domingo, 5 de março de 2023

MATIAS DAMÁSIO - MAGUI (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

MATIAS DAMÁSIO - MAGUI (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

Oh Magui eu sei que amor não enche barriga

Mas ignorar tudo que sinto e fiz por ti Deus castiga

Estou a te pedir de joelhos no chão

E o lamento do meu coração

Sei que não está fácil

Mas a vida vai melhorar

 

Não te iludas

com os moços que tem mestrado em mentira

Mentem que são muito ricos

Mas fazem kilapes do bairro para te iludir

 

Vale a pena eu, que divido meu pouco contigo

Fazes parte do meu agregado

Não tenho muito mas tenho emprego

E amor para te dar

 

Refrão

 

Esse mundo está cheio de ilusão

Uns parecem mas não são

Te procuram emprego tipo estão no sio

Mas quando provarem

Quendo te provarem

Vais chorar

 

Não dinheiro para gastar

Nem Joias para te dar

Só tenho uns trocos para te levar de Motoqueiro na marginal e ver o mar

 

Não te iludas

com os moços que tem mestrado em mentira

Mentem que são muito ricos

Mas fazem kilapes do bairro para te iludir

 

Vale a pena eu, que divido meu pouco contigo

Fazes parte do meu agregado

Não tenho muito mas tenho emprego

E amor para te dar

 

Refrão

 

Esse mundo está cheio de ilusão

Uns parecem mas não são

Te procuram emprego tipo estão no sio

Mas quando provarem

Quendo te provarem

Vais chorar

 

VIVA O SAMBA LISBOA, ANTÓNIO ZAMBUJO - CASTELO DE SÃO JORGE (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)


 

VIVA O SAMBA LISBOA, ANTÓNIO ZAMBUJO - CASTELO DE SÃO JORGE (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

Foi no Castelo de São Jorge

Bem ao centro de Lisboa

Que eu cantei com meu roncó

É dia e a hora de partida

Vou cantar minha despedida

Pros caminhos

Não “dá nó”

Ogum, pai

Proteja a minha volta

Iansã no vento sopra

Que é pro caldo não entornar

Hei de levar uma saudade tua

Há de ficar com uma saudade minha

Ya, hoje é dia de partida

 

Foi quando ouvi um fado em Alfama

O vadio em Coimbra

Deu vontade de ficar

Quando fui a praia de São Pedro

Sapateira e cerveja

Deu vontade de sambar

Quando vi a lusitana

Sambando de fé no meio do terreiro

Meu coração lisboeta

Gritou de saudade “Rio de Janeiro”

 

Hei de levar uma saudade tua

Há de ficar com uma saudade minha

Ya, hoje é dia de partida

 

As 100 coletâneas de rock mais vendidas de todos os tempos


Quando o LP surgiu, em 1948, ele era usado quase que exclusivamente para reunir singles de sucesso em um único título. Até o nome que o então novo formato foi batizado – LP vem de “long play” – indicava isso, informando o consumidor que aquele título era destinado para uma audição mais longa e que era diferente do consumo rápido e imediato dos singles de 7 polegadas. Em seus primeiros anos, as trilhas sonoras foram fundamentais para popularizar o LP, inicialmente em 78 rotações e 10 polegadas e, mais tarde, no formato que o consagrou, com 12 polegadas e 33 rotações por minuto.

Foi só a partir de 1955, quando Frank Sinatra lançou In the We Small Hours, que os artistas começaram a ver o LP como uma mídia diferente dos singles e passaram a conceber obras pensando na maior duração do formato. E o sucesso e influência de Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, clássicos dos Beatles que chegou às lojas em 1967, mostrou que esse era o caminho definitivo.

