domingo, 12 de março de 2023

“O Passo do Lui” (EMI-Odeon, 1984), Os Paralamas do Sucesso

 




Foi através do rock “Vital E Sua Moto” que os Paralamas do Sucesso se tornaram conhecidos do grande público em 1983, quando o rock brasileiro começava a vivenciar um novo momento por meio de uma nova geração de cantores e bandas que surgia. O trio carioca fazia parte daquela nova geração.

No entanto, apesar da visibilidade alcançada com “Vital E Sua Moto”, havia uma insatisfação no trio carioca formado por Herbert Viana (vocais e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria). Ainda que “Vital E Sua Moto” tenha tocado nas rádios de norte a sul do Brasil, o álbum do qual a música fazia parte, Cinema Mudo, o primeiro da banda, vendeu pífias 5 mil cópias. Mas não era só isso, a banda se mostrava insatisfeita também com qualidade da produção de Cinema Mudo. O trio não teve autonomia na produção do álbum, e acabou gravando da forma como a gravadora EMI-Odeon queria.

O produtor Marcelo Sussekind, que na época era também guitarrista da banda Herva Doce, conduziu a produção de Cinema Mudo sob as regras impostas pelo diretor artístico da gravadora, Miguel Plopschi, que desconhecia completamente as novidades da vanguarda do rock internacional, bem como as influências sonoras dos Paralamas do Sucesso como as bandas inglesas de two tone Madness, The Beat e The Specials. Talvez conhecesse no máximo o The Police, que estava estourada, e era a principal referência dos Paralamas do Sucesso. O fato é que as grandes gravadoras no Brasil estavam completamente fora de sintonia com essas novas referências roqueiras. A visão delas estava mais voltada ao mainstream, o que fosse mais comercial.

Inexperientes na gravação de discos, os Paralamas acabaram tendo que seguir a “cartilha” imposta pela companhia. O resultado foi um álbum de som “pasteurizado” e que pouco correspondia à energia vibrante do que era a banda no palco. Depois da experiência pouco satisfatória, Herbert, Bi e Barone garantiram que no segundo álbum, a coisa seria diferente e que a sonoridade refletiria o espírito real do trio.

Madness, The Beat e The Specials: referências musicais para os Paralamas do Sucesso.

Para as gravações do segundo álbum dos Paralamas, foi escalado novamente Marcelo Sussekind, o mesmo do primeiro trabalho. Herbert, Bi e Barone decidem trabalhar mais próximos ao produtor para garantir que o novo trabalho sairia do jeito que queriam. Com o técnico de gravação, Franklin Garrido, o trio expôs de forma detalhada como queria a sonoridade do álbum: um som simples, cru, minimalista, econômico, sem os excessos que predominaram no primeiro álbum. Desta vez, a bateria e o baixo tiveram uma atenção especial. Para gravar a bateria, por exemplo, o produtor e o técnico de gravação chegaram a interferir na acústica do estúdio, e espalharam microfones no ambiente: puseram microfone na bateria, chão e até mesmo no teto. Tudo para captar todo o potencial da bateria poderosa de João Barone cuja maior influência era Stewart Copeland, baterista do The Police.

O esforço e a insistência dos Paralamas do Sucesso em acompanhar de perto todo os pormenores da produção do segundo álbum surtiu o efeito esperado. A qualidade de produção de O Passo do Lui é de longe muito superior à de Cinema Mudo. O som cru, minimalista, econômico e eficiente que a banda tanto buscava está presente nas dez faixas de O Passo do Lui. Chama a atenção a bateria de João Barone que em O Passo do Lui aparece com bastante destaque e nitidez. Toda a estratégia do emprego de microfone em lugares estratégicos para melhor capitação do som da bateria no estúdio surtiu efeito mais do que o desejado. O mesmo acontece com o baixo de Bi Ribeiro.

Musicalmente, O Passo do Lui mostra o trio mais do que nunca envolvido nas influências sonoras anglo-jamaicanas. É perceptível ao longo do álbum referências não só do The Police (principal influência da banda carioca) como também de Madness, The Beat e The Specials, bandas que ganharam projeção através do Two Tone, movimento musical inglês que no começo dos anos 1980, revelou bandas multirraciais que misturavam ska, reggae, punk e new wave.  E é justamente essa mistura que dá forma à estrutura musical de O Passo do Lui, um álbum divertido, alegre e jovem.

The Police: principal influência musical dos Paralamas do Sucesso.


O Passo do Lui começa com o clima lá no alto com “Óculos”. Foi a primeira música de O Passo do Lui a ser divulgada nas emissoras de rádio, antes mesmo do álbum ser lançado. A faixa começa com a bateria de João Barone num agressivo ritmo percussivo, seguido pela guitarra de Herbert Vianna. Um som que lembra o de um xilofone, foi praticamente copiado de “Hands Off She’s Mine”, sucesso do The Beat de 1980. A letra bem-humorada é sobre um rapaz que não consegue conquistar as garotas porque usa óculos.

“Meu Erro” é um rock bem ao estilo new wave. A música possui uma estrutura simples, econômica, proporcionada pela trinca baixo, guitarra e bateria. Os teclados aparecem para dar um “tempero” diferenciado, “forrando” determinados trechos da música. Apesar de ser um rock dançante, “Meu Erro” possui uma letra de tom romântico, onde um rapaz, temendo os erros do passado, resiste às insistências de uma garota em quer recomeçar o romance que tiveram. A linha de baixo de “Meu Erro” lembra um pouco à de “She’s A Man Eater”, da dupla Daryl Hall & John Oates, e de “Town Called Malice”, do trio inglês The Jam.

