quarta-feira, 10 de julho de 2024

BIOGRAFIA DOS Fresno

 

Fresno

Fresno é uma banda brasileira de rock formada em 1999 em Porto Alegre. A banda atualmente é formada pelo cearense, naturalizado gaúcho, Lucas Silveira (voz e guitarra), pelo gaúcho Gustavo Mantovani (guitarra) e pelo pernambucano Thiago Guerra (bateria).[1][2] Hoje a Fresno se consolida como uma das maiores bandas do cenário Emo brasileiro.

Atualmente, os integrantes da banda estão radicados em São Paulo. Em 2006, para substituir o baixista Lezo, Rodrigo Tavares foi convidado a entrar na banda. Em 2008, o baterista Rodrigo Ruschel, também conhecido como "Bell", substituiu Cuper. Em 2012, o tecladista Mario Camelo, que está com a banda desde 2010 foi efetivado na Fresno. A banda foi um quinteto por pouco tempo, pois dias depois o baixista Rodrigo Tavares saiu para dar total atenção a seu projeto solo, Esteban; e também, para ser guitarrista de Humberto Gessinger.[3][4] A banda optou por não substituir o antigo baixista. Em agosto de 2013, a banda anunciou a troca do baterista Bell Ruschel por Thiago Guerra. Em 2021, Mario Camelo, tecladista da banda saiu da banda para seguir um novo rumo.[5]

As composições da banda tratam de desilusões amorosas e sentimentos em sua fase inicial; isso é claro no álbum Redenção com suas músicas pop/emocore. A partir de 2010, a banda começou uma nova fase; com o lançamento do álbum Revanche e posteriormente o EP Cemitério das Boas Intenções, há influência de gêneros como o hard rock e rock industrial. Ocorre também as mudanças nos temas de suas músicas, falando mais sobre superações, realizações e assuntos sociais no geral.[6]

História

Anos iniciais (1999 - 2001)

Amigos de colégio, Lucas (guitarra e teclado), Gustavo (guitarra), Pedro (bateria) e Leandro (vocal) tiveram a ideia de montar uma banda em novembro de 1999, após uma reunião do Grêmio Estudantil, do qual os quatro faziam parte. A proposta inicial seria fazer versões punk de músicas consagradas, por pura diversão. No dia 4 de dezembro de 1999, houve o primeiro ensaio na casa do Pedro, e essa é tida como a data oficial da formação da banda.

Eles ensaiaram despretensiosamente por alguns meses, rapidamente deixando de lado a proposta inicial para tocar covers de músicas de sucesso da época. Em maio de 2000, convidaram Bruno, que também estudava na mesma escola, para ensaiar com a banda tocando baixo, só para que eles pudessem se apresentar no festival de bandas da escola, no mês seguinte. Foi nesse festival, no dia 16 de junho de 2000, que aconteceu o primeiro show da banda, com um repertório composto inteiramente de covers - quase todas de pop rock nacional. Depois do show, Bruno acabou decidindo permanecer na banda. A esta altura eles se chamavam Democratas, e começavam a surgir suas primeiras composições próprias, influenciadas principalmente pelo hardcore californiano. Essas canções se espalharam pela Internet em versões acústicas e logo começaram a chamar atenção.

Quarto dos LivrosO Rio, A Cidade, A Árvore e Ciano (2001 - 2006)

Em 2001, ao descobrirem que já havia uma banda nordestina chamada Democratas, os cinco rapazes decidiram mudar o nome. Após algum tempo de indecisão, se contentaram com "Fresno" - sugestão de Lucas, que achava graça na sonoridade da palavra. No final deste mesmo ano, eles gravaram sua primeira demo, O Acaso do Erro, com seis faixas. Foi durante as gravações desse EP que ocorreu a saída do vocalista Leandro da banda. Lucas, que sempre foi o principal compositor, assumiu os vocais, e então a Fresno se manteve como um quarteto.

Em 2003, a banda gravou o álbum independente Quarto dos Livros, com bastante influência de bandas emo como The Get Up Kids. O álbum ganhou destaque com faixas como "Teu Semblante", "Desde Já" e "Stonehenge". Devido ao reconhecimento desse álbum no meio independente, a banda pode fazer turnês por diversos estados brasileiros, sem nenhum tipo de apoio da mídia tradicional.

Em 2004 foi lançado o segundo álbum do quarteto, chamado O Rio, A Cidade, A Árvore, mantendo as influências originais e adicionando novas, como Dashboard Confessional. Esse álbum consolidou ainda mais o respeito pela banda na cena musical alternativa do Brasil. A faixa "Onde Está" conquistou diversas paradas de sucesso, e com ela a Fresno começou a despontar para o grande público.

