segunda-feira, 6 de março de 2023

Resenha The Dark Side Of The Moon Álbum de Pink Floyd 1973

 

Resenha

The Dark Side Of The Moon

Álbum de Pink Floyd

1973

CD/LP

50 anos de The Dark Side Of The Moon

Uma obra musical relevante ainda nos dias atuais, completa cinquenta anos de existência. O Pink Floyd abre o seu baú, e prepara um lançamento com tudo que tem direito, e que irá revelar todos os segredos do lado escuro da lua. Vem aí uma nova caixa que vai ter tudo referente ao período criativo em que a banda produziu esse monumento do Rock mundial.  

O ano era o de 1973, no dia 01 de Março era colocado nas prateleiras das lojas de discos ao redor do mundo um novo LP, cuja capa era preta e possuía um prisma, bem no meio, através dele, um feixe de luz branca atravessava a forma geométrica e terminava se tornando todas as cores. Era o lançamento do Pink Floyd daquele ano. 

Foi gravado em 40 sessões, entre Maio de 72 e Fevereiro de 73, nos lendários estúdios Abbey Road, em Londres. À disposição do grupo, uma recém adquirida mesa de som com 16 canais.  Era mais um passo em direção às inovações tecnológicas, assim como sintetizadores mais modernos. O grupo queria renovar sua sonoridade e deixar pra trás a psicodelia dos discos anteriores. O engenheiro de som, Alan Parsons, foi muito importante no processo, e apesar de jovem, já havia trabalhado com alguns nomes. 

Mudaram o método de trabalho. Começaram a gravar separadamente, e depois juntavam as partes em busca de resultado. Havia uma preocupação em reproduzir ao vivo as novas músicas. Então, decidiram apresentar algumas músicas novas durante os shows de 1972. As letras também eram uma preocupação para os compositores da banda. Eles queriam escrever sobre as pressões da vida moderna, dinheiro, insanidade, o medo da morte, mas comunicando de uma forma direta, para todo mundo entender.

Quando você aperta o play. Vai ouvir o som da vida. O som da pulsação do coração.  Uma música emendando na outra, como se fosse uma coisa só. Solos de saxofone e  vozes femininas, dando um tempero sofisticado ao som do Pink Floyd.

A primeira música finalizada para o novo projeto foi Us and them. E o primeiro single do álbum, Money trazia o tema ganância e uma linha de baixo de Roger Waters memorável, além do solo de Saxofone.
Na ordem, Breathe é a primeira faixa cantada e trás uma letra que fala sobre viver a vida intensamente.  Algumas faixas são instrumentais e funcionam como vinhetas para a coesão do trabalho, Como On the run, uma tensa faixa sonora que termina com o barulho de um avião caindo.
Os despertadores sincronizados, foram um desafio para serem gravados, mas assim como a criatividade é o maior valor numa obra de arte,  se inicia dessa maneira a canção imortal Time. As marcações de bateria de Nick Mason vão preparando o terreno para a entrada na voz de David Gilmour.   
Um tema épico inspirado na mortalidade foi criado pelo tecladista Richard Wright e conta com a participação da cantora Clare Torry que interpreta a música etérea Great Gig In The Sky. Não há palavras aqui, apenas melodia, e o som da voz humana soando como um instrumento, como se fosse vinda de uma galáxia distante.  
Depois disso, o mundo vira de cabeça para baixo pra quem mergulha fundo no som. Pois o final do disco é bíblico com as músicas Brain Damage e Eclipse. Muitos livros já foram escritos destrinchando tudo sobre os bastidores da gravação da obra prima do Pink Floyd, The Dark Side Of The Moon. E não é à toa um dos álbuns mais venerados de todos os tempos. Na Alemanha, existiu uma fábrica de vinil que só confeccionava o Dark Side Of The Moon para ser distribuído pelo mundo.

E o que terá nessa caixa comemorativa do Pink Floyd? 
Haverá réplicas dos singles Money e Us and them. Um DVD com mixagem 5.1 e estéreo. Um Blu-ray com a mix em Atmos. O pacote irá incluir o Cd e Lp Live at Wembley Empire pool, London, 1974. E o CD e vinil remasterizados
Além disso, terá um livro com fotografias raras e inéditas tiradas entre 1972 e 1975. Pôsteres, adesivos e uma réplica do panfleto da EMI de 1973. Por fim, a caixa trará um convite para o planetário de Londres assistir ao The Dark Side Of The Moon.

