Não tem muito tempo que Timo Tolkki anunciou em suas redes que estava promovendo uma turnê acústica pela América Latina e que, para esquentar a chapa e muito provavelmente capitalizar, iria lançar um álbum acústico contendo seus maiores sucessos no quesito "baladas". Com isso, foi para estúdio com o vocalista Alessandro Conti, seu mais recente parceiro musical, e juntos registraram nove faixas. Vamos falar um pouco sobre elas.
Temos aqui um disco que foi lançado pelo esquema "pague o que quiser". Quem segue Tolkki já sabe de seu descontentamento com a indústria atual, usando esse fator como incentivo para tentar vender seu trabalho diretamente ao fã. E parece que vem dando resultado. Suas turnês mais recentes vêm mostrando um novo interesse pela sua música, mesmo estando há um bom tempo sem lançar um trabalho marcante como os lançados junto ao Stratovarius. "Renaissance Acoustica" soa bem, um trabalho com bom som de violão e um vocalista competente, embora com algumas semitonadas evidentes demais para um trabalho de nível profissional. Ou o cantor grava até acertar ou tem que partir para o autotune. O que soar natural, tudo bem, mas em alguns momentos parece desafinação mesmo, o que acontece muito em sessões de estúdio. Não existe perfeição quando há o fator humano. Timo vai bem nos solos de guitarras, embora seja claro em alguns momentos que uma guitarra mais clean no estilo Gilmour teria se encaixado melhor do que a distorcida. Mas é nítido que tentou fazer algo diferente para não soar repetitivo.
Com algumas faixas funcionando melhor do que as outras neste formado, destacam-se "Forever", "The Land of Ice and Snow", "Celestial Dream" e "Coming Home". Na contramão, "Key to the Universe 2023" e "Season of Faith’s Perfection" não deram muito certo.
Falando em "Key To The Universe", o disco deveria vir acompanhado de três faixas bônus: a já citada e "Are You The One", ambas do disco solo de Tolkki, "Hymm To Life", além de "Lord Of The Rings", do álbum "Classical Variations and Other Themes". Mas, a versão que comprei veio simplesmente com 2 músicas iguais, as 2 versões acústicas de "Key to the Universe 2023", ao invés da nova e da antiga. Vai entender...
Finalizo destacando a maravilhosa arte de capa e mais uma vez a dedicação de Alessandro Conti. É nítido que tem talento, um belo timbre e que se esforçou bastante.
O resultado ficou muito bom, mas fica o questionamento quanto à relevância desse trabalho. Espero ver um disco novo de Tolkki nos moldes antigos em breve. De preferência algo da época do "Dreamspace". Aí sim o negócio vai ficar bom.
Ficha técnica:
Tracklist:
4000 Rainy Nights
Forever
The Land of Ice and Snow
Season of Faith’s Perfection
Before the Winter
Celestial Dream
Winter
Coming Home
Key to the Universe 2023
Bonus Tracks:
Key to the Universe (from Hymn to Life vocals feat. Michael Kiske)
Are you the one? (from Hymn to Life vocals feat. Sharon Den Adel)
Lord of the Rings (from the album Classical Variations and Other Themes)
Acoustic Guitars recorded by Santtu Lehtiniemi
Acoustic Electric Guitars recorded by Timo Tolkki
Vocals Recorded by Guido Benedetti
Mixed and Mastered by Timo Tolkki at Shangri-La Studio in Helsinki Finland in December 2022 – February 2023.
Vocals: Alessandro Conti
Keyboards: Akseli Kaasalainen
Guitars: Timo Tolkki
Quem poderia imaginar que um dos maiores fenômenos da música pop dos anos 1980 viria da fria Noruega? É bem verdade que não era uma novidade um artista da oriundo da região da Escandinávia se tornar uma estrala da música pop mundial. Na década de 1970, o quarteto sueco Abba estourou no mundo interior, emplacou dezenas de hits, vendeu milhões discos e provou que era possível ser astro da música pop internacional sem necessariamente ser britânico ou norte-americano. Contudo, embora sueco, o Abba só conseguiu conquistar o mundo cantando em inglês. Ao focar na carreira internacional, o quarteto optou em lançar seus álbuns em inglês e não em sueco. Os álbuns no idioma sueco ficaram restritos à terra natal do quarteto. Para quem almeja disputar o competitivo mercado da música pop internacional, o inglês ainda é idioma indispensável.