O romantismo prossegue na faixa seguinte, o ska “Fui Eu”. Mas neste caso, está mais para uma canção de “dor de cotovelo”, uma “sofrência”, em que um sujeito é tratado com desprezo e descaso pela namorada: “Você me olhou fez que não me viu / Foi como se eu não estivesse ali / Desligou a luz, deitou, dormiu / Nem pensou em se divertir”. “Fui Eu” foi regravada praticamente na mesma época pela banda new wave Sempre Livre, e chegou até a fazer mais sucesso do que a versão dos Paralamas. A curiosidade fica por conta da participação de Paula Preuss, namorada na época de João Barone e que faz o vocal de apoio.

“Romance Ideal” é um rock balada romântico sobre um rapaz dominado por uma garota mais jovem do que ele, e por quem é completamente apaixonado: “Ela é só uma menina / E eu pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi / Ela é só uma menina / E eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim”.

João Barone, Bi Ribeiro e Herbert Vianna: os Paralamas do Sucesso numa das fotos para
o encarte do álbum O Passo do Lui.


Fechando o lado A na versão LP do álbum, a contagiante “Ska”, que faixa começa com um solo alucinante de saxofone de Léo Gandelman, e que dá o tom de todo o resto da música. A faixa possui um arranjo simples e é muito veloz para um ska. No entanto, a música deixa claro a influência do The Beat e Madness no trabalho dos Paralamas.

Abrindo o lado B, “Mensagem de Amor”, rock que apesar de ter um arranjo um tanto tenso, contrasta com a letra de teor romântico na qual, nada no mundo para Herbert Vianna, tem mais importância do que estar ao lado da garota que ele ama. O final da música fica por conta de um belo solo de guitarra de Herbert, enquanto Bi e Barone garantem o ritmo roqueiro na retaguarda. “Mensagem de Amor” foi regravada anos depois por Léo Jaime, só que numa versão mais pop e suave.

Até que ponto um romance pode ser um jogo? É disso que trata a suave “Me Liga”: “O nosso jogo não tem regras nem juiz / Você não sabe quantos planos eu já fiz / Tudo que eu tinha pra perder eu já perdi / O seu exército invadindo o meu país”. O refrão conta com mais uma participação de Paula Preuss, namorada de Barone na época, no vocal de apoio.

O reggae enxuto “Assaltaram A Gramática”, é uma parceria do rock star Lulu Santos e do poeta baiano Wally Salomão, onde a dupla se queixa do mal da língua portuguesa. Os Paralamas contam com a participação especial do próprio Lulu Santos, e de sua então esposa, a jornalista Scarlet Moon (1952-2013).

"Assaltaram A Gramática" contou com a participação especial de Lulu Santos e da
sua então esposa, a jornalista Scarlet Moon: 

“Menino E Menina” é um reggae sobre a imaturidade e pretensão de um jovem casal de namorados: “Eles se julgavam diferentes / Como todos os amantes / Imaginam ser / E faziam tantos planos / Que seus vinte e poucos anos / Eram poucos pra tanto querer”.

O álbum termina com a faixa instrumental que dá nome ao álbum, um ótimo ska com o saxofone de Léo Gandelman num ritmo alucinado. Mais uma faixa com influência do som de bandas two tones britânicas.

Lançado em agosto de 1984, O Passo do Lui faz no seu título, referência a Lui, apelido de Luis Antônio Alves, amigo dos Paralamas do Sucesso e um talentoso dançarino de ska. É Lui quem aparece dançando na capa do álbum que conquistou a crítica e o público, não só por reunir músicas com potencial radiofônico como também pela qualidade da produção muito superior ao do álbum de estreia do trio carioca. “Óculos”, primeira faixa de divulgação do álbum, logo ganhou a programação das rádios de todo o Brasil. 

O Passo do Lui serviu de “passaporte” para os Paralamas do Sucesso serem convidados para se apresentarem na primeira edição do festival Rock in Rio, em janeiro de 1985. O power trio se apresentou em duas datas, 13 e 16 de janeiro, e em ambas as apresentações, a performance do grupo foi impecável, e entrou para a história do festival. Os Paralamas entraram no festival como uma banda de sucesso mediano, e saíram de lá como um dos gigantes daquela nova geração do rock brasileiro que despontava.

A participação positiva dos Paralamas na primeira edição do Rock in Rio impulsionou as vendas de O Passo do Lui. Das dez faixas, oito estouraram no rádio ao longo do ano de 1985. Só “Meninos E Meninas” e “O Passo do Lui” não fizeram sucesso. Em junho de 1985, O Passo do Lui garantiu aos Paralamas, o Disco de Ouro pela marca de 100 mil cópias vendidas. Foi um grande salto, já que o álbum de estreia tinha vendido apenas 5 mil cópias. Em pouco tempo, O Passo do Lui já havia ultrapassado as 250 mil cópias em vendas.

Os Paralamas do Sucesso na primeira edição do Rock in Rio, em 1985.