ESQUINA PROGRESSIVA

Khan - Space Shanty (1972)



Quando se fala de rock progressivo, mais precisamente da cena britânica de Canterbury, não existe nenhuma dúvida de que “Space Shanty”, único álbum lançado pela banda Khan, é uma das obras mais relevantes e influentes desse movimento. Formada por um time de peso, o super grupo era liderado pelo grande vocalista e guitarrista Steve Hillage, além de contar em sua formação com Nick Greenwood (baixista da Crazy World of Arthur Brown), Eric Peachey (baterista da Dr. K’s Blues Band) e o tecladista Dave Stewart (músico com passagens por Uriel, Egg, Hatfield and the North e National Health).

Esse único registro contém seis faixas compostas quase que inteiramente por Steve Hillage. Todos os quatro músicos trabalham de maneira bastante entrosada e inspirada. O álbum tem como seus principais ingredientes a guitarra de Hillage e o órgão hammond de Stewart. Embora seja um álbum em boa parte bastante metronômico, reto e seguindo um ciclo repetitivo em suas músicas, a banda também explode frequentemente em saídas instrumentais extensivas em uma interação formidável entre a dupla já citada. Um belo exemplo do início da cena de Canterbury.

Começa através da música homônima ao disco, "Space Shanty". Tem seu início que faz parecer que estamos ouvindo é o final da faixa, o vocal entra cantando de maneira tranquila. A banda então toda se junta em um tipo de rock clássico. Por volta de 1:27 acontece um excelente entrelaçamento entre órgão e guitarra. Também possui uma linha de baixo maravilhosa. Após essa parte a música entra em uma suave transição, após essa maneira mais lenta e bem cadenciada da banda, o ritmo fica mais rápido e sobre um impressionante solo de guitarra e linha de baixo dinâmica. A bateria sempre ajudando a acentuar a música. Então a música para e nisso acontece outro maravilhoso solo de guitarra que serve como transição para o próximo trabalho de órgão que mais tarde traz a música de volta a sua melodia original, digamos assim. Uma faixa de composição extremamente sólida. Órgão, guitarra, baixo e bateria preenchem seus espaços de forma única. O álbum não poderia começar melhor.

"Stranded" começa com uma simples guitarra acústica deitada sobre a cama preparada pelo órgão. A linha vocal então surge em um ritmo ainda lento. Aqui também a linha de baixo é excelente, tudo vai caminhando tranquilamente até quando a faixa sofre uma transformação ganhando sonoridade mais enérgica liderada primeiramente por um solo curto de órgão, o baixo desempenha um papel muito importante nessa parte, pois ele define a atmosfera para o trabalho solo de guitarra, o vocal da banda volta com o mesmo tipo feito na abertura da canção. Novamente tudo está soando bastante melódico com um belo vocal e arranjo.

Agora a faixa é "Mixed up Man of the Mountains". De abertura simplesmente linda, guitarra repetida junto de um suave órgão de fundo e vocal bastante agradável logo depois entra em seu andamento com a banda desenvolvendo uma excelente melodia, cai em seguida em um clima mais silencioso, apresentando um vocal sereno além de belos trabalhos de guitarra e órgão. Logo em seguida a música entra em um ritmo mais rápido com linhas de improvisações de baixo, guitarra e órgão, um interlúdio maravilhoso. Influência extremamente jazzística. Destaque também para o coro vocal e o solo de guitarra durante a passagem final da música que é impressionante.

"Driving to Amsterdam" tem uma abertura sensacional e que mostra exatamente o que é a cena progressiva de Canterbury. Com um trabalho de qualidade ímpar do órgão aumentada ainda mais pelo preenchimento da guitarra. A linha vocal que sucede na canção também faz um trabalho harmonioso excelente, a dupla órgão e guitarra mais uma vez são o carro chefe, sempre muito bem acompanhados por uma bateria dinâmica e imponentes linhas de baixo.

"Stargazers" começa com uma complexa combinação entre todos os quatro instrumentos, órgão, guitarra, baixo e bateria. Tudo fica mais calmo quando surge o vocal com as suas primeiras frases. Nota-se aqui novamente grande influência de jazz, mas não aquele jazz cru e tradicional da época e apresentado por músicos de décadas anteriores como Miles Davis ou Ornett Colleman, mas o jazz que continha na musicalidade de outras bandas da cena de Canterbury como Egg, Hatfield and the North e National Health. Essa faixa possui umas pontuações bastante fortes e muitos segmentos.

