quinta-feira, 13 de julho de 2023

Banda do Casaco – Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios (1975)

 

Em 1975 os ambientes progressivos alastravam pelo país. Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios é surrealista, pop e profundamente português.

O primeiro disco da Banda do Casaco mostra logo pelo título que não é um álbum vulgar. A banda fundada por António PinhoNuno RodriguesCelso Carvalho e Luís Linhares surgiu das cinzas da Filarmónica Fraude e criou uma espécie de folk progressivo campestre ao qual se juntaram muitos outros músicos durante a década e sete discos que se seguiram.

Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios destaca-se logo pela capa de Carlos Zíngaro, que também canta e toca violino, violoncelo e contrabaixo neste disco. Nela, várias vinhetas com personagens disformes e alienígenas aludem às várias canções do disco, como por exemplo, uma figura feminina sem um braço alude à canção “A Cavalo Dado…”. A mesma figura aparece na contracapa com uma cigarrilha e um braço robot para a canção “Cocktail do Braço de Prata”.

A pesquisa ou influência etnográfica das tradições é persistente em todo o disco mas como exemplo podemos dar logo “A Ladaínha das Comadres”, onde bombos e flautas enquadram um refrão com “Ai Jesus cruzes canhoto/lagarto, lagarto lagarto”. Outros bons exemplos existem, espalhados pelas 14 canções do LP (ou 12 da reedição em CD, que juntou a primeira e a segunda, e a 12 e 13 da numeração original).

Dentro do álbum, além das letras, umas frases acompanham e enquadram as canções num largo fio condutor. Em “D’Alma Aviada”, que precede a das comadres, explica-se que “Um diabo é sempre o diabo. Se necessário há-de comungar uma vez por cada ano. As comadres o lembrarão”, lançando assim a canção seguinte.

A Banda do Casaco
A banda surgiu das cinzas da Filarmónica Fraude e criou uma espécie de folk progressivo campestre ao qual se juntaram muitos outros músicos durante a década e sete discos que se seguiram.

Por um lado nada é fora de época neste trabalho. O estilo de cantar aparenta a Carlos Mendes, algumas orquestrações podiam ser retiradas de discos de Sérgio Godinho… contudo tudo é diferente na mistura de influências. Mais difícil e menos pop que os citados, a banda cria algumas paisagens psicadélicas, como em “Opúsculo” ou inspira-se em canções medievais, como “Henrique ser ou não Enriquecer”. Tudo isto imerso em mensagens políticas, porque em 75 era impossível ser-se apolítico. Nas já referidas linhas que acompanham as letras das canções, esclarece-se “Por via da dúvida define-se. Henrique, célebre navegador português do Séc. XII, inventor do nosso paludismo, ao fim e ao cabo das tormentas.”

Bonifácios manda estocadas na história de Portugal como “solidários no medo, grandes viajantes em fraldas de camisa”. “Cocktail Braço de Prata” diz que “A operação é bancária/A operação é plástica/A cruz que carrega é a suástica/A ordem que ele emprega é arbitrária.”

Há experimentalismo, como em “Memorandum” e “Sábado Sauna”, que na reedição de 1993 foram juntas, e há canções mais simples na construção como “Lavados Lavados sim”, ou “Horas de Ponta E Mola”, que ainda assim exploram mudanças de ritmo ou um domínio linguístico que atravessa todo o disco e consistente e implicitamente sugere que os males de Portugal são coisas que já vem de uma antiga história. Podemos mesmo considerar este como um concept album em largas pinceladas.

A Banda do Casaco passou os discos seguintes sem saber se abraçava o lado de música mais popular, no sentido do folclore, ou mais moderno, oscilando entre estes registos, mas em Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios o equilíbrio é possível e profundamente bem feito.



Jeff Rosenstock – NO DREAM (2020)


 

Belo disco de Jeff Rosenstock, daqueles que parece tão simples mas que já ninguém faz em 2020.

Vamos começar este pequeno texto com um mantra, por favor acompanhem-me – fechem os olhos, bloqueiem os pensamentos por uns breves minutos e digam para vocês mesmo as seguintes palavras:

“Não, o rock não morreu.”