Graças à visibilidade que tiveram no Rock in Rio e o sucesso comercial de O Passo do Lui, os Paralamas fizeram uma grande turnê por todo o Brasil até outubro de 1985, o que permitiu a banda conhecer as mais variadas culturas do país, e toda a sua diversidade musical. Contudo, em foi em outubro de 1985 que um acidente de carro sofrido por João Barone numa estrada do interior do Rio Grande do Sul, obrigou uma pausa forçada na turnê dos Paralamas por cerca de pouco mais de trinta dias.

Enquanto Barone se recuperava do acidente, Herbert Vianna e Bi Ribeiro ensaiavam novas canções e novas referências rítmicas musicais que haviam descoberto durante a turnê pelo Brasil, como a guitarrada, do Pará e os ritmos afro-baianos de Salvador. Além dos ritmos regionais brasileiras, Herbert e Bi estavam ouvindo cada vez mais reggae jamaicano como Yellowman e Dr. Alimantado, além de ritmos africanos.

O laboratório musical que a dupla estava fazendo enquanto o Barone estava enfermo, seria a referência para o próximo álbum, encerraria um ciclo e marcaria o início de uma nova etapa na carreira dos Paralamas do Sucesso. Era a gestação do álbum Selvagem?, terceiro e consagrador álbum do trio carioca, que daria adeus à new wave, e abraçaria a musicalidade do terceiro mundo.  

Faixas

Todas as músicas são de autoria de Herbert Vianna, exceto as indicadas.

Lado A

  1. “Óculos”
  2. “Meu Erro”
  3. “Fui Eu”
  4. “Romance Ideal” (Martim Cardoso - Herbert Vianna)
  5. “Ska”
Lado B

  1. “Mensagem de Amor
  2. “Me Liga”
  3. “Assaltaram a Gramática” (Lulu Santos - Waly Salomão)
  4. “Menino e Menina”
  5. “O Passo do Lui”
Os Paralamas do Sucesso: Herbert Vianna (vocal e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria e percussão).


"Óculos"



"Meu Erro"



"Fui Eu"



"Romance Ideal"



"Ska"



"Mensagem De Amor"



"Me Liga"



"Assaltaram A Gramática"



"Menino E Menina"



"O Passo Do Lui"

Resenha Cost Of Living Álbum de Rick Wakeman 1983

 

Resenha

Cost Of Living

Álbum de Rick Wakeman

1983

CD/LP

Não é porque as ideias grandiosas de Wakeman se encontram em escalas mais modestas, que Cost of Living não pode ser visto como um bom disco

Acho que não é preciso dizer que Cost of Living não é um dos maiores feitos de Wakeman, mas do meu ponto de vista, não o considero um desperdício total como já cheguei a ver comentários por aí, como sempre em qualquer disco do mago, este também tem os seus méritos. Se por um lado, algumas músicas realmente são fáceis de ser execradas por fãs mais radicais, digamos assim, há momentos em que elas funcionam muito bem e não vejo motivo para pensar diferente. Uma queixa que tenho em relação ao disco são os vocais de Hereward Kaye, que soam teatrais demais – deixando claro que adoro vocais teatrais, desde que ele tenha um casamento feliz com a música, algo que não acontece aqui. O próprio Rick Wakeman é mais rigoroso com o disco do que eu, pois enquanto ele chama de um “quase álbum”, eu o considero um bom álbum.  

“Twij” começa por meio de um piano clássico. Conforme a música vai avançando, os solos característicos de Wakeman vão desenhando a marca registrada do músico. “Pandamonia”, de repente, o ouvinte é levado à um direcionamento musical diferente. Bons sintetizadores – base e solo -, vocais bastante punk e um groove interessante. “Gone But Not Forgotten” começa com um belo e evocativo solo de piano antes que um rufo de bateria comece a fazer companhia a ele. Conforme vai avançando, vai ficando mais sinfônica com a entrada de outras teclas. Se dúvida traz algumas marcas registradas de Wakeman, sendo facilmente um dos destaques do álbum.  

“One For The Road” já começa por meio de um groove inquieto. Bastante lúdica, parece ter sido tirada de algum musical. Lembro que na primeira vez que a ouvi, não me entusiasmou tanto, mas depois percebi que tem seus prós. Chega a ficar mais pesada em determinado momento, com a música sendo direcionada para uma melodia mais sombria e de vocais perturbadores – admito, que aqui o estilo de Kaye combinou bastante. “Bedtime Stories”, mais uma vez o piano é o instrumento que inicia tudo, parando rapidamente - e uma criança pede uma história -, mas regressando na companhia do baixo. Apesar de ser uma música delicada, não sei se a definiria como balada. Algumas vocalizações feita por crianças ajudam a dar um ar de ternura para a peça. Não é uma música necessariamente ruim, mas não me agrada muito.   

“Happening Man” é uma peça que já inicia por meio de uma instrumental cheia de energia. Os vocais de Kaye aqui lembram muito aos que Roger Water usou em The Wall. Um rock enérgico que possui algumas mudanças intrigantes e que tem os seus encantos, alguns dos trabalhos das teclas de Wakeman estão definitivamente muito bons. Vale destacar a última mudança em que parece que a peça vai seguir outra direção, mas infelizmente entra um fade-out, uma pena, pois fico bastante curioso para saber o que seria apresentado nessa nova seção. “Shakespeare Run” tem um trabalho de teclado que é simplesmente de tirar o fôlego por cima de um arranjo saltitante e lúdico, mas que depois se volta pra um território mais dramático. Após a “brincadeira” de alguns sintetizadores a peça retorna para a linha mais divertida. Com certeza uma das músicas mais dinâmicas e interessantes do disco. Wakeman mostra com clareza que a sua genialidade permanece intacta dentro dele.  