O álbum finaliza através de "Hollow Stone". Trata-se de uma faixa suave e de linha vocal bastante agradável. Aqui não apenas nota-se influência jazz e sem perder uma levada de rock, como também existe algo de blues. Mesmo que tocados de maneira serena, órgão e guitarra novamente possuem solos belíssimos. Uma excelente faixa pra encerrar um não menos excelente álbum.

Sem sombra de dúvida que trata-se de uma verdadeira obra prima da cena progressiva de Canterbury. Ainda que o destaque esteja nas guitarras de Hillage e no órgão de Stewart, todos os quatro membros desempenham de maneira soberba o seu papel, as linhas de baixo de Greenwood e a bateria de Peachy se não fossem feitas da maneira que estão no álbum, o brilho não seria o mesmo. Uma pena ser daqueles álbuns pouco conhecidos e por isso não possui em catálogo quase nenhum lugar. Mas os japoneses sempre ajudam as pessoas nessa questão e tem uma versão de 2004 inclusive com duas faixas extras, onde uma trata-se da inédita, “Break The Chains”, e a outra é uma versão alternativa da faixa, “"Mixed up Man of the Mountains". Sem dúvida alguma um álbum que vale cada segundo dos seus pouco mais de quarenta e seis minutos.


Track Listing

1.Space Shanty - 8:59 
2.Stranded - 6:35

3.Mixed Up Man Of The Mountains - 7:14

4.Driving To Amsterdam - 9:22
5.Stargazers - 5:32
6.Hollow Stone – 8:16

 


ESQUINA PROGRESSIVA

 

Anubis – A Tower of Silence (2011)




A Tower os Silence é o segundo álbum dos australianos da Anubis. Como é costume da banda, a música é liderada principalmente por fortes guitarras e sintetizadores. Às vezes com assinaturas de tempos complexos e em outras vezes a melodia domina com uma progressão de acordes mais simples. O álbum possui paisagens sonoras de temas pungentes e também gloriosas e longas pausas instrumentais. A banda agracia o ouvinte com uma variação de tons tensos e menos tensos sob uma atmosfera sonora que varia o estilo entre o de bandas clássicas sinfônicas e bandas de neo progressivo.

O álbum é conceitual onde o tema é sobre uma garota de 11 anos presa em um limbo e que viveu e morreu em um asilo para menores na Inglaterra do século 19. Então que muitos anos depois, um grupo de adolescentes invade um dos edifícios abandonados, mais precisamente na parte das enfermarias e começam uma sessão de um jogo levando à aparição da garota, que passa a contar sua vida, morte e sua incapacidade de passar para qualquer forma de vida após a morte. O álbum pode servir como uma metáfora sobre qualquer tipo de aprisionamento, seja depressão, perda ou doença terminal. O tema de ser apanhado entre dois lugares no desconhecido é o conceito central. No caminho, o álbum aborda a alienação, a divisão social entre ricos e pobres e até mesmo o próprio conceito de vida após a morte.

Começa com "The Passing Bell', música que traz uma avalanche de estruturas magníficas, cheias de momentos ímpares e fluindo de maneira orgânica abrangendo muitas ressonâncias emocionais. Particularmente adoro a forma como a faixa muda os seus segmentos. Algumas passagens nos fazem remeter a King Crimson, outros momentos mais suaves a Pink Floyd, coros ao estilo Genesis, enfim, mas sempre soando do seu jeito e jamais simplesmente emulando esse e/ou outros grandes medalhões. Todos os instrumentos executados de forma inspirada sob um vocal bastante emotivo. Mas vale destacar principalmente o momento em que uma guitarra gilmouriana toma a frente em um solo lindo sobre um belo piano e a faixa finaliza em harmonia hipnotizante.

"Archway of Tears" começa com um delicioso trabalho acústico, possui uns vocais limpos, apaixonados e vibrantes. Tem clara influência em bandas de neo progressivo como I.Q, Arena e Pendragon. Frases acústicas casam muito bem com o mellotron. Música de cadencia simples e de resultado final ótimo.

"This Final Resting Place" é uma música de melodia forte. Um órgão faz excelente cama de fundo. A faixa possui um som dinâmico que é gerado utilizando várias camadas instrumentais desde o já citado órgão, aliado a outros timbres de teclas e uma guitarra poderosa. Trata-se da música do álbum com maior reflexão sobre a morte.