O A-ha parece ter aprendido a receita com o Abba. Desde que Morten Harket (vocal), Paul Waaktaar (guitarra e vocais de apoio) e Magne Furuholmen (teclado e vocais de apoio) formaram o A-ha, em 1982, em Oslo, na Noruega, os três direcionaram a carreira da banda para o mercado pop internacional da música. Abriram mão de gravar suas canções na língua de sua terra natal, o norueguês, e só compunham em inglês. Obstinados, ainda em 1982, sem nem mesmo ter feito um show se quer, partiram para Londres em busca de gravadoras. Nada conseguiram e retornam para a Noruega.
A-ha no início da carreira.
Numa nova tentativa em Londres, conseguem um contrato com a Warner. Por volta de maio de 1984, entraram nos estúdios Eel Pie para gravar boa parte do material para o primeiro álbum. No final de 1984, sob produção de Tony Mansfield, o A-ha lançou o seu primeiro single, “Take On Me”, uma canção que na verdade nasceu de uma outra, “The Juicy Fruit Song”, composta na época em que Paul e Magne tinham uma outra banda antes do A-ha, a Bridges. Depois que o A-ha foi montado, a canção foi rebatizada para “Lesson One” e que após algumas mudanças na letra e nos arranjos, foi rebatizada para “Take On Me”.
O single teve um bom desempenho na Noruega, alcançando o 3º lugar, mas pífio no Reino Unido, onde ficou 137º lugar na parada de singles. Acreditando no potencial da banda e da canção, a matriz da Warner, nos Estados Unidos, decidiu intervir: investiu tempo e dinheiro para que a banda regravasse “Take On Me”, agora com a produção de Alan Tarney que deu a aparência que nós conhecemos. Mesmo com uma nova produção, “Take On Me” fracassou novamente no Reino Unido, e a culpa teria sido da filial britânica da Warner que pouco teria se empenhado em promover o single.
Apesar do novo fracasso comercial do single, a gravadora acreditava no potencial da banda e da canção, e decidiu fazer um investimento mais agressivo. Além de fazer com que a banda regravasse “Take On Me”, foi produzido um novo videoclipe, agora com uma linguagem mais inovadora, em que unia animação e pessoas reais. O objetivo era não só a conquista do mercado britânico, mas também algo mais ambicioso, o mercado norte-americano. A direção do videoclipe foi de Steve Barron, diretor que já havia dirigido videoclipes de grandes sucessos da música pop como “Don't You Want Me” (The Human League), “Hold Me” (Fleetwood Mac), “Africa” (Toto), “Baby Jane” (Rod Stewart), “Billie Jean” (Michael Jackson) entre outros. Barron se consagraria depois no cinema, dirigindo filmes como os da franquia Tartarugas Ninjas.
Morten Harket, o produtor Tony Mansfield, Magne Furuholmen e Paul Waaktaar, em 1984, durante as gravações do álbum Hunting High And Low..
Batizado de Hunting High And Low, o álbum de estreia do A-ha foi lançado em 1º de junho de 1985. Musicalmente, Hunting High And Low é um álbum de synthpop que reflete a sua época. Embora possa soar datado, o álbum é recheado de canções de apelo comercial capazes de encantar gerações que vieram posteriormente ao seu lançamento. As baladas românticas e as canções dançantes embaladas pelos sintetizadores de Magne Furuholmen, e o canto cheio de falsetes de Morten Harket se tornaram elementos que marcariam o som do A-ha. Esse padrão que marcaria a música do trio norueguês foi estabelecido já neste seu primeiro álbum, e que se repetiria nos álbuns posteriores.
No mês seguinte ao lançamento do álbum de estreia, foi lançado nos Estados Unidos o single de “Take On Me”, a versão produzida por Alan Tarney e que se tornaria a mais famosa. Ao mesmo tempo, o novo e inovador videoclipe de “Take On Me” estreava na MTV norte-americana causando um impacto instantâneo nos espectadores. Em pouco tempo, o videoclipe já figurava entre os mais exibidos naquela emissora, o que contribuiu não só para alavancar as vendas do single como também do álbum e a tornar o trio norueguês mais conhecido. Nos Estados Unidos, o single de “Take On Me” alcançou o 1º lugar na Billboard 200, em outro de 1985. No Reino Unido, o single chegou ao 2º lugar, e na Noruega, a pátria do A-ha, alcançou o 1º lugar.