“Monkey Nuts” é mais uma música onde o drama fica mais nítido conforme ela avança. Aqui temos um rock progressivo muito bom orientado – obviamente – para o teclado. É um exemplo clássico do tipo de performance excessivamente teatral de Hereward Kaye e que acho desnecessária, porém, o arranjo da música é bem interessante, conseguindo mesclar muito bem algumas vibrações clássicas e conceitos de rock. “Elegy (Written In A Country Churchyard)”, com quase oito minutos e meio é a maior peça e a que encerra o disco. Como o nome já denuncia, se trata de uma música em homenagem ao livro de Thomas Gray. A narração do começo - mas que vai seguir por toda a faixa - tem um ar meio The Moody Blues, sendo feita pelo ator Robert Powell. O arranjo de teclado ao fundo é belíssimo, então que os demais instrumentos entram e trazem para a música um arranjo mais rock, mas que logo silencia, com somente a narração e os teclados ao fundo permanecendo. A banda completa entrar e sair é uma constante dentro dessa música, algo que, inclusive, funciona muito bem. Uma peça dramática e poderosa. Um mini épico que encerra Cost of Living com o que você vai encontrar de melhor nele.  

Resumindo, não é porque as ideias grandiosas de Wakeman se encontram em escalas mais modestas, dando lugar para algo mais pop, que Cost of Living não pode ser visto como um bom disco.  

Resenha When Every Second Counts Álbum de 2AM 1987

 

Resenha

When Every Second Counts

Álbum de 2AM

1987

CD/LP

Sempre que for buscar uma banda de AOR, quando encontrar um line up de dois músicos, pode por a mão no fogo pois é garantia de mágica no ar!
E obviamente é o caso do fantástico 2am e seu When Every Second Counts, que se trata de mais um tesouro submerso e que ao ser descoberto pelos amantes do estilo, imediatamente entra em sua coleção.
O disco foi feito e lançado no núcleo máximo da efervescência do estilo, 1987, o ano de incontáveis surgimentos sonoros, então não seria diferente essa ser uma pura obra prima. 
Dave Lloyd (voz) e Mark Thomas (instrumentos) se uniram para esse único objetivo de trazer o ambiente que traduz completamente o que é AOR, apesar de diversos campos em seu universo. Porém aqui você vai ouvir a nata. O som exala absurdamente os 80s e desde sua capa simples até sua produção impecável, a coisa flui do início ao fim em plena harmonia.

Never Gonna Let You Escape abre a obra com magnitude, banhada em teclados e vocais viciantes, onde não tem como parar de cantar esse refrão matador. Ainda estou para confirmar se a bateria desse disco é programada, até porque ela as vezes soa natural e muitas vezes totalmente eletrônica, mas de qualquer forma foi feita sob medida e na sonoridade inconfundível da época.

You're The One, uma linda balada com uma dobra vocal inebriante, traz o ouvinte diretamente às melodias nostálgicas dessas produções. Claro, não temos como trazer para os dias de hoje esse som, não dá pra falar que é moderno, mas é sim atemporal, você vai ouvir essas joias durante muito tempo.

Outra que exala 80s é Somebody Someday. Com um toque de New Wave e uma levada bem energética, esse som é muito criativo, com paradinhas embaladas por corais carregados de bateria e guitarra, pura emoção.

Who Will You Run To transborda talento vocal, com Lloyd desfilando seu poder e entregando um refrão delicioso. Bem cadenciada mas sem perder o pique.

E agora é a vez do que pra mim é o hit do disco: Too Late. Conheci a banda por essa peça, e foi realmente certeiro. Os magníficos teclados dão o tom dessa joia, e a levada midtempo vai trazendo aquele encaixe vocal suave, falando sobre um relacionamento que teve seu momento para seguir, porém não há mais chance. Essa linha vocal vai se empolgando até desaguar em um refrão de puro êxtase, outro que não vai sair da sua mente.
Lost Souls chega de leve no embalo do sintetizador, mas você já vai percebendo que vem vindo um arregaço AOR, e ela explode em poder e surpreendentemente guitarras pesadas! A intensa peça não para, a banda aqui flui fortemente, e aos 2:51 min se prepare para ser abduzido pela onda sonora 2am em corpo e alma... que momento AOR, senhoras e senhores...! Pleno esplendor.

Running With The Same Old Crowd vem muito gostosa, com uma verve pop e segue no ritmo nostálgico. Never Feel This Way Again apresenta uma levada forte e um riff de guita certeiro. Dreams And Promises eleva o nível vintage, com sintetizador e teclas lindamente compostas. 

Now You're Leaving termina essa épica obra emocionando em um tema de mágoas e despedidas, com direito a sax no início e fim. Essa peça foi coverizada perfeitamente por mestre David A Saylor, mas essa original deixa aquele toque sublime que só essa dupla soube fazer.