Como o decorrer dos anos, a indústria fonográfica retomou a ideia inicial dos LPs e passou a lançar coletâneas reunindo os grandes sucessos de um artista em um único álbum. Essa ideia deu muito certo, pois em uma era pré-música digital o ouvinte podia ter em sua casa as principais músicas de uma banda sem precisar comprar toda a sua discografia. As coletâneas se solidificaram como um formato campeão de vendas junto ao público e começaram a trazer também músicas inéditas ou versões alternativas como atrativos extras, além de compilações que reuniam não apenas os sucessos, mas também faixas raras. Isso sem falar das trilhas sonoras, que sempre se mantiveram como títulos de grande sucesso.

A pesquisa e a formatação desse artigo seguiu os mesmos padrões adotados na lista de 100 Álbuns de Rock Mais Vendidos de Todos os Tempos, tendo como principais fontes de consulta o Chart Masters e o Best Selling Albums.


Essas são as coletâneas, compilações e trilhas sonoras de rock mais vendidas de todos os tempos:

1 Eagles – Their Greatest Hits (1976) – 37,4 milhões

2 The Beatles – 1 (2000) – 33 milhões

3 Simon & Garfunkel – Greatest Hits (1972) – 31,5 milhões

4 Queen – Greatest Hits (1981) – 25,5 milhões

5 Grease Soundtrack (1978) – 25 milhões

6 Bon Jovi - Crossroads (1994) - 22,8 milhões

6 The Beatles – 1967-1970 (1973) – 22,8 milhões

8 Elton John – Greatest Hits (1974) – 22,4 milhões

9 The Beatles – 1962-1966 (1973) – 22 milhões

10 Journey – Greatest Hits (1988) – 20,5 milhões

11 Billy Joel – Greatest Hits I & II (1985) – 19,9 milhões

12 Fleetwood Mac – Greatest Hits (1988) – 19,3 milhões

12 U2 – The Best of 1980-1990 (1998) – 19,3 milhões

14 Queen – Greatest Hits II (1991) – 18,9 milhões

15 Steve Miller Band – Greatest Hits 1974-1978 (1978) – 17 milhões

16 Bruce Springsteen – Greatest Hits (1995) – 15,4 milhões

17 Creedence Clearwater Revival – Chronicle Vol. 1 (1976) – 15,1 milhões

18 The Police – Every Breath You Take (The Singles) (1986) – 14,9 milhões

19 Aerosmith – Greatest Hits (1980) – 14,5 milhões

20 Eagles – Greatest Hits Vol. 2 (1982) – 14,4 milhões

21 Phil Collins - ... Hits (1998) – 13,6 milhões

21 Eric Clapton – Time Pieces: The Best of Eric Clapton (1982) – 13,6 milhões

21 Guns N’ Roses – Greatest Hits (2004) – 13,6 milhões

24 Elvis Presley – Elvis 30 #1 Hits (2002) – 13,4 milhões

25 Santana – Greatest Hits (1974) – 13,4 milhões

26 Tom Petty & The Heartbreakers – Greatest Hits (1993) – 13 milhões

27 Bob Dylan – Greatest Hits (1967) – 12,8 milhões

27 The Rolling Stones – Hot Rocks 1964-1971 (1971) – 12,8 milhões

29 Top Gun Soundtrack (1986) – 12,2 milhões

30 The Doobie Brothers – Best of The Doobies (1976) – 12 milhões

31 Footloose Soundtrack (1984) – 11,8 milhões

31 Elton John – The Very Best of Elton John (1990) – 11,8 milhões

33 Aerosmith – Big Ones (1994) – 10,8 milhões

34 Dire Straits – Money for Nothing (1988) – 10,7 milhões

35 Bob Seger – Greatest Hits (1994) – 10,5 milhões

35 Elton John – Love Songs (1995) – 10,5 milhões

37 The Doors – The Best of The Doors (1985) – 10,4, milhões

38 Lenny Kravitz – Greatest Hits (2000) – 10 milhões

39 Rod Stewart – Greatest Hits Vol. 1 (1979) – 9,9 milhões

40 Janis Joplin – Greatest Hits (1973) – 9,6 milhões

40 John Lennon – The John Lennon Collection (1982) – 9,6 milhões