Mais três vezes, ainda em silêncio, passando depois para em voz alta, mas tom de conversação normal.

“Não, o rock não morreu.”

Mais três vezes, começando depois progressivamente a aumentar o volume da voz, até deixar explodir esse grito que está dentro de vocês e precisa de sair cá para fora NÃO, O ROCK NÃO MORREU!!!

Estão agora no ponto para dar início à audição deste disco de Jeff Rosenstock, que servirá de força motriz para saírem pelas ruas fora com o volume no máximo no vosso carro, a fazer manguitos a quem do outro lado estiver a ouvir reggaetons e xaropadas pop que proliferam, qual lixo tóxico produzido por um peido pós uma farta feijoada.

A mensagem está passada, agora é replicar esta acção ao infinito, façam-me(nos) o favor de fazer este disco chegar aos ouvidos de quem gostam e o mundo será um lugar melhor. A energia de Rosenstock é contagiante, e a mensagem que apregoa não é menos importante – precisamos mesmo de tantos Nikes? será que estamos a dar a nossa atenção a quem a merece? será que estamos onde gostaríamos de estar? – debruçando-se tanto sobre problemas macro como micro, os que podemos realmente ser mais pró-activos e almejar mudar as coisas. Sobretudo porque, e infelizmente, o mundo actual “It’s not a dream, it’s not a dream”.

Jeff Rosenstock
Herdeiro directo dos mestres DIY, Rosenstock tem sido incansável em manter viva a memória dos seus criadores.

Rosenstock já anda desde 2004 a carregar a pesada herança do punk do it yourself que parece hoje em dia da idade da pedra. Juntamente com o colectivo Bomb the Music Industry! fizeram tours com concertos a dez dólares, lançaram música original de graça que disponibilizaram directamente no seu site e foram rotulados de Fugazi da idade da internet. Não sou fã de rótulos, mas este é definitivamente bem esgalhado.

Musicalmente NO DREAM é super divertido. Tanto se chega ao punk pop como ao ska, piscando sempre os olhos a pesos pesados do rock alternativo americano de uns Wilco e Neutral Milk Hotel. Vamos experimentar?



Classificação de todos os álbuns de Janet Jackson

 Janet Jackson

Janet Jackson é uma das maiores artistas pop e R&B que surgiram nas últimas décadas. Como prova, não procure além de sua carreira, que a viu vender mais de 100 milhões de discos em todo o mundo. Um número que é mais do que suficiente para fazer de Jackson um dos artistas mais vendidos de todos os tempos .

11. Dream Street


Existe um estereótipo de artistas tropeçando quando se trata de seus álbuns de segundo ano. Pode-se argumentar que Dream Street pode ser considerado um exemplo. Afinal, é o álbum de Jackson com pior desempenho, com o resultado de não conseguir um único hit na parada Billboard Hot 100. Ainda assim, o single "Don't Stand Another Chance" conseguiu encontrar algum sucesso.

10. Janete Jackson

 

Jackson fez seu álbum autointitulado quando ela ainda tinha 16 anos. Como tal, não deveria ser surpresa saber que este também foi seu álbum de estreia. Em termos musicais, Janet Jackson foi chamada de Bubblegum Soul, o que significa que não era necessariamente ruim, mas nem de longe tão substancial quanto o trabalho posterior da artista.

9. 20 Y.O.


É interessante notar que o nome 20 YO era uma referência ao terceiro álbum de Jackson, Control. Simplificando, 20 YO foi lançado em 2006, enquanto Control foi lançado em 1986 , o que significa que um foi inspirado até certo ponto pelo outro. Infelizmente, o nono álbum de Jackson não foi capaz de atingir as mesmas alturas de seu terceiro álbum. Ainda se saiu muito bem no sentido comercial, mas recebeu uma resposta bastante mista dos críticos. No geral, 20 YO foi divertido. A questão era que era divertido de uma forma que já havia sido feita antes de novo e de novo.

