quinta-feira, 6 de julho de 2023

Phoebe Bridgers – Punisher (2020)

 


Phoebe Bridgers lançou Punisher, o seu segundo álbum a solo, com uma sonoridade mais madura, mais crescida, mais bonita.

Ah, “emo”, essa categoria musical tão gozada no mundo dos géneros musicais. Longe das origens do punk hardcore, o “emo” transformou-se, mas na sua essência continua a ser um estilo que captura perfeitamente a necessidade de exprimir o lado mais sentimental dos rockers, sem ser lamechas.

Não querendo reduzir o estilo musical de Phoebe Bridgers, que em 2017 lançou o encantador Stranger in the Alps, parece-nos que faz parte desta nova geração de músicos que consegue elevar a reputação do emo a um género musical que ninguém tem vergonha de dizer que gosta. Bridgers, recentemente disse em entrevista ao NPR que assumia perfeitamente as suas inspirações, sendo uma que se destaca muito bem ao longo do álbum: Elliott Smith.

De voz doce e melancólica (segundo a própria, propositadamente diferente da entoação que tem quando não está a cantar), Bridgers transparece uma melancolia, com rasgos de uma assertividade (“I’ve been running around in circles /Pretending to be myself /Why would somebody do this on purpose /When?they?could do something?else?” – “Chinese Satellite”), ao mesmo tempo que mostra uma incredulidade e um sentido de humor especialmente afiado (“The doctor put her hands on my liver, she said my resentment is getting smaller” – “Garden Song”).

“Kyoto” o segundo single do álbum, pode inicialmente confundir com a sua melodia jovial e leve, até chegarmos aos 45 segundos e Bridgers, com uma intensidade na voz que é parcamente usada no álbum, grita “I want to kill you”. Apropriado quando percebemos que parte da música é sobre a relação complicada que tem com o seu pai.

Phoebe Bridgers em concerto
Phoebe Bridgers marca incontestavelmente o ano de 2020.

A destacar no álbum há também as colaborações com Conor Oberst (Bright Eyes e parceiro no projeto Better Oblivion Community Center), Julien BakerLucy Dacus (do excelente projeto das três, boygenius), entre outros.

O álbum flui que nem cerejas no Verão: músicas com a duração certa, doces e, ao mesmo tempo, duras, obrigando-nos a ter cuidado com os caroços (“Guess I lied / I’m a liar / Who lies / ‘Cause I’m a liar” – Kyoto).

Músicas a destacar: Punisher, Graceland Too, Kyoto, Chinese Satellite.



The Microphones – The Microphones in 2020 (2020)

 

Dezassete anos depois, Phil Elverum regressa a um lugar muito particular, um lugar que o viu fazer alguma da melhor música da  primeira metade dos anos 00.

O ano de 2020 fez com que a vida de muita gente parasse. Neste vácuo existencial, muita gente pode, pela primeira vez em muito tempo, olhar para trás e talvez arranjar alguma ordem ou sentido no seu passado, escavando memórias e aprendizagens ora dolorosas, ora inundadas de gratidão. Phil Elverum enveredou por esse mesmo processo, afirmando recentemente numa entrevista na Interview que voltou a habitar o espaço mental que o fez gravar os discos mais marcantes dos Microphones há quase vinte anos atrás. Assim sendo, só fazia sentido que, após dezassete anos a comandar Mount Eerie, o projeto fosse ressuscitado.

The Microphones in 2020, que consiste em apenas numa música homónima, vê Phil Elverum a musicar o processo acima descrito, passando a sua vida e carreira em revista com a escrita sóbria e extremamente descritiva que o músico começou a explorar nos dois últimos projetos de Mount Eerie. No longo poema que serve de letra da música, Elverum faz referência a dezenas de músicas dos Micropones enquanto que, paralelamente, a música faz uso de diversas citações do cânone do seu antigo projeto.

Os acordes insistentes de guitarra acústica deixam o ouvinte num torpor hipnotizante, fazendo com que a entrada da guitarra elétrica aos onze minutos soe muito mais potente do que os seus acordes sorumbáticos sugerem. Uns minutos depois, uma bateria ritualística pontua as linhas fatigadas de Elverum, cuja voz nunca se eleva para lá de uma confissão envergonhada. Por volta dos vinte e um minutos a guitarra elétrica explode numa torrente, dominando a música antes de um orgão majestoso emergir, salpicado ocasionalmente pelo baixo, dando à música um aspeto mais fúnebre. A música volta novamente à quietude do início, conferindo-lhe uma certa simetria.

