sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Discografias Comentadas: Cinderella

 Discografias Comentadas: Cinderella

A década de 80 foi inundada por uma série de bandas que, musicalmente influenciadas pelos roqueiros seminais dos anos 60 e 70 e visualmente aderindo ao estilo espalhafatoso do glam rock, praticavam um hard rock ao mesmo tempo metalizado e com fortes tendências pop, que caiu no gosto do público ao redor do globo, acumulando discos de platina e realizando extensas turnês mundiais. É claro que, como em qualquer gênero que se preze, em meio a bons artistas existiam grupos ruins, derivativos, que em nada acrescentavam musicalmente. Outros, apesar de exibir talento, foram colocados no mesmo balaio desses, não recebendo a atenção merecida da crítica. Acredito que o Cinderella, originário da Filadélfia (EUA), constitua um exemplo desse caso. Ao longo de seus apenas quatro álbuns de estúdio, o trio formado pelo vocalista, guitarrista, tecladista e principal compositor Tom Keifer, pelo baixista Eric Brittingham e pelo guitarrista Jeff LaBar, normalmente acrescido do baterista Fred Coury, demonstrou que era muito mais que apenas uma banda pop metal genérica, inserindo influências diversas em sua música, em especial generosas doses de blues. A carreira da banda sofreu alguns golpes, principalmente devido a problemas com a aguda voz de Tom Keifer, fato que provocou alguns períodos de afastamento do Cinderella dos palcos e especialmente dos estúdios. De tempos em tempos o quarteto se reúne e realiza séries de shows, mas está devendo um disco de inéditas desde 1994. If you don’t like it… If you don’t like it I don’t care!


Night Songs [1986]

Disparado o álbum mais metálico do Cinderella, Night Songs assusta de cara pela capa, exibindo seus quatro integrantes totalmente produzidos como a cartilha do glam metal oitentista mandava. Apesar de posar ao lado dos outros integrantes e ter sido creditado, o baterista Fred Coury não chegou a tempo de tocar no disco, tarefa ocupada pelo músico de estúdio Jody Cortez. Da abertura com a lúgubre (e excelente) faixa-título até o encerramento com “Back Home Again”, Night Songs é um retrato de sua época, datado mas perfeito para provocar nostalgia. “Shake Me”, tentativa fracassada de emplacar um primeiro single, soa como uma mistura da malandragem do Aerosmith com a simplicidade efetiva do Kiss. Foi com o segundo single, a power ballad “Nobody’s Fool”, que o Cinderella conquistou os ouvidos do público, elevando Night Songs à terceira posição na Billboard e aos milhões de cópias comercializadas.

Jon Bon Jovi, principal responsável pela indicação e consequente assinatura do quarteto com a gravadora Mercury Records, registrou vocais de apoio em “Nothin’ For Nothin'” e “In From the Outside”, além de ter convidado o Cinderella para abrir a turnê do álbum Slippery When Wet (1986), maior sucesso da carreira do Bon Jovi. “Push Push” traz um ótimo riff de abertura e já revela as tendências blues que Tom Keifer manifestaria com mais força em lançamentos posteriores. Outra que traz uma pegada simples é “Somebody Save Me”, um hit menor, mas certamente um dos destaques do álbum, com seu refrão investindo em backing vocals. A esperta “Once Around the Ride” e a rápida porém suingada “Hell on Wheels” completam o track list de um disco dinâmico, do tipo que, quando mal parece que começou, já está chegando ao fim.


