CARACA!!!! Daqui para frente não é necessário ler mais nada, apenas escutar o álbum, mas como sou muito teimoso vou continuar escrevendo, pois quando a gente imagina que o cidadão está à beira da aposentadoria, já vestido com pijama listrado e o famoso chinelão de couro, ele nos brinda com um álbum cheio de boas surpresas e com convidados muito interessantes.
As surpresas vão desde algumas músicas que não conheço a autoria, mas são excelentes, até a alguns covers para lá de alucinados, pois passam por obras do The Who, Yes (quase um cover dele mesmo), Pink Floyd, The Doors, Supertramp e até o 10CC, reescritos sob a ótica de Rick Wakeman com resultados alarmantemente positivos no álbum de nome muito sugestivo, “Starship Trooper”, lançado no último dia 15 de abril deste mesmo ano.
Rick Wakeman é um gênio por tudo o que já criou e executou, mas temos que reconhecer que ao longo de sua brilhante carreira, ele sempre esteve muito bem acompanhado de músicos de primeiríssima linha para poder dar vida a suas complexas criações desde os seus primórdios nos idos da década de setenta e agora não foi diferente.
Na linha de frente dos convidados temos Billy Sherwood, Tony Levin, Steve Hillage, Tony Kaye, Willian Shatner (o Capitão Kirk), Steve Howe, Carmine Appice, Jürgen Engler, Colin Moulding, Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Huw Lloyd-Langton, Mickey Thomas e para completar o time, o Nektar.
Tem música para tudo quanto é gosto, pois além de suas próprias composições que estão realmente muito interessantes, com ares setentistas em seus arranjos , ele de forma muito eclética, selecionou vários clássicos da música como, “Love Reign O'er Me” do The Who que se em sua origem já era genial, agora com um pequeno toque progressivo, ganhou mais alguns predicados, pois realmente nunca tinha imaginado escutá-la em uma versão instrumental sem a magnífica VOZ de Roger Daltrey, poderia ser tão linda quanto o seu original.
Botar as mãos em uma música como “The Great Gig in the Sky” é uma temeridade equivalente a abrir a porta de um Boeing a 18.000 pés de altitude, pois a chance de acontecer uma catástrofe é muito grande, entretanto, estamos nos referindo a Rick Wakeman, e ele como sempre, com sua generosidade faz uma grande homenagem ao Pink Floyd, pois a música manteve o seu encanto agora pelas suas mãos e pelas mãos não menos generosas de Steve Howe, só aplaudindo de pé.
Continuando seu tributo ao Pink Floyd, agora com a música “Nobody Home”, veio a minha mente a imagem de Roger Waters a interpretando juntamente com Rick Wakeman, o que seria algo muitíssimo bem-vindo e inusitado, pois seria juntar duas forças de magnitude estratosférica da música em um único espaço, quase uma fusão nuclear musical.
Interessante ouvir “Crime of the Century”, um Mega clássico do Supertramp, em um formato mais sinfônico, diferente de seu original, criando uma nova atmosfera, provando que música boa, é ilimitada, que mexendo aqui e ali, ela se adapta, se recria e que pode atrair magicamente.
Uma bela homenagem a música pop do século passado, um clássico do 10CC, “I'm Not in Love” que tanto embalou os casais românticos, agora mais uma vez envolto em um cenário romântico que manteve o espírito da música, pode sem sombra de dúvidas embalar os casais deste novo século.
Nos últimos anos, não é incomum vê-lo executando “Starship Trooper” em suas apresentações, um Yes, música integrante do “Yes Album” que ele não participou, entretanto, como é um poço de generosidade, coloca a seu lado Tony Kaye que a época de seu lançamento era o tecladista oficial da banda para mais uma vez reviver este sonho de música e logicamente dar o seu toque mágico em “Wurm” onde é o momento em que Rick Wakeman claramente se diverte ao dedilhar seu teclados, pois cada vez que ele a executa, uma nova variação surge sobre o mesmo tema, mais uma vez provando que música boa, é metamórfica.
Não satisfeito, pega um Hiper clássico do rock, como “Light My Fire” do The Doors e o eleva a um outro plano musical completamente diferente de seu formato original, mas ela está lá, intrigante, magnética, agora totalmente sinfônica e a conclusão que chego é que mais uma vez a música venceu o tempo, os preconceitos, está acima do bem e do mal e não aceita desaforos se tiver origem, berço, pois a aura de encanto que a envolve permanece intacta.