Em 2006, a banda mostrou ambição ao lançar seu terceiro álbum, chamado Ciano. Com essas 14 faixas (11 inéditas e 3 regravações de Quarto dos Livros), os gaúchos elevaram seu sucesso para além do "underground", obtendo aparições na MTV, alta rotação em rádios de todo país (principalmente com os singles "Quebre As Correntes" e "Alguém Que Te Faz Sorrir") e incontáveis downloads pela Internet. Durante esse processo, Bruno desligou-se da Fresno por motivos pessoais, conforme anunciado no site oficial da banda em 26 de outubro de 2006. Em seu lugar entrou Tavares, que já havia participado da produção de discos anteriores.

RedençãoRevanche e sucesso nacional (2008 - 2011)

Lançado em 2008, o álbum Redenção foi o principal impulso para lançar a banda no mainstream pela gravadora Universal Music, apostando em uma sonoridade mais comercial. Além disso, o álbum conquistou um Disco de Ouro, entregue pessoalmente pelo empresário Rick Bonadio, na época responsável pela Fresno, em um show no Espaço das Américas em 14 de Dezembro de 2008.

Ainda no ano de 2008, a Fresno participou do programa Estúdio Coca-Cola com Chitãozinho e Xororó. Ambos ainda se apresentaram no Show da Virada, da Rede Globo, exibido no dia 31 de Dezembro.

Em 2009 a banda continuou em ascensão, conquistando importantes prêmios em nível nacional como: Artista do Ano no Prêmio Multishow,[7] Melhor Banda Pop e Artista do Ano no Video Music Brasil (VMB) da MTV. Além disso, houve também coroações individuais no Video Music Brasil para Lucas, como melhor vocalista e para Tavares, como melhor baixista.[8]

Lucas e Cuper durante concerto da banda.

Em maio de 2010 a banda lançou um novo disco, intitulado Revanche. Com uma sonoridade mais pesada do que o último álbum, algumas faixas contam com grandes distorções nas guitarras como em "Revanche" , "Die Lüge", "A Minha História Não Acaba Aqui" e "Relato de Um Homem de Bom Coração" além das letras mais maduras. O álbum também conta com a música "Porto Alegre", que aborda a cidade de mesmo nome, terra natal da banda.

Em julho do mesmo ano, a banda foi convidada para participar do CD e DVD de comemoração dos 30 anos do Roupa Nova. Fãs assumidos do sexteto carioca, a Fresno entrou no palco ao lado de Serginho HervalPaulinhoRicardo FeghaliKikoCleberson Horsth e Nando para tocar um grande hit do Roupa Nova, "Show de rock'n roll", que está presente no álbum Roupa Nova 30 anos. Já em 2011, gravaram o clipe musical de "Eu Sei" e de "Porto Alegre", falando dos antigos lugares de shows, familiares e lugares que já passaram.

Saída da Universal Music e Infinito (2011 - 2013)

No ano de 2011, a Fresno saiu da Universal, que havia sido sua gravadora desde 2008, e voltou a ser independente.[9] Em novembro desse ano, a banda anunciou o lançamento de um EP com quatro faixas, para o dia 12 de dezembro de 2011, intitulado "Cemitério das Boas Intenções", na fanpage da banda no Facebook.

Em 29 de março de 2012, a banda anunciou a saída do baixista Rodrigo Tavares por meio de sua página no Facebook, que declarou seu foco na carreira solo, como Esteban. Ainda no início de 2012, a banda anunciou seu novo álbum, Infinito, para o segundo semestre de 2012, e lançaram os primeiros singles deste, "Infinito" e "Maior Que As Muralhas".

O álbum Infinito foi lançado na iTunes Store dia 1° de novembro e as músicas foram disponibilizadas na íntegra no canal da banda no YouTube.[10] O álbum foi lançado fisicamente no dia 23 do mesmo mês[11].

Em 2013 a banda ainda teve sua participação no Europe Music Awards (EMA) da MTV. O evento aconteceu em Amsterdã, na Holanda. A banda foi escolhida para representar a América Latina, venceu a votação nacional e a segunda fase do prêmio.[12]

Eu Sou a Maré Viva e 15 anos de banda (2014 - 2015)

Dois anos após o lançamento de seu último álbum, Infinito (2012), a banda lança o EP Eu Sou a Maré Viva. Depois de tocar na edição deste ano do festival SXSW, nos Estados Unidos, onde fez cinco shows, a banda volta ao Brasil para lançar sua nova turnê de divulgação do novo álbum. Se no álbum anterior eles flertavam com um som mais pesado, dessa vez o quarteto aposta em um som firme e grandioso, apostando em letras impactantes.