8. Discipline


Muitas vezes, críticos e consumidores podem ter opiniões muito diferentes sobre uma mesma obra. Para citar um exemplo, o décimo álbum de Jackson, Discipline, foi bem recebido pela crítica. Em contraste, bem, basta dizer que foi um fracasso comercial que encerrou seu novo relacionamento com a Island Records. Talvez seja revelador que mais de um crítico elogiou Discipline porque foi uma melhoria em seus dois álbuns anteriores na época.

7. Damita Jo

 

Damita Jo costuma ser lembrado mais por causa do mau funcionamento do guarda-roupa que aconteceu no show do intervalo do Super Bowl do que por seus méritos. Não foi um álbum ruim. Como prova, considere como conseguiu vender mais de dois milhões de cópias, o que não é exatamente o tipo de coisa que qualquer um pode fazer. Infelizmente, Damita Jo teve um problema porque estava recauchutagem em terreno pisado. Como tal, tinha um cheiro de estagnação.

6. All for You

 

All for You foi enraizado na separação de Jackson de Rene Elizondon, Jr. Isso é algo que fica muito claro quando se ouve seu sétimo álbum de estúdio. No entanto, isso também é algo que funcionou muito bem. All for You não se esforçou para lidar com questões mais sombrias. Em vez disso, optou por um tom otimista, que combinou muito bem com o senso de inovação que transparecia em mais de uma de suas canções.

5. Unbreakable


Há alguns artistas que passam por um longo e lento declínio do qual não há recuperação nem reversão. No entanto, Jackson não pode ser considerado um deles. Afinal, ela fez Unbreakable, que seria o 11º de seus 11 álbuns. Em termos de assunto, é um álbum que não poderia ter sido feito por um artista mais jovem porque é muito influenciado pelas experiências que Jackson teve ao longo de sua vida. Além disso, Unbreakable também tinha mais foco na consciência social, permitindo assim romper com alguns dos padrões que Jackson havia estabelecido com alguns de seus trabalhos posteriores. Combinados, não é de admirar que Unbreakable tenha conquistado a primeira posição na Billboard 200.

4. Janet


Algumas pessoas podem se perguntar por que Janet. tem um nome tão incomum. Se assim for, eles devem saber que foi o quinto álbum de Jackson, o que significa que saiu em um ponto muito diferente de sua vida do que seus trabalhos posteriores. Por exemplo, ela ainda estava sendo perseguida por acusações de que seu sucesso vinha de ela ser um membro da família Jackson naquela época, e é por isso que ela fez questão de escrever todas as suas letras para isso. Da mesma forma, o nome do álbum foi feito para enfatizar seu nome pessoal enquanto desenfatizava seu status como membro da família Jackson . De qualquer forma, Janete. também é interessante porque este foi o álbum que a viu abandonar sua imagem outrora conservadora em favor da sexualidade que se tornaria icônica em sua carreira posterior.

3. Rhythm Nation 1814

 

Rhythm Nation 1814 seguiu os passos de Control. Como tal, houve uma pressão considerável sobre Jackson para fazer algo semelhante. No entanto, ela optou por fazer um álbum diferente, bastante preocupado em ser socialmente consciente. Claro, isso não teria importado se o álbum também não fosse um excelente trabalho repleto de apelo cruzado, tanto que continua sendo um dos lançamentos mais influentes de Jackson.

2. The Velvet Rope

The Velvet Rope foi um álbum conceitual nascido da introspecção. Teve um grande impacto na imagem de Jackson, bem como na carreira de Jackson, por vários motivos. Por exemplo, seu interesse em tópicos mais sombrios lembrava as pessoas de sua amplitude. Da mesma forma, seu conteúdo frequentemente sexualmente explícito consolidou ainda mais seu status como um dos símbolos sexuais mais proeminentes da década de 1990. Além disso, também é interessante notar que The Velvet Rope ajudou Jackson a desenvolver seguidores gays por causa de sua oposição à homofobia, bem como interesse em questões relacionadas.

1. Control


Nenhum dos dois primeiros álbuns de Jackson foi particularmente bem. Em vez disso, foi Control que a colocou no topo da Billboard 200 pela primeira vez. O referido álbum foi extremamente influente, tanto que foi visto como um modelo para outras artistas femininas seguirem suas carreiras. Por que vale a pena, isso não é coincidência. Afinal, Control é assim chamado porque foi o produto de um incrível ato de autorrealização da parte de Jackson, que foi possível porque ela finalmente escolheu seguir seu próprio caminho.