42 AC/DC – Who Made Who (1986) – 9 milhões

43 Elvis Presley – Elvis’ Golden Records (1958) – 8,8 milhões

44 The Beatles – Anthology 1 (1995) – 8,8 milhões

45 Eric Clapton – The Cream of Eric Clapton (1994) – 8,7 milhões

45 Red Hot Chili Peppers – Greatest Hits (2003) – 8,7 milhões

47 The Doors – Greatest Hits (1980) – 8,6 milhões

48 Forrest Gump Soundtrack (1994) – 8,5 milhões

49 Rod Stewart – The Best of Rod Stewart (1989) – 8,1 milhões

50 Nirvana – Nirvana (2002) – 7,7 milhões

51 The Jimi Hendrix Experience – Smash Hits (1968) – 7,5 milhões

52 Eric Clapton – Clapton Chronicles: The Best of Eric Clapton (1999) – 7,4 milhões

52 Foreigner – Records (1982) – 7,4 milhões

52 Pink Floyd – Echoes: The Best of Pink Floyd (2001) – 7,4 milhões

52 U2 – The Best 1990-2000 (2002) – 7,4 milhões

56 Van Halen – Best of Volume I (1996) – 7,2 milhões

57 City of Angels Soundtrack (1989) – 7,1 milhões

57 Jimi Hendrix – Experience Hendrix (1997) – 7,1 milhões

57 Paul McCartney – All the Best! (1987) – 7,1 milhões

60 America – Greatest Hits (1975) – 7 milhões

61 Chicago – Greatest Hits (1975) – 6,9 milhões

61 John Lennon – Lennon Legend: The Very Best of John Lennon (1997) – 6,9 milhões

61 The Rolling Stones – Jump Back: The Best of The Rolling Stones (1993) – 6,9 milhões

64 Elton John – Greatest Hits Volume II (1977) – 6,8 milhões

64 Elton John – Greatest Hits 1970-2002 (2002) – 6,8 milhões

64 Pulp Fiction Soundtrack (1994) – 6,8 milhões

67 R.E.M. – In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003 (2003) – 6,6 milhões

67 The Rolling Stones – Big Hits (High Tide and Green Grass) (1966) – 6,6 milhões

69 The Cars – Greatest Hits (1985) – 6,4 milhões

69 Van Morrison – The Best of Van Morrison (1990) – 6,4 milhões

69 ZZ Top – Greatest Hits (1992) – 6,4 milhões

72 Led Zeppelin – Remasters (1990) – 6,3 milhões

72 Supertramp – The Very Best of Supertramp (1989) – 6,3 milhões

74 Def Leppard – Vault: Def Leppard Greatest Hits (1995) – 6,2 milhões

75 Fleetwood Mac – The Very Best of Fleetwood Mac (2002) – 6,1 milhões

76 Dire Straits – Sultans of Swing: The Very Best of Dire Straits (1998) – 6 milhões

76 The Rolling Stones – Through the Past, Darkly (Big Hits Vol. 2) (1969) – 6 milhões

78 David Bowie – Best of Bowie (2002) – 5,9 milhões

78 Rod Stewart – The Story So Far: The Very Best of Rod Stewart (2001) – 5,9 milhões

80 Chicago – Greatest Hits 1982-1989 (1989) – 5,8 milhões

80 Cocktail Sountrack (1988) – 5,8 milhões

82 Eagles – The Complete Greatest Hits (2003) – 5,7 milhões

82 Green Day – International Superhits! (2001) – 5,7 milhões

82 Jimi Hendrix – The Ultimate Experience (1992) – 5,7 milhões

82 Led Zeppelin – Mothership (2007) – 5,7 milhões

82 Simon & Garfunkel – The Definitive Simon & Garfunkel (1992) – 5,7 milhões

87 U2 – 18 Singles (2006) – 5,6 milhões

88 Armageddon Sountrack (1998) – 5,4 milhões

89 Lynyrd Skynyrd – Skynyrd’s Innyrds (1989) – 5,3 milhões

89 Simon & Garfunkel – Collection (1981) – 5,3 milhões

89 The Beatles – Hey Jude (1970) – 5,3 milhões

92 No Doubt – The Singles 1992-2003 (2003) – 5,2 milhões

93 Bob Dylan – Greatest Hits 2 (1971) – 5 milhões

93 David Bowie – ChangesBowie (1990) – 5 milhões

95 Pink Floyd – A Collection of Great Dance Songs (1981) – 4,7 milhões

96 Queen – Classic Queen (1992) – 4,6 milhões