O trabalho traz cinco faixas, entre elas estão: "À prova de balas", "Manifesto (feat. Lenine e Emicida)""Eu sou a maré viva", "O único a perder" e "Icarus", todas gravadas durante quatro dias em um sítio no interior de São Paulo. Em destaque, na canção Manifesto Lucas divide os vocais com Lenine e com o rapper Emicida[13].

Lançado oficialmente no dia 31 de março de 2014, Eu Sou a Maré Viva ficou entre os mais vendidos do iTunes durante a sua pré-venda.

Como comemoração aos 15 anos de banda, em 2015 é lançado o primeiro álbum ao vivo, Fresno 15 Anos ao Vivo, gravado no dia 16 de outubro de 2014, na cidade de São Paulo; cerca de 2600 fãs de todas as partes do Brasil compareceram. Foi a primeira vez que eles tocaram ao vivo a música "Acordar". Além dos fãs, outros artistas do meio musical como Mi Vieira (Gloria) e Teco Martins (Rancore) também estiveram presentes.

A Sinfonia de Tudo Que Há (2016)

No dia 15 de setembro de 2016 foi anunciado o novo disco da banda, A Sinfonia de Tudo Que Há, por meio do Facebook e canal do Youtube. "Gravamos um disco e vocês nem viram" - disse Lucas Silveira em uma brincadeira com os fãs da banda durante o anúncio. O disco foi lançado em 13 de outubro, um mês após a divulgação do vídeo, para todas as plataformas de vendas online.

Pouco tempo depois também foi lançado o trailer de um novo projeto de vídeo em três partes intitulado "Galena", no canal do Youtube da banda.

Sua Alegria Foi Cancelada, Pandemia e Saída de Camelo (2019 - 2021)

Em julho de 2019, o grupo lança o disco sua alegria foi cancelada, com temáticas e sonoridades mais melancólicas, sombrias e politizadas. Lucas Silveira explicou que a abordagem mais tristonha foi resgatada das origens da banda, porém com maior exploração nos outros aspectos da tristeza, seja relacionada à relacionamentos amorosos ou sociais. Também enfatizou a importância de adotar uma narrativa de reflexão e entendimento diante dessa “tristeza inexplicável”[14]. Indo na contramão do disco anterior, “A Sinfonia de Tudo que Há”, cheio de esperança, Lucas desabafa “É um álbum que tem uma carga triste”[15].

Com uma variedade de experimentações, passando pela musica eletrônica e indie[16], a banda também contou com colaborações de artistas, como o trio Tuyo e a cantora Jade Baraldo[17], e com a produção do próprio vocalista no seu estúdio caseiro[18]. Ele também foi quem sugeriu, para a divulgação do disco, adotar a cor amarela fluorescente não apenas na capa do disco, mas como nas postagens e perfis nas redes sociais.

Porém, a turnê do disco foi cancelada devido à pandemia de COVID-19. A banda começa a planejar uma live que seria histórica, a QuarentEMO.[19] Na noite do dia 17 de abril de 2020, Lucas fez 4 horas de live, tocando sucessos da Fresno e músicas de outros grupos como NX ZeroCPM 22Chitãozinho & Xororó, entre outros. A live arrecadou mais de 8 mil cestas básicas para serem doadas para instituições de caridade e também contou com participações de Glenn Greenwald e Tavares, ex-baixista da banda.[20] A live ficou em #1 em alta no YouTube, teve um auge de mais de 100 mil pessoas simultâneas.

Em 24 de agosto de 2021, a banda anunciou a saída do tecladista Mario Camelo por meio de suas páginas no Facebook e Instagram.[5][21]

INVentário, Vou Ter Que Me Virar e 20 anos de Quarto Dos Livros (2021-2023)

Após uma semana depois do anuncio da saída de Camelo, a Fresno, agora como um trio, lança o primeiro single do projeto "INVentário"[22], que reuniria músicas, inéditas ou não, que nunca entraram em projetos concretos da banda. Lucas Silveira observou que ao longo do tempo, se tornou evidente a quantidade significativa de material produzido, notando que sempre geraram mais conteúdo do que efetivamente lançaram. Ele enfatizou que algumas criações não foram incluídas no 'corte final', seja por não atenderem às expectativas da banda ou por terem surgido em momentos inoportunos para lançamento[23]. O projeto INVentario, ao completar 20 faixas lançadas com uma frequência muito alta[24], foi compilado pra um único álbum no dia 13 de outubro de 2021, e nesse mesmo dia, o grupo anuncia o nono disco de estúdio, o “Vou Ter Que Me Virar”, pouco menos de um mês do lançamento.

