quinta-feira, 4 de maio de 2023

“Harvest” (Reprise, 1972), Neil Young



Na virada da década de 1960 para a década de 1970, a carreira artística de Neil Young estava bem movimentada. O cantor e compositor canadense se dividia entre a carreira solo e a carreira como integrante do supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young. Mas se por um lado as duas carreiras iam muito bem, a situação interna no supergrupo era um estado de tensão imenso. Os desentendimentos e as brigas fizeram com que o quarteto se dissolvesse logo após o lançamento do álbum duplo gravado ao vivo 4 Way Street, em julho de 1970. Cada membro foi depois cuidar das suas respectivas carreiras solos. O reencontro do quarteto só aconteceu em 1974, quando realizada uma turnê e lançamento da coletânea So Far.

Neil Young prosseguiu com a sua carreira solo lançando em setembro de 1970 o seu terceiro álbum solo, After The Gold Rush. O álbum foi sucesso de crítica e o que teve melhor desempenho comercial dos três primeiros álbuns de Neil Young. No final de 1970, Young iniciou uma turnê acústica, onde ele iria tocar canções inéditas que ele vinha escrevendo. Porém ele iria se apresentar sozinho, sem a sua banda de apoio, a Crazy Horse, que havia assinado contrato com uma gravadora e estava focada produzindo o seu primeiro álbum de estúdio.

Em fevereiro de 1971, já no final da turnê, Neil Young foi a Nashville, no Tennessee, se apresentar no programa de TV, The Johnny Cash Show, apresentado por Johnny Cash (1932-2003). Outros dois artistas convidados também se apresentaram, os cantores Linda Ronstadt e James Taylor. Após a gravação do programa, o produtor musical Elliot Mazer (1941-2021) ofereceu um jantar para 50 convidados para promover a inauguração do estúdio de gravação Quadrafonic Sound Studios, em Nashville, de propriedade dos músicos David Briggs e Norbert Putnam. Young, Ronstadt e Taylor, estavam entre os ilustres convidados.

No jantar, Mazer e Young conversaram, e o cantor comentou sobre as novas canções que havia escrito e a sua ideia gravá-las sob uma sonoridade mais acústica. Foi então que Mazer fez um convite para Young gravar suas novas canções no Quadrafonic Sound Studios. Young aceitou o convite, mas como estava sem banda, disse a Mazer que precisava pelo menos de um baixista, de um baterista e de um guitarrista de pedal steel para o projeto que tinha em mente.

As gravações ocorreram na noite do dia seguinte, um sábado. A banda do estúdio Quadrafonic Sound Studios, era a Area Code 615, uma banda de country music de Nashville que além de servir de banda de acompanhamento em gravações de discos de outros artistas, também já tinha no currículo seus próprios discos. Eram músicos experientes, que já haviam gravado com grandes estrelas da música como Bob Dylan e The Monkees.

Neil Young se apresentando no programa de TV
The Johnny Cash Show, em fevereiro de 1971

O problema é que nas noites de sábado, esses músicos trabalhavam tocando nas casas noturnas de Nashville, e achar alguns deles de folga era difícil. Mazer saiu fazendo uma catada, e apesar das dificuldades, conseguiu achar alguns membros da banda como o baixista Tim Drummond(1940-2015), o guitarrista de pedal steel Ben Keith (1937-2010) e o baterista Kenny Buttrey (1945-2004). Para aquela ocasião tão especial, Neil Young batizou a banda que iria acompanhá-lo de Stray Gators.

Neil Young aproveitou a ocasião que Linda Ronstadt e James Taylor estavam em Nashville, e os convidou para participarem das gravações de suas novas canções fazendo os vocais de apoio. Além de fazer os vocais de apoio, James Taylor tocou banjo em algumas faixas.

Aos poucos, o trabalho começou a ganhar corpo, forma e tamanho. Mais gente foi se envolvendo ao novo trabalho de Neil Young como o músico e arranjador Jack Nitzsche (1937-2000), que tocou piano, lap steel guitar e fez os arranjos de orquestra. E falando em orquestra, Neil Young contou com a participação luxuosa da Orquestra Sinfônica de Londres em duas canções. E como se isso não bastasse, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, fizeram as pazes com Young e gravaram as suas participações num estúdio em Nova York.

O processo de gravação das canções se estendeu ao longo dos meses de 1971, entre os intervalos dos compromissos dos artistas. Além disso, havia também o tratamento que Neil Young vinha passando para cuidar de fortes dores nas costas. As gravações não apenas ocorreram no Quadrafonic Sound Studios, em Nashville, mas também em outros estúdios como Barking Town Hall, em Londres (onde foram gravadas as particpações da Orquestra Sinfônica de Londres), e também num estúdio improvisado no celeiro do rancho Broken Arrow, de Neil Young, em Woodside, na Califórnia.