Nunca chegando aos picos orquestrais que a forma do projeto poderia sugerir aos ouvintes menos familiarizados com a música dos Microphones, The Microphones in 2020 é um projeto curioso na carreira do grupo. É interessante ouvir a perspetiva de Phil Elverum sobre a sua vida e a sua carreira mas, devido à simplicidade e repetição da música, é difícil considerar o álbum um statement artístico. Não que a música seja o foco da sua obra. Como muitos cantautores antes de si, o foco está maioritariamente nas letras e aqui não é diferente. Mas o tema dificilmente consegue suster escutas repetidas do disco. Um voto para que os Microphones em 2021 sejam um pouco mais interessantes do que no malfadado ano de 2020



Jonas Munk & Nicklas Sørensen – Always Already Here (2019)

 

Escapou-nos por entre as mãos no tempo em que saiu, mas conseguimos agarrá-lo agora. É um milagre temporal, digamos assim: reúne o passado do experimentalismo kosmische alemão com uma moderna onda minimalista, etérea e sonhadora. Um disco próximo da perfeição!

Imagine-se uma mistura do que de melhor podemos retirar de uns Cluster, Neu! ou La Düsseldorf (sobretudo pensando nos icónicos sintetizadores bem carismáticos, quase poéticos dessas maravilhosas bandas dos anos 70) com as guitarras dançantes e sonhadoras de Manuel Göttsching e de Robert Fripp. É mais ou menos isso que encontramos em Always Already Here, de Jonas Munk & Nicklas Sørensen. Mas vamos por partes, para que se perceba melhor, no meio de tantos nomes já invocados, quem são os senhores que fazem esta dupla. Jonas Munk é um músico dinamarquês que se mexe nos meandros da eletrónica, da música ambiente, apaixonado por sons produzidos por vários tipos de software. Nicklas Sørensen é outro dinamarquês, guitarrista, conhecido por fazer parte de um trio de rock instrumental de nome Papir. Assim, feitas as muito sumárias apresentações, vamos ao que importa, vamos ao disco propriamente dito.

Tudo acontece em apenas cinco temas, que vão desde os três minutos e meio de duração (“Here”) a quase doze (“Time”). Cinco temas variados e ricos em nuances, embora se encaixem muito bem uns nos outros, criando um corpo uno e consistente. Quase todo instrumental, embora por vezes surjam coros quase celestiais, o álbum tem inúmeros pontos de interesse. Não se pense que se trata de música ambiental à maneira de muitos dos registos mais tranquilos e planantes de Brian Eno, por exemplo. Os nomes das bandas alemãs referidas no parágrafo anterior não deixam dúvidas sobre o que podemos ouvir e encontrar em Always Already Here, mas isso ainda é dizer pouco. Se é verdade que existe uma proximidade entre o que essas bandas faziam e o que fazem agora Jonas Munk e Nicklas Sørensen, também não é menos certo que os temas deste álbum obedecem a outros critérios, nem sempre rítmicos à la motorika (isso não há aqui, de facto), antes piscando o olho a um certo apelo a meio caminho entre a meditação e a dança (mais dentro da cabeça do que no sentido dance floor, se é que nos fazemos entender).

A faixa de abertura (“Shift”) é simplesmente magnífica, muito ear friendly, com guitarras bem cadenciadas e sintetizadores hipnotizantes. Em pouco menos de dez minutos, uma fonte torrencial e repetitiva em tons quase pop. Poderia ter o dobro do tempo (enfim, há sempre a hipótese do repeat, mas não é bem a mesma coisa) que ninguém se queixaria. Segue-se “Patterns”, e o ambiente é outro, bem distinto do primeiro. Loopings mecanizados são a base, até que surge (vai surgindo ao longo do tema) uma espécie de eco distante que vem em ondas, afastando-se e regressando, até aparecer a triunfante guitarra de Nicklas Sørensen. Um primor! A curtinha “Here” parece ser um momento de transição. É, de forma bastante clara, a composição que mais se aproxima de alguns dos temas míticos dos Neu!, por exemplo. Quem tiver conhecimento dos extraordinários Neu!Neu!2 ou Neu! ’75 encontrará essas referências com facilidade. No entanto, na faixa seguinte, na magnética “Magnetic”, há ainda muito desse universo pioneiro traçado há quase cinco décadas pelas bandas dos irmãos Dinger, Klaus e Thomas. Uma faixa construída em plano abandono criativo. É a isso que soa, a um desprendimento controlado, a um deixar-se ir comedido e sem retorno. Voltar a ouvir o legado dos Neu! e dos La Düsseldorf é arrepiante. “Tide” termina Always Already Here da melhor maneira possível. A imagem que nos ocorre é a de uma noite escura e estrelada, onde centenas de pequenos astros dançam à nossa volta, libertando-nos a alma.