Deixei propositadamente para o final, tecer alguns comentários sobre algumas músicas do álbum, uma vez que escutei pouco esse álbum e ainda não tenho uma opinião formada sobre elas, entretanto, não posso me furtar do direito de alertar sobre a música que abre este álbum, “Sober”, pois tinha muito tempo que não escutava algo parecido, tão rock progressivo, música de raiz, visceral, Space Rock e mais uma série de adjetivos que vão surgindo à mente a cada viajante audição.
No caso de Rick Wakeman, sou extremamente suspeito e parcial, portanto desconfiem de tudo o que disse e tirem suas próprias conclusões escutando esse álbum, que para mim provavelmente será o melhor de 2016 e se não for, será um prêmio para todos nós, pois para superá-lo o esforço vai ter que ser hercúleo e o resultado inesperado.
ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!
Tracks:
01. Sober (feat. Billy Sherwood & Jürgen Engler) 02. Are We to Believe? (feat. Steve Hillage, Billy Sherwood & Jürgen Engler) 03. Random Acts (feat. Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Billy Sherwood & Jürgen Engler) 04. Dynamics of Delirium (feat. Jürgen Engler) 05. Love Reign O’er Me (feat. Huw Lloyd-Langton & Carmine Appice) 06. Crime of the Century (feat. Tony Levin & Billy Sherwood) 07. The Great Gig in the Sky (feat. Steve Howe) 08. I’m Not in Love (feat. Nektar) 09. Starship Trooper (feat. Tony Kaye, Mickey Thomas & Billy Sherwood) 10. Check Point Karma (feat. Colin Moulding & Billy Sherwood) 11. Change (feat. William Shatner & Billy Sherwood) 12. Nobody Home (feat. Billy Sherwood) 13. Light My Fire (feat. Steve Howe & Jürgen Engler)
Chegou a vez do Blue Mammoth com seu segundo e mais novo álbum, “Stories Of A King”, lançado em 25 de abril de 2016, está recheado com histórias viajantes, mescladas ao som do antigo e do novo rock progressivo.
Em uma breve troca de e-mails esta semana com Julian Quilodran, baixista e produtor da banda, ele me comentou da grande dificuldade em poder realizar este novo álbum, mas como não entrou em maiores detalhes, acredito que tendo em vista que o estilo da música é muito pontual, tem um público muito específico, obrigatoriamente é necessário ativar os neurônios para poder entende-la, pude perceber que trata-se de uma produção independente, feita na Masque Records, onde certamente tiveram que se virar e fazer de tudo, deste a produção até a divulgação e distribuição, portanto, além de excelentes músicos, são heróis também.
O dinamismo é a tônica deste álbum em suas dez composições que tiveram início no álbum anterior, de nome homônimo à banda e foram maturadas por um longo tempo até chegar ao seu estágio final, onde são contadas histórias de vida e de fatos de diferentes personas com muita intensidade e sofisticação pelas mãos destes talentosos músicos, e cabe também ressaltar que a belíssima capa capa deste álbum é um projeto de Julio Zartos que já havia feito a capa do álbum anterior.
Quando me refiro ao dinamismo, quero me referir ao movimento de ideias, intensidade variável das músicas, ao lirismo e ao poder supremo e a vários outros sentimentos que podem ser percebidos ao longo do álbum e não raramente em uma única música, dada ao tom passional e teatral das letras, bem como da sua interpretação que é elevada ao máximo com um enredo de harmonizações e solos complexos e sofisticados, criando uma atmosfera altamente viajante, somente encontrada quando estamos diante de algo realmente diferenciado, de bom gosto e consequentemente com qualidade anos luz acima do que ultimamente somos submetidos
Daqui para frente amigos, para não parecer sapiência disfarçada de gosto pessoal, é realmente gosto pessoal, portanto, eu não poderia deixar de apontar algumas músicas.que me causaram espécie pelo elevado grau de sofisticação e beleza, como“The Endless Road”; “Childrens Far”; “Nobody’s Hero”; “Perfects Dreams”; “Reflections of a Deaths” (essa é fodástica)e“Waiting Room”, que poderiam facilmente ter a assinatura de qualquer outra grande banda de rock progressivo do passado e do presente, dada a sua qualidade, mas graças ao talento e inteligência destes músicos, tem a assinatura do“Blue Mammoth”, muito bom mesmo.