Pouco mais de um ano depois desde que começou a ser gravado, Harvest foi lançado em 1° de fevereiro de 1972. Nele, Young conseguiu o seu objetivo que era gravar um disco com uma proposta mais acústica, diferente do seu antecessor, After The Gold Rush, um disco mais elétrico. Contudo, é possível perceber em Harvest a presença da rusticidade da guitarra elétrica de Neil Young, ainda que numa participação bem diminuta. Harvest tem todo o seu repertório fundamentado no country rock e no folk rock. As duas canções que trazem a participação imponente da Orquestra Sinfônica de Londres, aparentam destorar do disco a princípio, mas conseguiram se integrar ao disco ao lado das outras canções. Muito embora a presença da Orquestra Sinfônica de Londres dê um toque de pompa nessas duas canções, o que impera mesmo no disco é a simplicidade nos arranjos na maioria das faixas.

Tim Drummond, Jack Nitzsche, Neil Young, Kenny Buttrey e Ben Keith
numa sessão de gravação de Harvest 
no rancho Broken Arrow,
em setembro de 1971.

Uma bateria pesada com um bumbo bem destacado, seguido depois pelo restante da banda, dá início a “Out On The Weekend”, canção que é um misto de folk rock e country music, e que dá início a Harvest. A hamônica (gaita) e o pedal steel parecem dividir o lamento de um amor que chegou ao fim retratado nos versos da canção. A faixa seguinte é “Harvest”, uma balada country melancólica e triste, e que dá nome ao álbum.

“A Man Needs A Maid” traz a primeira participação da Orquestra Sinfônica de Londres em Harvest. A orquestração é de uma beleza incrível e ao mesmo tempo tensa. Neil Young foi chamado de machista pelas feministas por causa da letra da canção, em que ele fala da necessidade ter uma empregada doméstica. O cantor no entanto rechaçou a acusação. Um dado que deve-se levar em conta é que na época em que Neil Young escreveu a canção, pode ter sido a mesma em que ele passou por problemas sérios nas costas quando teve que enfrentar uma série de tratamentos para se curar. Ele chegou a gravar algumas sessões do disco usando um colete ortopédico. Devido às dificuldades de fazer as atividades caseiras, é possível que ele se refira à necessidade de ter uma empregada doméstica dentro desse contexto.

“Heart Of Gold” é a principal faixa do disco e um dos maiores sucessos da carreira de Neil Young, uma balada folk rock cuja beleza reside na sua simplicidade nos arranjos. A letra de “Heart Of Gold” trata sobre alguém que está à procura de um amor verdadeiro, tão difícil de encontrar quanto ouro - daí a associação com “coração de ouro” – não importando o lugar e a distância para encontrá-lo: “Eu estive em Hollywood, eu estive em Redwood / Atravessei o oceano por um coração de ouro”. Linda Ronstadt e James Taylor participam da canção fazendo os vocais de apoio. Além de fazer os vocais, Taylor também tocou banjo.

Encerrando o lado A de Harvest, “Are You Ready For The Country?”, uma canção alegre e leve que contrasta com o clima melancólico que toma conta de quase todo o álbum. O piano presente em “Are You Ready For The Country?” remete ao som dos pianos de ragtime, estilo musical que foi muito popular nos Estados Unidos entre o fim do século 19 e começo do século 20.

O lado B de Harvest começa com outra canção de Neil Young que ficou bastante famosa, “Old Man”. A canção foi escrita por Young em homenagem ao zelador que trabalhava no rancho Broken Arrow, quando o cantor comprou a propriedade em 1970. A letra trata sobre um jovem que durante um diálogo com um homem idoso, diz a ele que os dois possuem muitas semlhanças apesar da diferença de idade. O jovem expõe todas as suas dúvidas, angústias e medos de alguém que está começando a vida para aquele ancião que passou pelas mesmas situações quando teve a mesma idade. Linda Ronstadt e James Taylor participaram desta canção fazendo os vocais de apoio assim como fizeram em “Heart Of Gold”.  Taylor volta a tocar banjo em “Old Man”.

Em “There’s A World”, a Orquestra Sinfônica de Londres faz a sua segunda participação no disco. A música começa com a orquestra num ritmo ascendente através do naipe de cordas, seguido pelos instrumentos de sopro. Na letra, Neil Young expressa toda sua a inquietação e insatisfação com a realidade do mundo.

Backing vocals de luxo: os cantores Linda Ronstadt e James Taylor participaram
das gravações do álbum Harvest fazendo vocais de apoio. Taylor ainda chegou a tocar
banjo em algumas faixas.

“Alabama” traz um Neil Young mais elétrico, lembrando a sua parceria com a banda Crazy Horse dos primeiros discos. É uma das poucas faixas do disco com uma veia mais rock, onde a guitarra elétrica se mostra mais em evidência. Nesta música, Young repete algo que já havia feito em “Southern Man”, do disco After The Gold Rush: trata sobre o racismo e a política retrógrada no estado do Alabama. A resposta às acusações de Young veio em 1973, quando a banda Lynyrd Skyrnyrd, natural do sul dos Estados Unidos, gravou a canção “Sweet Home Alabama”, que traz versos provocativos ao astro canadense: “Bem, eu ouvi o Sr. Young cantar sobre ela / Bem, eu ouvi o velho Neil humilhar ela / Bem, eu espero que Neil Young se lembre / Um homem sulista não precisa dele perto”. 