Always Already Here merece máxima atenção. É um álbum livre, para se ouvir sem constrangimentos ou submissões, sem máscaras covid que nos tolhem a plena respiração. Um disco inspirador, portanto.



Pink Floyd: o “problema” que David Gilmour sentiu em ‘The Dark Side of the Moon’


 Não havia dúvida na mente de David Gilmour de que ‘The Dark Side of the Moon’ iria funcionar. O guitarrista do Pink Floyd estava com a banda há pouco menos de meia década quando começou a trabalhar no álbum. Naquela época, ele viu o Floyd se debater em várias direções diferentes, enquanto tentavam desesperadamente encontrar uma identidade separada de seu compositor e líder de banda original, Syd Barrett. Nada realmente pegou até Waters se inclinar para a condição humana com o álbum ‘Meddle’ mais próximo, ‘Echoes’. A partir daí, as bases para Dark Side estavam prontas.

Gilmour discorreu para Glenn Povey, na edição da revista Guitar Player que celebra os 50 anos do Dark Side:

Assim que Roger surgiu com a ideia de seus temas centrais de como as pressões da vida moderna podem afetar sua sanidade, começou a tomar forma a partir daí, eu diria. Mas aquela sensação de que estávamos em um verdadeiro ‘algo’ mágico veio um pouco mais tarde, eu acho.

Embora ele sentisse que a banda estava em um caminho interessante, ninguém poderia prever o impacto que ‘The Dark Side of the Moon’ teria na música popular. Com mais de 45 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, continua sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos. Com quase 1.000 semanas não consecutivas na parada de álbuns da Billboard, Dark Side permaneceu no centro da cultura pop continuamente e ininterruptamente por cinco décadas. Para Gilmour, esse tipo de resistência era inimaginável em 1973.

A longevidade na música pop, de minha parte, com 20 e poucos anos, eu tinha 27 anos quando fizemos Dark Side of the Moon, foi medida em talvez cinco, possivelmente 10 anos”. Mal sabia ele que o escopo do Dark Side seria tão universal que nem mesmo multiplicar essa estimativa por cinco seria suficiente.

Com tudo isso dito, Gilmour não está completamente satisfeito com a reputação e aclamação que se seguiram ao álbum. O guitarrista tem uma reclamação específica que vem com o álbum como um todo, algo que provaria ser um grande ponto crucial em sua rivalidade com o colega de banda Roger Waters.

Meu problema com Dark Side, e eu já disse isso antes e sem dúvida vou dizer de novo, foi que eu pensei que o surgimento de Roger naquele álbum como um grande escritor de letras foi tal que ele veio a ofuscar a música em alguns lugares.

Houve momentos em que não nos concentramos tanto no lado musical quanto deveríamos, que é o que eu expressei para toda a banda após a criação de Dark Side. Isso foi absorvido em um esforço para tentar melhorar o equilíbrio entre música e letra em ‘Wish You Were Here.’



Os 10 melhores álbuns do Iron Maiden classificados

 Dama de Ferro

A banda de heavy metal Iron Maiden foi formada em Londres em 1975 pelo principal compositor e baixista Steve Harris. O Iron Maiden foi considerado um pioneiro na nova onda do heavy metal, e eles estavam no auge de sua fama e sucesso durante a década de 1980. No entanto, a banda continua até hoje, embora a formação tenha mudado várias vezes ao longo dos anos. Desde que a banda foi formada, eles lançaram um total de 40 álbuns, incluindo 16 álbuns de estúdio, 13 álbuns ao vivo, sete compilações e quatro Eps. Eles também lançaram 45 singles e 20 álbuns de vídeo. Aqui estão os 10 melhores Iron Maidenálbuns

10. Brave New World (2000)



Entrando no novo milênio, o Iron Maiden decidiu fazer outro retorno após a reintegração de Bruce Dickinson e Adrian Smith. Eles lançaram o álbum 'Brave New World', e não decepcionou os fãs. Havia algumas faixas excelentes no álbum, incluindo 'The Wicker Man', que muitos fãs do Iron Maiden consideraram um dos melhores singles da banda desde os anos 80. Outras faixas excelentes do álbum incluem 'Blood Brothers', 'Ghost of the Navigator' e 'Dream of Mirrors'.

