sexta-feira, 7 de abril de 2023

DANIEL BIRO - 120 One Twenty (2017/ Sargasso)



Não escapou do nosso radar berlinense, o sul-africano Daniel Biro. Nascido em Joanesburgo, mas um cidadão do mundo em sua expressão mais ampla. Ele treinou nos Conservatórios de Mônaco e Paris. Hoje ele mora em Londres. Membro de bandas de pop rock nas décadas de 80 e 90, incluindo Dennis Greaves & the Truth. Também com jazz-prog-psych, Mysteres of the Revolution. Já fez trilhas sonoras e músicas para documentários, dança contemporânea, teatro, TV e é dono de seu próprio selo de música experimental, a Sargasso Records. 

Seu primeiro álbum instrumental, inteiramente de teclados, surgiu no final de 2017, "120 One Twenty". Daniel coleciona sintetizadores antigos e incorpora influências do jazz em seu estilo, devido ao seu amor pelo piano elétrico Fender Rhodes.
Abrindo com "Door" muito logicamente, uma faceta melódica muito pronunciada pode ser apreciada imediatamente em seu prog eletrônico. Algo como uma simbiose entre Michael Höenig e Patrick Moraz. Grande colecionador de sonhos descritivos, cria mundos fantásticos de uma estranha plasticidade sonora muito assimilável. Cada pincelada é um detalhe nada aleatório. Nota-se que possui um meticuloso estudo de composição, que funciona com natural eficiência. 
Os temas-partes sucedem-se, "Ancient", "Nimbus", "Itinerarium", "Embark"......O maquinário sequencial bem oleado forma um todo com o contexto ambiental, perfeitamente integrado a alguns desenvolvimentos imaginativos e lindamente trabalhados, às vezes muito sinfônicos. Quase uma reminiscência do Projeto Alan Parsons nos dias de "Pyramid" ou "Eve". Certamente o Rhodes é uma parte substancial do estilo de Daniel Biro. Dá a ele aquele guia, uma trilha estilística que o diferencia dos demais. Ao minuto 19' - 20', recupere algumas das passagens mais brilhantes da atual Escola de Berlim. E isso vai aumentando com um vasto tecido melódico que o ritmo do sequenciador vai implantando e dirigindo. Ao mesmo tempo, aquele jazz rock subliminar é ouvido novamente, durante a suíte. Nível A. Isso é muito bom, meus queridos camaradas cibernéticos! Como um primeiro Boletim Meteorológico integrado à Escola de Berlim!  
O sinuoso solo de sintetizador no minuto 30' poderia ser um sax em um contexto de jazz ambiente da marca Zawinul-Shorter. As partes da faixa continuam chegando ... "Levitator", "Barren", "Immortal", "Returning" e "Outside". Agora com acenos borbulhantes para "Aqua" de Edgar Froese. Mas a relaxante Fender Rhodes avisa que se trata de música de Daniel Biro. Com um ligeiro atraso, consegue situações de melancolia e nostalgia em pouquíssimas notas. Peter Bardens vem à mente, quando Camel foi infectado com "loucura lunar". Também Dave Greenslade. Mas levadas a fantásticas paisagens espaciais esculpidas com imaginação ilimitada. Ouvir a iguaria kosmische por volta do minuto 45" é testemunhar algo inusitado nestes territórios. Puro escapismo reinventado com maestria.


 

Minuto 50" da partida e algo da escola francesa também se insinua aqui, piano Jarre + Rhodes que oferece uma nova dimensão à matéria.  Porque Daniel Biro se propôs a renovar com este trabalho, sem perder nada da essência clássica. Não só consegue, é que colocou a fasquia muito alta. Nos últimos momentos desta suite de 65 minutos, assistimos, após uma explosão de cor orquestral, a um limbo cósmico digno de "Alpha Centaury", "Atem" ou " Zeit".

Um dos sintetizadores mais originais e frescos dos últimos anos. Jóia.