No dia 5 de novembro de 2021, é lançado o “Vou Ter Que Me Virar”, um disco bem versátil musicalmente, que vai de aspectos dançantes até o rock ‘pauleira’. As letras, como de costume, trazem uma certa melancolia, porém com muita esperança, como a própria banda relata[25]. Gravado e produzido ao longo do ano de 2020, com os integrantes isolados nas suas casas, Lucas explicou que a intenção deles era aumentar a transparência nas letras, sem filtros, para refletir verdadeiramente o que estavam vivenciando, acreditando que isso permitiria uma maior identificação do público com o trabalho deles. Ele destacou que essa abordagem sempre foi uma constante em seus discos anteriores[26].

O álbum, que teve mais de 40 versões antes de chegar no resultado final(3), contém participação especial de Lulu Santos, na faixa “Já Faz Tanto Tempo”, que teria sido gravada em 2019, logo após o lançamento do “Sua Alegria Foi Cancelada”. O disco foi gravado e produzido, basicamente, durante o período da pandemia. Lucas explicou que ao longo de 2020, cada membro da banda contribuiu com o trabalho em suas próprias casas. No final do ano, o álbum já estava pronto, e eles optaram por adiar o lançamento em busca de um momento mais propício. Porém, até que esse momento chegasse, eles continuaram produzindo músicas[27].

Em agosto de 2023, o primeiro disco da Fresno, “Quarto dos Livros”, completava 20 anos e como comemoração, o grupo fez uma live especial no youtube e tiktok onde regravava quase o disco inteiro, além de re-lançar o disco em formato de vinil[28]. Lucas destacou que esse projeto não era uma releitura, mas uma homenagem ao disco já que ele ‘conta uma história contextualizada à época[29].

Protesto no Lollapalooza

Ao entrar na turnê bem-sucedida do disco Vou Ter Que Me Virar, a banda foi convidada a abrir o ultimo dia do Lollapalooza 2022, no dia 27 de março. Naquela manhã, o então ministro do STJ, Raul Araújo, a pedido do PL, vetou atos que configurassem propaganda eleitoral no festival, sob multa de R$50 mil[30]. Porém, isso não impediu de Lucas Silveira soltar um “Fora, Bolsonaro” e da banda projetar a frase no telão durante a música “Fudeu!!!” que faz críticas ao, até então, presidente Jair Bolsonaro[31].

Eu Nunca Fui Embora (2024)

Em 23 de novembro de 2023, a banda lançou o single "Eu Nunca Fui Embora". O single também contou com um clipe oficial, que foi lançado no dia seguinte. [32] Em 4 de dezembro de 2023, dia que é considerado o aniversário da 24 anos da banda, foi anunciado nas suas redes sociais que seu próximo álbum, de mesmo título do single, seria lançado em breve.

Em 28 de março de 2024, a banda anunciou oficialmente a data de lançamento do álbum: 5 de abril. O álbum ainda contou com duas Listening Partys, que ocorreriam simultaneamente em São Paulo e em Porto Alegre no dia 3 de abril. [33][34]

Integrantes

Formação atual

Músicos de apoio

  • Ana Karina Sebastião: baixo (2024 - presente)

Ex-integrantes

Linha do tempo

Discografia

Álbuns de estúdio


DE Under Review Copy (CANDLE SERENADE)

 

CANDLE SERENADE

Mais do que um mero projecto de Black Metal os Candle Serenade constituíam para os seus membros uma horda, uma congregação esotérica em torno da qual se realizavam debates, reuniões e rituais orientados pela crença no Oculto em geral e no Satanismo, Vampirismo e Paganismo em particular. Formados no Verão de 1993 pela guitarrista Daniela Portela (aka Stregoyck, editora do fanzine "Metalkraft"), o quinteto era ainda constituído por Odranoel (voz), Belfegor (guitarra), Nihasa (baixo) e Demogorgon (teclas). A banda estreou-se no ano imediatamente seguinte com a promo-track "Tales From Walpurgis", gravada nos Estúdios Rec'n'Roll e aclamada no meio underground. O registo denotava uma vastidão de influências, explorando especialmente texturas familiares ao Gothic/Doom/Black Metal. Esses elementos seriam ainda mais evidentes no único álbum publicado, "Nosferatu's Passion", em que Stregoyck assume o lugar deixado vago por Odranoel. [Dico]