E é “Take On Me” quem abre o álbum Hunting High And Low. A primeira versão produzida de “Take On Me” por Tony Mansfield, tinha semelhanças com a versão produzida por Alan Tarney. Só que a versão produzida por Mansfield era mais “raquítica”. A versão produzida por Tarney e que se consagrou mundialmente, tem uma produção mais robusta, mais “turbinada”, melhor acabada. “Take On Me” é um synthpop dançante e com uma letra romântica sobre um jovem apaixonado por uma garota e que está de partida. A garota só tem dois dias para se decidir se quer seguir com ele ou ficar e talvez nunca mais vê-lo. Em “Take On Me”, Morten Harket faz uso de seu falsete no refrão, atingindo notas altíssimas. O videoclipe inovador unindo animação e pessoas reais, ajudou a impulsionar as vendas do single da música que atingiu a marca de 9 milhões de cópias em todo o mundo.
Morten Harket numa das cenas do videoclipe de "Take On Me".
Na sequência, outro synthpop dançante, “Train Of Thought”, cuja letra teria sido inspirada nas obras de Gunvor Hofmo, Knut Hamsun e Fyodor Dostoevsky, autores existencialistas que Pål Waaktaar costumava ler. “Train Of Thought” possui um curioso som de flauta pan certamente produzido por sintetizador. O single de “Train Of Thought” foi terceiro extraído do álbum, que no Reino Unido chegou ao 3º lugar, e em todo o mundo vendeu cerca de 500 mil cópias. Assim como o videoclipe de “Take On Me”, o de “Train Of Thought” também combina animação e pessoas reais.
“Hunting High And Low”, faixa que dá nome ao álbum, é uma linda balada que na sua primeira parte, possui uma discretíssima inclinação para bossa nova na sua levada rítmica. A canção é sobre um homem que sai em busca da mulher que ama incessantemente, não importando a distância e nem o lugar.
Com uma batida percussiva eletrônica persiste por toda a faixa, “The Blue Sky” possui um refrão “grudento” e bem repetitivo. Fechando o lado A do álbum em sua versão LP, “Living A Boy’s Adventure Tale”, cuja base instrumental é “forrada” por uma sonoridade fria dos sintetizadores de Magne Furuholmen, e que ainda traz um falsete fantástico de Morten no final da faixa.
Gunvor Hofmo, Knut Hamsun e Fyodor Dostoevsky: inspirações para a canção "Train Of Thought".
O lado B começa com “The Sun Always Shines On TV”, um dos melhores momentos do álbum. A música começa suavemente, com Morten cantando os primeiros versos. Mais adiante, a música ganha um ritmo pop rock acelerado em que guitarras, sintetizadores e bateria criam uma parede sonora bastante coesa. O videoclipe de “The Sun Always Shines On TV” começa com um trecho do videoclipe de “Take On Me”, o primeiro single do álbum, e foi filmado numa antiga igreja gótica no subúrbio de Londres, em que a banda aparece em meio a dezenas de manequins. “The Sun Always Shines On TV” foi o segundo single do álbum. Chegou ao 1º lugar no Reino Unido em janeiro de 1986, e vendeu em todo o mundo mais de 5 milhões de cópias. Segue depois a delicada “And You Tell Me”, uma balada curta de quase dois minutos.
O ritmo volta a ficar empolgante com “Love Is Reason”, outra faixa do álbum que fez grande sucesso, embora não tenha ganhado um videoclipe. “Love Is Reason” é um synthpop dançante, radiofônico, e é claro, romântico: Morten canta que morrerá só de pensar que poderá perder o coração de sua amada. Na faixa seguinte, “I Dream Myself Alive” o ritmo alegre da música contrasta com os versos desesperados. A angustiante “Here I Stand And Face The Rain” encerra o álbum.
A-ha em 1985, ano de lançamento do álbum Hunting High And Low.