96 The Police – Greatest Hits (1992) – 4,6 milhões

98 Electric Light Orchestra – ELO’s Greatest Hits (1979) – 4,5 milhões

99 Boston – Greatest Hits (1997) – 4,4 milhões

100 Red Hot Chili Peppers – What Hits!? (1992) – 4,3 milhões


Algumas curiosidades sobre o resultado final da lista: a banda como o maior número de coletâneas entre as 100 mais vendidas de todos os tempos foi os Beatles, empatados com Elton John, ambos com cinco títulos. A seguir tivemos os Rolling Stones, com quatro álbuns, seguidos por Eagles, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Queen, Rod Stewart, Simon & Garfunkel e U2, todos com três álbuns na lista.

Os Beatles colocaram três de suas coletâneas entre as dez mais vendidas da história, reafirmando o seu impacto na indústria fonográfica. E bandas lendárias que não conseguiram entrar ou não tiveram destaque na lista dos 100 álbuns de rock mais vendidos de todos os tempos, acabaram se destacando aqui, como foi o caso dos Stones, do Queen e dos geniais Eric Clapton e Jimi Hendrix. 

Review: Satan’s Fall – Final Day (2020, relançamento 2021)

 


O Satan’s Fall vem da Finlândia e lançou o seu disco de estreia, Final Day, em 2020. O álbum recebeu uma bela edição brasileira em slipcase pela Hellion Records em 2021 e traz a banda fazendo um metal clássico cujas principais influências são Judas Priest, Iron Maiden e Helloween.

O CD traz oito músicas, a maioria com andamentos rápidos que beiram o speed metal. É possível identificar claramente elementos do Helloween dos primeiros anos, intensificados pela semelhança do timbre do vocalista Miika Kokko com Kai Hansen. As guitarras despejam solos e harmonias sem timidez, e as músicas exploram um heavy metal repleto de melodia e com doses certeiras de agressividade.

“Forever Blind”, “They Come Alive”, “Retribution” e “Juggernaut” são os destaques de um disco coeso e que tem tudo para agradar uma grande parcela de fãs de metal.



Review: Noturnall – Cosmic Redemption (2023)

 


Em muitos aspectos, o Noturnall é uma espécie de continuação do Adrenaline Mob, supergrupo formado em 2011 por Russell Allen (vocalista do Symphony X), Mike Orlando (guitarrista pra lá de técnico e referência no instrumento) e Mike Portnoy (no seu primeiro projeto após a saída do Dream Theater). Também passaram pelo quarteto nomes como John Moyer (baixista do Disturbed), A.J. Pero (baterista do Twisted Sister) e David Z. (baixista que acabou falecendo no acidente sofrido pela banda em 2017 e que levou ao fim do grupo). Orlando então juntou forças com a banda brasileira Noturnall participando da faixa “Wake Up!”, presente no terceiro disco dos caras – 9 (2017) – e entrou definitivamente em 2018. 

O Noturnall, que surgiu do fim da segunda encarnação do Shaman, sempre primou por um som super técnico e que conversava com influências mais contemporâneas, e essa característica se intensificou ainda mais com a chegada de Mike Orlando, como mostrou o ao vivo Made in Russia (2020) e fica comprovado de vez no novo trabalho, Cosmic Redemption. E aqui vai uma informação importante: Mike Orlando gravou o disco ao lado de Thiago Bianchi (vocal), Saulo Xakol (baixo) e Henrique Pucci (bateria), mas deixou o quarteto no final de 2022. A solução foi caseira: Leo Mancini, guitarrista original, retornou ao posto.