DISCOGRAFIA


TALES FROM WALPURGIS [Tape, Edição de Autor, 1994]

 
NOSFERATU'S PASSION [CD, Guardians of Metal, 1995]

COMPILAÇÕES


TEACH YOUR SOUL WITH FIRE 02 [Tape, Lápide Productions, 1995]

HOLYCIDIUM COMPILATION 05 [Tape, Repulse Records, 1995]

 
SOUTHERN ASSAULT 01 [CD, Guardians of Metal, 1996]



DE Under Review Copy (CALHAU)

 história começou assim: em Março de 2006, João Alves organiza um workshop de circuitbending no Porto, no qual Marta Ângela se inscreve (ela, na altura, já fazia uns trabalhos como DJ) e o grupo inicial de participantes vai diminuindo, até que só ficou Marta. Dizem eles: "O pessoal desistia. Mas, na realidade, nós queríamos ficar sozinhos. Estávamos a apaixonar-nos". Começam a trabalhar em conjunto em Abril e sob a designação Electrocutatus Santificatis Rudimentarum Extremis Electrocutatus Santificatus Rudimentarus Extremis Electrocutatum Santificatum Rudimentarum Extremis (ESRE) lançam imediatamente o CD-R “Schhheeeeeeeeeee!”. A 22 de Junho, realizam o primeiro concerto no Cinema Batalha e adoptam a partir daí o nome de Calhau!. A gravação desse concerto daria origem à sua segunda edição discográfica. O material utilizado no concerto inclui mini-disc, gravações de campo, bateria electrónica, boneca doente, guitarra, bandeira portuguesa queimada com cigarro, sampler, caveira e diversa maquinaria rudimentar quitada. Os primeiros dois anos de actividade em conjunto são marcados por sucessivas edições discográficas, registando as experiências um pouco selvagens que vão fazendo com aquilo que os interessava, sejam sons de animais, desenhos animados japoneses, ou outra coisa qualquer. Com formação em artes visuais, sempre estiveram interessados na dimensão performativa da música. A esquizofrenia de nomes sob os quais se apresentam no início (ESRE, Calhau!, Má), estabilizou em torno da designação Calhau. Os nomes iam aparecendo e sendo refeitos e reutilizados, sempre os mesmos, mas sempre diferentes, como uma família. O ritmo alucinante com que vão lançando as primeiras edições, resulta da vontade de marcar os dias, de registar um determinado processo de trabalho desenvolvido, mas também do processo relacional e da empatia que se estabelece entre os dois, mais do que qualquer tique ou trejeito artístico. A componente gráfica, feita a meias, como tudo o resto, bebe influências do psicadelismo, dos posters dos anos 60, tipo Rick Griffin. A nível musical, as influências vão desde Smegma, Sun Ra até aos finlandeses Erkki Kurenniemi, Sperm, e as diversas vanguardas. Insatisfeitos com o circuito das artes plásticas, onde o artista aparece na inauguração e depois raramente interage na exposição, preferem os concertos e todo o ritual de palco, permitindo-lhes colocarem-se em risco. Iconoclastas, cheios de sentido de humor, apresentaram-se em 2006, juntamente com António Contador, no Festival Trama de braços atados, tocando com os pés, "Tecnicamente, não tínhamos capacidades - muito menos com os pés. É caricaturar ainda mais essa situação, mas, ao mesmo tempo, esperar que ali surja qualquer coisa. Que nessa fragilidade, nesse empecilho, naquele esquema montado para se autodestruir, possa surgir qualquer coisa". Na cosmologia sempre em expansão Calhau, elementos como o fato de leopardo cosido à mão são tão importantes como a caixa de emitir sons, têm ambos a mesma força. Aliás, o padrão do leopardo, foi o mote para a apresentação no Out.Fest 2010, no Barreiro, onde apresentaram "O Método do Leopardo", que depois evoluiu para "Étodo do Leopardo". "Desapareceu o M da 'manha'. O método é uma manha que se vai ganhando - para fazer caixas, o que for. O que nos interessa é quando a manha se perde e então tudo surge". Livres, transdisciplinares, sempre abertos a experimentar em diversas as áreas desde a música, artes plásticas, cinema, instalações, artes gráficas, poesia sonora, vão criando um universo próprio marcante e em constante evolução. Esse processo contínuo, conduziu-os a "Quadrologia Pentacónica", LP com 4 temas, produzido por Bernardo Devlin (ex-Osso Exótico) e editado pela Rafflesia. Antes de mais, este disco é uma grande surpresa, pois sem abandonarem as suas idiossincrasias, aproxima-os do formato canção. Hipnóticos, xamânicos, panteístas convocando cerimoniais antigos, usando os jogos de linguagem para explorar todas as suas variações semânticas e fonéticas: “lâmina/animal”, “ódio do servil / livre só doido”, são exemplos entre muitos outros que se encontram ao longo dos temas. A voz de Marta Ângela pausada e com cuidada dicção, tanto remete para uma Nico dos discos mais negros, como para uma Ana Deus em êxtase dadaísta. Em “Quadrologia Pentacónica", os Calhau alcançam uma improvável síntese entre as diversas tradições e a modernidade, apartados de filiações óbvias, criando uma das obras mais singulares e surpreendentes dos últimos anos.

