terça-feira, 7 de março de 2023

Os álbuns ao vivo mais vendidos da história do rock

 


Os shows são parte vital da história do rock, e eternizá-los em álbuns ao vivo antológicos também. 

O primeiro disco ao vivo da história do rock - ou ao menos de um gênero muito próximo dele - foi lançado em 1961 pelo Joey Dee and The Starliters com o título de Doin’ the Twist: Recorded Live at the Peppermint Lounge. O Peppermint Lounge foi uma discoteca popular de Nova York e que abriu suas portas em 1958, mas alcançou o pico de popularidade em 1961 e 1962 como resultado da mania do twist desencadeada pelo lançamento do mega hit “The Wist” por Chubby Checker, em 1960. Os Joey Dee and The Starliters, banda residente do Peppermint Lounge, capitalizaram em cima da onda e gravaram um álbum ao vivo rápido e barato com apenas um microfone, mas o disco se tornou um grande sucesso de qualquer maneira.


Outro candidato é o LP de Ritchie Valens, que se tornou conhecido com o sucesso planetário de “La Bamba”, chamado In Concert at Pacoima Jr. High. O disco foi lançado em 1960 pela Del-Fi Records para lucrar com o luto e a nostalgia depois que Valens faleceu no mesmo acidente de avião que matou Buddy Holly, em 3 de fevereiro de 1959, data que ficou conhecida como "o dia em que o rock morreu". O álbum possui algumas canções com Ritchie Valens apoiado por uma banda e registradas durante um dos shows do músico, mas apenas um lado é ao vivo.


Antes ainda, em março de1958, o DJ e pioneiro do rock and roll Alan Freed lançou um dos seus muitos LPs reunindo vários artistas, desta vez com o título de The Alan Freed Rock 'n Roll Show. O álbum traz o The Crickets, banda de Buddy Holly, tocando “Maybe Baby” ao vivo, naquela que é, provavelmente, a primeira gravação ao vivo de uma banda de rock lançada em um álbum.


O auge do formato se deu durante os anos 1970, com o lançamento de diversos discos que se tornaram clássicos e foram fundamentais para construir a mítica do “duplo ao vivo”, formato que praticamente toda banda de rock adotou para registrar as gravações realizadas em seus shows.

Os números de vendas apresentados abaixo têm como principal fonte o Chart Masters e foram complementados com as informações do Best Selling Albums. Os parâmetros foram os mesmos seguidos na lista de álbuns mais vendidos da história do rock - leia aqui.


Este são os 50 álbuns ao vivo mais vendidos da história do rock:

1 Eric Clapton – Unplugged (1992) – 23,7 milhões

2 Peter Frampton – Frampton Comes Alive! (1976) – 17 milhões

3 Nirvana – MTV Unplugged in New York (1994) – 16,1 milhões

4 Phil Collins – Serious Hits ... Live! (1990) – 15,3 milhões

5 AC/DC – Live (1992) – 14,4 milhões

6 Eagles – Hell Freezes Over (1994) – 12,9 milhões

7 Led Zeppelin – The Song Remains the Same (1976) – 11 milhões

8 Simon & Garfunkel – The Concert in Central Park (1982) – 10,3 milhões

9 U2 – Under a Blood Red Sky (1984) – 9,6 milhões

10 Kiss – Alive! (1975) – 9 milhões

11 Deep Purple – Made in Japan (1972) – 8,9 milhões

12 Crosby, Stills, Nash & Young – 4 Way Street (1971) – 7,8 milhões

13 Bruce Springsteen – Live 1975-85 (1986) – 7,4 milhões

13 Fleetwood Mac – The Dance (1997) – 7,4 milhões

13 Rod Stewart – Unplugged ... and Seated (1993) – 7,4 milhões

16 Metallica – S&M (1999) – 7,3 milhões

17 Eagles – Eagles Live (1980) – 6,7 milhões

18 AC/DC – If You Want Blood, You’ve Got It (1978) – 6,4 milhões

19 The Beatles – Live at the BBC (1994) – 6,2 milhões

20 Pink Floyd – Delicate Sounf of Thunder (1988) – 6,1 milhões

21 Iron Maiden – Live After Death (1985) – 6 milhões

22 Pink Floyd – Pulse (1995) – 5,8 milhões

23 Dire Straits – Alchemy: Dire Straits Live (1984) – 5,3 milhões

24 Bob Seger – Live Bullet (1976) – 5,2 milhões

25 Elvis Presley – Aloha From Hawaii Via Satellite (1973) – 4,9 milhões

26 Queen – Live Killers (1979) – 4,5 milhões

27 Elvis Presley – Elvis As Recorded At Madison Square Garden (1972) – 4,3 milhões

27 Queen – Live at Wembley ´86 (1992) – 4,3 milhões

29 Nirvana – From the Muddy Banks of the Wishkah (1996) – 4,1 milhões

29 Supertramp – Paris (1980) – 4,1 milhões

31 The Rolling Stones – Flashpoint (1991) – 4 milhões

32 Paul McCartney and Wings – Wings Over America (1976) – 3,6 milhões

32 The Rolling Stones – Get Yer Ya-Ya’s Out! (1970) – 3,6 milhões

34 Journey – Captured (1981) – 3,5 milhões

35 Linkin Park – Live in Texas (2003) – 3,4 milhões

36 Queen – Live Magic (1986) – 3,3 milhões

36 The Doors – Absolutely Live (1970) – 3,3 milhões

38 Lynyrd Skynnyrd – One More From the Road (1976) – 3,2 milhões

38 Neil Young – Rust Never Sleeps (1979) – 3,2 milhões

40 Dire Straits – On the Night (1993) – 3,1 milhões

40 Genesis – Seconds Out (1977) – 3,1 milhões

40 Neil Young – Live Rust (1979) – 3,1 milhões

43 Bon Jovi – One Wild Night Live (2000) – 3 milhões

43 Eric Clapton – Just One Night (1980) – 3 milhões

43 Paul McCartney – Tripping the Live Fantastic (1990) – 3 milhões

46 Aerosmith – Live! Bootleg (1978) – 2,9 milhões

46 George Harrison – The Concert For Bangladesh (1971) – 2,9 milhões

48 Bob Dylan – Before the Flood (1974) – 2,8 milhões

48 Elton John – Live in Australia (1987) – 2,8 milhões

48 Neil Young – Unplugged (1993) – 2,8 milhões

Como visto, os anos 1990 são destaque com cinco títulos entre os dez álbuns ao vivo mais vendidos da história. Isso se deu por dois fatores principais: a imensa popularidade dos CDs durante a década de 1990, que revitalizou sobremaneira a indústria fonográfica, e a criação do Unplugged MTV, formato que se transformou em um campeão de vendas desde então, tanto que emplacou dois títulos entre os cinco mais vendidos e deu novo fôlego a artistas veteranos.

No entanto, se retirarmos os Acústicos MTV da lista, os títulos abaixo entram na contagem final:

Guns N’ Roses – Live Era ’87-’93 (1999) – 2,7 milhões

Ozzy Osbourne – Speak of the Devil (1982) – 2,7 milhões

The Beatles – The Beatles at the Hollywood Bowl (1977) – 2,7 milhões


Abaixo você tem uma divisão com os álbuns ao vivo mais vendidos por cada década, começando nos anos 1970 e chegando até os anos 2000. Como o parâmetro de corte de todo esse levantamento sobre os discos mais vendidos de todos os tempos foi a quantidade mínima de 2 milhões de álbuns comercializados, os títulos apresentados vão apenas até esse número de vendas.

Álbuns ao vivo mais vendidos durante os anos 1970:

1 Peter Frampton – Frampton Comes Alive! (1976) – 17 milhões

2 Led Zeppelin – The Song Remains the Same (1976) – 11 milhões

3 Kiss – Alive! (1975) – 9 milhões

4 Deep Purple – Made in Japan (1972) – 8,9 milhões

5 Crosby, Stills, Nash & Young – 4 Way Street (1971) – 7,8 milhões

6 AC/DC – If You Want Blood, You’ve Got It (1978) – 6,4 milhões

7 Bob Seger – Live Bullet (1976) – 5,2 milhões

8 Elvis Presley – Aloha From Hawaii Via Satellite (1973) – 4,9 milhões

9 Queen – Live Killers (1979) – 4,5 milhões

10 Elvis Presley – Elvis As Recorded At Madison Square Garden (1972) – 4,3 milhões

11 Paul McCartney and Wings – Wings Over America (1976) – 3,6 milhões

11 The Rolling Stones – Get Yer Ya-Ya’s Out! (1970) – 3,6 milhões

13 The Doors – Absolutely Live (1970) – 3,3 milhões

14 Lynyrd Skynnyrd – One More From the Road (1976) – 3,2 milhões

14 Neil Young – Rust Never Sleeps (1979) – 3,2 milhões

16 Genesis – Seconds Out (1977) – 3,1 milhões

16 Neil Young – Live Rust (1979) – 3,1 milhões

18 Aerosmith – Live! Bootleg (1978) – 2,9 milhões

18 George Harrison – The Concert For Bangladesh (1971) – 2,9 milhões

20 Bob Dylan – Before the Flood (1974) – 2,8 milhões

21 The Beatles – The Beatles at the Hollywood Bowl (1977) – 2,7 milhões

22 The Rolling Stones – Love You Live (1977) – 2,5 milhões

23 Elvis Presley – Elvis in Concert (1977) – 2,4 milhões

24 Bob Dylan – Bob Dylan at Budokan (1978) – 2,3 milhões

25 Foghat – Live (1977) – 2,2 milhões

25 Kiss – Alive II (1977) – 2,2 milhões

27 Grand Funk Railroad – Live Album (1970) – 2,1 milhões

27 The Who – Live At Leeds (1970) – 2,1 milhões


Álbuns ao vivo mais vendidos durante os anos 1980:

1 Simon & Garfunkel – The Concert in Central Park (1982) – 10,3 milhões

2 U2 – Under a Blood Red Sky (1984) – 9,6 milhões

3 Bruce Springsteen – Live 1975-85 (1986) – 7,4 milhões

4 Eagles – Eagles Live (1980) – 6,7 milhões

5 Pink Floyd – Delicate Sounf of Thunder (1988) – 6,1 milhões

6 Iron Maiden – Live After Death (1985) – 6 milhões

7 Dire Straits – Alchemy: Dire Straits Live (1984) – 5,3 milhões

8 Supertramp – Paris (1980) – 4,1 milhões

9 Journey – Captured (1981) – 3,5 milhões

10 Queen – Live Magic (1986) – 3,3 milhões

11 Eric Clapton – Just One Night (1980) – 3 milhões

12 Elton John – Live in Australia (1987) – 2,8 milhões

13 Ozzy Osbourne – Speak of the Devil (1982) – 2,7 milhões

14 Genesis – Three Sides Live (1982) – 2,4 milhões

14 Talking Heads – Stop Making Sense (1984) – 2,4 milhões

16 Fleetwood Mac – Live (1980) – 2,2 milhões

17 Sting – Bring on the Night (1986) – 2,1 milhões

18 Heart – Greatest Hits: Live (1980) – 2 milhões


Álbuns ao vivo mais vendidos durante os anos 1990:

1 Eric Clapton – Unplugged (1992) – 23,7 milhões

2 Nirvana – MTV Unplugged in New York (1994) – 16,1 milhões

3 Phil Collins – Serious Hits ... Live! (1990) – 15,3 milhões

4 AC/DC – Live (1992) – 14,4 milhões

5 Eagles – Hell Freezes Over (1994) – 12,9 milhões

6 Fleetwood Mac – The Dance (1997) – 7,4 milhões

6 Rod Stewart – Unplugged ... and Seated (1993) – 7,4 milhões

8 Metallica – S&M (1999) – 7,3 milhões

9 The Beatles – Live at the BBC (1994) – 6,2 milhões

10 Pink Floyd – Pulse (1995) – 5,8 milhões

11 Queen – Live at Wembley ´86 (1992) – 4,3 milhões

12 Nirvana – From the Muddy Banks of the Wishkah (1996) – 4,1 milhões

13 The Rolling Stones – Flashpoint (1991) – 4 milhões

14 Dire Straits – On the Night (1993) – 3,1 milhões

15 Paul McCartney – Tripping the Live Fantastic (1990) – 3 milhões

16 Neil Young – Unplugged (1993) – 2,8 milhões

17 Guns N’ Roses – Live Era ’87-’93 (1999) – 2,7 milhões

18 Led Zeppelin – BBC Sessions (1997) – 2,6 milhões

19 The Doors – In Concert (1991) – 2,2 milhões

20 Aerosmith – A Little South of Sanity (1998) – 2,1 milhões

20 Alice in Chains – MTV Unplugged (1996) – 2,1 milhões

20 Van Halen – Live: Right Here, Right Now (1993) – 2,1 milhões


Álbuns ao vivo mais vendidos durante os anos 2000:

1 Linkin Park – Live in Texas (2003) – 3,4 milhões

2 Bon Jovi – One Wild Night Live (2000) – 3 milhões

3 Green Day – Bullet in a Bible (2005) – 2,5 milhões

4 Evanescence – Anywhere But Home (2004) – 2,4 milhões

5 Coldplay – Live (2003) – 2,3 milhões

6 Elton John – One Night Only: The Greatest Hits (2000) – 2,1 milhões

7 Led Zeppelin – How the West Was Won (2003) – 2,1 milhões

8 Led Zeppelin – Celebration Day (2012) – 2,1 milhões

9 Paul McCartney – Back in the U.S. (2002) – 2 milhões

 

“FOREVER MEANS” É O NOVO EP DE ANGEL OLSEN

 Após a edição do álbum “Big Time” em 2022, Angel Olsen encontrou uma nova, mais profunda e verdadeira compreensão de si mesma, num trabalho que foi aclamado como disco do ano por alguma da imprensa especializada.

O novo EP, compila canções das sessões de “Big Time”. “Forever Means” de Angel Olsen tem um fio condutor com o anterior disco: sabedoria da dualidade dor / amor e a percepção de que não há linha de chegada, destino ou ponto final na vida enquanto a vivemos.

No total são 4 novas canções co-produzidas e misturadas por Jonathan Wilson

“BAIRRO DE ALVALADE” É O NOVO TEMA DOS TARA PERDIDA

 

45 anos de “Slowhand”: O maior disco de Eric Clapton na década de 70.

 A sonoridade que consagrou Eric Clapton para o grande público foi aquele mais distante do Rock N’ Roll puro dos anos 60. Na segunda metade da década de 70, Eric passou a desenvolver uma vertente mais pop muito interessante e inimaginável para quem ele era na época. Hoje vamos trocar uma ideia sobre um dos melhores trabalhos da carreira dele que tem tudo haver com o que comentamos, o “Slowhand”que completou 45 anos!

Clapton vinha do lançamento do disco “No Reason To Cry” que convenhamos é um disco menor na carreira do Eric Clapton, um trabalho irregular mas com algumas composições bacanas, lançado em 1976. Sinto que Eric ficou bastante perdido na sua vida pessoal e profissional, muito por conta de seus vícios em drogas e etc. Em seguida, em 1977, Eric lança o disco que oficializa seu apelido que havia ganho há algum tempo, “Slowhand”!

Neste disco, muitas coisas mudariam, as composições seriam mais direcionada ao pop clássico desenvolvido pela indústria na década de 70 mas com pitadas interessantes das notas de guitarrra do Slowhand!

Falando um pouco sobre os destaques do disco, não posso deixar de falar de “Cocaine”, um dos maiores clássicos da carreira de Eric Clapton! Aquele riff icônico, muito parecido com “Sunshine Of Your Love”! Grande abertura, uma composição lírica e que gera covers até os dias de hoje! Também gosto de “Wonderful Tonight”, linda balada! Das menos conhecidas, curto muito “Next Time You See Her” e “Peaches And Diesel”, duas composições fantásticas, muito alto astrais muito bem colocadas no disco!

“Slowhand” foi um disco muito importante para a carreira de Eric Clapton! Pois ele ajudou muito na construção dessa roupagem mais pop da figura de Eric e alcançou um novo público! É um trabalho muito bacana, o melhor da década de 70 do gênio! Fica a homenagem!



50 anos de “The Grand Wazoo”: A perfeição de Frank Zappa.

 Sim, como passar um ano sem falar de Frank Zappa aqui no Entre Acordes? Impossível, devido a qualidade e quantidade de excelentes trabalhos que ele construiu ao longo da carreira! Hoje conversamos sobre um dos meus discos favoritos dele, o “The Grand Wazoo” que está completando 50 anos!