"A Tower of Silence", música homônima ao álbum, é uma faixa melancólica com letras fortes sobre a tragédia da morte e do espírito que olha em silêncio para fora de sua torre invejando os seres humanos que vivem. Inicia com bonito piano, guitarra sobre um órgão exuberante também dão o tom enquanto a percussão vai se moldando. Possui mudança de camadas de picking guitar e sintetizadores acústicos. A letra é sobre a forma que lidamos com a dor e como o tempo tem o poder de ameniza-la. É uma faixa de musicalidade bem dentro do conceito do álbum, onde sentimos a tristeza e reflexões de um espírito que está preso em uma tumba sepulcral e não é capaz de detectar os sentidos humanos. Uma canção assombrosa que tem o poder de crescer cada vez mais em quem a ouve.

A faixa mais curta do álbum é "Weeping Willow". Carrega bela musicalidade, harmonias suaves e melodia extremamente agradável principalmente por parte dos vocais quando cantados em camadas. Também traz uma sonoridade space pontuada por uma guitarra acústica e teclados atmosféricos.

"And I Wait for my World to End" inicia-se com uma sonoridade espacial e que logo dá início a um forte riff de guitarra, um baixo pulsante alem da bateria enérgica em um tempo incomum. Tem uma melodia memorável em uma ponta incrível com guitarra distorcida e um vocal aos moldes de Roger Waters em sua maneira mais "maníaca" de cantar. O refrão gruda facilmente na cabeça. 

"The Holy Innocent" é uma música de mudança métrica com um ritmo constante. Aqui é um lamento da protagonista implorando desesperadamente por ajuda devido ao fato de não conseguir ouvir uma voz que a chame e a leve pra um lugar melhor e somente consegue permanecer paralisada. Possui um piano lindo unido a guitarra igualmente bela que cria uma atmosfera extremamente melancólica. A música carrega uma mistura de Porcupine Tree com I.Q em determinadas partes. Sobre essa instrumentação forte os vocais emotivos de uma personagem que está presa e enterrada pra sempre em um mundo agoniante. A música termina com um solo de saxofone simplesmente sensacional, levantando a faixa a outro nível, trazendo sem sombra de dúvidas a parte mais bela de todo o álbum, transformando essa canção em um clássico da banda. A forma como o saxofone e teclado vão desaparecendo remete um pouco ao usado pelo Pink Floyd em Money.

O álbum finaliza com a faixa "All That Is". É uma suíte dividida em três partes. A primeira, "Light of Change", tem como instrumento dominante o mellotron até que entram riffs mais acentuados de guitarra e uma bateria esporádica. Também possui vocais reflexivos e um órgão hammond que complementam bem a música, alem de sintetizadores oníricos que conduz a faixa para a segunda parte. O segundo capítulo, "The Limbo of Infants", é a parte mais simples, possui uns vocais de boa cadência e enérgicos, pouco depois a música sofre outra quebrada pra que entre na última parte. "Endless Opportunity" finaliza a faixa e o álbum, possui ótimas entonações corais, lindas harmonias em crescente fazendo desse final algo espiritualmente edificante. Ótimo solo de guitarra seguido de um belo coral. Tudo soa como se finalmente os anjos tivessem chegado e libertado o espírito sepultado.

Um álbum belíssimo de narrativa extremamente condizente com sua musicalidade. “A Tower of Silence” é uma peça pouco conhecida, mas com potencial de se tornar um verdadeiro clássico do rock progressivo sinfônico.


Track Listing

1.The Passing Bell (Part I-VI) - 17:08
2.Archway of Tears - 5:45
3.This Final Resting Place - 8:28
4.A Tower of Silence - 9:57
5.Weeping Willow - 2:43
6.And I Wait for my World to End - 5:15
7.The Holy Innocent - 11:45
8.All That Is - 11:13


BIOGRAFIA DE Vitorino

 

Vitorino

Vitorino Salomé Vieira OL (RedondoRedondoPortugal11 de Junho de 1942), ou apenas Vitorino[1], como é conhecido, é um cantor português. A sua música combina o folclore tradicional, principalmente do Alentejo, e o estilo popular da sua voz.

Biografia

Vitorino nasceu numa família de músicos, no Redondo. Desde que nasceu que ouvia música em sua casa, tocada pelos seus tios, tendo sido sempre neste ambiente que cresceu, bem como os seus quatro irmãos, todos igualmente músicos. Vitorino é o terceiro dos cinco; o cantor Janita Salomé é o quarto.

Conheceu Zeca Afonso, de quem se tornou amigo, quando estava a fazer a recruta no Algarve. Fixou-se em Lisboa a partir dos 20 anos, onde se associou à noite, às tertúlias e aos prazeres boémios. Em 1968 entrou para o Curso de Belas Artes, mas já antes disso tinha começado a pintar.