  

Fruupp – Future Legends (1973, Dawn)




No final de 1969 é o ponto de eclosão em que os sonhos de música negra que o grupo Blues By Five recriava se transformam sem escrúpulos em passagens que misturam o sinfónico com o pastoral. Pelo meio, um período de tempo quase insignificante em que se ocupam de mesas colaborando com outros artistas que mais tarde ascenderiam à fama, como é o caso de Cat Stevens. Naquela época, o Blues By Five consistia em Terence "Superkey" McKee, Vincent McCusker, Miles "Tinhead" McKee, Paddy Shaw e Ian Best. 
Quando o grupo se fragmentou, McCusker iniciou algumas pesquisas em relação aos estilos norte-americanos como as correntes country mais coloridas. Logo ele já tem um novo projeto em execução. Best continuará ao lado de seu antigo parceiro, além de ser a figura que propõe Fruupp como nome para o combo. Entre os velhos conhecidos também está “Tinhead”, enquanto Marty “Capone” O'Connor surge como uma refrescante contratação atrás da bateria. Estes instrumentistas irlandeses, cuja sede se situa em Maghera, receberam o prémio de Banda do Ano pela revista Thursday. 
Boas notícias voam e é aí que o especialista em guitarra de Belfast, Rob McCullough, avança para preencher a posição de seis cordas na Fruupp. A entrada de um significará a posterior saída de outro, neste caso quem decide sair é Ian Best. Mas o passo definitivo para iniciar a verdadeira marcha vem promovido por Paul Charles. Ele, ex-representante do Blues By Five, havia encaminhado sua jornada profissional para Londres, e é de lá que Vincent receberá a ligação decisiva. Charles fez contato com o inteligente Chas Chandler e está ansioso para apresentá-los a seu novo amigo.


No momento em que ele finalmente se aproxima de sua estréia na gravação, Fruupp conta em suas fileiras com Stephen Houston, Peter Farrelly, Martin Foye e o factótum Vincent McCusker. Future Legends será o título escolhido para a estreia, um álbum que se situa algures entre Curved Air e Barclay James Harvest. A sonoridade do quarteto tem muito rock sinfônico, embora não se atente aos elogios ao folk irlandês ou aquele blues que Vincent iniciou como Blues By Five. Durante os primeiros anos 70, o grupo chegou ao seu calendário de datas para apresentar seu material ao vivo; algo a que se deve acrescentar o mérito de um feito como a edição de quatro discos em quase dois anos.



Temas
1. Future legends-00:00
2. Decision-01:32
3. As day breaks with dawn-08:02
4. Graveyard epistle-13:06
5. Lord of the Incubus-19:26
6. Olde tyme future-25:54
7. Song for a thought-31:33
8. Future legends-39:09



Crack The Sky – Animal Notes (1976/Lifesong)


Sabe aquela que falou que uma banda ia saindo em meados dos anos 70 e parece que vai comer tudo nos EUA, e no final nada? Bem, esses eram Crack The Sky. Músicos renomados no final dos anos 60 que em 1975 lançaram um álbum de estreia autointitulado para grande surpresa e deleite da crítica. A proposta merecia. Arty hard rock em todo o seu esplendor. Era para ser aumentado em "Animal Notes" (1976) e "Safety in Numbers" (1978). Deixando uma tremenda vida antes de sua primeira separação. Nada menos do que haverá até três paradas-arranca mais. A última de 96 até o presente, na qual continuam e já contabilizam trinta discos. Muitas mudanças de membros e estilos. Vamos nos concentrar nos anos 70. Crack The Sky foi uma banda de seu tempo. Um compêndio maravilhoso, bom demais para ser verdade, de Max Webster, City Boy, Mr. Big e, acima de tudo, Queen.

John Palumbo (vocais, teclados), Rick Witkowski e Jim Griffiths (guitarras e vocais), Joe Macre (baixo, vocais) e Joey D'Amico (bateria, vocais). Todo mundo canta, atenção. Isso diz muito.

"We Want Mine" captura o charme da arte do meio-oeste à la Styx, REO Speedwagon ou Angel e o eleva aos altares do subgênero. E com uma raia dixieland-New Orleans incluída. "Animal Skins", sem perder o aroma da Costa Oeste, acrescenta uma melodia oriental que tanto gostavam Mr. Mercurio ou Jaimito Zeppelino. Um tema que seria perfeito em "No Quarter" de Page/Plant (inclui orquestra de cordas). Mas este é um disco de hard rock, não vamos esquecer. E "Wet Teenager" tem, como todo o álbum. Mixado em hard prog das guitarras May / Curulewski e harmonias diretas desses grupos, (você deve saber do que estou falando).