Hunting High And Low foi um dos mais bem-sucedidos álbuns de estreia da música pop em todos os tempos. Amparado em canções com forte apelo comercial, videoclipes muito bem produzidos e evidentemente, em três integrantes carismáticos, Hunting High And Low alcançou marcas sensacionais para um álbum de estreia. Na Noruega, não foi surpresa Hunting High And Low chegar ao 1º lugar da parada de álbuns. No Reino Unido chegou ao 2º lugar, enquanto que nos Estados Unidos, o álbum chegou apenas ao 15º lugar. O álbum rendeu cinco singles (“Take On Me”, “Love Is Reason”, “The Sun Always Shine On TV”, “Train Of Thought” e “Hunting High And Low”).
Ao todo, Hunting High And Low vendeu pouco mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo. Somente nos Estados Unidos, o álbum vendeu 1 milhão de cópias, conquistando assim um disco de platina. No Reino Unido chegou à marca de 900 mil cópias (3 discos de platina), e na Noruega, pouco mais de 220 mil cópias vendidas.
Além do ótimo desempenho comercial com Hunting High And Low, o A-ha conquistou prêmios, como os fantásticos oito prêmios MTV Video Music Awards, em 1986; seis pelo videoclipe de “Take On Me” (“Melhor Artista Revelação”, “Melhor Vídeo-conceito”, “Melhor Vídeo Experimental”, “Melhor Direção”, “Melhor Efeitos Especiais” e “Escolha da Audiência”) e dois pelo videoclipe de “The Sun Always Shine On TV” (“Melhor Edição” e “Melhor Cinematografia”).
Em junho de 1986, um ano após o lançamento de Hunting High And Low, o A-há iniciou a sua primeira turnê mundial. E não só isso, por incrível que pareça, apesar de quatro anos de carreira, o A-ha iria se apresentar ao vivo pela primeira vez, e logo numa turnê internacional. A turnê passou pela Austrália, Japão, Canadá, Estados Unidos, Áustria, Suíça, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Reino Unido e Noruega. Durante a turnê, o trio norueguês lançou o seu segundo álbum de estúdio, Scoundrel Days, em outubro de 1986. Depois de 171 shows e 113 cidades, a turnê se encerrou em fevereiro de 1987.
Faixas
Todas as faixas são escritas por Pål Waaktaar , exceto onde indicado.
Lado 1
"Take On Me" (Waaktaar/Furuholmen/Harket)
"Train Of Thought"
"Hunting High and Low"
"The Blue Sky"
"Living A Boy's Adventure Tale" (Waaktaar/Harket)
Lado 2
"The Sun Always Shines on T.V."
"And You Tell Me"
"Love Is Reason" (Waaktaar/Furuholmen)
"I Dream Myself Alive" (Waaktaar/Furuholmen)
"Here I Stand And Face The Rain"
A-ha: Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (sintetizadores e vocais de apoio) Paul Waaktaar (guitarra, vocais de apoio e programações de bateria)
Duo chileno Genemi lança novo EP "Celeste" e desembarca no Brasil em março com sua turnê
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Guiados por sentimentos distorcidos, Valentina Mardones & Plinio Verna formam o duo Genemi, no Chile em 2021. "Os sonhos punk" do duo emergem do estudo contínuo de encontros súbitos na chamada zona quente de OVNIs austrais (53*S 70*'O.). Após as primeiras composições, em abril de 2022 embarcaram numa viagem musical sem volta, desenraizando-se e lançando-se ao mundo, tocando nas ruas, enquanto compõe e coleta ideias que são sua formação musical atual.
Depois de passarem pela Bélgica e França, hoje desembarcam no México, onde estão sendo lançadas suas primeiras referências EP "Celeste" pela SilencioEPI e seu primeiro trabalho de longa duração "Cintas Raras'' pela lendária gravadora underground Luna Negra. Agora seu destino é um mistério, até para eles, as distâncias pelo mundo se tornaram relativas e sua música e expressão poética também.
A banda desembarca no Brasil para três shows nas seguintes datas e locais: Rio de Janeiro 03/04 na Ble gallery & Art, Rio de Janeiro 23/03 na Audio Rebel (20H) e São Paulo no dia 24/03 com local ainda confirmar.
Escute "Celeste": silencioepi.bandcamp.com/album/celeste.