Long Cold Winter [1988]

Desde a abertura com a introdução “Bad Seamstress Blues”, seguida de “Falling Apart at the Seams”, o Cinderella deu fortes sinais de que estava se afastando da pecha de banda glam metal, incorporando o blues como uma das principais fontes de sua sonoridade. Além de uma das mais marcantes canções da carreira do grupo, a vibrante “Gypsy Road” remete aos rocks pesados e cheios de balanço presentes em Night Songs. Apesar de sua boa performance ao vivo, chegando a substituir Steven Adler no Guns n’ Roses por alguns shows, enquanto ocorria a recuperação do músico, que havia ferido sua mão, Fred Coury não registrou Long Cold Winter, trabalho executado pelos mais que experientes Cozy Powell (Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath…) e Denny Carmassi (Montrose, Heart, Whitesnake…), ao que parece, por imposição do produtor Andy Johns. Seguindo os passos de “Nobody’s Fool”, a power ballad “Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)”, conduzida pelo piano e pontuada por um belo solo de Tom, se tornaria não apenas o maior hit do disco, mas da carreira do Cinderella.

Outra balada, dessa vez com uma levada mais acústica, seria referência e se tornaria minha favorita da banda, a magnífica “Coming Home”. O solo curto e simples de Jeff LaBar é exemplo de como o Cinderella procurava se afastar dos excessos das bandas de hard rock da época, focando na construção de canções notáveis e melodias agradáveis. De uma maneira geral, as faixas presentes em Long Cold Winter estão mais bem formatadas que no álbum anterior, e praticamente todas elas são donas de características marcantes, como “The Last Mile” e seu refrão memorável, a boa costura das guitarras em “If You Don’t Like It”, remetendo ao trabalho de Joe Perry e Brad Whitford (Aerosmith), sem falar nos timbres totalmente vintage de Keifer e LaBar. Não posso deixar de citar outro destaque óbvio, a balada blues rock que dá nome ao disco, uma das melhores interpretações de Tom no vocal.


Heartbreak Station [1990]

A capa mais rústica ilustra bem o fato do quarteto ter mergulhado ainda mais fundo no blues e até ter apresentado uma faceta country, presente especialmente em canções como a semiacústica “Shelter Me”, que inclusive conta com saxofone e trompete, além de backing vocals femininos. Vale uma conferida no videoclipe feito para a faixa, que conta com a presença ilustre do pioneiro Little Richard. Ao mesmo tempo que ilustra o momento mais variado da carreira do Cinderella, remetendo aos álbuns abrangentes dos Rolling Stones, Heartbreak Station já apresenta algumas “gordurinhas”, como a explicitamente country “One For Rock and Roll” e “Electric Love”, que não conseguiu repetir as boas costuras guitarrísticas presentes em Long Cold Winter. Um ponto positivo é a inclusão da slide guitar em diversos momentos, como na boa faixa de abertura “The More Things Change”.

Se momentos suingados já se faziam presentes no álbum anterior, em Heartbreak Station eles vêm com ainda mais força, vide “Love’s Got Me Doin’ Time” e “Sick For the Cure”. A faixa-título é uma das que mais se sobressaem, com seu andamento acústico comandado pelo piano e entrecortado por arranjos orquestrais. Outra que demonstra grande esmero é a climática “Dead Man’s Road”, que soa como uma trilha sonora perfeita para filmes de faroeste. Apesar de representar para muitos o ápice criativo do Cinderella, Heartbreak Station não obteve a mesma repercussão dos anteriores, estacionando na marca de 1 milhão de cópias, o que, convenhamos, não é pouca coisa. Vale citar que – finalmente! – esse álbum foi registrado pelo baterista Fred Coury.


Still Climbing [1994]

Após um longo hiato forçado, provocado por problemas com a voz de Tom Keifer, que teve que se submeter a cirurgias e extensa terapia, o Cinderella retornou em 1994 com um álbum que já não tinha mais a ver com a realidade em voga na época, quando o rock estava dominado pela sonoridade grunge proveniente de Seattle (EUA). O ás dos estúdios Kenny Aronoff cuidou das baquetas em decorrência da saída de Fred Coury, que toca apenas em “Hot & Bothered”, gravada em 1992 para a trilha do filme “Wayne’s World” (Quanto Mais Idiota Melhor). Embora muitos qualifiquem Still Climbing como um disco inferior em comparação com os outros três, discordo totalmente dessa opinião. Dono de uma produção de alta qualidade, com uma sonoridade de baixo e bateria especialmente sem precedentes, o álbum não soa datado hoje em dia, e hard rocks como a malemolente “Bad Attitude Shuffle”, a sólida “All Comes Down” e a rápida e pesada “Freewheelin'” são prova disso.