“The Needle And The Damage Done” foi gravada ao vivo no Royce Hall, UCLA (University of California, Los Angeles), em janeiro de 1971, durante a turnê acústica de Neil Young. Nesta canção, Young tece uma crítica à heroína e aos seus efeitos nocivos. A droga seria mais tarde responsável pela morte de duas pessoas diretamente ligadas a Young, Danny Whitten, guitarrista da Crazy Horse, morto aos 29 anos em novembro de 1972, e Bruce Berry, roadie do Crosby, Stills, Nash & Young, e que morreu em junho de 1973, aos 22 anos.

Harvest encerra com “Words (Between The Lines Of Age)”, que como “Alabama”, é uma das poucas faixas do álbum com uma presença mais destacada da guitarra elétrica. E é justamente Neil Young que faz os solos de guitarra bem peculiares. Merece destaque a performance dos Stray Gators. Nos versos, Neil Young expressa suas dúvidas sobre o recém iniciado na época relacionamento com a atriz Carrie Snodgress (1945-2004), com que teria um filho, Zeke Young, em setembro de 1972.

Na época de seu lançamento, o álbum Harvest teve uma recepção bastante “morna” por parte da imprensa. A edição americana da revista Rolling Stone, por exmplo, tachou o disco de “recauchutagem” de After The Gold Rush.

Por outro lado, o desempenho comercial de Harvest foi surpreendente. Só nos Estados Unidos, Harvest vendeu mais de 4 milhões de cópias. Foi o álbum mais vendido no mercado fonográfico americano em 1972, superando concorrentes de peso lançados naquele mesmo ano como Exile on Main St. (Rolling Stones), The Rise and Fall of Ziggy Stardustand The Spiders From Mars (David Bowie), Machine Head (Deep Purple), Talking Book (Stevie Wonder), Honk Château (Elton John) e Close To The Edge (Yes).

O single de “Heart Of Gold” fez um enorme sucesso nas paradas de singles. Chegou ao 1° lugar da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos e da parada de singles do Canadá. Alcançou o 4° lugar na Noruega e 6° lugar na Alemanha. O single de “Heart Of Gold” vendeu mais de 1 milhão de cópias nos Estados Unidos.

Harvest e o single de “Heart Of Gold” alcançaram um grande sucesso comercial e deram grande projeção a Neil Young. No entanto, o sucesso do álbum e do single parecia incomodar Young, a tal ponto, por exemplo, do cantor canadense ter mantido “Heart Of Gold” fora do seu repertório de shows por várias décadas. Contudo, a fama de “Heart Of Gold” ajudou a fomentar o que seria conhecido como soft rock na década de 1970, o rock mais suave, e que dominou as paradas de emissoras de rádios FM. 

Todas as faixas são de autoria de Neil Young .

Lado A

1 - "Out on the Weekend"

2 - "Harvest"

3 - "A Man Needs a Maid"

4 - "Heart of Gold"

5 - "Are You Ready for the Country?"

 

Lado B

6 - "Old Man"

7 - "There's a World"

8 - "Alabama"

9 - "The Needle and the Damage Done" (gravada ao vivo em janeiro de 1971)

10 - "Words (Between the Lines of Age)"


 

"Out on the Weekend"

"Harvest"

"A Man Needs a Maid"

"Heart of Gold"

"Are You Ready for the Country?"

"Old Man"

"There's a World"

"Alabama"

"The Needle and the Damage Done"

"Words (Between the Lines of Age)"

DINO D’SANTIAGO E EMICIDA APRESENTAM NOVO SINGLE… “MARIA”

 


Dino d’Santiago e Emicida apresentam “Maria”, uma cativante e melódica análise das relações afetivas modernas que desafia o status quo predominante.

Como já dizia o poeta Vinicius de Moraes: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. É desta forma que Dino d’Santiago, o artista e ativista luso-cabo-verdiano radicado em Lisboa, conhecido por misturar de forma harmoniosa, soul com os ritmos do arquipélago da Morabeza, e Emicida, o multifacetado musico e visionário nascido em São Paulo, reconhecido pela sua voz poderosa e ativismo, que impactou profundamente o Brasil, se encontram em estúdio para criar “Maria”, um novo e cativante single, que funde hip-hop e afro-pop para evocar uma comovente história sobre o amor que transcende convenções sociais.

Segundo o autor de “Badiu”“‘Maria’ é uma canção de amor contemporânea que acompanha dois protagonistas independentes enquanto desafiam os desígnios patriarcais enraizados na sociedade. Movidos pelo desejo de um relacionamento baseado na igualdade e respeito mútuo, embarcam corajosamente numa jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal.”