DISCOGRAFIA

 
SCHHHEEEEEEEEEEE! [CDR, Edição de Autor, 2006]

 
ALIVE AT BATALHA [CDR, Edição de Autor, 2006]

 
ECHO [CDR, Edição de Autor, 2006]

 
AVANTI CANIBÁLIA [CDR, Edição de Autor, 2006]

 
BANHA SONORA [CDR, Edição de Autor, 2006]

 
MÀINESAMAMAKIKOSAMAMÀINES [CDR, Edição de Autor, 2007]

 
PÖMES [CDR, Edição de Autor, 2007]

 
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA MACHINE [MP3, Merzbau, 2007]

 
QUADROLOGIA PENTACÓNICA [LP, Rafflésia, 2011]

 
MAGNETO LUMINOSO CONDUTOR SOMBRA [LP, Edição de Autor, 2013]

 

A CÔRTE D'URUBU [CD, Edição de Autor, 2015]


 

“The B-52’s” (Warner,1979), The B-52’s

 


Keith Strickland e Ricky Wilson (1953-1985) já eram amigos muito antes do surgimento do B-52’s. Tudo começou lá pelos idos de 1971, quando eram adolescentes frequentando um colégio em Athens, Georgia, nos Estados Unidos. Naquela época, Ricky já dedilhava sua guitarra e registrava algumas de suas composições em um modesto gravador de rolo. Foi durante uma visita à casa de Ricky que Keith teve seu primeiro contato com as canções do amigo. A partir desse momento, uma semente foi plantada e os dois começaram a compor e tocar juntos, dando os primeiros passos rumo ao que viria a ser o icônico B-52’s.

Mas somente numa noite de outubro de 1976, que a história do B-52’s começou a ser traçada. O cenário? Um animado bar chinês em Athens. Entre risadas e copos numa bebedeira, uma energia única pairava no ar, reunindo almas afins. Naquela farra alcoólica estavam presentes Keith Strickland, os irmãos Ricky e Cindy Wilson, mais Fred Schneider e Kate Pierson, esses dois últimos, duas figuras “forasteiras”. Fred Schneider, natural de Newark, Nova Jersey, que desembarcara em Athens em 1972 para estudar Engenharia Florestal na Universidade da Georgia; e Kate Pierson, também oriunda de Nova Jersey, mas que chegara à cidade em 1975, dedicando-se à jardinagem e à criação de cabras.

Assim surgia a lendária banda The B-52’s, composta por Fred Schneider nos vocais, Kate Pierson nos vocais, teclados e percussão, Cindy Wilson nos vocais e percussão, Ricky Wilson na guitarra e Keith Strickland na bateria. O nome da banda, um tanto peculiar, era uma referência à gíria da época que designava os extravagantes penteados "bufantes" tão em voga nos primórdios dos anos 1960. Curiosamente, esses penteados foram adotados por Kate e Cindy em suas apresentações com o B-52’s, adicionando um toque de estilo peculiar à identidade visual da banda.

O B-52’s fez a sua primeira apresentação pública aconteceu no Dia dos Namorados de 1977, em Athens. Com uma estética retrô que evocava personagens de séries de TV dos anos 1960 e uma fusão musical que misturava surf music, rockabilly e instrumentos vintage, além de um carisma e excentricidade peculiares, a banda rapidamente se tornou a sensação da cena musical de Athens.

No final de 1977, o B-52’s parte para Nova York, onde realiza sua estreia na cidade. As apresentações em casas noturnas icônicas como CBGB’s e Max’s Kansas City se tornam uma rotina nos fins de semana, marcando o início de uma nova fase para a banda. Decidindo deixar definitivamente Athens para trás, o grupo estabelece residência na vibrante metrópole nova-iorquina. Em pouco tempo, o B-52’s conquista status de banda cult no cenário alternativo de Nova York.