Esse diamante sonoro em versão física original é cobiçado por diversos colecionadores. Um querido amigo, Daniel Vargas (voz da esplêndida banda AOR brasileira Adellaide) já chegou a oferecer absurdos 4 mil reais para um gringo por uma copia dessas, e o cara recusou! Bom, bem feito para o caboclo pois o álbum foi relançado ano passado, com uma remasterização digna de merecimento, detalhe na capa com o logo da banda em vermelho e uma bonus track: Right Now I Need You. Dani obviamente agarrou uma dessas com unhas e dentes hahaha!

2am se dissolveu no ano seguinte de seu lançamento, não se sabe ao certo do porquê e é uma pena pois duas mentes geniais dessas certamente renderiam mais supremas obras, mas o destino quis assim e ficamos com essa que considero uma das bíblias do mágico estilo. São tesouros assim que fazem o encanto pela Golden Era do estilo e que atrai cada vez mais diferentes gerações de todas as idades.

The Great Deceiver (Live 1973 - 1974) Álbum de King Crimson 1992

 

Resenha

The Great Deceiver (Live 1973 - 1974)

Álbum de King Crimson

1992

CD/LP ao Vivo

King Crimson, Inspiradíssimo

Dizem que a música,
é a linguagem da alma***)))

The Great Deceiver!!!
4 cds que registram diversas performances
deste KING CRIMSON 1973-74...

ATENÇAO!!!
"The Night Watch" versão Faixa 9, do Disco 2, temos um King Crimson "Inspiradíssimo"
entre 2 minutos e 55 segundos
e 3 minutos e 50 segundos***)))

MUSICA AFRICANA

 Lisa Simone - In Need of Love (2019)



Lucibela - Laço Umbilical (2018)



Jonn Hart - Cross My Hart 2 (2019)




ESQUINA PROGRESSIVA

 

IQ - The Road of Bones (2014)




Quantas bandas com mais de trinta anos de carreira conseguem fazer com que o seu trabalho mais recente seja o melhor? Se essa pergunta me fosse feita em 2014 antes que o IQ lançasse seu álbum The Road of Bones, responderia certamente que nenhuma. Mas desde aquele dia minha resposta é outra, afinal, The Road of Bones é sim em minha opinião o melhor trabalho da carreira da banda inglesa.

Mas ainda assim, como nada é unânime, qualquer álbum do IQ está obviamente sujeito a uma grande gama de opiniões que variam desde "obra-prima" até "não entendi muito bem", "não gostei de nada", "prefiro os clássicos". Mas acima disso tudo, vi nesse álbum que a banda não somente foi um dos resistentes ao "desaparecimento" iminente do progressivo no final dos anos 70, como mesmo depois de três décadas, mostram que obras relevantes e musicalmente tão ricas quanto os "anos de ouro" do gênero ainda estão entrando em catálogo.

Particularmente eu sou um fã da banda, tirando dois deslizes seguidos no final dos anos oitenta com seus discos, Nomzamo de 1987 e Are You Sitting Comfortably? de 1989, a banda sempre foi coesa lançando senão excelentes, ao menos bons discos. A versão que escolhi pra postar no blog é a de disco duplo, pra que assim a viagem seja completa e toda a experiência musical de The Road of Bones seja sentida.  A capa do álbum já é algo bastante condizente com a música em si, ou seja, um clima sombrio, uma tristeza melancólica sob uma névoa. Um dos principais responsáveis para que o desenvolvimento disso tudo tenha um grande resultado ficou por conta das mãos do tecladista Neil Durant que arquitetou tudo com extrema competência.


CD1:

O disco começa através da faixa “From The Outside In”. A música tem o seu início com a voz do ator húngaro, Bela Lugosi, que interpretou Drácula em 1931, a frase é justamente uma famosa do filme em que ele diz “listen to them, children of the night, what music they make”, isso junto de um som atmosférico. Então os instrumentos entram em uma explosão que faz lembrar um pouco o que a banda de neo progressivo dos seus compatriotas da Galahad fizeram nos seus discos mais recentes. Na abertura já nos é apresentado um poderoso mellotron, e segue assim por toda a faixa, exceto no momento que ela se acentua mais. O baixo dessa música é extremamente profundo. Uma música que tem um brilho melancólico incrível, assim como todo o álbum como poderão perceber conforme irão ouvindo. É uma das faixas mais pesadas que a banda em toda a sua discografia, quase um metal progressivo.

A música seguinte é a que dá nome ao disco. “The Road of Bones” é uma faixa simplesmente sensacional. Possui um brilho moderno, partes com teclados orquestrais, baixo fretless e uma instrumentação que varia entre uma grande leveza e crescentes partes sinfônicas que são avassaladoras, criando uma paisagem sonora soberba.

Em 2004, dez anos antes do lançamento de The Road of Bones, a banda gravou um épico, "Harvest of Souls", para o disco Dark Matter. Aqui digo que gravaram uma música companheira a ela chamada "Without Walls", algo me faz uma lembrar a outra. Um épico de mais de 19 minutos. A música tem o começo através de uma balada um tanto esquecível. Mas ainda bem que a musicalidade da faixa é substituída por uma levada de guitarra e baterias ao estilo "Kahsmir" do Led Zeppelin. No meio tem uma parte introspectiva criada por uma orquestração até a entrada de um violão e o vocal sereno e emotivo de Peter Nicholls. A faixa então novamente ganha uma cadencia mais excitante até que parece ter chegado ao seu fim, com os instrumentos sendo executados de maneira "bagunçada" e caótica fazendo parecer que é o fim da faixa. Mas então tudo volta a mesma instrumentação inicial da faixa, sim, aquele que não me agradou, mas agora tem a vantagem de ser um som mais encorpado com direito a um bonito solo final de guitarra.