Dino d’Santiago e Emicida, brindam-nos com uma canção reflexiva, envolvente e poética que surge para pontuar o encontro entre os dois artistas em palco, pois o autor de “AmarElo” convidou o crooner kriolo para se juntar a ele no Coliseu de Lisboa (11 de maio, 2023) e no Coliseu do Porto (13 de maio, 2023). Para a dupla, além da vontade de marcar o início de uma longa amizade, esta canção tem também o intuito de inspirar e lembrar aos ouvintes que o verdadeiro amor requer respeito, igualdade e uma dose de sorte para prosperar.

AMAURA EDITA NOVO ÁLBUM “SUBESPÉCIE”


AMAURA edita “SUBESPÉCIE“, o segundo álbum de originais. O sucessor de “EmContraste” chega esta sexta feira à meia-noite a todas as plataformas digitais, antecipado pelo novo single, “REPEAT”, com videoclipe oficial já disponível.

Para muitos, conhecida pela forte ligação a nomes como Sam The Kid, FRED, Beware Jack e Blasph ou TNT, AMAURA já há muito que conquistou a atenção da indústria e dos fãs. Apesar de ter sido no hip-hop que deu os primeiros passos, foi a coragem de se arriscar a explorar novos caminhos junto da Soul e do R&B que deu provas da sua singularidade e do caminho que a passo e passo tem vindo a preparar. Desde as letras, muitas delas pessoais, às melodias, ou até mesmo à produção cuidadosa, “SUBESPÉCIE“, é um disco que promete escalar a lista dos melhores do ano.

RITUAL TEJO… 1,2,3 “NASCER OUTRA VEZ”

LA GUATEMALA LANÇAM O PRIMEIRO ÁLBUM “RESVÉS CAMPO DO BEAT”… UM DISCO CINEMATOGRÁFICO

 


O primeiro álbum dos La Guatemala, “Resvés Campo do Beat”, foi lançado nesta quinta-feira, 4 de maio, em todas as plataformas digitais. O disco do projeto musical underground pop de Lisboa chega ao mercado depois do lançamento de três singles de avanço. “Resvés Campo do Beat” tem 14 faixas e transita por géneros como rock, reggae, hip-hop e música eletrónica.

De acordo com Bernardo Alexandre, artisticamente conhecido como Basílio e cofundador do grupo, “Resvés Campo do Beat” é “um disco cheio de cinema, com ação, comédia, crime, terror e romance, e promete ser uma viagem do início ao fim para os ouvintes de música sem filtros”.

O novo álbum dos La Guatemala foi gravado e produzido pelos membros do grupo, os músicos Basílio e Cenoura. Três artistas assinam participações: Johny Gumble, reconhecido rapper da Linha da Azambuja, participa na faixa “The way you lie”; Zorb, um dos maiores nomes do punk em Portugal, colabora em Nostalgia punk; outro nome forte do punk português que está presente no álbum é Inês Menezes, que integra a faixa “Femme”.

Os três singles de avanço habituaram o público à estética criativa e à sonoridade alto-astral do projeto. A boa disposição e o visual afiado estão presentes nos videoclipes de “Estás a Dormir”, uma mistura de reggae e ska; “Mesmo Que Me Falte o Ar”, tema que evidencia o caráter mais interventivo do projeto; e “Pistonice”, faixa que acrescenta uma sonoridade eletrónica ao álbum.

Resvés Campo do Beat” sucede ao EP “Clássico” (2018), que marcou a estreia do projeto no mercado

INÊS MARQUES LUCAS APRESENTA NOVO TEMA… “NÃO RESTOU NADA”

 


Depois do seu primeiro single, “Do Avesso”, Inês Marques Lucas apresenta o seu novo tema, “Não Restou Nada”, fruto da parceria com Choro. Esta foi a primeira canção feita para o álbum que será editado este ano, e também a única cuja composição musical foi feita em conjunto.

“Não Restou Nada” segue duas linhas temporais diferentes: o tímido início de um amor, e o final – quando já não resta nada.

Inês conta, sobre esta parceria, que “eu e o Choro conhecemo-nos num writing camp da Avalanche, no verão de 2021, e foi amor ao primeiro acorde. Depois desse encontro, chamou-me para fazermos uma música juntos. Foi a minha primeira vez num estúdio com um produtor e a fazer uma música do zero. Depois da minha participação no The Voice, recebo uma mensagem do Choro com um áudio, que foi um pouco inesperado. Chamava-se “Lizzy Lucas” porque ele sabia que eu estava viciada na Lizzy McAlpine e fez um loop instrumental inspirado nas guitarras desse álbum. Nesse mesmo dia escrevi uns versos, fiz uma melodia e gravei por cima. Tínhamos um refrão e decidimos avançar com a canção.”

“Thick As A Brick” (Island Records, 1972), Jethro Tull

 


Na época em que foi lançado, o álbum Aqualung (1971) foi classificado pela crítica musical como “álbum conceitual” devido ao fato do disco ser dividido por duas linhas temáticas distintas. Enquanto o lado 1 trata sobre os aspectos da natureza humana, tendo como o mendigo chamado Aqualung e a prostituta colegial Cross Eyed Mary como personagens centrais, o lado 2 tem uma abordagem voltada para a religião e o espiritualismo, sob uma visão bastante crítica e pessimista. Não haviam dúvidas para a crítica musical sobre Aqualung: se tratava de um “álbum conceitual”, segundo a sua visão.