Outra preciosidade com nuances inesgotáveis ​​é "Maybe i can enganar Everybody (Tonight)" (6'00), que se liga a pomposas naves fantasmagóricas esquecidas como Alpha Centaury, Zon ou Bighorn. Paradigma de como deve ser uma grande música de Pomp rock com letras maiúsculas. Uma ode ao bom gosto fazendo hard rock. Isso ninguém fez. 

Virando-se, "Rangers at Midnight" (7'34) ofereceu mais um épico melódico de Queen/Elton John. Com uma parede vocal e aproximações instrumentais bombásticas que tocaram na mesma liga que The Mark & ​​​​Clark Band - Carnegie, Jim Steinman-Meat Loaf-Todd Rundgren's Utopia, Andy Pratt ou Benny Mardones. A sequência já era ininterrupta. "Virgin .... no" é a Rússia encontra o Angel encontra o Mr. Big (Reino Unido). Todos aqueles nostálgicos por "A Day at the Races"... já ouviram "Invaders from Mars"? Ou o "Play On" final?!!!.......



Se você ignorar uma banda que suava abrindo para Styx, Supertramp, Rush, Foreigner, ELO, Yes, ZZ Top, Kansas, Edgar Winter, Frank Zappa, Boston ou Heart no auge de suas carreiras, você merece a condenação eterna. para "Bohemian Rhapsody" até o fim dos tempos.


        

ALASKA feat. BERNIE MARSDEN - The Pack (Bronze, 1985)

ALASKA feat. BERNIE MARSDEN - The Pack (Bronze, 1985


Tendo tocado com UFO, Wild Turkey, Cozy Powell's Hammer, Babe Ruth, Paice, Ashton & Lord e Whitesnake, o guitarrista Bernie Marsden era um cachorro velho em 1985. Portanto, não é de admirar que ele tenha superado Chief Coverdale quando se tratava de tocar. tente a sorte com o AOR, entendido à sua maneira. Primeiro com "Heart of the Storm" no ano anterior, para o Music for Nations. Com uma formação forte que incluía Richard Bailey nos teclados (Magnum, Trapeze), John Marter na bateria (Mr. Big, Marillion), o baixista Brian Badhams (Rainmaker) e o sensacional cantor Robert Hawthorn.



"The Pack" foi um trabalho mais sólido nessa posição, misturando melodias radiofónicas com o cheiro a hambúrguer e o inspirado sábio compositor à maneira do Whitesnake, do maestro Marsden. Aliás, para os meus velhos ouvidos esta seria a continuação perfeita de "Slide It In", um disco que já em 1983 vislumbrava as possibilidades de uma produção AOR. Antes de tudo explodir em 1987.

O início com "I Really Want To Know" surpreende com seu som Pomp finamente alcançado. Isso está mais próximo de White Sister (mudamos a cobra para a irmã), Surgin, Prophet ou Sugarcreek, do que dos sons vintage de blues rock de sua banda anterior. E não é o único. "Woman Like You" segue esses parâmetros. A balada para FMs, "Miss You Tonight", afoga tudo em teclados (demais, na minha opinião), embora o ótimo solo de guitarra guarde o tranco com facilidade. Mas, no geral, a abordagem do Alaska é desenvolver o que foi feito com o Whitesnake em "Slide It In", com uma abordagem AOR mais pronunciada. 

"Where Did They Go", com sua introdução stoniana, logo se transforma em uma alma não muito longe de Michael Bolton, John Waite ou Frank Carillo. Insisto na qualidade do cantor desconhecido Robert Hawthorn e na sua garra definitiva na defesa dessas canções. Uma voz semelhante a um jovem Rod Stewart, com o estilo de David Coverdale. Por outro lado, Marsden não consegue esconder que é guitarrista de blues (ou hard rock blues), e em "School Girl" ele olha para as ondas do rádio, mas nessa tonalidade negróide que formações americanas como Badlands, Great White, Rough Cutt ou a própria Cinderela. Mas o equilíbrio definitivamente cai do lado do Whitesnake com canções preciosas dignas de seu repertório: "Help Yourself", "The Thing", "SOS" ou "Run With the Pack" (não relacionado a Bad Company).