Crosby, Stills & Nash é o disco de estreia e homônimo do trio de folk americano, lançado em 1969 e cravado na história como um álbum fundamental para todos os fãs do estilo. A combinação do estilo potente e presente da voz de David Crosby, da criatividade e destreza de Stephen Stills e a faceta mais pop de Graham Nash, resultou em um acerto cirúrgico e muito próximo da perfeição.
Com o folk e as harmonias vocais em primeiro plano, o disco traz também um pouco de blues e um direcionamento levemente rock, assim como umas melodias que nos remetem ao jazz. Apesar de ser um projeto em trio, cada músico tomou a dianteira em suas composições, ficando como responsável pela liderança vocal e também pelo registro dos instrumentos musicais, fato este que também se tornaria um embrião para os conflitos no futuro. Ademais, essa mistura de criadores fez com que o disco seguisse uma linha diversa, mas coesa.
O grupo foi formado em 1968, após Crosby, Stills e Nash perceberem o quanto soavam bem juntos. Crosby tinha deixado o The Byrds no ano anterior; a banda de Stills, Buffalo Springfield, tinha se separado no início de 1968 e Nash deixou o The Hollies também em um período próximo. Com os planetas se encaixando e uma grande oportunidade adiante, assinaram um contrato com a Atlantic Records e explodiram. Conseguiram levar o Grammy de "Best New Artist" do ano de 1970, além de emplacar diversos hits.
É muito difícil enumerar destaques aqui. Abrindo com a longa porém lindíssima "Suite: Judy Blue Eyes", a faixa segue como cartão de visitas do grupo, mesmo após 50 anos de existência. "Marrakesh Express" traz uma pegada country que empolga e "Guinnevere", composta por Crosby, nos remete ao som de Simon And Garfunkel. "Lady of the Island" segue o mesmo caminho. "You Don't Have to Cry" e "Helplessly Hoping" são simplesmente maravilhosas em suas melodias folk extremamente acessíveis. Por fim, o lado blues rock é explorado deliciosamente em "Wooden Ships", "Pre-Road Downs", que conta com vocais de apoio de Mama Cass, e principalmente "Long Time Gone", uma das minhas favoritas. Adoro esse blues rock mais denso igual John Lennon fez no "White Album" dos Beatles e que foi muito explorado na década de setenta. Faltou falar de "49 Bye-Byes", que é mais pop e muito agradável de se curtir.
Tracklist preciso, bem feito, bem executado, bem cantado e completamente inesquecível. Um disco cravado na história como referência para o folk e para a história da música em geral.
RIP David Crosby.
Tracklist:
Suite: Judy Blue Eyes 7:22
Marrakesh Express 2:36
Guinnevere 4:43
You Don't Have To Cry 2:43
Pre-Road Downs 2:59
Wooden Ships 5:22
Lady Of The Island 2:36
Helplessly Hoping 2:37
Long Time Gone 4:17
49 Bye-Byes 5:15
Participações:
Dallas Taylor – drums on "Suite: Judy Blue Eyes", "Pre-Road Downs," "Wooden Ships," "Long Time Gone," and "49 Bye-Byes"
Jim Gordon – drums on "Marrakesh Express"
Cass Elliot - backing vocals on "Pre-Road Downs"
Bones:Dreaming lança Acid Meditations, álbum é uma jornada em uma série de paisagens sonoras
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Acid Meditations é a segunda parte do projeto Bones:Dreaming. Reunindo uma variedade de máquinas, botões e controles deslizantes ao seu redor, Mike deixa as máquinas falarem mais uma vez.
Muito experimental e às vezes difícil de ouvir, Acid Meditations aguarda com drones que soam alienígenas, ruídos industriais fortes, demônios cantando, um demônio furioso e prados cheios de estranhos sons matinais. Bem-vindo a mais um dia no labirinto de uma mente psicodélica!
Cada faixa é um universo à parte e foi pensada para levar o ouvinte a um filme de olhos fechados. Uma trilha sonora para seus medos e esperanças, seus sonhos e horrores, suas risadas e lágrimas. E, acima de tudo, um lembrete de que a vida não passa de uma ilusão em um vasto universo cheio de maravilhas.
Ao gravar, a interação humana foi novamente limitada à interação mínima. Uma vez em movimento, as máquinas começaram a falar com as máquinas em um circuito sônico sem fim. Algumas das faixas contêm sons que nunca foram criados intencionalmente. A reprodução dos sons após a gravação revelou ondas de som que pareciam ter capturado um espírito flutuando e deixando sua marca na música.