Zappa vinha de uma sequência muito interessante, experimentando o Jazz Fusion. Com um disco maravilhoso que é “Waka/Jawaka” lançado em 1972. E ainda em 1972, mais pro final do ano, Zappa registra mais um grande disco no ano, e que pra mim é das grandes obras primas de sua carreira, o “The Grand Wazoo”

Não haveriam grandes diferenças de sonoridade desde para o anterior, mas na minha opinião, seria mais inspirado e com uma produção praticamente perfeita! Todo o disco é interligado, mantém um ritmo muito interessante. A capa é um show a parte, uma das mais bacanas da história da música, temos dois povos travando uma batalha em que todos estão atacando com a música, acho genial!

Eu considero este uma obra fantástica da carreira de Zappa, um trabalho basicamente instrumental, que hipnotiza o ouvinte! Infelizmente não vejo muita gente falando sobre ele, e estou feliz em poder celebrar e compartilhar mais um disco fantástico com os leitores! Fica a homenagem e recomendação!




Resenha Empyrean Álbum de Fallujah 2022

 

Resenha

Empyrean

Álbum de Fallujah

2022

CD/LP

Com os momentos turbulentos superados, Fallujah entrega bons resultados em Empyrean

O FALLUJAH, apesar dos seus apenas dezesseis anos de atividades, conseguiu uma boa projeção no cenário do metal, graças aos adeptos do lado mais técnico do estilo. A banda conseguiu inclusive atingir posições de destaque nas paradas "Top Hard Rock Albums" e "Heatseekers Albums" da Billboard, com seus três discos anteriores.

Só que nem tudo ia tão bem assim, já que "Undying Light" (2019) não agradou tanto assim a maioria dos fãs do quarteto de San Francisco/EUA (apesar da referência a milenar cidade iraquiana) e acabou resultando na saída de dois importantes membros: o vocalista Antonio Palermo (que publicou um post dizendo se sentir traído pelos seus então amigos) e do baixista Rob Morey.

Sobrou então para o cérebro do grupo, o excelente guitarrista Scott Carstairs, reerguer o FALLUJAH que era até tido como morto depois da saída de Antonio e Rob: recrutou Kyle Schaefer (ARCHAEOLOGIST) para os vocais, Evan Brewer (ex-ENTHEOS, ex-THE FACELESS, ex- ANIMOSITY) para o baixo e ainda chamou quatro outros músicos para participarem do novo disco do grupo, tudo na tentativa de que “Empyrean” (2022) reconquistasse os desiludidos fãs.

Com muita técnica, mudanças de tempo constantes e bonitas passagens progressivas, apesar do rótulo de tech-metal, eu diria o FALLUJAH está mais para o progressive/technical death metal. Admito que esse lado do metal não me atrai muito apesar de toda técnica e boa produção que ronda os lançamentos, geralmente acabo me entediando com o som, mas o grupo entrega ótimas faixas, como em “The Bitter Taste Of Clarity”, “Into The Eventide”, “Duality Of Intent”, na instrumental “Celestial Resonance” e em “Artifacts”.

Para quem como eu não tem o hábito de ouvir esse tipo de som, é preciso algumas repetições para captar todos os elementos e absorver toda sua complexidade. Todos são ótimos músicos, mas o trabalho do guitarrista Scott Carstairs e do baterista Andrew Baird é mesmo de cair o queixo. Scott é compositor de todas as faixas e Kyle, com seu ótimo timbre para o death metal, escreveu as letras.

As dez faixas são sempre pesadas e brutais, suavizadas só mesmo quando entram as passagens progressivas, muito bonitas e bem acomodadas, por sinal. É verdade que às vezes tanta variedade rítmica cansa um pouco e acabei me perdendo por vezes na audição, mas um bom disco no todo, sem dúvida. Fãs de BEYOND CREATION, BETWEEN THE BURIED AND ME, SOILENT GREEN e que gostem de trechos mais moderados, irão encontrar um bom refúgio aqui. 

A produção do experiente Mark Lewis (BELPHEGOR, CANNIBAL CORPSE, DEICIDE, KATAKLYSM, NILE, SIX FEET UNDER, do brazuca KRISIUN entre muitos outros) durou seis meses e foi bem acertada - ele já vem trabalhando com o grupo nos seus três últimos discos. 