“Fruto Proibido”(Som Livre, 1975), Rita Lee & Tutti Frutti

 


Fruto Proibido é o quarto álbum solo de Rita Lee e o segundo dela com a banda Tutti Frutti. O álbum marca a sua estreia na gravadora Som Livre e torna a cantora uma superestrela do rock brasileiro. Mas desde a sua saída dos Mutantes até chegar ao estrelato com Fruto Proibido, ela pegou caminhos tortuosos e passou por frustrações.

No final de 1972, Rita Lee foi “convidada” a deixar os Mutantes por não se “enquadrar” na nova orientação que a banda estava tomando que era o rock progressivo. A cantora já se mostrava insatisfeita com os novos rumos do grupo, distantes do humor e da musicalidade anárquica dos primeiros discos. Com a amiga Lúcia Turnbull, forma em 1973 a dupla Cilibrinas do Éden, voltada para uma proposta acústica. Porém a ideia foi um tremendo fisco e a própria Rita sentia falta da energia pulsante do som elétrico do rock.

Naquele mesmo ano, Rita e Lúcia conheceram a banda Lisergia, da qual o guitarrista Luiz Sérgio Carlini, o baixista Lee Marcucci e o baterista e Emilson Colantonio faziam parte. Juntaram-se e a banda foi rebatizada de Rita Lee & Tutti Frutti, por sugestão da gravadora Philips. O som da banda era voltado para uma sonoridade que abarcava influências de Rolling Stones, David Bowie, hard rock, blues, glam rock e um clima mais festeiro, bem diferente da seriedade que os Mutantes haviam adotado ao mergulharem de vez no rock progressivo.

Rita Lee & tutti Frutti em 1974.
Em 1974, Rita Lee & Tutti Frutti lançaram pela Philips/Phonogram o álbum Atrás Do Porto Tem Uma Cidade, trabalho que não foi bem recebido pela crítica. O processo de finalização do álbum, que sofreu alterações, gerou atritos entre a Rita Lee e a gravadora. A cantora se mostrou contrariada pelo fato do produtor do disco ter mexido na faixa “Menino Bonito”, que sem o consentimento de Rita e da banda, sofreu o acréscimo de uma orquestra de cordas durante a mixagem, coisa que não estava prevista pela banda. Para completar, a gravadora Philips não teria trabalhado com empenho na divulgação do álbum, o que gerou desentendimentos entre Rita Lee e o diretor da gravadora, André Midani. A Philips estaria mais interessada em apostar no ex-Secos Molhados, João Ricardo, como a nova estrela do rock da gravadora. O clima pesado culminou com a rescisão de contrato entre a gravadora e Rita Lee & Tutti Frutti. Depois dessa confusão, Lúcia Turnbull e Edmilson deixaram o Tutti Frutti.

Em 1975, Tutti Frutti conta com nova formação com a entrada de Franklin Paolilo na bateria no lugar de Edmilson, e a chegada do tecladista Paulo Maurício e dos backing vocals e irmãos gêmeos Rubens Nardo e Gilberto Nardo.

Naquele ano, Rita e banda assinam contrato com a Som Livre que lança em junho daquele ano Fruto Proibido. Ao contrário do álbum anterior, Fruto Proibido é muito bem recebido crítica que destaca o amadurecimento de Rita Lee como letrista e o talento do guitarrista Luiz Sérgio Carlini.

“Dançar Pra Não Dançar” é a faixa que abre o álbum e já dá indícios de que a liberdade feminina se tornaria um tema constante na obra de Rita (“Dance, dance, dance / Faça como Isadora / Que ficou na História / Por dançar como bem quisesse”). A letra faz uma alusão a Isadora Duncan (1877-1927) bailarina pioneira da dança moderna. Em “Agora Só Falta Você”, a guitarra de Carlini cresce e estabelece um “diálogo” com a bateria de Paolillo, cujas viradas preenchem os espaços da música com maestria. O ritmo desacelera com o blues “Cartão Postal”, pareceria de Rita Lee e Paulo Coelho, parceiro de Raul Seixas, mas que naquele momento estava afastado do roqueiro baiano. No galopante blues rock “Fruto Proibido”, a gaita tocada por Carlini dá um toque especial à faixa. "Esse Tal De Roque Enrow", outra parceria de Paulo Coelho e Rita,  fecha o lado A do álbum, tendo a guitarra de Carlini “duelando” com os solos de sax de Manito, ex-Incríveis, músico convidado.