9. The Book of Souls (2015)


'The Book of Souls' é o mais recente álbum lançado pelo Iron Maiden. Na época em que este álbum foi lançado, a banda já existia há 40 anos, mas eles não haviam perdido sua vantagem. 'Tears of a Clown' foi uma das faixas mais cativantes do álbum, enquanto 'Speed ​​of Light' e 'If Eternity Should Fail' embalam o impacto que você espera da música heavy metal.

8. Iron Maiden (1980)



'Donzela de Ferro' foi o álbum de estreia da banda, e muitos fãs ainda o consideram uma de suas melhores ofertas. Quando o álbum foi lançado, o poder e a paixão na música eram claros. As faixas permaneceram populares e se tornaram clássicos estabelecidos neste gênero musical. Pela própria admissão de Steve Harris, a produção do álbum é um pouco plana, mas as faixas mais do que compensam isso.

7. Killers (1981)


Quando o Iron Maiden lançou seu segundo álbum, 'Killers', em 1981, eles se estabeleceram como uma das melhores bandas de heavy metal e conquistaram uma enorme base de fãs. Desde o início do álbum, quando 'The Ides of March' começa a tocar como a introdução do álbum, o padrão da música que está por vir é claro. No restante do álbum, a qualidade da música continua, com faixas como 'Murders in the Rue Morgue' e 'Wrathchild'.

6. Piece of Mind (1983)


'Piece of Mind' foi o primeiro álbum do Iron Maiden a apresentar Nicko McBrian, e ele fez sua presença conhecida. Algumas das faixas que mostram seus talentos incluem 'To Tame a Land', 'Flight of Icarus', 'The Trooper' e 'Revelations'. No entanto, não são apenas os talentos de McBrian que tornam este álbum especial, já que muitas das outras faixas que não o apresentam são incríveis, incluindo 'Quest for Fire', 'Still Life' e 'Die with Your Boots On'.

5. A Matter of Life & Death (2006)

 

O Iron Maiden provou que poderia resistir ao teste do tempo com o lançamento de seu álbum de 2006 'A Matter of Life & Death', já que o álbum era uma evidência de que eles poderiam continuar lançando músicas fenomenais além dos anos 80. Foi um dos álbuns mais sombrios, pesados ​​e emocionantes que a banda produziu durante os anos 2000. Alguns dos destaques do álbum incluem 'The Longest Day' e 'These Colors Don't Ruin'.

4. Seventh Son of a Seventh Son (1988)



Kerrang lista o álbum de 1988 'Seventh Son of a Seventh Son' como um dos melhores álbuns do Iron Maiden. Foi o sétimo álbum do Iron Maiden e alcançou o primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e da Finlândia. Também ficou entre os dez primeiros nas paradas de álbuns na Áustria, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e Suíça. Nos Estados Unidos, o álbum alcançou a posição 12.

3. Somewhere In Time (1986)



De todos os álbuns lançados pelo Iron Maiden durante os anos 80, 'Somewhere In Time' é aquele que às vezes é esquecido. No entanto, foi um dos álbuns de maior sucesso nos Estados Unidos, alcançando a 11ª posição nas paradas. Foi também um álbum popular na Europa, chegando ao segundo lugar no Reino Unido e alcançando o primeiro lugar na Finlândia. O Iron Maiden lançou os singles 'Wasted Years' e 'Stranger in a Strange Land deste álbum.'

2. The Number of the Beast (1982)


O terceiro álbum que o Iron Maiden lançou foi 'The Number of the Beast', e alcançou o primeiro lugar nas paradas de álbuns do Reino Unido. Foi certificado Platina no Reino Unido e nos Estados Unidos e Platina Tripla no Canadá. O álbum está repleto de clássicos do Iron Maiden, como '22 Acacia Avenue', 'Hallowed Be Thy Name' e 'Children of the Damned'. Apesar da qualidade e popularidade do álbum, ele se tornou polêmico ao ser contestado por conservadores sociais, e a banda foi acusada de ser satanista.

1. Powerslave (1984)


De acordo com a Louder Sound , o melhor álbum do Iron Maiden é 'Powerslave'. Foi o quarto álbum da banda e alcançou a posição número dois no Reino Unido e número 12 nos Estados Unidos. O álbum traz o single 'Flash of the Blade', que alguns críticos musicais descrevem como uma das maiores canções de heavy metal de todos os tempos. Algumas outras faixas poderosas do álbum incluem a faixa-título, 'Rime of the Ancient Mariner', '2 Minutes to Midnight' e 'Aces High'.