Além de Mark, o grupo fez um resgate de parceiros anteriores: Peter Mohrbacher (BLIND GUARDIAN), também autor da capa de “Dreamless” (2016), teve fragmentos da nova arte usados no discreto, mas bem feito encarte. As as vocalistas Tori Letzler (cantora da trilha sonora do filme "Batman Vs Superman: Dawn of Justice") e Katie Thompson (CHIASMA) trabalharam com a banda também no lançamento de 2016, quanto que a também vocalista Chaney Crabb (ENTHEOS, SYSTENS) e o guitarrista David Wu (CYBORG OCTOPUS, ALL TO THE GRAVE) debutaram na parceria com o grupo.

O disco, mesmo não sendo um material brilhante, mostra uma banda coesa, apesar das reformulações e que se mostrou capaz de recuperar boa parte da sua base de fãs de volta, conforme a boa receptividade demonstrada entre eles.

“Empyrean” (2022) foi lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a gigante Nuclear Blast.


Formação:
Kyle Schaefer: vocais, programação
Scott Carstairs: guitarra
Evan Brewer: baixo
Andrew Baird: bateria

Faixas:
01 The Bitter Taste Of Clarity
02 Radiant Ascension feat. Tori Letzler
03 Embrace Oblivion feat. Katie Thompson
04 Into The Eventide feat. Katie Thompson
05 Eden's Lament
06 Soulbreaker
07 Duality Of Intent feat. David Wu
08 Mindless Omnipotent Master feat. Chaney Crabb
09 Celestial Resonance (instrumental)
10 Artifacts feat. Tori Letzler

Padovani's Death Lança Single Slow Down

 

Padovani's Death Lança Single Slow Down

Divulgação

É o segundo single do novo álbum que deve sair no começo de 2023 com 9 músicas.

É uma balada setentista inspirada em músicos e bandas clássicas da época como Beatles e Elton John, o piano da música entrega as referências.

A música fala sobre reduzi o ritmo da vida, da rotina: “Inverter um pouco esta lógica, saber ir mais devagar, ir com mais calma e curtir mais as coisas” disse Padovani’s.

Como será em quase todas as músicas do disco novo, nesta também há uma participação especial: Topsyturvy. Que foi uma banda que o Guilherme Padovani já participou, então o convite ocorreu naturalmente. E é uma música que foge um pouco do que a banda já tinha lançado até então.

CRONICA - TEN YEARS AFTER | Ten Years After (1967)

 

No dia 6 de março de 2014, um dos grandes nomes da sexta-corda elétrica, Alvin Lee, então com 68 anos, faleceu. A oportunidade de discutir o início de Ten Years After.

Um dos grandes lendários combos ingleses que foi um dos vencedores do festival de Woodstock e que teve em suas fileiras um dos campeões da guitarra elétrica.

A origem do grupo remonta a 1964 em Nottingham com o encontro do guitarrista/vocalista Alvin Lee e do baixista Leo Lyons. Eles se juntaram mais tarde ao baterista Ric Lee (sem parentesco com o guitarrista) e ao organista/pianista Chick Churchill. Depois de se chamarem The Jaybirds, o quarteto opta por Ten Years After para marcar o 10º aniversário do nascimento do rock'& roll.

O grupo chega em plena febre ao boom do blues britânico encarnado pelos Rolling Stones, John Mayall & Bluesbreakers, pelos Yardbirds… Os músicos, querendo seguir este caminho, vão fazendo uma sólida reputação nos vários clubes do país. Tanto que assinaram em 1967 com a Deram em busca de formações inspiradas no blues. Em outubro do mesmo ano Ten Years After lança um disco homônimo com a produção de Mike Vernom.