Este álbum como um todo, realmente superou as minhas expectativas, pois o primeiro álbum já tinha sido um trabalho excepcional e esse realmente foi muito mais além do que eu poderia imaginar, pois claramente nota-se o amadurecimento de ideias, o grande esmero de sua produção, e o principal, a qualidade de suas músicas, portanto, sem maiores delongas só nos resta recomendar muito este álbum.
Para minha surpresa logo cedo dei de cara com essa releitura de “The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of The Round Table”, graças Deus feita pelo autor, sim, Rick Wakeman, que agora nos brinda com essa inesperada pérola, pelo menos para mim.
Começo essas linhas, escutando “King Arthur” e provavelmente chegarei ao final deste texto, sem ter terminado de escutar todo o álbum que diferente de seu original, ganhou várias faixas adicionais, além das novidades sobrescritas aos originais.
Sabiamente Rick Wakeman manteve a grandiosidade e a majestade desta música, que está mais sinfônica que o original, entretanto seus solos de sintetizador continuam vigorosos e instigadores, muito próximo aos timbres que compuseram uma das mais belas peças do rock progressivo.
Nota se em alguns momentos que algumas passagens foram gravadas exatamente como nos originais, ou são os próprios originais e meus velhos ouvidos estão sendo traídos, mas pouco importa, seja o que o for, “The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of The Round Table” é uma obra magnífica e como tal já conquistou seu espaço.
Fora o fato de notadamente Rick Wakeman estar em plena forma ao dedilhar seus teclados, ouvir novamente este álbum com a potente e afinada voz de Ashley Holt, remeteu-me imediatamente a minha juventude, pois afinal são passados mais de quarenta anos de seu lançamento.
Lógico, não aguentei escutar todas as músicas até o final, e neste momento escuto, “Lancelot and The Black Knight”, simplesmente linda e vibrante como sempre foi e sempre será, uma música inigualável e indestrutível.
As novas músicas seguem a mesma temática e métrica dos originais, dando real sentido às músicas clássicas do álbum e agora com o adicional de uma afinadíssima voz feminina que de certa forma harmoniza e humaniza toda o enredo da fascinante história do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Apesar de ser muito prematuro conjecturar alguma coisa a respeito dessa releitura, não consigo me furtar ao desejo de tentar entender porque essas novas inserções não aconteceram no passado e tão somente acontecem agora?
Poderia ser por questões mercadológicas e/ou por conta dos formatos de mídia disponíveis à época em que foi lançando, ou até mesmo porque isto não foi pensado antes, ou até mesmo por um surto genial que bateu no cérebro não menos genial de Rick Wakeman em complementar sua própria obra, afinal, se tem alguém capacitado a fazê-lo, só ele próprio, mas vai saber o que se passa na cabeça de uma criatura como ele, e também se não for nada disso, pouca importa, o que importa é que ele o fez.
Escutando a música, “Merlin The Magician”, agora cantada por Ashley Holt, Rick Wakeman faz o que mais gosta de fazer, ou seja, deslizar freneticamente por seus sintetizadores dando vida às mágicas e feitiços do mago mais emblemático que já existiu.
Em resumo, o que temos nesse álbum? Temos Rick Wakeman, Ashley Holt, Orquestra, Coro, uma bela capa desenhada por Roger Dean, só música boa, então temos a química perfeita para o entretenimento, divertimento, encantamento e qualquer outro “mento” que possa existir e agora que termino este raquítico texto, tendo como trilha de fundo a música, “The Last Battle”, que tanto me emocionou no passado, posso assegurar que o sentimento é o mesmo agora.
Não posso fugir de minhas obrigações como divulgador de cultura musical, pois tenho que recomendar a audição deste álbum, pois não há como fugir da sua atração, diria até “hipnótica” (palavra muito usada por Luciana Aun, nossa musa e mestra do progressivo, mantenedora do blog ProgRockVintage em algumas de suas belas postagens), mas que define com exatidão a relação que há entre obra e o ouvinte em casos absolutamente especiais como este, podem crer, hipnotiza mesmo.