Emigrado em França, estudou pintura e, para sobreviver, lavou pratos em restaurantes. Foi aqui que um amigo lhe disse que se ganhava mais a cantar na rua ou no metro do que a lavar pratos. Experimentou: era verdade. Largou os pratos e agarrou na guitarra.

Também em Paris se juntou, entre outros, com Sérgio Godinho e José Mário Branco, igualmente emigrados.

Colaborou em discos de José AfonsoCoro dos Tribunais, e Fausto. Actuou no célebre concerto de Março de 1974, I Encontro da Canção Portuguesa, que decorreu no Coliseu dos Recreios. Lançou nesse ano o seu primeiro singleMorra Quem Não Tem Amores.

Participou no disco Cantigas de Ida e Volta conjuntamente com outros nomes como Fausto, Sheila e Sérgio Godinho.

Em 1975, estreou com o seu primeiro disco que incluía uma das canções mais importantes do imaginário português: “Menina estás à janela”. No álbum Semear Salsa ao Reguinho aparecem ainda canções como “Cantiga d'um Marginal do séc. XIX”, “A primavera do Outono”, “Cantiga de Uma Greve de Verão” e “Morra Quem Não Tem Amores”.

Em 1977 foi editado o disco Os Malteses que inclui “Oh Beja, Terrível Beja”, uma evocação ao tempo em que cumpriu o serviço militar obrigatório naquela cidade. Vitorino foi também o produtor do disco Ó Rama Ó Que Linda Rama de Teresa Silva Carvalho, editado nesse ano.

Grupo de Cantadores do Redondo, do qual fazia parte, lançou em 1978 o disco Cante da Terra.

O álbum Não Há Terra Que Resista - Contraponto, que inclui o tema “Dá-me Cá Os Braços Teus”, foi editado em 1979.

Romances, editado em 1980, conta com a colaboração especial de Pedro Caldeira Cabral. “Indo Eu Por I Abaixo” e “Laurinda” são algumas das canções deste disco.

O álbum Flor de la Mar, editado em 1983, incluiu temas como “Queda do Império”, com Filipa Pais, “Cervejaria da Trindade”, “Marcha Ingénua” e “Dama de Copas”.

Leitaria Garrett é lançado no Outono de 1984. “Tinta Verde”, “Leitaria Garrett”, “Tragédia da Rua das Gáveas”, “Andando Pela Vida”, “Poema”, “Menina Estás À Janela” (com o Opus Ensemble) e “Postal para D. João III” são alguns dos temas.

Em Dezembro de 1985 foi editado o álbum Sul com temas como “Meninas”, “Sul” e “Homens do Largo”. José Mário Branco fez os arranjos musicais da canção "Alcácer Quibir", presente nesse álbum.[2] Um ano depois foi editado o maxi-single “Joana Rosa”.

O álbum Negro Fado, co-produzido por António Emiliano e José Manuel Marreiros, foi editado em Abril de 1988. O disco inclui temas como “Vou-me Embora”, “Negro Fado”, “Flor de Jacarandá” e uma versão em crioulo de “Joana Rosa”. O disco vence o Prémio José Afonso[3]

Cantigas de Encantar, com a participação dos seus sobrinhos, foi lançado em Novembro de 1989. O disco inclui um livro com dez histórias populares.

Em 1990 surgiu com o quarteto Lua Extravagante, com Filipa Pais e os seus irmãos Janita e Carlos Salomé. O álbum homónimo surgiu em 1991 com canções como “Lua de Papel”, “Ilha” ou “Adeus Ó Serra da Lapa”.

Com o álbum Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada, de 1992, com textos de António Lobo Antunes, venceu o Prémio José Afonso/93 e o Se7e de Ouro/92 para música popular. [4][3][5] Os temas mais conhecidos deste disco são “Bolero do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto”, “Tango do Marido Infiel Numa Pensão do Beato” e “Ana II”.

Em 1993 foi editada a compilação As Mais Bonitas com regravações de “Laurinda” e de “Menina Estás À Janela” e a gravação de Vitorino para “Ó Rama Ó Que Linda Rama”.

O álbum A Canção do Bandido, editado em Novembro de 1995, inclui canções como “Nomes do Amor”, “Fado da Prostituta”, “Tocador de Concertina” e “Fado Alexandrino”. É um dos discos candidatos ao Prémio José Afonso.