Em abril de 1978, o quinteto lançou seu primeiro single, "Rock Lobster", pela DB Records, um selo independente, conseguindo vender 2 mil cópias. Contudo, com o apoio dos colegas dos Talking Heads, os integrantes do B-52’s conseguiram um contrato com a gigante gravadora Warner Bros. A mesma gravadora relançou o single "Rock Lobster", agora em uma nova gravação feita pela própria banda, alcançando o TOP 40 nas paradas musicais do Reino Unido ainda no mesmo ano.

Apresentação do B-52's no Max's Kansas City, em Nova York, em maio de 1978.

O auto-intitulado álbum de estreia do B-52’s foi lançado em 6 de julho de 1979. Gravado no Compass Point Studios, nas Bahamas, o álbum foi produzido por Chris Blackwell, figura então à frente do selo Island Records. Nessa obra inaugural, o B-52’s apresenta uma miscelânea de influências que moldaram sua identidade: uma estética retrô, exagerada e evocativa à cultura pop dos anos 1960, entrelaçada com elementos do surf rock e do garage rock, além das harmonias vocais emprestadas de grupos pop femininos. O álbum ainda absorve as experimentações e transgressões dos movimentos punk new wave que borbulhavam no final dos anos 1970, tudo isso enriquecido com instrumentos vintage e doses generosas de humor e excentricidade.

Abrindo o álbum, a faixa "Planet Claire" oferece uma introdução estelar ao universo peculiar do B-52’s. Os sintetizadores tecem uma teia sonora misteriosa, evocando o ambiente dos clássicos filmes de ficção científica dos anos 1960. É como se os ouvintes fossem transportados para uma viagem cósmica, rumo aos recantos mais estranhos do espaço sideral. "O Planeta Claire tem uma atmosfera rosa choque / Todas as árvores são vermelhas / Ninguém nunca morre lá / Ninguém tem cabeça", assim nos guia a letra, pintando um quadro surreal que captura a imaginação desde o primeiro acorde.

"52 Girls" é uma verdadeira lista de nomes de garotas de todos os tipos. A letra da música não se prende a significados profundos ou narrativas elaboradas; ao invés disso, ela se concentra no simples prazer de enumerar nomes de forma animada e irreverente, característico do estilo do The B-52's. Em "Dance This Mess Around", Cindy Wilson solta sua voz para narrar a história de uma garota perplexa pelo fato de seu amado não querer dançar com ela.

Um clássico absoluto do quinteto de Athens, "Rock Lobster" encerra o lado 1 do álbum. Com uma energia contagiante e letras absurdas, a faixa é uma explosão de criatividade. Desde seus riffs de guitarra inspirados no surf rock até seu vocal excêntrico, "Rock Lobster" encapsula perfeitamente o espírito irreverente e festivo característico do B-52's.

"Lava" abre o lado 2 do álbum, retratando a paixão de um casal com um calor tão intenso quanto a lava de um vulcão: "Meu amor está aumentando / Meu amor está em erupção como um vulcão em brasa". Essa faixa entrega uma explosão de emoção, capturando a intensidade ardente do amor de forma vibrante e cativante.

Em "There's A Moon In The Sky (Called The Moon)", o B-52’s adota um tom bem-humorado para descrever a Lua e os outros planetas do nosso sistema solar. Enquanto isso, em "Hero Worship", a banda aborda de forma irônica a idolatria e a fama, combinando um groove contagioso com letras sarcásticas. Essas faixas destacam a habilidade da banda em mesclar crítica social com sensibilidades pop, mostrando sua versatilidade e astúcia lírica.

The B-52's em 1979. Em sentido horário: Ricky Wilson, Kate Pierson,
Keith Strickland, Cindy Wilson e Fred Schneider.

"6060-842" narra a história de alguém que se depara com um número de telefone em um banheiro, prometendo um tipo de "momento agradável". No entanto, ao fazer a ligação, a decepção é inevitável quando uma voz gravada informa que o número está fora de serviço.

Encerrando o álbum, uma reinterpretação de "Downtown", o clássico de Petula Clark de 1964, ganha vida com arranjos completamente novos pelas mãos do B-52’s, proporcionando uma reviravolta cativante e fresca à versão original.

The B-52’s, o álbum, conquistou o 59° lugar na parada da Billboard 200, vendendo cerca de 500 mil cópias inicialmente, posteriormente ultrapassando a marca de 1 milhão de unidades vendidas. Este trabalho gerou cinco singles de sucesso: "Rock Lobster", "6060-842", "Planet Claire" e "Dance This Mess Around".