IMPERDÍVEL!!!!
Tracks: 01 - The Choice of King 02 - King Arthur 03 - Morgan le Fay 04 - Lady of the Lake 05 - Arthurs Queen 06 - Guinevere 07 - Lancelot and The Black Knight 08 - Princess Elaine 09 - Camelot 10 - The King of Merlins 11 - A Wizards Potion 12 - Merlin the Magician 13 - The Chalice 14 - The Holy Grail 15 - The Best Knight 16 - The Contest 17 - Sir Galahad 18 - Percival the Knight 19 - Excalibur 20 - The Last Battle
Só mesmo uma banda feito o Kansas para me tirar do recesso musical a que estou submetido por conta de compromissos profissionais, entretanto, o motivo é mais que nobre, pois não é todo dia que temos um lançamento que realmente valha a pena gastar saliva, digo, palavras escritas.
A princípio sempre assusta um pouco quando uma banda digamos, “das antigas”, resolve lançar algo novo, pois nunca se sabe o que pode surgir, mas neste caso, escutando apenas uma única música, esse temor foi logo dissipado, pois de imediato bateu uma sensação que se tinha quando uma destas bandas dita “das antigas” lançava um novo álbum.
Fácil de explicar, pois quem conhece os álbuns mais antigos do Kansas, vai lembrar de álbuns como “Leftoverture”; ” Point Of Know Return” e Monolith, que são álbuns consagradíssimos, mas pasmem, escutando as músicas de “The Prelude Implicit”, o mais novo álbum do Kansas, o décimo sexto da discografia da banda.
Essa trilogia citada logo acima habita entre os anos de 1976 a 1979, ou seja, a fase mais clássica e produtiva da banda, com músicas absolutamente carismáticas e sofisticadas e com seu melhor elenco de músicos em todos os tempos da banda.
Muito bem, e agora, como a banda está formada? Foi a primeira coisa que me ocorreu em ver quem havia sobrado do elenco clássico principal, pois desde o último lançamento, são dezesseis anos de um longo período sem pisar em um estúdio e para meu espanto, sobraram penas 2 elementos.
Phil Ehart e Rich Williams, os últimos do Moicanos do Kansas, só que eu já tinha gostado do álbum sem saber dessa pseuda perda de DNA, pois realmente o álbum é supreendentemente muito bom, sem grande firulas e pirotecnias, mas eles acertaram a mão neste trabalho, pois os novos integrantes(????) dão a impressão de terem sido membros da banda em outras épocas.
De certo modo são, pois pesquisando cada elemento, com exceção de David Manion, nos teclados, Ronnie Platt no vocais e Zak Rizvi, nas guitarras, realmente os demais já fazem parte da banda a bastante tempo, mas como eu foco muito no trabalho dos anos setenta, a princípio todos eram novos integrantes para mim, coisa que não se confirmou depois.
O ponto mais positivo desse álbum é o resgate das origens da banda, a busca de sua essência perdida e reprimida a tempos e que tão bem caracteriza o caráter da banda, pois há uma aura muito positiva que envolve essas músicas, portanto não é difícil voltar ao passado por essa ponte que nos leva ao centro da fase áurea da banda.
É muito bom voltar a escutar o som do violino rasgando as músicas, acompanhada de um vocal muito bem colocado, que combina com o timbre da banda e que em certos momentos nos lembra da voz de Steve Walsh, provocando um “deja-vu”, não melancólico, mas gostoso de lembrar como era o Kansas da década de setenta.
Como a primeira música que escutei foi “Visibility Zero”, vou usa-la para expressar o sentimento de todo o álbum, pois ela foi a responsável pelo meu ímpeto em voltar a escrever, por isso posso afirmar sem medo de estar exagerando que este álbum é uma das grandes surpresas de 2016, senão a maior de todas, pois estamos diante de um trabalho corajoso, que remete o ouvinte ao passado, mas de forma moderna e arrojada, sem ser piegas e que certamente vai atingir até os menos habituados ao som da banda.