Foi fundador do projeto Rio Grande juntamente com Rui VelosoTimJoão Gil e Jorge Palma. O disco de estreia foi editado em Dezembro de 1996. Em Dezembro de 1997 é editado o álbum “Dia de Concerto” com gravações ao vivo dos Rio Grande.

Vitorino, Janita SaloméRui AlvesRicardo Rocha e João Paulo Esteves da Silva apresentaram no CCB, no âmbito do festival dos 100 dias da Expo-98, os dois espetáculos “A Utopia e a Música” onde apresentaram um repertório menos conhecido de Zeca Afonso.

Com a brasileira Elba Ramalho participou, em 1999, num dos programas Atlântico de Eugénia Melo e Castro.

Em 1999 gravou um disco em Cuba com o Septeto Habanero. “Desde El Día En Que Te Vi” e “Toda Una Vida” foram os temas em maior destaque do disco La Habana 99.

Participou, com Pedro Barroso e Isabel Silvestre, na campanha da Fenprof para colocar novamente de pé o sistema educativo timorense. No disco Uma Escola Para Timor, de 2000, são interpretadas canções do professor e músico Rui Moura.

Em Novembro de 2001 foi editado Alentejanas e Amorosas. O disco inclui os temas “Vou-me Embora Vou Partir”, “Alentejanas e Amorosas”, “Meu Querido Corto Maltese”, “Ausência em Valsa”, “Cão Negro”, “Constança”, “Bárbara Rosinha”, “Dona dos Olhos Castanhos”, “Paixão e Dúvida”, “Mariana à Janela”, “Coração ao Deus Dará” e “Guerrilha Alentejana”. Inclui também o tema da série “Estação da Minha Vida”.

A compilação As Mais Bonitas 2 - Ao Alcance da Mão é editada em finais de 2002. Inclui os inéditos “Galope” e “O Dia Em Que Me Queiras”. Colabora num dos temas do projeto Cabeças No Ar.

Vitorino em Gelsenkirchen, Alemanha, dia 21 de março de 2014, concerto gravado para o canal 3 da rádio pública WDR

Ao Alcance da Mão é o nome de um songbook, editado em Junho de 2003 pela editora D. Quixote, com 25 canções do seu repertório. O livro é acompanhado de um CD onde interpreta os temas “Menina Estás à Janela”, “Queda do Império” e “Alentejanas e Amorosas”.

O álbum Os Amigos - Coimbra nos arranjos de António Brojo e António Portugal conta com a participação de Vitorino, Luís GóisJanita Salomé, Almeida Santos, Manuel Alegre, entre outros.

Em Abril de 2004 foi lançado o disco “Utopia”, de Vitorino e de Janita Salomé, com o registo dos dois concertos realizados no CCB em Fevereiro de 1998. Ainda em 2004 é editado o álbum Ninguém Nos Ganha Aos Matraquilhos! que contou com a colaboração de nomes como Rui VelosoManuel João Vieira e Sílvia Filipe.

A completar 30 anos de carreira, foi editada em Fevereiro de 2006 a compilação Tudo com 50 canções em três discos temáticos subordinados a O AlentejoLisboa e O Amor.

Em Abril de 2006, Manuel Freire, Vitorino e José Jorge Letria cantaram Abril aos mais novos no disco Abril, Abrilzinho que foi lançado através do jornal Público e cujo livro contou com textos do Coronel Vasco Lourenço e Alice Vieira[6][7]

Em 9 e 13 de Maio de 2007 dá concertos ao vivo em Lisboa, no Teatro da Trindade, dos quais resultou o CD intitulado AO VIVO — Vitorino a preto e branco.

Em 2009 publica o CD TANGO, El Perro Negro Canta, gravado em Buenos Aires, na Argentina, mas com três temas gravados em Lisboa, o qual dedicou à memória do pintor João Vieira, que lhe ilustrou as capas desde o CD Tudo e é pai do músico Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000.)

Para a comemoração do centenário da implantação da República, em 5 de outubro de 2010, com a colaboração do Jornal de Notícias e o Montepio Geral e o apoio do Fundo Cultural da Sociedade Portuguesa de Autores, publica um CD de 2 originais intitulado Viva A República, Viva.

Para comemorar os seus 35 anos de carreira, dá concertos nos Coliseus de Lisboa (10.OUT.2011) e Porto, a que chamou "35 Anos a Semear Salsa ao Reguinho", numa alusão ao seu 1º LP, acompanhado pela belíssima Orquestra das Beiras, com origem e forte ligação à Universidade de Aveiro, para os quais convida alguns amigos para estarem também em palco, quer músicos, quer não músicos.