“Ocean” é uma música que confesso ter demorado até que pudesse de fato apreciá-la. Uma canção de clima pastoral, bucólico e atmosfera pura muitas vezes por conta do clima criado pelo teclado de Neil Durant que é completamente influenciado por Tony Banks. Uma balada simples que vai crescendo conforme nos acostumamos com ela. Destaque também para dos vocais emotivos.

“Until the End” encerra o primeiro CD de forma positiva. Após introdução de cerca de três minutos em tom de balada, a música entra em uma crescente onde os trabalhos de maior destaque ficam por conta da bateria criativa e enérgica de Paul Cook e as ótimas linhas de baixo de Tim Esau. Mas toda a banda desempenha bem o seu papel. Vocal, ambientação criada pelo teclado e uma bela guitarra de final. Uma música que soa de forma menos obscura que boa parte do resto do álbum, ainda que seu final seja um tanto melancólico.


CD2:

O CD 2 abre com “Knucklehead” através de uma seção rítmica que remete a sonoridades indianas. Um dos melhores trabalhos de guitarra do álbum está nessa faixa. Desde a parte acústica que encerra a linha indiana, seguido por um trabalho pesado e um bom arpejo. A seção rítmica é algo que brilha durante absolutamente toda a canção. Uma música de começo sereno e de final de cadencia enérgica.

"1312 Overture", o nome da faixa é uma alusão bem-humorada a peça “1812” do compositor russo PyotrTchaikovsky (1840 – 1893). Uma curta faixa instrumental em que Neil é o maior destaque criativo, nos brindando de maneira ímpar com um trabalho que por si só vale por toda a música. Não é complexo, mas é belo e progressivo.

“Cosntellations” sem dúvida alguma é um dos melhores momentos do álbum. Já no início carrega uma excelente percussão e mellotron. Poucas vezes durante toda a carreira da banda nota-se um grupo com o grau tão elevado de inspiração. Os vocais de Nichols estão no seu ápice de beleza e emotividade, compelido para a grandiosidade e excelência novamente dos teclados, esses por sua vez impulsionados por linhas de baixo corpulentas e uma condução rítmica sensacional de bateria. Holmes que até então só havia feito bons trabalhos de guitarra, aqui finalmente brilha junto dos demais pra compor um som que já nasceu com status de clássico. Com claras influências de Genesis a banda atingiu um apogeu musical como poucas vezes foi visto durante a carreira. Sensacional.

O álbum segue agora com a belíssima, "Fall and Rise". Uma balada sublime em que Tim brilha com o seu baixo fretless através de linhas maravilhosas entrelaçadas a bateria sinuosa de Cook. No meio da faixa, Holmes mostra o quão bom também é no violão em um solo simples, mas ao mesmo tempo, de bastante feeling, bem no estilo guitarra espanhola e que casa muito bem com os vocais de Nichols. Outra vez os teclados de Neil Durant são excepcionais.

"Ten Million Demons" é mais um dos momentos arrepiantes do álbum. Começa isoladamente com algumas notas de baixo que logo ganha a companhia dos demais instrumentos. O que Neil Durante faz nessa música não pode ser considerado menos do que soberbo. As progressões de acordes escolhidas pelo tecladista são maravilhosamente saborosas de ouvir. Se existe alguém que faz com que essa música seja da grandeza que é com certeza essa pessoa é o Sr.Durant. Sempre com nítidas influências em Tony Banks, mas sabendo se apresentar de forma singular. Ouvi-la com um fone de ouvido e luzes apagadas é uma forma mais barata de viajar pra fora de órbita.

"Hardcore" é a faixa que finaliza o álbum. Uma sonoridade triste, gótica, fazendo lembrar o compositor clássico alemão Wagner, mas claro, dentro de um contexto progressivo, injetando uma carga sombria na música. Destaque também para o uso do mellotron, executado de forma melíflua. O álbum finaliza com sua música mais fúnebre. O baixo de Tim tem um breve momento de solo, sempre carregado com notas tristes. Holmes faz uma mescla entre duas de suas influências, Steve Hackett e Anthony Phillips pra compor um final acústico para o álbum.

Perceber que ao contrário do que costuma acontecer com muitas bandas com bom tempo de estradas, o IQ lançou seus melhores álbuns a partir dos anos 2000. A produção, o som, a qualidade das músicas, enfim, tudo ficou impecável. Vida longa a uma banda que depois de tanto tempo de estrada não se acomoda, mas procura de fato fazer sempre algo melhor do que o que foi feito anteriormente. Indispensável.


Track Listing


DISC 1:

1.From the Outside In - 7:24
2.The Road of Bones - 8:32
3.Without Walls - 19:15
4.Ocean - 5:55
5.Until the End - 12:00

DISC 2:

1.Knucklehead - 8:10
2.1312 Overture - 4:17
3.Constellations - 12:24
4.Fall and Rise - 7:10
5.Ten Million Demons - 6:10
6.Hardcore - 10:52



ESQUINA PROGRESSIVA

 

Rush - Moving Pictures (1981)




Sempre existem questionamentos por parte de algumas pessoas se o Rush é ou não uma banda de rock progressivo. Bom, de fato que nem sempre eles soam como uma, sendo muitas vezes um hard rock mais técnico, mas ainda assim, tem em sua discografia discos que sem sombra de dúvidas são extremamente progressivos e que hoje podem serem vistos inclusive como clássicos da vertente. 