Jethro Tull anuncia reedição do 40º aniversário de ‘The Broadsword And The Beast’

 

Banda relançará o seu décimo quarto álbum de estúdio (1982) em setembro, com novas mixagens de Steven Wilson

O álbum de 1982 do Jethro Tull, ‘The Broadsword And The Beast’, é o último de seus álbuns a receber o tratamento de luxo do 40º aniversário, com uma nova versão em CD/DVD de oito discos e uma reedição em vinil de quatro discos a ser lançada pela Warner Music em 1º de setembro.

Os pacotes do 40º aniversário incluem novas mixagens de Steven Wilson, demos, mixagens brutas, uma gravação ao vivo de 1982 da Alemanha e sessões de 1981 com cinco CDs e três DVDs formando a Monster Edition e a edição em vinil de quatro discos. Um livreto de 164 páginas acompanha a história do álbum e mostra a turnê com a banda e a equipe, além de uma reprodução do programa da turnê de 1982.

Originalmente lançado em 1982, ‘The Broadsword And The Beast’ apresentava uma mistura distinta de rock, folk e influências progressivas acompanhadas pelas letras de Ian Anderson e uma flauta inconfundível, que alcançou o Top 20 nos EUA.

Ian Anderson:

A banda tocou muito bem nela. Acho que isso tem muito a ver com a seção rítmica de Dave Pegg e Gerry Conway, foi muito sólido e positivo. A inclusão de Peter Vettese no álbum também foi muito positiva na forma como ele trouxe uma musicalidade pensada para ele. E Martin fez o que ele estava fazendo cada vez melhor ao longo dos anos 80, que era ser um guitarrista incrivelmente bom.

Com relação a The Broadsword And The Beast em relação a outros álbuns do Jethro Tull, pessoalmente eu definitivamente o colocaria na metade superior, em termos de haver algumas músicas realmente boas e uma sensação definitiva de haver um leve retorno a esse estilo mais conceitual, sem ser muito pesado. No geral, acho que a música estava entre as nossas melhores.


 

CRONICA - STEVE EARLE | Copperhead Road (1988)

 

Steve EARLE, casualmente, está fazendo seu nome no rock americano, mesmo que não atinja altas pontuações nas vendas de álbuns. Os seus 2 primeiros discos fizeram um pequeno caminho no álbum Top e em palco, o cantor/guitarrista/compositor, acompanhado por músicos sólidos, não poupa esforços, dá o melhor de si.

Neste ano de 1988, Steve EARLE inicia a gravação de seu 3º álbum de estúdio, que muitas vezes tem valor de teste para muitos artistas (ele pode levá-los a uma dimensão superior, ou não). Steve EARLE é também o responsável pela co-produção do álbum em questão com Tony Brown, que já esteve à frente nos 2 anteriores, e ainda toca bandolim e gaita. O terceiro álbum de Steve EARLE foi intitulado  Copperhead Road  e foi lançado em 17 de outubro de 1988.

Este álbum começa com um estrondo com "Copperhead Road", que é um MEGA HINO em potência: é colocado em órbita por uma introdução majestosa, com melodias no bandolim, então a música avança crescendo lentamente, Steve EARLE se mostrando para a ocasião cativante como narrador. A meio, o ritmo torna-se mais vigoroso, a peça mais Rock n' Roll com guitarras que se fundem por todo o lado e, no final, é a derradeira peça Country-Rock que se revela terrivelmente viciante. Diria ainda mais: este título para consumir SEM moderação é um dos maiores clássicos dos anos 80, pelo menos no meu Top pessoal. Este título também fez algumas aparições nas paradas: 12º no Canadá, 23º na Austrália, 45º na Grã-Bretanha, enquanto nos EUA, ficou em 10º lugar na parada Mainstream Rock (foi o segundo título de Steve EARLE a ser classificado na categoria Mainstream Rock depois de "I Ain't Ever Satisfied", 26º em 1987). Pena que não entrou no Billboard Hot 100 porque tinha potencial para eu esmagar o Top 20.