Tal classificação deixou o vocalista, flautista e líder da banda Jethro Tull, Ian Anderson, bastante irritado. Anderson discordava completamente da classificação. Dizia que Aqualung não era um “álbum conceitual”. Em resposta à classificação da crítica, só para provocar, Anderson decidiu que o próximo álbum do Jethro Tull seria um “álbum conceitual”. Sobre isso ele disse: “Vamos dar a todos a mãe de todos os discos conceituais”.

E o Jethro Tull cumpriu a promessa ao lançar em 3 de março de 1972, Thick As A Brick, seu quinto álbum de estúdio. Thick As A Brick era a tal prometida “mãe de todos os discos conceituais”. Gravado no Morgan Studios, em Londres, em apenas duas semanas, Thick As A Brick possui apenas uma homônima e “quilométrica” faixa, dividida em duas partes, uma para cada lado da versão LP do álbum, totalizando no final pouco mais de 44 minutos duração.

Embora Aqualung seja encarado por alguns como um disco de rock progressivo, a crítica afirmou que Thick As A Brick era a primeira incursão do Jethro Tull ao rock progressivo. De fato, além da longa faixa – recurso comum em discos de rock progressivo – o Jethro Tull fez uso em Thick As A Brick de instrumentos musicais que são comuns em álbuns do estilo como o cravo, xilofone, saxofone, violinos e naipe de cordas.

Mas além de ser uma provocação aos jornalistas que teimavam em afirmar que Aqualung era um “álbum conceitual”, Thick As A Brick era também um deboche ao próprio rock progressivo. Já em 1972, Ian Anderson enxergava que o rock progressivo tomava um caminho em direção ao exagero e ao preciosismo descabido por meio de bandas como Yes, Emerson Lake & Palmer e Genesis, que levariam o estilo à sua decadência em meados dos anos 1970, não só por causa do desgaste, mas também pela ascensão de novidades como o punk e a moda da disco music que estavam conquistando o gosto musical da juventude da época. 

Jethro Tull em 1972, da esquerda para a direita: John Evan, Ian Anderson,
Barriemore Barlow, Martin Barre, Jeffrey Hammond.


A letra - que assim como a música, é também imensa - é um poema de um personagem fictício chamado Gerald Bostock (na verdade escrita por Ian Anderson), um garoto de oito anos de idade que narra como seria o processo da vida humana, desde a infância (com as brincadeiras de criança), passando pelas descobertas da adolescência, pelos compromissos da idade adulta até chegar à velhice, e encerrando o ciclo da vida com a morte. Toda a música é sustentada por várias mudanças de ritmos, passando pela folk music, rock, jazz e até marcha militar. Há várias passagens que são apenas instrumentais, tendo como função de encerrar um trecho cantado e anunciando um outro que está por vir.

Um caso à parte a respeito de Thick As A Brick é a capa, que imita muito bem os famosos e sensacionalistas tabloides ingleses. Além de servir como abrigo para o disco, a capa contém cerca de doze páginas, muito bem diagramadas de um jornal fictício intitulado The St. Cleve Chronicle, cujos textos foram escritos por Ian Anderson, pelo baixista Jeffrey Hammond-Hammond e pelo tecladista John Evan. Datado em 7 de janeiro de 1972, o jornal fictício é muito bem diagramado, possui uma aparência séria. Mas à medida que se vai lendo os textos, percebe-se que o conteúdo do jornal é recheado de textos absurdos e surreais, com forte inspirado na famosa trupe inglesa de humor Monty Python.

E a maior curiosidade do jornal fica por conta da matéria principal da publicação, que denuncia o menino Gerald Bostok, autor do poema e vencedor do concurso de poemas da fictícia de St. Cleeve, como um impostor. Segundo o jornal, a ideia do poema seria de uma menina adolescente, amiga do garoto. No texto, Gerald confessa que sua amiga o ajudou a escrever o poema. A história fica mais maluca e absurda ao se levantar a hipótese de que a amiga o teria assediado e o influenciado a escrever o poema.  

Embora Thick As A Brick tenha apenas uma longa música dividida em duas partes, o que a princípio seria comercialmente inviável, esse detalhe não foi capaz de afugentar o público. O álbum alcançou o 1° lugar na parada da Billboard 200, nos Estados Unidos e 5° lugar no Reino Unido. Thick As A Brick também foi 1° lugar na parada de álbuns do Canadá, Dinamarca e Austrália, e 2° na parada da Alemanha.

Ainda em 1972, o Jethro Tull iniciou uma turnê para promover Thick As A Brick, onde a banda inglesa tocou o álbum na íntegra. No entanto, as apresentações contaram com breves pausas para mostra de esquetes de comédias calcadas em performances teatrais, entre a primeira e segunda parte da longa e única música do álbum.