Esse álbum nada mais é do que um blues inglês de 33 rpm, como faziam muito na época. Composto por 9 faixas, este LP se divide entre covers e composições assinadas ou co-assinadas por Alvin Lee. Quanto aos covers, deparamo-nos com “I Want to Know” do cantor inglês Paul Jones (ex Manfred Mann) na abertura. Aqui, Ten Years After apresenta uma versão que mescla Chicago blues e rhythm 'n' blues, entre guitarra turbinada e piano boogie. Nada original, mas um bom começo. A continuação parece mais atraente com "Lord I Just Can't Keep From Crying", uma peça tradicional popularizada pelo Blues Project em 1966. Sem hesitar em se aproximar do jazz, o grupo toca de maneira descontraída. É pairando, limítrofe psicodélico até um pouco exótico. A versão de “Spoonful” de mais de 6 min é pesada através de um órgão cavernoso. Mas acima de tudo há os 9 minutos de “Help Me” na conclusão de Sonny Boy Williamson. 9 minutos pesados, sufocantes e nebulosos para um título que cheira a noite quente e suor. Com este órgão rastejante, astuto e vagamente perturbador, repetindo o mesmo motivo com o baixo enquanto a bateria aumenta a pressão, Alvin Lee coloca compromisso na música, mas acima de tudo improvisa um longo e pesado solo de jazz de blues. Inspirado, incisivo, ele finalmente revela seu talento (pelo menos em parte). Alvin Lee coloca comprometimento na música, mas acima de tudo improvisa um longo solo jazzy blues pesado. Inspirado, incisivo, ele finalmente revela seu talento (pelo menos em parte). Alvin Lee coloca comprometimento na música, mas acima de tudo improvisa um longo solo jazzy blues pesado. Inspirado, incisivo, ele finalmente revela seu talento (pelo menos em parte).  

Do lado da composição tem esse instrumental “Aventuras de um órgão jovem”, um jazz que suinga bem. “Losing The Dogs” é uma peça country/boogie onde o cantor assobia. A oscilante "Feel It for Me" está no registro do rhythm 'n' blues. "Love Until I Die" é mais tribal. Até a chegada estrondosa de uma gaita (sem créditos). "Don't Want You Woman" não é nem mais nem menos que um folk/blues.

Em suma, um belo disco, bem em sintonia com os tempos.

Títulos:
1. I Want To Know   
2. I Can’t Keep From Crying Sometimes     
3. Adventures Of A Young Organ    
4. Spoonful    
5. Losing The Dogs   
6. Feel It For Me       
7. Love Until I Die    
8. Don’t Want You Woman  
9. Help Me

Músicos:
Alvin Lee: Guitarra, Vocais
Chuck Churchill: Órgão, Piano
Ric Lee: Bateria
Leo Lyons: Baixo

Produtores: Mike Vernom, Gus Dudgeon


CRONICA - THE IDES OF MARCH | Vehicle (1970)

 

Se os fãs de Survivor me lerem, é provável que esta coluna os agrade. De fato, antes de fundar o SURVIVOR em 1978, Jim Peterik tinha bastante experiência na indústria da música e começou na segunda metade dos anos 60 com o grupo THE IDES OF MARCH, nascido em Berwyn, Illinois. E sem spoiler, posso dizer que foi musicalmente muito diferente de Survivor.

Em 1966, o grupo começou a ser notado com 2 singles, "You Wouldn't Listen" e "Roller Coaster", que ficaram respectivamente em 42º e 92º lugar nas paradas americanas. Posteriormente, a formação da banda cresceu e, tendo assinado um contrato com a Warner Bros. em 1970, gravou seu primeiro álbum intitulado  Vehicle  e lançado em junho do mesmo ano de 1970.

3 meses antes do lançamento deste álbum, THE IDES OF MARCH lançou um single, “Vehicle”, como um olheiro. No entanto, verifica-se que este single foi um enorme sucesso, tendo provavelmente superado as expectativas da Warner Bros. Para além do sucesso comercial (segundo informações recolhidas na Net, teria sido o single mais vendido da história da Warner Bros.), esta composição, servida por uma introdução com metais que segura facilmente, surfa entre Funk, Soul, Jazz e Rock Psicodélico (vai mostrar que bandas de Fusion e Crossover não revolucionaram nada), tem um groove bem presente, melodias contagiantes, refrão e versos inebriantes e o resultado é magistral, imparável. Este título perfeitamente talhado para as várias rádios de Classic-Rock tinha, na altura,