Cosmic Redemption traz dez canções e foi produzido por Bianchi e Orlando. O disco conta com as participações especiais de Mike Portnoy (em “Scream! For!! Me!!!”), David Ellefson (em “Take Control”) e Ney Matogrosso (em uma versão para “O Tempo Não Para”, de Cazuza), além de Michael Romeo (guitarrista do Symphony X), responsável pela condução das partes orquestradas e dos coros de “Shadows (Walking Through”). O álbum foi lançado apenas em CD em um ato de valorização da mídia física, e até o momento da publicação deste review ainda não está disponível nos streamings de música.

Impressiona a musicalidade apresentada pelo Noturnall em Cosmic Redemption. O trabalho é super pesado, unindo a abordagem mais groove de Orlando com o background power e prog metal de Bianchi, Xakol e Pucci, e o resultado é o melhor disco da banda brasileira até o momento. Épico sem soar exagerado e intrincado sem parecer intransponível, o álbum retrata a maturidade de um grupo de músicos que sempre primou pelo absoluto domínio de seus instrumentos, e que aqui conseguiu soar, além de impressionante, também bastante cativante.

O tracklist é forte e traz vários destaques. “Try Harder”, a música de abertura, é um ótimo cartão de visitas do que virá a seguir. “Reset the Game” traz Mike Orlando com o modo shred ativado e levando toda a banda junto na mesma pegada. O groove dá o tom em “Lie to You”, que tem tudo pra funcionar muito bem ao vivo, enquanto “Shallow Grave” é uma das melhores do álbum e traz o baterista Henrique Pucci mostrando porque é um dos melhores nomes brasileiros do instrumento. O clima dá uma acalmada com a bonita “Shadows (Walking Through)”, onde os belos arranjos orquestrais fazem toda a diferença. Baldes de melodia carregam a música que batiza o disco, a que mais se aproxima do power metal. Já “Scream! For!! Me!!!” é um exercício extremo em todos os sentidos, dos vocais de Bianchi à bateria de Portnoy. A pesada e necessária versão para “O Tempo Não Para” soa super atual, com um interessante contraste entre os timbres de Thiago e Ney Matogrosso. O disco retoma o peso com “Take Control” – que traz Dave Ellefson no baixo – e fecha com “The Great Filter”, essa última soando um pouco abaixo do restante das faixas.

Individualmente o destaque vai para Thiago Bianchi, que além de ter se tornado um produtor de mão cheia também evoluiu muito como vocalista, e hoje soa muito mais maduro na função. A bateria de Henrique Pucci também é um dos pontos altos do disco, principalmente para quem é fã do instrumento, como é o meu caso.

Cosmic Redemption é um senhor álbum, com uma sonoridade que vai muito além do que estamos acostumados encontrar em um trabalho de uma banda brasileira. O disco soa moderno e contemporâneo, e, acima de tudo, entrega grandes canções para quem curte um som pesado e que tem como principais características a técnica e o virtuosismo.


Review: Kiss My Ass – Classic Kiss Regrooved (1994)

 


Um dos primeiros e mais legais discos tributo foi Kiss My Ass: Classic Kiss Regrooved. O álbum foi lançado em junho de 1994, alguns meses antes de outro título com a mesma proposta e também adorado pelos fãs, o ótimo Nativity in Black: A Tribute to Black Sabbath. A ideia da gravadora Mercury foi celebrar os vinte anos do primeiro álbum do Kiss, que surgiu em Nova York em 1973 e teve a sua estreia autointitulada lançada em 18 de fevereiro de 1974.

Uma curiosidade interessante é que a banda não conseguiu se acertar a tempo com Ace Frehley sobre os direitos da sua maquiagem – que mais tarde seriam adquiridos pelo grupo e passaria a ser usada por Tommy Thayer -, e a solução foi utilizar uma variação da maquiagem original de Paul Stanley, conhecida como Bandit, no rosto do menino que estampa a capa. E pra quem curte essas minúcias, por pressão de lojistas mais conservadores o título de algumas edições foi alterado para uma variação menos agressiva, utilizando a grafia Kiss My A**. Para os colecionadores, é importante mencionar que as edições canadense, japonesa e australiana tiveram a bandeira norte-americana substituída pela dos respectivos países.