Para o disco seguinte, Ian Anderson e seus colegas de banda decidiram que o próximo trabalho também seria um “álbum conceitua”. Assim como Thick As A BrickA Passion Play, de 1973, trazia apenas um longa e única música, dividida em duas partes pelos dois lados do disco, trazendo como a história de Ronnie Pilgrim, um homem que enfrenta uma jornada espiritual após a morte.

Faixas

Lado 1

1."Thick as a Brick" (parte 1) (Ian Anderson/Gerald Bostock)

Lado 2

2."Thick as a Brick" (parte 2) (Ian Anderson/Gerald Bostock)

 

Jethro Tull:  Ian Anderson (vocais, flauta, guitarras, violino e saxofone), Martin Barre (guitarras), John Evan (piano e órgão), Jeffrey Hammond-Hammond (baixo e vocais) e Barriemore Barlow (bateria e percussão).



Ouça na íntegra o álbum Thick As A Brick


“Pra Que Chorar” (Philips, 1977), Alcione

 



Durante a década de 1970, o samba viveu uma fase bastante especial. O estilo musical símbolo do Brasil vivia um momento comercial bastante intenso, com vários cantores do estilo vendendo milhares de discos e com canções nas paradas de sucesso. A concorrência não era fácil: Beth Carvalho (1946-2019), Benito di Paula, Martinho da Vila, Originais do Samba, Clara Nunes (1942-1983), Roberto Ribeiro (1940-1996), são alguns dos astros do samba que estavam no auge e figuravam entre os maiores vendedores de discos no Brasil. 

E foi nesse cenário sambista bastante competitivo que Alcione apareceu para todo o Brasil, em meados da década de 1970. Mas até chegar lá, a cantora maranhense percorreu um longo caminho. Nascida em 1947, em São Luíz, estado do Maranhão, Alcione era filha de mãe dona de casa e de pai policial. A futura estrela do samba teve outros nove irmãos, sendo ela a quarta da fila. Aos nove anos, aprendeu a tocar trompete e clarinete com o seu pai, que além de policial, era mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão.

Alcione formou-se professora primária, chegando a lecionar numa escola. Mas seu sonho era mesmo ser cantora. Aos 20 anos, Alcione deixou a cidade de São Luíz, e partiu rumo à cidade do Rio de Janeiro para tentar a sorte. No Rio, trabalhou em loja de discos, mas iniciou a caminhada musical naquela cidade cantando à noite das boates e casas noturnas no Beco das Garrafas, em Copacabana. Não demorou muito, e no começo dos anos 1970, já estava participando de concursos de programas de TV como A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti (1923-1986), na TV Tupi, que se destinava a revelar novos talentos.

Alcione em início de carreira, cantando numa casa noturna no Rio de Janeiro, em 1974.

Em 1975, assinou contrato com a gravadora Philips, e lançou o seu primeiro álbum de estúdio, A Voz do Samba, trabalho que emplacou os dois primeiros grandes sucessos do início da carreira de Alcione, “Não Deixe O Samba Morrer” e “O Surdo”. No ano seguinte, saiu o segundo álbum, Morte de Um Poeta, mas que não conseguiu revelar nenhum grande sucesso para as paradas.

O terceiro álbum de Alcione, Pra Que Chorar, foi lançado em 1977. Assim como os dois primeiros anteriores, Pra Que Chorar apresenta uma grande diversidade de compositores dos mais variados lugares do Brasil. Chama atenção a presença de compositores baianos, alguns já haviam fornecido canções para Alcione nos dois discos que antecederam Pra Que Chorar. E não era para menos, afinal, na década de 1970, os sambistas baianos estavam no auge da criatividade, compondo canções fantásticas que despertaram o interesse dos grandes astros nacionais do samba. Sem sombra de dúvidas, foi um momento único em que sambistas baianos das mais diversas gerações estavam criando canções num mesmo período e que viraram grandes sucessos da música brasileira através da criatividade de gente como Batatinha (1924-1997), Edil Pacheco, Riachão (1921-2020), Tom & Dito, Ederaldo Gentil (1947-2012), Nelson Rufino, Antônio Carlos & Jocafi, Panela (?-1999), Vevé Calazans (?-2012), Walter Queiróz, Walmir Lima, Tião Motorista entre tantos outros. 

Produzido por Roberto Santana, o álbum Pra Que Chorar abre com a festiva “Ilha de Maré”, do sambista baiano Walmir Lima. “Ilha de Maré” é um samba com a cara do Recôncavo Baiano, e descreve em seus versos a procissão e a festa da Lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, em Salvador, Bahia.

“Pedra Que Não Cria Limo” é um samba sobre alguém que não consegue se fixar num relacionamento, que não consegue construir uma relação amorosa com outra pessoa e sente uma necessidade incontrolável de trocar de amor com frequência, como quem troca de camisa. O descaso e a desatenção com o outro numa relação de casal estão presentes em “Recusa”, um samba-canção em que Alcione canta de maneira magistral, o sentimento de uma mulher desprezada pelo homem que ama.