"Vehicle" mostra que THE IDES OF MARCH é do tipo pau para toda obra e o resto do álbum demonstra isso. Os metais ocupam um lugar de destaque neste primeiro álbum e Jim Peterik, que ocupa a posição de cantor para além da de guitarrista, alterna entre cantar ora rabugento, ora mais calmo, moderado. Para melhor situar THE IDES OF MARCH, está mais ou menos na linha de BLOOD, Sweet & TEARS (um dos grandes grupos do final dos anos 60/início dos anos 70) e CHICAGO da época. Neste contexto, o grupo liderado por Jim Peterik tem oferecido coisas boas como "Time For Thinking", uma composição pomposa e colorida bastante copiosa que é apoiada por instrumentos de sopro, misturando alegremente Jazz, Funk, Rock Psicodélico, a funky "Sky Is Falling ", um título quente focado nos metais, um baixo estrondoso que acompanha tudo, sem esquecer os vocais carrancudos, "Factory Band", uma composição de Rock muito ancorada no seu tempo, bastante próxima do CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL que se revela muito agradável, alegre com o seu solo de guitarra gritante, estridente, palmas presentes, o seu refrão alegremente acolhido em coros que contribuem para a boa disposição, "Bald Medusa", um Rock jazzy/funky mid-tempo carregado de intensidade, paixão em que as guitarras e os metais se afinam, em perfeita sincronia e Jim Peterik desencadeou cantoria. Além disso, "Aire Of Good Feeling" é uma composição folk psicodélica cheia de vitalidade, entusiasmo, impulsionada ainda mais por um cantor e coros para combinar, violões exuberantes, sons hispânicos e parece ser um bom achado. As 2 baladas do álbum se sustentam muito bem. "Home", bem arranjada com os coros que sustentam eficazmente o todo no refrão, as suas melodias cristalinas, um Jim Peterik com uma voz mais calma, exala uma certa sensibilidade. Quanto a "One Woman Man", cantada em coro de forma arejada, tem uma conotação sinfónica e permite fugir, mergulhar no contexto deste final dos anos 60/início dos anos 70 que ainda era muito mais agradável do que o mundo hoje. Para completar este álbum, o grupo adicionou um medley de 2 covers e uma releitura de um título dos BEATLES. "Wooden Ships/Dharma For One" mistura um título de CROSBY, STILL & NASH com um instrumental de JETHRO TULL para uma duração total de 7'15 e, apesar de sua cor de Rock Psicodélico com toques de jazz, o resultado não é muito empolgante, é até um pouco chato a longo prazo. Já “Symphony For Eleanor” é fruto de uma releitura sinfônico-psicodélica de “Eleanor Rigby” dos BEATLES que se estende ao longo de 9'45 e está longe de ser unânime. Em todo caso, pessoalmente, permaneço impassível. O grupo liderado por Jim Peterik é livre, embarcando em uma longa jam que pode ser cansativa.

Este primeiro álbum de THE IDES OF MARCH ainda é um sucesso geral, mesmo que o medley e a releitura do título dos BEATLES sejam zappable, dispensáveis. O grupo de Illinois não hesitou em misturar Rock Psicodélico, Jazz-Rock e Funk, indo ocasionalmente em direções Pop e sinfônicas. As qualidades dos músicos são óbvias. Sem igualar BLOOD, SWEAT & TEARS e CHICAGO, THE IDES OF MARCH fez um disco que inspira respeito e então se mostrou como um estranho que não deve ser subestimado. É uma pena que “Vehicle” ofuscou o resto do álbum. Este havia ficado em 55º lugar nos EUA (por 12 semanas de presença nas paradas) e 38º no Canadá. Posteriormente, THE IDES OF MARCH lançou outros álbuns, mas eles não se saíram tão bem.

Tracklist:
1. Vehicle
2. Factory Band
3. Sky Is Falling
4. Home
5. Wooden Ships/Dharma For One
6. Bald Medusa
7. Aire Of Good Feeling
8. Time For Thinking
9. One Woman Man
10. Symphony For Eleanor

Formação:
Jim Peterik (vocal, guitarra)
Larry Millas (guitarra, baixo, teclados)
Bob Bergland (baixo, saxofone)
Ray Herr (baixo)
Michael Borch (bateria)
John Larson (trompete, fliscorne)
Chuck Soumar (trompete)

Gravadora: Warner Bros.

Produtores : Bob Destocki e Frank Rand

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