Desde o seu primeiro álbum, Rush, em 1974, quando contava ainda com o seu primeiro baterista, John Rutsey, e que a partir do segundo daria lugar ao lendário Neil Peart, a banda foi sofrendo uma tremenda evolução em o seu som, saindo da “simplicidade” e buscando um caminho mais complexo, que vai desde os seus arranjos, musicalidade a até suas letras. Tendo provavelmente conseguido o seu apogeu através de Moving Pictures. Sendo o meu preferido ou não, é inegável que é o mais importante do trio canadense. 

O disco abre com "Tom Sawyer". Se você se considera alguém familiarizado com o rock clássico, mas não conhece essa música, de duas uma, ou você tem que rever o conceito de familiarizado ou o rock clássico que falamos são diferentes. Esta é uma música extremamente bem trabalhada e é a canção mais conhecida do Rush por uma razão, ela consegue equilibrar uma base de rock mais acessível com compassos ímpares e estrutura artística, tudo perfeitamente. Os sintetizadores aqui são maravilhosos, assim como toda a instrumental da banda que também é muito boa. Uma excelente faixa que nos faz cantar junto. Como curiosidade, no Brasil também ficou conhecida por conta de ser a música de abertura de "MacGyver - Profissão Perigo", transmitido pela Rede Globo na segunda metade dos anos 80. Só que fica o detalhe, a emissora que fez a sua própria versão de abertura, sendo a música e abertura originais bem diferentes da transmitida por aqui.

"Red Barchetta", bom, esta canção eu tenho algo pessoal com ela, me traz boas lembranças. A atmosfera é excelente, a instrumentação de novo é maravilhosa, solo de guitarra de Alex Lifeson quase no meio da música é simples e mágico. O trio realmente consegue criar uma canção perfeita. Sem exageros, excessos, mas principalmente, sem furos.

"YYZ" é um clássico instrumental do trio. Todos os três músicos extremamente inspirados mantendo tudo em equilíbrio. Possui feeling, virtuosismos, excelentes arranjos, entrosamento. Apesar de como dito, todos os três instrumentos serem destaque, algo que sempre me encanta aqui é a maneira cavalar que o Geddy Lee executa o seu baixo.

Agora é chegada a vez de “Limelight”. Já que no começo mencionei as letras da banda, aqui trata da opinião do baterista Neil Peart sobre estar no centro das atenções. O Rush é uma banda (principalmente Peart, seu principal letrista) incrivelmente inteligente com suas letras em todo o álbum, falei dessa em especial apenas por ser a minha (letra e não música preferida) do álbum e quis deixar uma nota particular. Como de costume mais uma instrumentação grandiosa. A guitarra de Lifeson realmente faz uma trilha linda.

“The Camera Eye”, é a faixa mais longa do álbum, com mais de 10 minutos de duração. Inclusive, depois dessa composição, a banda não fez nenhuma música que ultrapassassem os 10 minutos em nenhum dos seus álbuns posteriores. Não há muito que falar aqui, a não ser que eles criaram uma música que é extremamente expressiva desde a sua introdução até toda a passagem instrumental (sejam em conjunto, sejam em solos de Lifeson), tudo soa sempre interessante e com abundância de elementos de prog rock.

“Witch Hunt", está aí algo que eu não entendo, o motivo dessa faixa costumar ser tão esquecida. Tem seu começo com Lifeson "assombrando" com um riff de guitarra extremamente propício ao momento, assim como um vocal que define em um tom perfeito a canção. Bateria de Peart, sintetizadores e vocal por conta de Lee, além, claro, do baixo que também complementa essa música perfeitamente, culminando em uma explosão emocional junto com as não menos brilhantes letras de Peart.

O álbum encerra através de, “Vital Signs”. Em se tratando de “Moving Pictures”, costuma ser aquela faca de dois gumes, a quem a considere fraca para o álbum e a quem a considere a melhor música do disco. Mas sinceramente, não a vejo com o melhor momento, mas longe de querer dizer que não cai bem no trabalho. Possui uma excelente introdução com sintetizadores, um grande trabalho de guitarra jazzy por parte de Lifeson, a bateria de Peart que dispensa maiores comentários e o baixo de Lee fazem uma linha musical completamente coesa e impressionante, e falando em Lee, seus vocais aqui também merecem destaque, emotivos e únicos para a música. 

Antes desse lançamento, a banda já tinha atingido a sua popularidade e mostrado a capacidade de criação em obras grandiosas que haviam lançado. Mas não há dúvida alguma que nenhum álbum deu a visibilidade ao Rush no mundo da música como aconteceu em “Moving Pictures”, também pudera, uniram tudo em um álbum só, acessibilidade, complexidade, excelentes letras entre outros vários elementos. Um marco pra música daquela década que começava e que o tempo tornou um disco de importância atemporal.