Baianas lavando o adro da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador: o 
samba "Ilha de Maré" é sobre a procissão e a festa da Lavagem do Bonfim. 

No seu primeiro disco, A Voz do Samba, de 1975, Alcione gravou “O Surdo”, um samba de Totonho e Paulinho Rezende que trata sobre o surdo, um dos instrumentos mais importantes do samba, e de como esse instrumento sofre pancadas para alegrar o povo. A “resposta” para esse samba veio em 1978, e foi dada pelos compositores Chico da Silva e Venâncio, através de outro samba, “Pandeiro É Meu Nome”, gravado também por Alcione. “Pandeiro É Meu Nome” mostra em seus versos que o pandeiro, companheiro do surdo, “apanha sorrindo para o povo cantar”.

“Solo de Piston” foi composto por Paulinho Rezende e Totonho especialmente para Alcione. Misto de samba e choro, “Solo de Piston” carrega todo um clima de nostalgia, e aborda os tempos de infância de Alcione em São Luiz, cidade-natal da cantora. A música começa com um solo de trompete, também conhecido como piston, instrumento que provavelmente foi tocado por Alcione, e que ela aprendeu a tocar quando era criança.

O lado 1 do disco termina com a faixa que dá nome ao álbum. “Pra Que Chorar” foi composto por Baden Powell (1937-2000) e Vinícius de Moraes (1913-1980), e é um samba-canção que versa sobre recomeçar a vida após o fim de um grande amor: “Pra que chorar / Pra que sofrer / Se há sempre um novo amor / Em cada novo amanhecer”.

“Não Chore, Não” abre o lado 2 do álbum, com seu ritmo alegre e versos com mensagens otimistas: “Pra quê chorar? / A vida é mesmo assim / Não chore não / Bem melhor cantar / Espante o mal / Pra bem longe da ilusão”. A alegria de “Não Chore Não” cede lugar à melancolia de “Eu Vou Deixar”, um samba-canção sobre uma mulher que decide abandonar uma relação onde ela é desprezada pelo homem que ela amava, para seguir um novo rumo na sua vida, buscar a sua felicidade: “Vou descer pra cidade / Encarar o que der e vier / Me vestir de verdade / Mostrar que também sou mulher / Vou tentar na cidade / Mudar pra poder esquecer / Minha outra metade / Que ainda ficou com você”.

Quando Alcione começou a fazer sucesso, ela chamou a atenção não só pelo
seu talento como cantora, mas também pela sua habilidade em tocar trompete.

A próxima faixa é “Feira do Rolo”, do sambista baiano Ederaldo Gentil, um samba sobre a famosa e controversa Feira do Rolo, em Salvador, que existe há décadas, e onde se vendem, compram ou trocam produtos de origem duvidosa. “Correntes de Barbante” é um belo samba-canção, que por meio de versos cheios de metáforas, trata sobre uma mulher que vive relação conjugal opressora, sufocante. No entanto, essa mesma mulher não se dá por vencida, tem plena consciência da sua força e determinação: “Quem é você pra acorrentar / Um só instante / Esse meu braço de aço / Nas suas correntes de barbante”.

O álbum chega ao fim com “Tambor de Crioula”, uma animada canção que presta homenagem ao tambor de crioula, dança típica do estado do Maranhão, uma herança cultural dos negros escravizados trazidos para cá nos tempos do Brasil colonial.

Embora seja um álbum agradável, coeso, Pra Que Chorar não chegou a convencer alguns críticos musicais na época de seu lançamento. Em seu artigo no jornal O Globo, na edição de 6 de novembro de 1977, o crítico musical Sérgio Cabral (pai do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho) afirmou que Alcione era muito melhor que as músicas que estava cantando. Para Cabral, o disco não apresentava nenhum samba que fosse considerado uma obra-prima ou que merecesse estar entre os dez melhores sambas do ano, o que para ele, seria algo obrigatório devido ao status que Alcione havia alcançado naquela época.

Apesar das críticas de Sérgio Cabral, a reação do público foi bastante positiva. O álbum Pra Que Chorar vendeu mais de 400 mil cópias. A faixa “Ilha de Maré” foi um grande sucesso radiofônico, assim como a faixa-título.

Nos álbuns seguintes, Alcione só cresceu. O álbum Alerta Geral, de 1978, “Sufoco”, um samba-canção de Chico da Silva e Antônio José que fez um enorme sucesso na voz poderosa de Alcione, e que foi uma das músicas mais executadas do ano no Brasil, consolidando a cantora como um dos mais importantes nomes da nova geração de cantoras de samba naquela época. Naquele mesmo ano, Alcione recebeu um convite para fazer um dueto com Maria Bethânia na canção “O Meu Amor”, de Chico Buarque, e que entrou no álbum Álibi, lançado por Bethânia.