Meditações ácidas não é um álbum para ouvir com pressa, provavelmente não vai fazer você dançar ou sacudir o cabelo com ele. As faixas deste álbum exigem um botão de pausa em suas vidas ocupadas, exigem silêncio ao seu redor, exigem que você se concentre, exigem uma mente aberta de você.
Escolha sua faixa favorita, mergulhe nos sons, deixe seu cinema mental tocar o filme dos seus sonhos. Acorde e sinta como as ondas sonoras mudaram suas vibrações, mesmo que apenas por um momento.
Spotify: open.spotify.com.
Bandcamp: bonesdreaming.bandcamp.com.
Biografia de Rustichelli & Bordini Uma dupla inusitada de teclados e bateria que lançou um álbum pouco conhecido e incrivelmente bom em 1973 antes de desaparecer. Paolo Rustichelli e Carlo Bordini haviam tocado com Cammello Buck, junto com o guitarrista Pino Belardinelli e o baixista Mauro Morlacchi, e até se apresentaram na primeira edição de 1972 do Villa Pamphili Pop Festival. Com um novo baixista, Pasquale Cavallo (da última formação do PANNA FREDDA), eles assinaram um contrato com a gravadora Delta, mas não chegaram a lançar nada apesar de algumas gravações demo, e sua administração sugeriu reduzir os quatro -peça para uma dupla no mesmo estilo da banda britânica Hardin & York. Rustichelli & Bordini apareceram no Festival Be-In de Nápoles em 1973 e apoiaram West Bruce & Laing em Roma. Após o álbum Carlo Bordini foi contatado por um grupo chamado Oliver, que incluía Claudio Simonetti, Massimo Morante e Fabio Pignatelli, esta seria a primeira formação do GOBLIN; ele também apareceu no álbum CHERRY FIVE.
Um disco extremamente equilibrado, com sonoridade moderna, desafiadora e melódica ao mesmo tempo. Altamente recomendado.
Ainda me lembro da primeira vez que ouvi esse disco e o quanto a sua primeira música me fez quase não querer continuar ouvindo-o, pois não estava me parecendo nada com uma banda de rock progressivo, rótulo o qual o material me foi vendido, parecia muito mais algo com raízes no new wave, uma música que parecia ser feita pelo Duran Duran – nada contra o Duran Duran, apenas não era o som que eu esperava, afinal, já conhecia outros discos da banda e eram bons discos de rock progressivo. Porém, conforme o disco vai se desenvolvendo, percebemos que o começo somente faz parte da grande variedade musical que o disco oferece, destacando-se os excelentes vocais e ótimos solos de guitarra. Um fato curioso e engraçado é que um dos agradecimentos no encarte feito pelo baixista, John Galgano, é direcionado ao ex jogador de beisebol Mike Piazza por ser o melhor jogador que ele já viu tocar – Mike além de ser um receptor e atuar na primeira base, também é um grande baterista.
“Spinnin' Round” é aquele começo de disco que eu disse que quase me desanimou em continuar, mas com o tempo, apesar do seu clima new wave – que eu volto a dizer, não tenho nada contra, só não o esperava aqui -, também possui algumas texturas ricas nas teclas e alguns bons efeitos que dão à música também um clima progressivo moderno e intrigante. “I Move” possui texturas ainda mais ricas, pois entrega alguns elementos orientais por meio de percussão e teclado. Algumas quebras de guitarras nos remetem ao King Crimson. Também há alguns teclados progressivos tradicionais. Ótima música.
“Weak Little Lad” tem uma combinação muito interessante entre os discos mais modernos do King Crimson com a carreira solo do Peter Gabriel. Bastante otimista e de linha vocal muito boa, parece uma peça simples, mas é nas suas texturas e estilos que notamos algo mais. A guitarra dessa música é excelente. “I Already Know” direciona o disco para um clima mais relaxante. Uma peça dramática e de um groove mais melódico. Se não houvesse uma guitarra progressiva influenciada por Steve Hackett, poderia facilmente ser uma música dos Beatles. Possui uma seção instrumental crescente que é linda.