Tem de tudo neste álbum, indo da baladinha até o pancadão, sem medo de ser feliz, de forma muito harmoniosa e inteligente, aliando antigos conceitos musicais a novas tendências, prendendo a atenção, o que é muito difícil, principalmente nos dias de hoje, ou seja, sobra argumento para segurar e entreter os fãs e os não fãs da banda até o final do álbum.
Particularmente eu fiquei muito feliz em poder escutar esse trabalho e fico apenas imaginando como deva estar o ego e 0 orgulho desses músicos, pois realmente fizeram um trabalho admirável, digno de receber aplausos e elogios dos fãs e da crítica em geral.
Musicians Phil Ehart / Drums, Percussion Billy Greer / Bass, Vocals David Manion / Keyboards Ronnie Platt / Lead Vocals, Keyboards David Ragsdale / Violin, Vocals Rich Williams / Electric Guitar, Acoustic Guitar Zak Rizvi / Electric Guitar
Tracks: 01. With This Heart 02. Visibility Zero 03. The Unsung Heroes 04. Rhythm in the Spirit 05. Refugee 06. The Voyage of Eight Eighteen 07. Camouflage 08. Summer 09. Crowded Isolation 10. Section 60 11. Home on the Range (Cover Version) 12. Oh Shenandoah (Cover Version)
10/No Need To Be Lonely/4:58 Piano (Acoustic), Piano (Electric)/Craig Doerge ********** Tracks By Mimi Farina (tracks 2, 5, 7 to 9); Tom Jans (tracks 1, 9, 10) Lyrics By Mimi Farina (tracks 3, 6), Tom Jans (tracks 3, 6) ********** Arranged By Mimi Farina (tracks 3, 4); Tom Jans (tracks 3, 4) Bass (Electric)/Leland Sklar (tracks 1 to 8, 10) Cello/Edgar Lustgarten (tracks 2, 10) Drums/Jim Keltner (tracks 1, 6, 8); Russ Kunkel (tracks 3, 10) Guitar/Mimi Farina; Tom Jans Piano/Craig Doerge (tracks 1, 3, 5 to 8) Vocals/Mimi Farina (tracks 1 to 8, 10); Tom Jans (tracks 1, 3 to 8, 10)
Jans fez extensas turnês com Mimi Fariña - irmã de Joan Baez - e lançou um excelente álbum em dupla com Farina em 1971, intitulado "Take Heart". Depois de se separar de Farina em 1972, Jans gravou três discos como artista solo, o melhor dos quais foi um lançamento autointitulado para a A&M em 1973, que incluía sua versão de "Loving Arms". Seus outros álbuns foram "The Eyes of An Only Child" e "Dark Blonde", ambos gravados para a Columbia em meados dos anos setenta, o que levou sua música a uma direção mais voltada para o rock. Quando os lançamentos da Columbia falharam em encontrar público, sua carreira perdeu impulso e, embora Jans continuasse a se apresentar, ele não lançou nenhuma gravação até "Champion" de 1982, um álbum que poucos ouviram e permanece tão obscuro que permanece difícil confirmar que foi lançado.
Jans sofreu ferimentos graves em um acidente de motocicleta em 1983; ironicamente, Richard Farina, marido e parceiro de canto de Mimi, morreu em um acidente de motocicleta em 1966. Jans morreu de overdose de drogas em 1984. Infelizmente, ele foi amplamente esquecido como compositor e intérprete. A maioria de suas gravações não foi relançada em CD nos Estados Unidos e, portanto, é difícil de encontrar, exceto em seus lançamentos em LP originais. Tom Waits dedicou uma música a Tom Jans chamada "Whistle Down The Wind (For Tom Jans)" apresentada em "Bone Machine".
A tríade Sex Pistols, The Clash e Damned deixou muito em termos de revolução musical no final dos anos 70. Mas antes disso, houve outros grupos que começaram essa revolução, eles deram os primeiros passos. Mais tarde, eles foram chamados de "proto-punk" e, mais do que a música, o que os unia era a atitude diante da vida, do sistema e do sentimento de felicidade perpétua que emanava do ar hippie. E nessa linha estavam os Stooges, liderados por Iggy Pop. Foram eles que mais se aproximaram da sonoridade punk que viria depois, completando o panorama com a atitude mais violenta, desavergonhada e selvagem em palco, muito perto de um sinal de autodestruição. .