No âmbito das power ballads, o Cinderella ainda conseguiu fazer bonito, com as injustamente ignoradas “Through the Rain” e “Hard to Find the Words”, que remete às baladas do Lynyrd Skynyrd. A faixa-título, aberta por um rufar marcial, constrói-se em um crescendo envolvente, até culminar em um refrão simples e irônico (“estarei escalando até o fim de minha vida”), tendo em vista a situação do Cinderella na época, abandonado pela gravadora e não recebendo atenção alguma dos meios de comunicação de massa, em especial da MTV. “The Road’s Still Long” poderia estar facilmente encaixada em Heartbreak Station, enquanto “Talk Is Cheap” apresenta dinâmicas interessantes entre as guitarras de Tom e Jeff. Still Climbing é um bom álbum, mas acabou criminosamente encalhando nas prateleiras das lojas de discos.

Discografias comentadas: Warrant

 

Formação clássica do Warrant: Steven Sweet, Joey Allen, Jani Lane, Erik Turner e Jerry Dixon
O Warrant é uma banda norte-americana formada em Hollywood no ano de 1984, exatamente no auge do hard rock dos anos 80 e junto com a mega-exposição dessas bandas na MTV, ou seja, um prato cheio para os especialistas de plantão terem motivos de sobra para não gostarem do grupo e gastarem saliva com críticas prontas sem nunca sequer terem ouvido um disco. O visual exagerado, as baladas e as letras totalmente hard rock levam qualquer pessoa a associá-los ao Poison e ao Mötley Crüe, entre outras bandas do estilo. O Warrant não está longe disso, mas se destacapor seus guitarristas e por ser uma banda mais pesada que o Poison, além de não ter as influências punk do Mötley, ou seja, mais próximos do heavy metal. Vamos à discografia e detalhar um pouco dos álbuns para quem quiser conhecer ou comparar suas opiniões:
Dirty Rotten Filthy Stinking Rich [1989]
O disco de estreia já mostra a banda indo direto ao ponto, sem enrolações e despejando músicas que se tornaram clássicas para a banda, como “32 Pennies”, “Down Boys” e “Heaven”. Os guitarristas, muito influenciados pelo Thin Lizzy, dão um show à parte: nada de virtuosismo, mas jogam para o time com peso e técnica. A principal característica da banda é o vocal de Jani Lane e a maneira como executam os backing vocals. Resumindo, um disco muito bem feito, com músicas clássicas e marcando presença em um mercado concorrido na época.
Cherry Pie [1990]
Cherry Pie é “O” disco do Warrant. Não adianta comparar, tudo o que fizeram ou farão não superará o que foi feito nesse disco, um clássico do rock em minha opinião. Esse álbum é daqueles para se colocar hoje em dia, mais de vinte anos depois, e mostrar como tem muita gente que critica sem ouvir. O disco começa com a faixa-título e seu ritmo empolgante. O que dizer de “Uncle Tom’s Cabin”? Essa vale o disco! Destaco ainda “Mr. Rainmaker”, “Love in Stereo” e a pesadíssima “Sure Feels Good to Me”. O disco ainda traz uma série de baladas que se tornaram a referência do estilo. É o disco com a banda no auge da empolgação e do sucesso, tudo funciona e mixagem e produção são fantásticas!

