
Resenha
I Move
Álbum de IZZ
2002
CD/LP
Um disco extremamente equilibrado, com sonoridade moderna, desafiadora e melódica ao mesmo tempo. Altamente recomendado.
Ainda me lembro da primeira vez que ouvi esse disco e o quanto a sua primeira música me fez quase não querer continuar ouvindo-o, pois não estava me parecendo nada com uma banda de rock progressivo, rótulo o qual o material me foi vendido, parecia muito mais algo com raízes no new wave, uma música que parecia ser feita pelo Duran Duran – nada contra o Duran Duran, apenas não era o som que eu esperava, afinal, já conhecia outros discos da banda e eram bons discos de rock progressivo. Porém, conforme o disco vai se desenvolvendo, percebemos que o começo somente faz parte da grande variedade musical que o disco oferece, destacando-se os excelentes vocais e ótimos solos de guitarra. Um fato curioso e engraçado é que um dos agradecimentos no encarte feito pelo baixista, John Galgano, é direcionado ao ex jogador de beisebol Mike Piazza por ser o melhor jogador que ele já viu tocar – Mike além de ser um receptor e atuar na primeira base, também é um grande baterista. “Spinnin' Round” é aquele começo de disco que eu disse que quase me desanimou em continuar, mas com o tempo, apesar do seu clima new wave – que eu volto a dizer, não tenho nada contra, só não o esperava aqui -, também possui algumas texturas ricas nas teclas e alguns bons efeitos que dão à música também um clima progressivo moderno e intrigante. “I Move” possui texturas ainda mais ricas, pois entrega alguns elementos orientais por meio de percussão e teclado. Algumas quebras de guitarras nos remetem ao King Crimson. Também há alguns teclados progressivos tradicionais. Ótima música. “Weak Little Lad” tem uma combinação muito interessante entre os discos mais modernos do King Crimson com a carreira solo do Peter Gabriel. Bastante otimista e de linha vocal muito boa, parece uma peça simples, mas é nas suas texturas e estilos que notamos algo mais. A guitarra dessa música é excelente. “I Already Know” direciona o disco para um clima mais relaxante. Uma peça dramática e de um groove mais melódico. Se não houvesse uma guitarra progressiva influenciada por Steve Hackett, poderia facilmente ser uma música dos Beatles. Possui uma seção instrumental crescente que é linda. “I Wanna Win”, logo inicialmente já faz com que prestemos atenção em algo que ainda não havia se destacado, o baixo. A evolução da música nos faz pensar até certo ponto na Saga. Mais à frente há uma jam dominada pela guitarra que é ótima, onde a banda entrega uma seção que passa por algumas mudanças e momentos intrigantes, resumindo, se trata de um movimento sensacional com um solo brilhante de guitarra.” All The New” é uma peça acústica com pouco menos de um minuto e meio. Belo violão, ótimo vocal e algo que me faz lembrar o Pink Floyd. Uma música curta e bastante consistente. “Star Evil Gnoma Su”, novamente direciona a banda para uma sonoridade ainda não explorada no álbum, mostrando o quanto o disco pode ser diversificado. Começa com um arranjo jazzístico com destaque para o piano e o baixo, porém, não demora para se mover para um segmento mais silencioso com nuances espaciais seguido de um solo de sintetizador. Conforme as teclas vão dominando a música, ela vai se tornando um progressivo mais puro. Em determinado ponto, a guitarra leva a peça para uma zona musical enlouquecida e crimsoniana, sempre se reinventando. Uma peça instrumental incrível e cheia de viagens. “Another Door” mostra um lado R&B da banda, também traz pianos jazzísticos, ótimas guitarras, seção rítmica bem desenvolvida e vocais bastante emocionais. Mais uma vez a banda expande o seu leque de sonoridade dentro do álbum. “Something True” começa por meio de um violão que tece uma bela melodia enquanto uma voz feminina angelical preenche lindamente o fundo. A faixa soa quase dentro de um departamento musical folk. “Believe”, novamente o violão dá início à música, até que vai se tornando musicalmente mais rica com o acréscimo de teclas, baixo e bateria. As vozes femininas ao fundo nos refrãos edificam a peça. “Knight Of Nights” é uma peça bastante potente e dramática. Os teclados são ótimos - começando no estilo Tony Banks e mais à frente soando como Keith Emerson - e as mudanças envolventes. Possui alguns ângulos musicais bastante sinfônicos, com alguns sintetizadores fazendo acenos claros para o Rick Wakeman. “The Mists Of Dalriada” é outra peça instrumental. Possui uma grande vibração de rock celta, porém, tocado em instrumentos elétricos e de forma mais progressiva do que músicas dessa natureza costumam ser. “Oh, How It's Great!” tem nela uma espécie de groove enérgico e inquieto. É possível perceber alguns elementos dos Beatles. Pouco depois de um minuto, há um trabalho de baixo bastante influenciado por Chris Squire. Possui um solo de guitarra excelente e fica mais sinfônica na sua parte final. “Coming Like Light”, com mais de onze minutos e meio é o épico do disco. Começa por meio de uma seção matadora de piano ao melhor estilo Emeron, Lake & Palmer com toques de Renaissance. Os conceitos de ELP estão por toda a parte e funcionam muito bem em uma espécie de jam junto de linhas crimsionianas. Há um momento em que a fúria da peça dá lugar a um movimento mais de balada, suave e muito bonito, com vocais sobre um piano ao fundo e que depois recebe a companhia de algumas linhas de guitarra, além de uma seção rítmica robusta. A peça fica novamente apenas com vocal e piano durante alguns segundos antes de entrar em uma atmosfera bastante influenciada por Yes. A música então vai crescendo aos poucos, entrando cada vez mais em uma zona progressiva até regressar para uma linha instrumental sinfônica e imponente. Aquele tipo de música que sozinha consegue elevar a qualidade de um disco inteiro. “Light From Your Eyes” é a faixa que finaliza o disco. Começa por meio de um bonito arpejo de guitarra e vocais emotivos, permanecendo assim durante a primeira metade. A segunda parte entra todos os instrumentos e a peça passa a ser dominada pela guitarra elétrica, finalizando o disco com um movimento instrumental maravilhoso. O que eu posso dizer de um disco de rock progressivo que mistura com eficácia new wave, funk, jazz, clássico e música oriental? Simplesmente que se trata de uma obra extremamente bem-feita. Há muita variedade neste álbum, bem como alguns ótimos vocais e, acima de tudo, melodias e solos de guitarra incríveis. Um disco extremamente equilibrado, com sonoridade moderna, desafiadora e melódica ao mesmo tempo. Altamente recomendado.
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