Depois de lançar o som de garagem "The Stooges" e o cru "Fun House", Iggy deixa a banda para ter controle total do processo criativo e forma sua nova banda chamada Iggy Pop and The Stooges. Com a ajuda de seu grande amigo David Bowie, que fez vários movimentos para que a Columbia o contratasse, em 1972 "Raw Power" começou a tomar forma.
O álbum é absolutamente cru e poderoso, soando ainda mais completo que os anteriores. O apocalipse se faz sentir desde o primeiro minuto com os acordes gigantes de “Search and Destroy”, crítica voraz da geração pós-Vietnã; É o único que resta da remasterização original, que se reflete na imperfeição do seu som. Guitarras secas, riffs simples mas acompanhados pela voz de Iggy tornam-se um pack louco. O refrão é avassalador, com uma qualidade tremenda. Espontânea e enérgica; fica na sua cabeça com angústia e desespero. “vb Danger” é menos avassaladora que a primeira e na voz há uma semelhança com os Stones; Começa com alguns violões bem americanos, mas termina com cordas sujas. O pandeiro e o piano conferem-lhe um carácter antigo, mais cinqüenta.
"Your Pretty Face Is Going To Hell" começa com força, o que faz você se sentir puro punk sem descanso. Iggy? das entranhas A sexualidade transparece em "Penetration", mais descontraída e excitante, com uma voz sussurrante, à semelhança de Mick Jagger; soa vigoroso, sem amarras. “Raw Power” é a peça mais punk e linear até agora; é marcada pelo ritmo e por aquela guitarra arrasadora. Equilíbrio perfeito entre rock e punk. Soa também punk, mas também mais grunge, «Shake Appeal», com grande contribuição do baixo, que se mantém na obscuridade durante quase todo o álbum; a música é pura visceralidade, com uma guitarra rítmica irresistível e muitos uivos. “I Need Somebody” é um blues magistralmente executado pela rica garganta de Iggy; acalma o ambiente; suas letras ambíguas, compostas para muitas interpretações. Aqui as raízes musicais do líder vêm à tona. E a tremenda viagem termina com “Death Trip”, uma música que perde um pouco a graça mas que remete aos MC5 e seu rock suado.
Resumindo, é um disco cheio de punk-rock raivoso que chega até o osso; cheio de críticas sociais e sem espaço para descanso. Não teve uma grande recepção comercial, mas é hora de dar-lhe o justo reconhecimento como uma potência do rock sujo, destinada a ser uma influência do punk que se espalharia no final da década.
Matarratas (1987) e Fiskales Ad-Hok (1993) já haviam ficado no passado, e a banda nacional de punk rock queria continuar demonstrando seu descontentamento com as transformações pelas quais o Chile passava, tanto em termos de contingências políticas quanto sociais. Era hora de lançar um novo álbum e para isso levaram dois longos anos em que escreveram as músicas de Traga, que seria o terceiro disco da banda de Santiago.
Porém, apesar de ter uma consciência social atrelada ao que são os trabalhadores e a consequência, o álbum não ficou isento de polêmica, já que foram criticados por assinarem com a extinta multinacional BMG, que foi a fusão entre a Sony Music e a BMG Entertainment, esta última parte do conglomerado alemão Bertelsmann.
Apesar das críticas que vieram de vários quadrantes, Fiskales lutou para produzir um material melhor do que seus antecessores. Os problemas eram constantes, mas -falando em bom chileno- eles cumpriram a tarefa com uma obra que ficaria nos anais da música chilena.
"Como eu poderia dormir em paz sabendo / que o poder do nosso sul está afundando" , começa direto e abertamente com "Río abajo" os compatriotas que defendem a causa mapuche e desprezam as grandes potências que exploram os araucanos. Com várias passagens onde se destacam a trutruka e o trompe, a banda dá um plus a uma música que simboliza a consciência que muitos chilenos compartilham sobre o que é a luta do "povo da terra". Para finalizar o primeiro single, eles continuam com sua forma de resposta e ameaçam com uma frase forte: "Se você continuar virando as costas para os mapuches verá o poder / que te protege eternamente não será, não será, não será / a maldição das terras inundará / e esmagará sua alma, alma, alma.”