O impacto do álbum de estreia dos B-52’s foi notável, trazendo uma energia revitalizante ao cenário do rock e conquistando uma legião de novos fãs. Um desses admiradores era ninguém menos que John Lennon (1940-1980). Em uma de suas últimas entrevistas antes de seu trágico falecimento em 1980, o ex-Beatle revelou sua apreciação pelo álbum de estreia dos B-52’s, elogiando calorosamente o som da banda.

Possivelmente, os elogios vindos de um ex-Beatle ao primeiro álbum de estreia do B-52’s foram um grande estímulo para a banda em seus primeiros passos na indústria fonográfica. No entanto, ao mesmo tempo, trouxeram um desafio ainda maior para o próximo trabalho: superar ou igualar a qualidade do álbum de estreia.

A sonoridade festiva e irreverente do B-52’s desempenhou um papel fundamental na difusão da new wave, que ganhava destaque na transição dos anos 1970 para os anos 1980. Enquanto a melancolia cinzenta do pós-punk britânico, liderada pelo Joy Division do outro lado do Atlântico, ganhava projeção no cenário musical europeu, o B-52’s oferecia um contraponto vibrante e otimista.


Faixas 

Lado 1

  1. “Planet Claire” (Henry Mancini, Fred Schneider, Keith Strickland)
  2. “52 Girls” (Jeremy Ayers, Ricky Wilson)
  3. “Dance This Mess Around” (Kate Pierson, Schneider, Strickland, Cindy Wilson, R. Wilson)      
  4. “Rock Lobster” (Schneider, R. Wilson)  

Lado 2

  1. “Lava” (Pierson, Schneider, Strickland, C. Wilson, R. Wilson)
  2. “There's a Moon in the Sky” (Called the Moon) (Pierson, Schneider, Strickland, C. Wilson, R. Wilson
  3. “Hero Worship” (Robert Waldrop, R. Wilson)
  4. “6060-842” (Pierson, Schneider, Strickland, R. Wilson)
  5. “Downtown” (Petula Clark cover) (Tony Hatch)

 

The B-52’s: Fred Schneider (vocais, walkie-talkie , piano de brinquedo, baixo teclado), Kate Pierson (vocais, órgão, teclado baixo , guitarra), Cindy Wilson (vocais, bongôs , pandeiro, guitarra adicional), Ricky Wilson ( guitarras, alarme de fumaça) e Keith Strickland (bateria, percussão).



Ouça na íntegra o álbum The B-52's


"Rock Lobster" 
(videoclipe original ao vivo)


Zeca Pagodinho - 40 Anos (Ao Vivo) (2024)

 


No dia 4 de fevereiro de 2024,  Zeca Pagodinho gravou um show em celebração aos seus 40 anos de carreira  no Estádio Nilton Santos, no RJ . O show trouxe um repertório de grandes sucessos e contou com as participações especiais de Alcione, Diogo Nogueira, Djonga, Iza, Jorge Aragão, Marcelo D2, Pretinho da Serrinha, Rildo Hora, Seu Jorge e  Xande de Pilares.  

Faixas do  álbum:
01. Abertura (Ao Vivo)
02. Camarão Que Dorme A Onda Leva (Ao Vivo)
03. Pisa Como Eu Pisei (Ao Vivo)
04. Ser Humano (Ao Vivo)
05. Quando A Gira Girou (Ao Vivo)
06. Lama Nas Ruas (Ao Vivo)
07. Mais Feliz (Ao Vivo)
08. Vai Vadiar (Ao Vivo)
09. Judia De Mim (Ao Vivo)
10. Minha Fé (Ao Vivo)
11. Patota De Cosme (Ao Vivo)
12. Ogum (Ao Vivo)
13. Minta Meu Sonho (Ao Vivo)
14. Não Sou Mais Disso (Ao Vivo)
15. Brincadeira Tem Hora (Ao Vivo)
16. Maneiras (Ao Vivo)
17. Saudade Louca (Ao Vivo)
18. Ratatúia (Ao Vivo)
19. Vacilão (Ao Vivo)
20. Caviar (Ao Vivo)
21. Mutirão De Amor (Ao Vivo)
22. Sufoco (Ao Vivo)
23. Faixa Amarela (Ao Vivo)
24. Cadê Meu Amor (Ao Vivo)
25. Seu Balancê (Ao Vivo)
26. Samba Pras Moças (Ao Vivo)
27. Casal Sem Vergonha / SPC (Ao Vivo)
28. Coração Em Desalinho (Ao Vivo)
29. Deixa A Vida Me Levar (Ao Vivo)
30. Verdade / Bagaço Da Laranja (Ao Vivo)




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