A banda fez uma turnê promovendo o tributo, chamada Kiss My Ass Tour, que teve uma data no Brasil em 27 de agosto de 1994, com o Kiss sendo o headliner da primeira edição do festival Monsters of Rock, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, e que contou também com Slayer, Black Sabbath, Suicidal Tendencies, Viper, Angra, Dr. Sin e Raimundos. Em uma entrevista para a MTV promovendo o show, o repórter mostrou a edição nacional de Kiss My Ass para Gene Simmons, que ficou p... da vida com a gravadora nacional, a Polygram, que não lançou a versão nacional com o mesmo encarte da original norte-americana, muito mais completo.

Musicalmente, o que temos é uma celebração ao legado do Kiss, com onze releituras para clássicos do quarteto feitas por nomes como Lenny Kravitz, Garth Brooks, Anthrax, Gin Blossoms, Dinousaur Jr., Extreme, The Lemonheads e outros, além de uma faixa bônus com a versão em alemão para “Unholy” tocada pelo Die Arzte. O resultado é um dos mais convincentes em se tratando de discos tributo, que possuem a tendência a serem irregulares.

O álbum já abre com uma releitura sensacional e pra lá de funkeada (ou “regroovada”, fazendo uma alusão ao título) de Lenny Kravitz para “Deuce”, com direito a Stevie Wonder na harmônica. Garth Brooks intensifica o acento country que sempre esteve presente em “Hard Luck Woman” e leva a canção de vez para o interior dos Estados Unidos em uma versão excelente. O Anthrax, na época com John Bush no vocal, pesa a mão – no bom sentido – em “She”, enquanto o Gim Blossoms entrega uma competente interpretação para “Christine Sixteen”, com direito a harmonias de guitarra que remetem diretamente ao southern rock.

Uma das grandes surpresas de Kiss My Ass é a inesperada versão country para “Rock and Roll All Nite” feita pelo Toad The Wet Sprocket, banda alternativa californiana que aqui explora um caminho inusitado e alcança um excelente resultado. Já o Shandi’s Addiction - supergrupo formado por Maynard James Keenan (vocalista do Tool), Tom Morello (guitarrista do Rage Against the Machine), Billy Gould (baixista do Faith No More) e Brad Wilk (baterista do Rage Against the Machine) – se destaca não apenas pelos nomes envolvidos, mas também pela competente versão para “Calling Dr. Love”.

Um dos momentos mais altos do tracklist é a ótima releitura de “Goin’ Blind” pelo Dinosaur Jr., com os característicos vocais manhosos de J Mascis dando um ar todo especial para a versão. O Extreme vem a seguir com uma desconstruída interpretação para “Strutter”, com citação da clássica “Shout It Out Loud”. O The Lemonheads, outro grande nome do rock alternativo da década de 1990, faz bonito em “Plaster Caster”. E o The Mighty Mighty Bosstones, combo ska punk de Boston, turbina “Detroit Rock City” com um naipe de metais e dá a sua cara própria a um dos maiores clássicos do Kiss. O disco se encerra com uma bela releitura sinfônica de “Black Diamond” feita por Yoshiki Hayashi, compositor e produtor japonês e que também é líder, fundador, tecladista, pianista e baterista do X Japan, uma das maiores bandas do país do sol nascente. A música bônus, com o trio alemão Die Ärzte cantado “Unholy” em sua língua natal, funciona mais como uma curiosidade do que como algo que agregue ao tracklist principal.

Kiss My Ass ganhou Disco de Ouro nos Estados Unidos e chegou à posição 19 do Billboard 200. O álbum é não apenas um dos grandes discos tributo da história, mas também uma das pérolas perdidas da década de 1990.

Tá prontinho pra ser redescoberto nos streamings, é só apertar o play.


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