Track Listing

1.Tom Sawyer - 4:34

2.Red Barchetta - 6:08

3.YYZ - 4:24
4.Limelight - 4:21
5.The Camera Eye - 10:57
6.Witch Hunt (Part III of Fear) - 4:44
7 Vital Signs - 4:47


BIOGRAFIA DOS Wraygunn

WrayGunn

WrayGunn é uma banda portuguesa, originária de Coimbra. A fusão de estilos, com especial destaque para inspirações vindas do bluesgospel e de sons de rock puramente americanos, ao mesmo tempo complementados por influências de estilos tão diversos como o hip hop ou o funk, esta poderá ser uma das definições possíveis para o som criado pelos portugueses Wraygunn.

Discografia

Compilações

Formação


DOM - Edge Of Time - 1970

 



Talvez esse seja um dos discos mais incríveis que escutei nos últimos tempos. Trata-se de um album conceitual baseado fortemente a uma viagem de ácido, só pela introdução da capa já temos uma pequena amostra do que está por vir. Inclusive esse é o único trecho vocalizado no registro contido na faixa título, Edge Of Time, fora os gemidos e murmuros sombrios contidos em seu decorrer.

A banda é composta por um desconhecido quarteto vindo de países como Alemanha, Polônia e Hungria que mistura a pureza e a leveza do Folk com o experimentalismo pesado e confuso do Krautrock. O conceito do album baseia-se especificamente em uma "viagem errada", as consequências do ácido sobre os efeitos da mente humana e a percepção do tempo. Uma interpretação bastante criativa onde a mente é capaz de evocar uma série de diferentes estados de consciência e emoção profunda, ou seja, pra derreter mesmo! rs

Musicalmente falando, encontramos nesse registro uma série de belos instrumentos acústicos onde o uso de guitarras elétricas pesadas e bateria foram abolidos em seu decorrer. Apenas lindos solos de flauta e violão misturados a instrumentos estranhos de percussão que se entrelaçam a um forte som de órgão emaranhado em passagens eletrônicas espaciais um tanto complexas. 

Este é mais um daqueles discos raros onde se tem a nítida impressão de que foi gravado ao vivo em um desses estúdios fundo de quintal e que hoje valem centenas de libras. A gravação não é limpa, mas temos aqui uma verdadeira raridade quando o assunto é Krautrock.

Tenho certeza que a maioria das pessoas que frequentam o PRV não conhecem essa jóia esquecida pelo tempo, por isso não pensei duas vezes e tratei de compartilhar, espero que todos tenham a mesma impressão que tive quando escutei pela primeira vez. Não tem erro, quem gosta do gênero vai pirar com esse disco. Prometo!

Have a nice trip!


TRACKS:

1. Intruitus

2. Silence

3. Edge Of Time

4. Dream  


Bonus:

Flotenmenschen 1

Flotenmenschen 2

Flotenmenschen 3

Flotenmenschen 4

Let Me Explain 

MEGA

MUSICA&SOM


VELUDO - A história de uma Banda - CAPÍTULO VI - "Buraco Profundo"



Buraco Profundo é a música tema do sexto capítulo da saga da Banda VELUDO e nos faz mergulhar nas profundezas do rock progressivo da melhor forma possível, com um instrumental de botar inveja a qualquer outra banda do gênero, dada a sua principal característica que é a variância temática, mesmo em uma peça de tempo tão curto como esta.

Essa belíssima música tem como autor, o Nelsinho Laranjeiras que no início dos anos 70 a desenvolveu e a pôs em prática um bom tempo depois quando já fazia parte da Banda VELUDO e, com essa música, dá para entender um pouco do processo de criação das músicas da banda, que em boa parte foram sendo construídas com o passar do tempo e de certa forma atualizadas sem perder a sua essência. 

A música é como o vinho, pois depende do tempo e da experimentação para se aperfeiçoar e chegar ao ponto certo da degustação/audição, portanto, aparentemente em minha visão, esse processo de criação e finalização das músicas teve como resultado, arranjos muito bem estruturados e consistentes pelo longo tempo de maturação que tiveram. 

A execução desta música teve a participação de Nelsinho Laranjeiras, Antonio Giffoni, Diogo de Castro, Daniel de Castro e Foguete Barreto no ano de 2016, quando do lançamento do álbum “Penetrando Por Todo Caminho sem Fraquejar”



 

Histórico da Composição:

Início dos anos 70, bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Dois adolescentes perambulam pelas ruas, cada um com seu violão. Cada banco de praça, portaria de prédio ou casa de amigos, é palco para uma apresentação.

Nelsinho Laranjeiras e Ari Mendes impressionavam pelo entrosamento musical, versatilidade e originalidade. E foi neste contexto que muitas músicas foram criadas, algumas cantadas, outras instrumentais. 

“Buraco Profundo” foi à primeira música idealizada por Nelsinho para ser executada por uma banda de rock. Para isso, precisava de um baterista, de um lugar decente para ensaiar, além de instrumentos e amplificadores. 

Se tinha a música, faltava-lhe todo o resto. “Buraco Profundo” só ganhou os palcos seis anos depois de composta, como parte do repertório do Veludo. 

Com o fim do grupo em 1978, nunca mais foi executada ao vivo. Com a volta da banda aos palcos em 2017, voltou a ser parte do repertório e incluída no CD “Penetrando por todo caminho sem fraquejar” lançado em 2016.

BANDA VELUDO




Destaque

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