“I Wanna Win”, logo inicialmente já faz com que prestemos atenção em algo que ainda não havia se destacado, o baixo. A evolução da música nos faz pensar até certo ponto na Saga. Mais à frente há uma jam dominada pela guitarra que é ótima, onde a banda entrega uma seção que passa por algumas mudanças e momentos intrigantes, resumindo, se trata de um movimento sensacional com um solo brilhante de guitarra.” All The New” é uma peça acústica com pouco menos de um minuto e meio. Belo violão, ótimo vocal e algo que me faz lembrar o Pink Floyd. Uma música curta e bastante consistente.
“Star Evil Gnoma Su”, novamente direciona a banda para uma sonoridade ainda não explorada no álbum, mostrando o quanto o disco pode ser diversificado. Começa com um arranjo jazzístico com destaque para o piano e o baixo, porém, não demora para se mover para um segmento mais silencioso com nuances espaciais seguido de um solo de sintetizador. Conforme as teclas vão dominando a música, ela vai se tornando um progressivo mais puro. Em determinado ponto, a guitarra leva a peça para uma zona musical enlouquecida e crimsoniana, sempre se reinventando. Uma peça instrumental incrível e cheia de viagens.
“Another Door” mostra um lado R&B da banda, também traz pianos jazzísticos, ótimas guitarras, seção rítmica bem desenvolvida e vocais bastante emocionais. Mais uma vez a banda expande o seu leque de sonoridade dentro do álbum. “Something True” começa por meio de um violão que tece uma bela melodia enquanto uma voz feminina angelical preenche lindamente o fundo. A faixa soa quase dentro de um departamento musical folk. “Believe”, novamente o violão dá início à música, até que vai se tornando musicalmente mais rica com o acréscimo de teclas, baixo e bateria. As vozes femininas ao fundo nos refrãos edificam a peça.
“Knight Of Nights” é uma peça bastante potente e dramática. Os teclados são ótimos - começando no estilo Tony Banks e mais à frente soando como Keith Emerson - e as mudanças envolventes. Possui alguns ângulos musicais bastante sinfônicos, com alguns sintetizadores fazendo acenos claros para o Rick Wakeman. “The Mists Of Dalriada” é outra peça instrumental. Possui uma grande vibração de rock celta, porém, tocado em instrumentos elétricos e de forma mais progressiva do que músicas dessa natureza costumam ser. “Oh, How It's Great!” tem nela uma espécie de groove enérgico e inquieto. É possível perceber alguns elementos dos Beatles. Pouco depois de um minuto, há um trabalho de baixo bastante influenciado por Chris Squire. Possui um solo de guitarra excelente e fica mais sinfônica na sua parte final.
“Coming Like Light”, com mais de onze minutos e meio é o épico do disco. Começa por meio de uma seção matadora de piano ao melhor estilo Emeron, Lake & Palmer com toques de Renaissance. Os conceitos de ELP estão por toda a parte e funcionam muito bem em uma espécie de jam junto de linhas crimsionianas. Há um momento em que a fúria da peça dá lugar a um movimento mais de balada, suave e muito bonito, com vocais sobre um piano ao fundo e que depois recebe a companhia de algumas linhas de guitarra, além de uma seção rítmica robusta. A peça fica novamente apenas com vocal e piano durante alguns segundos antes de entrar em uma atmosfera bastante influenciada por Yes. A música então vai crescendo aos poucos, entrando cada vez mais em uma zona progressiva até regressar para uma linha instrumental sinfônica e imponente. Aquele tipo de música que sozinha consegue elevar a qualidade de um disco inteiro. “Light From Your Eyes” é a faixa que finaliza o disco. Começa por meio de um bonito arpejo de guitarra e vocais emotivos, permanecendo assim durante a primeira metade. A segunda parte entra todos os instrumentos e a peça passa a ser dominada pela guitarra elétrica, finalizando o disco com um movimento instrumental maravilhoso.
O que eu posso dizer de um disco de rock progressivo que mistura com eficácia new wave, funk, jazz, clássico e música oriental? Simplesmente que se trata de uma obra extremamente bem-feita. Há muita variedade neste álbum, bem como alguns ótimos vocais e, acima de tudo, melodias e solos de guitarra incríveis. Um disco extremamente equilibrado, com sonoridade moderna, desafiadora e melódica ao mesmo tempo. Altamente recomendado.