Dog Eat Dog [1992]

Não conheço detalhes da história da banda para explicar esse disco, mas eles modificaram o visual glam e exagerado, adotando um visual mais voltado ao heavy metal. Musicalmente falando, o que foi descrito acima reflete diretamente nas faixas. “Machine Gun” já começa quebrando tudo com sua levada pesada e o vocal mais agressivo que o normal praticado pela banda. Já no refrão os backings característicos aparecem com tudo. O disco segue a linha mais madura e pesada, com letras que não falam de garotas e festas. A segunda canção, “Hole in My Wall”, com seu talk box, é uma música que resume o disco. O que mais me agrada nesse álbum é que a banda tentou (e consegiu) soar mais pesada e mais adulta do que nos dois primeiros discos. Os destaques são as faixas “Bonfire”, “Bitter Pill” (e seus vocais separados em dois canais), a festeira “Hollywood”, a balada “Let it Rain” e a última faixa, “Sad Theresa”. Não poderia deixar de citar a pancada heavy que é “Inside Out”. Com vocais gritados e backings urrados, essa música é um show a parte!

Ultraphobic [1995]

Nesse disco, com o hard rock em baixa, a banda veio com uma sonoridade moderna, se distanciando do estilo que os consagrou. É um álbum que talvez seja indicado para alguém que tenha escutado algum dos três primeiros e não tenha se convencido. Gravação e mixagem deixam o disco bem denso, que chega a ser o oposto dos dois primeiros, que têm um clima mais para cima, tanto é que o vocal de Jani Lane em muitos momentos recebe efeitos “sinistros”. O disco traz bons momentos, mas não me convenceu, pois não é o que procuro ouvir quando lembro do Warrant. É o primeiro disco sem a formação clássica que gravou os três primeiros. O destaque é a balada com toques country “Stronger Now”, além de “Crawl Space”, que poderia entrar sem medo em Dog Eat Dog.
Belly to Belly [1996]
Esse é o disco onde parece que tudo deu errado, pelo menos para mim. Nada funciona. Tem uma ou outra coisa legal, bem pouco mesmo, e perto do que a banda lançou anteriormente, é uma tragédia.

Greatest & Latest [1999]

Depois do fiasco, muitas bandas lançam uma coletânea, e aqui não foi diferente. O diferencial aqui é que as músicas foram regravadas (algumas com pequenas diferenças nos arranjos) pela formação da banda à época. Destaco a faixa “Thin Disguise”, um lado B, além de todas as clássicas regravadas. O que estraga o disco são as faixas remixadas no final, uma mais tosca e estranha que a outra.

Under the Influence [2001]

A banda desapareceu depois de 1996. Lancou a coletânea com regravações e no meio de muita briga lançaram esse disco com covers e duas inéditas. O que dizer de um álbum com faixas de Aerosmith, Thin Lizzy, Queen, David Bowie, Cheap Trick e AC/DC, entre outras? Só pode ser bom. O curioso desse disco é que as músicas acabaram ficando com a cara do Warrant, pois a banda sempre apresentou características marcantes em toda a sua discografia.

Born Again [2006]

Com a saída de Jani Lane, a banda retornou com todos os integrantes dos primeiros discos, agora liderada pelo vocal de Jaime St. James, ex-Black n’ Blue. O disco é excelente, mas não é Warrant. Não há outra forma de definir o disco, pois a voz e as composições de Jani Lane sempre foram a marca registrada da banda. É o mesmo caso de um Twisted Sister sem Dee Snider. Considerando-se o exposto, o disco atende às demais expectativas e garante bons momentos do mais puro hard rock oitentista.
Atualmente a banda conta com o vocalista Robert Mason (ex-Lynch Mob), tendo lançado o álbum Rockaholic.