O lado B começa com mais uma parceria de Paulo e Rita, “O Toque”, um misto de hard rock e rock progressivo, único momento do disco que remete um pouco aos Mutantes. “Pirataria” traz um solo de flauta executada por Manito e que dá um clima de Jethro Tull à música. Em “Luz Del Fuego”, a temática feminista fica escancarada, com destaque para a incrível sintonia entre guitarra, baixo e bateria na introdução. A autobiográfica “Ovelha Negra” fecha o álbum e traz o solo de guitarra emocionante de Carlini no final, sem sombra de dúvidas, maior solo de guitarra da história do rock brasileiro.

Rita Lee & Tutti Frutti em 1975.
Um personagem que se tornaria uma peça fundamental para o acabamento de Fruto Proibido foi o seu produtor, o inglês Andy Mills. Ele fazia parte da equipe de Alice Cooper, na qual trabalhou como técnico de som. Andy veio para o Brasil com a equipe do mestre do rock horror para uma apresentação, e acabou fixando residência no país. A sua experiência em ter trabalhado no primeiro escalão do rock mundial, deu a Fruto Proibido um caráter diferenciado se comparado a outros discos de rock produzido por produtores brasileiros naquele momento. Era comum na época, os produtores brasileiros limitarem o potencial das guitarras, torná-las mais “domesticadas” para o ouvinte. Em Fruto Proibido, Andy deixou as guitarras mais livres e o volume da bateria mais alto do que o comum, dando mais “musculatura” ao som do instrumento no disco e realçando a técnica do baterista.

Comercialmente, Fruto Proibido foi muito bem. O fato da Som Livre pertencer à Rede Globo, ajudou a dar visibilidade a Rita Lee & Tutti Frutti através das propagandas do álbum nos intervalos da programação da rede de televisão. Puxado pelos hits "Ovelha Negra", "Agora Só Falta Você" e "Esse Tal De Roque Enrow", o álbum chegou à marca e 200 mil cópias vendidas. O sucesso do álbum foi tão grande que Rita e banda saíram em uma grande turnê nacional com uma equipe composta por mais de 20 pessoas, entre músicos e técnicos, 6 toneladas de equipamento de som e luz, e uma produção de alto nível jamais visto até em apresentações de artistas do rock brasileiro até então.  O sucesso de Fruto Proibido não deixou de ser também para Rita Lee, um tapa na cara com luva de pelica nos ex-companheiros dos Mutantes e na sua antiga gravadora, a Philips/Phonogram.

Durante a turnê de Fruto Proibido, Rita e banda prepararam material para o álbum seguinte. A excursão desbravadora inspirou o nome do álbum que viria em seguida: Entradas e Bandeiras, de 1976.

Fruto Proibido é considerado pela crítica um dos maiores discos de rock produzidos no Brasil, bem como um dos mais importantes discos da música popular brasileira.  

Faixas:

Lado A
"Dançar Pra Não Dançar" (Rita Lee)
"Agora Só Falta Você" (Luis Sérgio Carlini - Rita Lee)
"Cartão Postal" (Paulo Coelho - Rita Lee)
"Fruto Proibido" (Rita Lee)        
"Esse Tal De Roque Enrow" (Paulo Coelho - Rita Lee)   

Lado B
"O Toque" (Paulo Coelho - Rita Lee)     
"Pirataria" (Lee Marcucci - Rita Lee)      
"Luz Del Fuego" (Rita Lee)         
"Ovelha Negra" (Rita Lee)



"Boston" (Epic, 1976), Boston

 


O álbum de estreia da banda norte-americana Boston é um exemplo de que talento, qualidade técnica e apelo comercial podem conviver juntos, legitimando assim o sucesso de uma obra. Boston, o álbum, foi um dos maiores fenômenos em vendagens de discos da indústria fonográfica nos anos 1970. Lançado em 25 de agosto de 1976, o álbum atingiu recordes de vendas, catapultando uma banda do extremo anonimato para o estrelato mundial num espaço de poucos meses. Boa parte dessa proeza se deve ao talento, à inventividade, perseverança e ao espírito inquieto do multi-instrumentista Tom Scholz.