Se "Copperhead Road" tinha direito a um pequeno parágrafo à parte, o resto do álbum não deve ser esquecido porque há vários títulos voadores para colocar na boca. A começar por "Johnny Come Lately", uma composição Country-Rock que narra o cotidiano de um certo Johnny com quem qualquer cidadão americano comum poderia se identificar. Rítmica, cativante, essa música faz você bater os pés, é reforçada por melodias suculentas para se tornar um hino e ficou em 75º lugar na Grã-Bretanha em seu tempo. Sobre este título, você deve saber que foi ilustrado por um clipe que antecipou o de “Runaway Train” (de SOUL ASYLUM). Steve EARLE, na ocasião, ficou feliz em conviver com o Hard Rock (sem, no entanto, colocar seus 2 pés nele), usando esse estilo para transcender algumas faixas de sua autoria, como o mid-tempo "Back To The Wall" que sintetiza Heartland-Rock, Blues-Rock e Hard Rock, mostra-se viciante com as guitarras elétricas e acústicas que se entrelaçam bem , um solo de guitarra soberbo, e "Snake Oil", que começa com um Ragtime digitado no piano por 30 segundos e depois muda para um Hard/Blues agradável, ritmado com um piano jovial e guitarras cruas que coexistem harmoniosamente para fazer tudo fundamentalmente Rock n 'Roll e, em última análise, viciante, irresistível. Mais orientada para o Blues-Rock, "The Devil's Right Hand" é um fogo cativante que cruza GEORGIA SATELLITES e JASON & THE SCORCHERS, com um refrão inebriante, também bem cimentado por esta excelente coabitação entre guitarras e guitarras acústicas. No terreno do Heartland-Rock, Steve EARLE mantém-se tão eficaz como sempre, seja em "Even When I'm Blue", salpicado de conotações folk, iluminado por um solo de piano que funciona em simultâneo com os scratches e potenciado por o contraste bem-sucedido entre melodias luminosas e atmosfera melancólica, ou mesmo “Waiting On You”, uma peça com aromas blues e um revestimento Pop em que as guitarras ora mordem, ora mais claras, até bajulando, que faz parte do alinhamento de Bruce SPRINGSTEEN , Tom PETTY, mantendo o toque pessoal de Steve EARLE e, pensando bem, poderia ter feito um pequeno sucesso honroso. Num registo mais fundamentalmente Country-Rock, "Once You Love" é uma composição bastante terrosa com melodias elegantes, com a presença de instrumentos como o piano, Grave Dancers Union  em 1992. 2 baladas finalmente completam este álbum: se o blues com dicas Folk "You Belong To Me" é bastante comum com seu refrão excessivamente redundante, aparecendo até como o elo fraco do álbum, "Nothing But A Child" impõe-se por outro lado como uma bonita balada Country marcada pela presença de um bandolim, um violino que aqui se impõe como um bom complemento melódico, coros femininos que apoiam Steve EARLE eficazmente no refrão e que se revelam imbuídos de sensibilidade , tocando.

Steve EARLE dividiu lá um álbum perfeitamente realizado.  Copperhead Road  mistura com sucesso Country-Rock, Heartland-Rock, Blues-Rock e Hard-Rock e Steve EARLE, cuja voz é um pouco mais áspera, mostrou-se no auge de sua inspiração. As texturas da guitarra são um deleite para os ouvidos e todas as faixas, com exceção de uma balada mencionada acima, são de primeira qualidade. Copperhead Road, que suportou bem o peso dos anos, merece figurar entre os grandes discos dos anos 80. Além disso, contribuiu para tornar Steve EARLE mais conhecido a nível internacional: além dos EUA onde ficou em 56.º lugar (com 28 semanas de presença no álbum Top), 14.º no Canadá (e triplo disco de platina na chave), 17.º na Nova Zelândia, 39º na Austrália, 42º na Grã-Bretanha. A propósito, quem disse que os anos 80 foram a década dos sintetizadores e nada mais? Este álbum, como muitos outros, está aí para demonstrar o oposto desse pensamento comum, tão ultrassimplista quanto estúpido.

Tracklist:
1. Copperhead Road
2. Snake Oil
3. Back To The Wall
4. The Devil's Right Hand
5. Johnny Come Lately
6. Even When I'm Blue
7. You Belong To Me
8. Waiting On Me
9. Once You Love
10. Nothing But A Child

Formação:
Steve Earle (vocal, guitarra, bandolim, gaita)
+
Donny Roberts (guitarra)
Bill Lloyd (guitarra)
Bucky Baxter (pedal steel, lap steel, dobro)
Kelley Looney (baixo)
Kurt Custer (bateria)
John Jarvis ( piano)
Ken Moore (órgão, sintetizadores)

Gravadora : United Records

Produtores : Steve Earle e Tony Brown



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