Faixas

Lado 1

  1. "Ilha da Maré" (Walmir Lima – Lupa)          
  2. "Pedra Que Não Cria Limo" (Vevé Calazans - Nilton Alecrim)        
  3. "Recusa" (Paulo Debétio - Paulinho Rezende)        
  4. "Pandeiro é Meu Nome" (Chico da Silva - Venâncio)          
  5. "Solo de Pistom" (Paulinho Rezende - Totonho)     
  6. "Pra Que Chorar" (Baden Powell - Vinicius de Moraes)  

Lado 2

  1. "Não Chore Não" (Tom - Dito)
  2. "Eu Vou Deixar" (Roberto Corrêa - Sylvio Son)        
  3. "Feira do Rolo" (Ederaldo Gentil)    
  4. "Correntes de Barbante" (Totonho - Paulinho Rezende)
  5. "Tambor de Crioula" ( Júnior - Oberdan – Oliveira) 

 

 

“Ilha de Maré”

“Pedra Que Não Cria Limo”

“Recusa”

“Pandeiro É Meu Nome”

“Solo de Piston”

“Pra Que Chorar”

“Não Chore, Não”

“Eu Vou Deixar”

“Feira do Rolo”

“Correntes de Barbante”

“Tambor de Crioula”


TAMMY WEIS CANTA FERNANDO PESSOA EM DISCO PRODUZIDO POR RUI VELOSO

 


O álbum chama-se “Soul Whisper” e a criadora é a cantora e compositora canadiana Tammy Weis. Cada canção, um poema de Fernando Pessoa. Rui Veloso produziu e toca em todas as faixas. O projecto é absolutamente inédito: é a primeira vez que um estrangeiro lança um disco inteiro com poesia de Pessoa originalmente escrita em, ou traduzida para inglês. O trabalho surge em plena celebração dos 135 anos do nascimento do poeta.

O concerto de lançamento acontece a 31 de Maio, às 21h, no Centro Cultural de Belém.

 

Tammy Weis compôs as 11 faixas de “Soul Whisper” em Lisboa, onde reside, e convidou um conjunto de talentos internacionais para executá-las. Para além de Veloso, participam o contrabaixista Carlos Barretto, o espanhol Antonio Serrano – um mestre da harmónica – e o canadiano Randy Bachman, lenda da pop-rock canadiana (membro dos Guess Who, co-autor de “American Woman”, popularizado por Lenny Kravitz), entre muitos outros, como João Só (guitarra) e Luís Guerreiro (guitarra portuguesa).

Um dos temas, “Hope“, foi composto por Terry Britten (vencedor de Grammys e autor de sucessos Tina Turner, Dusty Springfield ou Michael Jackson).

A artista define “Soul Whisper” como a “construção de uma paisagem sonora orientada para o folk, mas sempre com influências jazzísticas”, que são a sua raízes musicais. O processo foi intenso: “Fernando Pessoa mudou a forma como eu penso e vivo a minha vida. Despertou em mim emoções que ignorava. E trouxe à minha voz uma vulnerabilidade que eu nunca ouvira antes”.

Este não é, de todo, um projecto qualquer. Registado pouco antes da pandemia, entre o estúdio de Rui Veloso em Sintra e o Barnhouse Sound Studio na Ilha de Vancouver, no Canadá, teve o acompanhamento permanente e aprovação do sobrinho de Fernando Pessoa, Luís Miguel Rosa Dias (1931-2019), que assistiu a algumas garvações: “Tammy, com a sua bela voz, adaptou a poesia do meu tio de uma maneira nova e única”.

Soul Whisper chega às lojas físicas e digitais no começo de Junho, mês do aniversário de Pessoa (dia 13). Rui Veloso diz: “É um álbum muito especial para mim, uma combinação de muita música que adoro. Os poemas de Fernando Pessoa, uma grande mistura e masterização – é música da Mãe Terra. Espero que gostem!”.

SOLUNA ACABA DE EDITAR O NOVO SINGLE “CONFORTABLE”

 


Artista afro-latina baseada em Lisboa, junta-se ao produtor angolano Dotorado Pro para mais uma colaboração, que chegou na passada sexta-feira, 28 de abril, a todas as plataformas.

SOLUNA acaba de editar o novo single “Confortable”. Com letra da autoria da artista, a canção é a mais recente colaboração com Dotorado Pro, artista angolano radicado na Bélgica. A faixa apresenta a energia dance Afrobeat, que é a imagem de marca do produtor, combinada com a leveza da artista que cresceu em Barcelona e, um refrão cativante, que reforça a mensagem simples de encorajamento para procurares conforto na tua própria pele.

Estar confortável, para mim, é aceitar que o que é teu vai chegar. É uma crença no destino e um exercício de gratidão. Simplesmente ser feliz com quem e onde estás. É o suficiente, tu és o suficiente”, afirma SOLUNA.

“Confortable” é acompanhada por um videoclipe realizado pela realizadora portuguesa Cláudia Batalhão, que já trabalhou com artistas como Dino D’Santiago, Blaya e T-Rex, entre outros. Filmado em Lisboa, o visual transforma a intenção da canção numa narrativa através da dança. Com coreografia de Dougie Knight, SOLUNA é acompanhada por bailarinos com experiência em Dancehall, Afro-house, Kuduro e Vogue.

Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...