Quando criança, Tom estudou piano clássico, mas gostava de montar e projetar coisas como por exemplo, aeromodelos. Ainda muito jovem, graduou-se e fez mestrado em Engenharia Mecânica pela MIT (Massachusetts Institute os Technology) aos 23 anos em 1970. Diplomado, foi trabalhar na Polaroid Corporation.

Trabalhando de dia, à noite dedicava o seu tempo à música, compondo e tocando em bandas do circuito roqueiro de Boston e redondezas. Com o salário que ganhava, comprou equipamentos e montou um estúdio no porão de sua casa em Waterdown, em Massachusetts. Autodidata, tocava guitarra, baixo e teclados. No shows noturnos, conheceu o guitarrista Barry Goudreau, o baterista Jim Masdea e o saudoso vocalista Brad Delp (1951-2007), e com eles começou a gravar fitas “demo”(fitas de demonstração) com as suas próprias composições no estúdio que montou. Enviava esse material paras as gravadoras, porém elas sempre rejeitavam. Em 1974, tocaram ao vivo em shows sob o nome Mother’s Milk, mas no ano seguinte a banda se desfez, preferindo continuar juntos na persistência de gravações de “demos” no estúdio de Tom.

Fita master do álbum e acópia do contrato assinado por
Tom e Delp com a Epic Records
Após tantas tentativas, uma das fitas chamou a atenção da Epic Records, em 1975. “More Than A Felling”, uma das canções da fita e futuro grande hit, foi quem despertou o interesse da gravadora e que logo propôs assinatura de um contrato. A Epic fez algumas exigências: além da demissão de Jim Masdea (que já havia deixado a banda antes da assinatura do contrato), exigiu que o álbum fosse gravado num estúdio profissional. Tom e Brad assinaram o contrato como únicos membros da banda que até então não tinha nome. Por sugestão do produtor John Boylan e do engenheiro de som Warren Dewey, a banda foi batizada como Boston, já que os músicos moravam próximos àquela cidade. Para completar a banda e gravar o disco, Tom e Brad convocou o velho amigo Barry Goudreau para a guitarra base, Fran Sheeran para o baixo e Sib Hashian para a bateria, todos eles músicos da cena roqueira de Boston.

Apesar da exigência da Epic, boa parte do matéria do álbum foi gravado no estúdio do porão de Tom Scholz. A mixagem e colocação dos vocais de Brad foram realizadas em estúdios ditos profissionais (como queria a gravadora) em Los Angeles, sob a responsabilidade de John Boylan.  Mesmo com a dedicação e o perfeccionismo na produção do álbum, Tom Scholz não acreditava que o álbum no sucesso de Boston. Apesar do álbum lançado, Scholz continuava no seu emprego na Polaroid. 

Em pé, da esquerda para a direita: Brad Delp, Tom Scholz, 
Barry Goudreau, e Fran Sheeran. Sentado: Sib Hashian.
A situação mudou quando “More Than A Feeling” estourou e escalou as paradas radiofônicas dos Estados Unidos. Em pouco tempo, “Boston” alcançou altos índices de vendas que ninguém da banda esperava. Em janeiro de 1977, “Boston” já batia a casa de 2 milhões de cópias vendidas e havia rendido três singles. A fama do Boston cresceu tanto que a banda já era tão popular quanto astros como Peter Frampton que ainda bombava com o álbum duplo Frampton Comes Alive (1976). O sucesso e a turnê de quase uma ano, encorajaram Tom Scholz a deixar o emprego na Polaroid. A consagração do Boston já era uma realidade.