"Perra" tem muito a ver com a raiva que o grupo demonstra em relação à sociedade com uma carta que é pungente e faz pensar se está se referindo a uma mulher ou a alguma classe social. Depois de mais de um minuto de violência feita música chega um dos hinos chilenos através de "No estar aquí". “E eu fico aqui, parado aqui / olhando de um lado para o outro / e me sinto tão estúpido, tão estúpido / entre tantas bolas quicando / e elas quicando sem parar, sem parar / SEM PARAR!”A frase da banda é eloquente e por vezes lembra a letra de Los Prisioneros, mas com aquela raiva e fúria que só Álvaro España consegue transmitir com aquele tom irascível que só ele exibe. Além disso, as locuções expostas pelo vocalista revelam a solidão que abundava nos setores mais remotos de uma sociedade que estava cansada de ver em Eduardo Frei Ruiz-Tagle uma figura que não era aquela que esperavam governar nesta longa e estreita faixa de terra
O título da música "El perro del regimiento" foi retirado da história do escritor, jornalista e cronista Daniel Riquelme de mesmo nome onde é feito um relato histórico do que foi a Batalha do Alto de La Alianza em Tacna em 26 de maio , 1880 no âmbito do que foi a Guerra do Pacífico. É aqui, onde o grupo punk encontrou o adágio perfeito para inventar uma carta que vai com uma versão animada para as classes castristas vigentes naqueles anos no Chile, devido à obrigatoriedade do serviço militar. "Com que amargura você olha para o calendário, o maldito dia está chegando, o menos esperado, o dia em que alguém divide sua juventude em dois e não é lei divina, é uma maldição legal."Com esta escrita, a banda está demonstrando nesta música seus sentimentos sobre o que é um cumprimento que não deve ser imperativo para as pessoas em um estado de direito e liberdade.
A classe política tem uma música própria no álbum Traga e é "El circo" que expõe a poesia do grupo para desenvolver uma forte sátira e escárnio de como os partidos e o governo foram geridos nos primeiros cinco anos de "democracia " no Chile após a ditadura de Augusto Pinochet. “Chega um patrão novo e sorridente, com bandeiras coloridas, se a casa é a nossa pátria porque estamos aqui com cara de fome sem poder entrar”, é um contundente discurso de protesto para expressar não só o descontentamento mas a inaptidão para com os “patrões” em o país para poder resolver os problemas adjacentes e a divisão das classes sociais entre ricos e pobres. "Os palhaços ganhando e nós assistindo", dá uma definição aberta de uma massa adormecida e na qual os seis anos que durarão o governo Frei não dão esperança de conseguir sair da letargia.
“Banderitas y globitos” faz-nos sentir que nos perdemos, com aquela força de uma bateria de sons e guitarras, mergulhamos ainda mais num beco sem saída em que há muitas perguntas mas nenhuma resposta para os problemas. “Eles me movem, eles me movem / A rota se estende / O que eu entendo é o que não entendo” , fecha a letra da última música do álbum Traga, deixando aquela sensação de que este é um trabalho que deve nos alertar. do que nos acontece por aí e dos inconvenientes que se cobrem com máscaras e soluções banais.
Fiskales Ad-Hok com este álbum deu um passo importante para o que seriam seus próximos trabalhos. Além do mais, eles deixaram a gravadora BMG devido a muitas diferenças e criaram sua própria gravadora chamada Corporación Fonográfica Autónoma (CFA), onde lançariam todas as suas próximas placas de estúdio. Mas, sem esquecer o foco desta nota, Traga nos revela o que poucos tocaram com o retorno à democracia: problemas sociais enraizados nas bases mais profundas.
O Pior do Chile junto com os Fiskales forneceram as bases para pensar um pouco mais e raciocinar sobre os reveses que afligiram o Chile após 17 anos de tortura e divisão. As coisas não mudaram muito com a Concertación dos anos 90, por isso Traga nos deixa uma mensagem que não pode ser descartada nos mais de 37 minutos que dura: os problemas continuam os mesmos de 21 anos atrás. A desigualdade continua, a política continua sendo um conglomerado de "palhaços" e grande parte da sociedade está envolta em uma espécie de entorpecimento onde tem permitido que o grande capital e a classe dominante coloquem o dedo na boca, abertamente e com leis que os protegem em qualquer situação, vamos ser claros, em qualquer situação!