No dia 16 de Setembro de 2016 dá um concerto em Moimenta da Beira, numa noite em que também subiu ao palco o Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias", de cante alentejano.

Em 2022 faz uma aparição televisiva no programa The Voice Portugal ao cantar "Queda do Império" com o finalista Daniel Fernandes.[8]

Prémios e Reconhecimento

Discografia Seleccionada

A sua discografia é composta por: [11][12][13][14]

Álbuns

Se fores ao Alentejo
Semear salsa ao reguinho
Cantiga dum marginal do século XIX
A Primavera do Outono
Ó patrão dê-me um cigarro
São saias, senhor, são saias
Dizem p'ra 'í que chegou
Cantiga de uma greve de Verão
Temos a força dos ventos
O tudo é todo nosso
Menina estás à janela
Morra quem não tem amores
Vou-me embora vou partir

  • Os Malteses (LP, Orfeu, 1977)

Alentejo és nossa terra
Rouxinol repenica o cante
Oh Beja, terrível Beja
Barrancos és minha terra
Saias da União Cooperativa do Redondo
O maltês
Cantares do mês d' Outubro
Fui colher uma romã
Marcha da patuleia
Chamaste-me extravagante
Maio
Lindo ramo verde escuro

  • Não Há Terra Que Resista - Contraponto (LP, Orfeu, 1979)

Delicada da cintura
Não há terra que resista
Litania para um amor ausente
Contos do príncipe real
Maria dos mil sorrisos
Maria da Fonte
Dá-me cá os braços teus
Porque me não vês Joana
Quadras soltas (de embalar)
Viva a rainha do sul
Diz a laranja ao limão
Sedas a vento

  • Romances (LP, Orfeu, 1981)

Catrapiado
Laurinda
Dona Filomena
Bela Nau Catarineta
Eu hei-de amar uma pedra
Em 25 de Março
Senhora Maria
Levantar ferros
Mana Isabel
Sospirastes baldovinos
Indo eu por 'í abaixo
Oh! que janela tão alta

  • Flor de La Mar (LP, EMI, 1983)

Cantiga de Roda
Saias da Feira de S.Mateus
Guadiana
Cervejaria Trindade
Aos Amigos
Dama de Copas
Sonetilho para Uma Adolescente
Queda do Imperio
Lua...Lua
Marcha Ingenua
Guerrilheiro Urbano
Flor de La Mar I
Flor de La Mar II (LAMENTO)

  • Leitaria Garrett (LP, EMI, 1984)

Abertura
Saias da vila do Redondo
Menina estás à janela
Postal para D.João III (ao Zeca Afonso)
Cantiga partindo-se
Poema
Ai os modos de ser lágrima
Confissões (Nunca fui além)
Leitaria Garrett
Andando pela vida (a Lia Gama)
Tragédia da rua das Gáveas
Tinta verde
Carbonárias (final)

  • Sul (LP, EMI, 1985)
  • Negro Fado (LP, EMI, 1988) PJA
  • Cantigas de Encantar (Cassete, EMI, 1989)
  • Eu Que Me Comovo Por Tudo e Por Nada (CD, EMI, 1992) PJA
  • As Mais Bonitas (Compilação, EMI, 1993)
  • A Canção do Bandido (CD, EMI, 1995) CAND PJA

Fado alexandrino
Tocador da concertina
Fado triste
Fado da prostituta da rua S. António da Glória
Nasci para morrer contigo
Fado do pedinte da Igreja dos Mártires
Cruel vento
Fado Isabel
Veste de noite este quarto
Fado da pré-reforma
Rigoroso do pescador da marginal
Fado do jovem velho
Os nomes do amor

  • La Habana 99 (CD, EMI, 1999) com Septeto Habanero
  • Alentejanas e Amorosas (CD, EMI, 2001)
  • As Mais Bonitas 2 - Ao Alcançe da Mão (Compilação, EMI, 2002)
  • Utopia (CD, EMI, 2004) com Janita Salomé
  • Ninguém Nos Ganha Aos Matraquilhos! (CD, EMI, 2004)
  • Tudo (Compilação, EMI, 2006)
  • Abril, Abrilzinho (CD, Público/Praça das Flores, 2006)
  • Ao vivo a preto e branco (CD Magic Music/Vitorino, 2007)
  • Tango, Vitorino El Perro Negro Canta (CD Magic Music/Vitorino, 2009)
  • Viva A República Viva! (CD, 2010)
  • Vem Devagarinho para a Minha Beira – Voz e Dois Pianos (2020)