Por muitos anos, Boston foi o álbum de estreia mais vendido da história fonográfica dos Estados Unidos, sendo superado mais tarde Appetite For Destruction (1987), do Guns N' Roses. Ainda assim, já ultrapassou a marca de 17 milhões de cópias vendidas.
Além do megahit “More Than A Feeling”, outras faixas viraram hits como "Peace Of Mind", a épica "Foreplay/Long Time" e autobiográfica "Rock and Roll Band".

Boston é para aqueles amantes de álbuns de rock bem produzidos e acabados. É “classic rock” por excelência. O que mais me impressiona no disco é como um cara como Tom Scholz, na época com cerca de 26/27 anos, conseguiu produzir um grande disco de rock, e logo no primeiro álbum de sua banda. Parecia um produtor experiente com anos de estrada em grandes gravadoras. Os anos em que ficou enfurnado no seu estúdio caseiro, movido pelo talento, dedicação e esmero deram bagagem para que ele alcançasse um nível tão alto. Além de talentoso jovem produtor, revelou-se um grande músico, principalmente como guitarrista.


O grande legado de Boston foi ter inaugurado um novo padrão de rock radiofônico, dando origem ao chamado AOR (Adult Oriented Rock ou Album Oriented Rock), muito associado ao arena rock (“rock de arena”), marcado pelo som pesado, ao mesmo tempo melódico e virtuoso, um misto de hard rock com rock progressivo. O disco tornou-se modelo para uma série de bandas contemporâneas ao Boston como o Journey,  Kansas, REO Speedwagon e influenciaria bandas de do mainstream do hard rock dos nos 1980 como Bon Jovi e Europe.

Boston  faixa a faixa:

1- “More Than A Felling” – O grande hit e do álbum e o maior da carreira do Boston. É um  exemplo clássico de rock para as massas, feito para ser entoado em grande estádios e arenas. Melodia e peso sonoro dão o equilíbrio perfeito a este rockaço. O saudoso Brad Delp mostra todo o seu potencial vocal. Tom Scholz faz a “parede” de guitarras, a base de riffs e solos. Há quem afirme que o riff de guitarra "Smells Like Teen Spirit ", do Nirvana, foi surrupiado de “More Than A Felling” por Kurt Cobain.  Quem são semelhantes, lá isso são.

2 - "Peace Of Mind" – É da época das fitas demo do Boston e em que o baterista era Jim Masdea. Na regravação para o álbum, a bateria é de Sib Hashian, porém seguindo os arranjos originais criados por Masdea. Aqui, mas uma vez os vocais Brad se destacam, onde ele faz voz principal e as vozes de fundo em belíssimas harmonizações.

3 -"Foreplay/Long Time" -  A faixa mais longa e talvez mais ambiciosa do álbum onde a Boston mostra todo o seu virtuosismo. São praticamente duas músicas em uma. O órgão Hammond pilotado por Tom Scholz dá o clima de rock progressivo no início da faixa e prossegue “forrando” a segunda parte da música, “Long Time”, mais puxada para o hard rock. Barry Goudreau dá um show nos solos de guitarra, botando-a pra “chorar”.

4 - "Rock & Roll Band" –  Autobiográfica, é outra faixa do álbum que havia sido registrada em fita demo. Para o álbum, Tom Scholz chamou o antigo baterista, Jim Masdea pra tocar.

5 - "Smokin” – Neste hard rock, há uma certa influência do hard rock inglês. O grande destaque nesta faixa é o som do órgão Hammond executado por Tom Scholz que “forra” a base da música e faz o solos incríveis, chegando até a dar um certo clima de “Fantasma da Ópera” em determinado trecho.

6 - "Hitch a Ride" – A faixa mais leve e melódica do álbum, apesar de intercalar com trechos pesados.  Brad Delp mostra mais uma vez as suas belas harmonizações vocais, e canta de uma maneira bem doce. As viradas de bateria de Sib Hashian são sensacionais. Os solos de guitarra caprichados e os violões melódicos que abrem e fechando a canção são de Tom Scholz.

7 - "Something About You"  - Depois de um rock balada, um hard rock pra aumentar a temperatura. Aqui Brad canta pra cima, e para os vocais de fundo, ele praticamente criou uma colcha de vozes sustentada por uma base guitarras pesadas e solos dobrados executados por Tom Scholz.