Marsden continuou a estar relacionado com o som de La Serpiente Blanca (da qual é peça fundamental), sob diferentes nomes: MGM (brevemente com um Bobby Kimball inteiro), Moody Marsden Band, Company of Snakes ou M3. Aos quais devemos acrescentar vinte álbuns a solo e cerca de 50 como colaborador convidado.

Com Alaska, um VHS, "Alive", foi lançado ainda em 1986, e outro ao vivo depois (2002). Uma formação efémera que preencheu a lacuna deixada pelo Whitesnake entre 83 e 87, com dignidade e, com “The Pack”, excelentes resultados.





Temas
1  Run With The Pack        00:00    
2  Woman Like You     03:47   
3  Where Did They Go        07:22    
4  Schoolgirl               12:01     
5  S.o.s.             17:05   
6  Help Yourself     22:28   
7  Miss You Tonight         26:53    
8  The Thing             31:10    
9  I Really Want To Know    36:01


THE PHILISTEINS - BLOODY CONVICTS - 1988 - AUSTRALIA - GARAGE ROCK

 




Tracklist

A1 - The Philisteins - Early Morning Memory 2:11
Written-By – Guy Lucas, Proudlock
A2 - The Philisteins - You Must Be A Witch 2:32
Written-By – Fred Cole
A3 - The Philisteins - Cerebral Pause  3:09
Written-By – Guy Lucas, Aydn Hibberd
A4 - The Philisteins - Bite The Bullet 3:03
Written-By – Guy Lucas
B1 - The Philisteins - Cul De Sac 3:16
Written-By – Guy Lucas 
B2 - The Philisteins - Could It Be Me 1:52
Written-By – Guy Lucas, Aydn Hibberd, Scott Harrison (7)
B3 - The Philisteins - Peppermint 3:15
Written-By – Guy Lucas
B4 - The Philisteins - Apeshit Metal Locusts (Eating A City) 1:47
Written-By – The Philisteins




Um dos melhores mini-álbuns já lançados! Apenas 21 minutos de qualidade



THE SURVIVAL- LA ONDA DE THE SURVIVAL - 1971 - MEXICO - PSYCHEDELIC ROCK, ACID ROCK

 




Tracklist

A1 - The Survival - Old People   5:46
A2 - The Survival - The World Is A Bomb 2:28
A3 - The Survival - What The World Need Is Union 2:11
A4 - The Survival - Inspiration Blues   3:14
A5 - The Survival - Electric Chair   2:00
B1 - The Survival - Ending Blues   5:58
B2 - The Survival - Disturbance 2:48
B3 - The Survival - Canabis Lady 2:30
B4 - The Survival - Nothings Monumet   3:35
B5 - The Survival - Useless Warefare 3:05

Para mim o melhor produto do rock da América Central e do Sul!



THE GARDEN PATH – BLUE – 1987 - AUSTRALIA - ALTERNATIVE ROCK

Hank



Tracklist

A1 - The Garden Path – In The Dark 3:46
A2 - The Garden Path – Never Shared 2:34
A3 - The Garden Path – Time Will Tell 3:52
Written-By – Rohan Belton
A4 - The Garden Path – Statues Of A Man 3:13
A5 - The Garden Path – Change 3:14
A6 - The Garden Path – Not Far Behind 3:24
Written-By – Rohan Belton, Vic Conrad
B1 - The Garden Path – Secret Avenue 5:42
B2 - The Garden Path – Rosemary 7:38
B3 - The Garden Path – The Light Of Night 4:50
B4 - The Garden Path – Someone Else's Life 5:54

Outra obra-prima obrigatória dos anos 80 australianos!



Lindsay Cooper – An Angel On The Bridge (1991, CD, England)

Alfredo Lacosegliaz – Triaca Oder Drek (1979, LP, Italy)

YHWH····Black Omen II – Kingdom Of Familydream (1986, LP, Japan)


Destaque

Recordando o álbum homónimo dos ''Despe E Siga'' de 1994.

Recordando o álbum homónimo dos ''Despe E Siga'' de 1994. Festa (A minha preferida) Odeio Salada (VIDEOCLIP) Álbum Completo:...