Outras Compilações

  • Queda do Império - Colecção Caravela (Compilação, EMI, 1997)
  • O Melhor dos Melhores nº 43 (Compilação, Movieplay, 1996)
  • Clássicos da Renascença nº 84 (Compilação, Movieplay, 2000)
  • Menina Estás À Janela - Colecção Caravelas (Compilação, EMI, 2004)
  • Grandes Êxitos (Compilação, EMI, 2006)
  • Vitorino Salomé - edição especial limitada de um pack de duas garrafas do vinho Vitorino Salomé com um CD de seis músicas (Compilação, Adega Mayor, 2013), com a faixa inédita Saias de Montemayor
  • Vitorino - segundo CD da série Canto & autores (Compilação, Público (jornal) e Levoir, 2014), com a faixa inédita Moda da revolta

Singles

  • Morra Quem Não Tem Amores (Single, 1974)
  • Maria da Fonte/Marcha da Patuleia (Single, Orfeu, 1978)
  • Sedas ao Vento/É Aqui Que Eu Vou Ficar (Single, Orfeu, 1978)
  • Menina Estás À Janela/Tinta Verde dos Teus Olhos (Single, Orfeu, 1983)
  • Joana Rosa (Máxi, EMI, 1986)[Joana Rosa / Joana Rosa (Crioulo)]

Outros projectos [11]

Colaborações

  • Sérgio Godinho (1979) - Vivo numa outra terra
  • Ena Pá 2000 (1994) - Rap Alentejano
  • Zé Carvalho () - Menina Estas À Janela
  • Frei Fado d'el Rei (1998) - Ramo Verde
  • A Cantar Con Xabarín (1996) - Lúa Nacente
  • Voz & Guitarra (1997) - Poema
  • Tim (1999) - Cantador Namoreiro
  • Brigada Victor Jara (2000) - Faixinha verde
  • Campanha Uma Escola Para Timor (2000) - Quando Se Nasce Timorense
  • José Cid (2001) - Alentejo Aqui Tão Perto
  • Cabeças No Ar (2002) - Baile da Biblioteca
  • Galiza a José Afonso (2005) -
  • Sérgio Godinho (2003) - Barnabé
  • Roberto Leal (2003) - Ó Rama ó Que Linda Rama
  • Assobio da Cobra (2004) - Letra de Mulher
  • Donna Maria (2004) - Lado a Lado
  • José Carvalho (2005) - Só Nós Dois
  • Couple Coffee (2005) - O orvalho vem caindo
  • Brigada Victor Jara (2006) - Li-la-ré
  • Tim (2010) - Adeus, Serra da Lapa
  • Tim (2010) - Conchita Morales
  • Diabo na Cruz (2010) - O regresso da lebre

Música para Teatro

  • Preto no Branco
  • Arma Branca
  • Viva La Vida
  • Vila Velha

Música para Televisão

  • Estação da Minha Vida

Comentários

"Tive um grupo, na Escola de Belas-Artes, com o Manuel João, dos Ena Pá 2000, onde cantava uma canção dos Beatles, "Here Comes The sun". Como estava todo vestido de preto, levei logo com uma trincha de branco. Felizmente consegui desviar-me e cantei mesmo em inglês..." (in Público, 2000)

"A rádio não passa música portuguesa, enquanto as percentagens de música anglo-americana são brutais." (in Público)

"O Ministério da Cultura só dá força ao cinema. Tem que começar a apoiar a música portuguesa. Os Beatles foram condecorados pela Rainha." (in Público)

"Já experimentei... Tenho coisas feitas em hip hop mas ainda não gravei. Tenho que ter a certeza de que não estou a ser patético. Felizmente, tenho um grande instinto de autocrítica e recorro a esse meu instinto. Estou na esperança de criar uma linha de hip hop absolutamente inédita! [risos]." (in Visão)

"Continuo a ser um homem do sul, desse sul mítico que cabe entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio." (in DN, 2006)

"Em 75, por exemplo, achava que nunca deixaria aquela formação de duas guitararras, percussões, muita voz, muito cuidado com o texto e uma intenção de 'agit prop' constante. No entanto, o mundo mudou e eu também. Mas mantive o essencial, que é um profundo respeito pela língua e a vontade de explorar um universo melódico que, sendo influenciado por muita coisa, é completamente português" (in DN, 2006)




Destaque

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