8 - "Let Me Take You Home Tonight" – Composta por Brad Delp, esta é a única faixa em que todos os membros da banda tocam juntos, cada um “no seu quadrado”.  É aqui que fecha o álbum.



O 1º álbum da formação clássica do Fleetwood Mac

 


Trabalho homônimo chegou no dia 11 de julho de 1975, marcando as estreias de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham

Lançado durante um período crucial de transição para o grupo, o álbum autointitulado Fleetwood Mac marca a introdução de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, ao lado dos membros fundadores Mick Fleetwood e John McVie, além de Christine McVie, solidificando a formação clássica que seguiria para atingir grande sucesso comercial.

Referido como o “Álbum Branco” do grupo devido à sua capa branca, o décimo álbum de estúdio da banda traz uma nova energia e uma dinâmica de composição distinta, introduzindo uma nova era que atinge um equilíbrio cativante entre rock, pop e folk. Antes de seu lançamento, Fleetwood Mac havia estabelecido sua presença estimada no mundo do blues-rock em grande parte como resultado do talento do ex-membro Peter Green.

Em uma tentativa de permanecer relevante, Fleetwood Mac foi criado com um certo talento e coragem que faltavam nos álbuns anteriores. Embora John McVie inicialmente tenha desafiado essa nova direção e muitas ideias trazidas à mesa por Buckingham, o som novo e aprimorado prova ser sua melhor abordagem e, sem dúvida, uma das mais importantes.

Na primeira audição, imediatamente impressionante é a nitidez e clareza da qualidade da produção, as harmonias, tanto entre os vocalistas quanto os instrumentistas, destacam-se como uma prova da química forte da banda. Nicks é uma adição bem-vinda à assembleia com suas composições poderosas e vocais roucos. O tom sensual de Christine McVie fornece ao som uma camada aveludada e suave, enquanto as contribuições de Buckingham mantêm a nova direção fresca e convidativa.

Uma das faixas de destaque, ‘Rhiannon’, é uma música assombrosamente bela escrita e interpretada por Nicks. Ele mostra seu estilo vocal único e habilidades de composição, capaz de distorcer o rock and roll ao lado da mitologia para uma mistura atraente. Outro destaque é ‘Monday Morning’ de Buckingham, uma música de rock animada e contagiante que demonstra suas proezas na guitarra e sensibilidade melódica.

‘Crystal’, outra balada carregada de amor escrita por Nicks e cantada por Buckingham, foi originalmente escrita por Nicks para o primeiro álbum do Buckingham Nicks em 1973 e serve como uma de suas primeiras contribuições para a banda. A faixa etérea mostra seu estilo de escrita único e magistral, completo com vocais roucos cativantes.

Nicks também se apresenta em ‘Landslide’, uma música poderosa e emocionalmente evocativa que reflete os desafios da vida, a autodeterminação e a passagem do tempo. ‘Landslide’ é uma composição suave e melódica que fornece uma imagem cristalina do talento inerente de Nicks para transmitir emoções cruas. O violão conduz principalmente a faixa e apresenta uma palhetada delicada, criando um som íntimo e despojado. A abrangência da música, em geral, é uma marca de sua transcendência, tornar algo tão universal assim é uma façanha que poucos conseguem dominar.

Christine McVie contribui com várias faixas fortes para o álbum. Sua música ‘Say You Love Me’ envolve imediatamente seus ganchos cativantes e letras sinceras. O trabalho de teclado de McVie e os vocais suaves também são proeminentes ao longo do álbum, adicionando profundidade e variedade à impressionante paisagem sonora geral diante de nós. ‘Over My Head’ de Christine McVie também é um destaque discreto com seu ritmo suave, mas confiante, completo com vocais doces, mas sensuais.

Fleetwood Mac’ significa um ponto de virada crucial na trajetória da banda. Misturando elementos de rock e pop, este álbum é uma indicação clara de uma nova era para o grupo, uma que busca agarrar os modos de vida modernos e servir visceralmente a esse reconhecimento para as massas.


ROCK ART

 


Destaque

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