No quarto onde estou só, ficamos dois

E nada mais me importa, já não espero
Aquela que enche a noite de alegria
Então para dizer quanto te quero
Eu faço amor contigo até ser dia

Este poema foi gravado por Carlos Mendes em 1978
com o título *NOTURNO*


Paixão em flor

José Fernandes Castro / Fontes Rocha *fado dos sentidos*
Repertório de Melanie


Neste olhar apaixonado
Constante e enternecido
Bailam os versos dum fado
Que por amor, faz sentido

Bailam murmúrios secretos / Do melhor que a vida tem
Os sonhos são mais concretos / Quando se gosta d’alguém

Sonhando, vamos sentindo / Os compassos da paixão
E lá vamos dividindo / Os sopros do coração

Quando a luz da felicidade / Faz do beijo, um bem maior
Devemos dar liberdade / Aos desejos do amor



Destaque

Megaton - Megaton (1971)

  Pouco se sabe sobre o Megaton, essa banda inglesa lançou apenas um disco homônimo pela Decca em 1971. O som é um Hard rock cativante, com ...