Os 10 melhores álbuns dos Slayer classificados

 

Assassino

Em 1983, o Slayer lançou seu álbum de estreia. Três anos depois, eles entraram no mainstream com "Reign in Blood", um álbum matador que definiria o padrão do thrash metal. A música deles não é agradável, nunca é legal e raramente é fácil de ouvir. Mas isso não significa que não seja sensacional. Como um dos Big Four do Thrash , eles ajudaram a revolucionar o metal e moldá-lo no que é hoje. Não que todos estejam convencidos — de acordo com algumas pessoas, eles têm lançado o mesmo álbum repetidamente desde os anos 80. Essas pessoas estão erradas. Cada um de seus álbuns pode ser sublinhado pelos mesmos riffs afiados e tempos alucinantes, mas o Slayer tem tanta versatilidade quanto a próxima banda. Descubra qual de seus álbuns é classificado como o melhor enquanto contamos os 10 melhores álbuns do Slayer de todos os tempos.

10. Divine Intervention

 

Como diz o whatculture.com , não existe um álbum ruim do Slayer. Também não há como contornar o fato de que alguns são melhores que outros. “Divine Intervention” é um bom álbum, é verdade, mas não é um clássico. Se o Slayer já fez as coisas de cor, eles fizeram aqui. É o equivalente sonoro de pintar por números – tudo o que você esperaria de um álbum do Slayer está lá, mas falta aquele floreio extra, aquele toque extra de gênio criativo demonstrado em seus esforços anteriores. Não é coincidência que este seja o primeiro álbum do Slayer a seguir a saída do pioneiro Dave Lombardo, cuja bateria forte formou a base de sua música por tanto tempo. Não há nada de errado com o álbum, por si só, ele simplesmente não é excepcional.

9. God Hates Us All 


Lançar um álbum chamado “God Hates Us All” em 11 de setembro de 2001 provavelmente não foi a melhor jogada de RP de todos os tempos, mas, para ser justo, o Slayer não poderia ter previsto o que estava prestes a acontecer. No entanto, não é o melhor momento da banda. O som é turvo e quase confuso às vezes, e embora as letras sejam mais afiadas e mais observacionais do que você esperaria do Slayer (especialmente na música indicada ao Grammy “Disciple and Bloodline”), não é o suficiente para salvar o álbum da mediocridade.

8. Christ Illusion



 Após um hiato de cinco anos, o Slayer retornou com tudo em 2006 com “Christ Illusion”. De volta à bateria estava Dave Lombardo, cuja ausência fez muita falta e cujo retorno ajudou a dar à banda seu melhor álbum em anos. Como sempre, o Slayer não estava dando socos – “Jihad”, uma faixa escrita sobre o 11 de setembro pelos olhos de um terrorista, foi quase projetada para enfurecer o meio-americano – mas eles não estavam contando apenas com o valor do choque para sobreviver. O álbum era novo, dinâmico e um retorno muito bem-vindo à forma.

7. Repentless


 

Após a morte do guitarrista principal, letrista e membro fundador Jeff Hanneman em 2013, algumas pessoas se perguntaram como o Slayer continuaria. Mas continuaram. Como diz Louder Sound , Repentless de 2015 provou que o Slayer não deixaria a tragédia da morte de Hanneman amassar sua armadura sonora. Kerry King assumiu a responsabilidade magnificamente, entregando um álbum pesado e emocionante que foi tanto uma declaração de intenções quanto um tributo.

6. Show No Mercy


 

Quando o Slayer decidiu chamar seu álbum de estreia de “Show No Mercy”, eles não poderiam ter escolhido um título mais apropriado. Do acorde de abertura ao final, ele não diminuiu sua crueldade ou implacabilidade por um único segundo. O Metallica já havia estabelecido o padrão alto para o thrash, mas o que o Slayer conseguiu aqui foi um jogo totalmente diferente. Dave Lombardo descreveu o álbum como “primitivo e ingênuo”. Pode ter sido, mas isso não o impediu de se tornar um dos álbuns de metal mais influentes da década.

5. Hell Awaits


 

Lançado apenas dois anos após seu álbum de estreia, “Hell Awaits” mostra a banda em ótima forma. O progresso que eles fizeram entre seu primeiro álbum e este foi impressionante. As arestas cruas foram suavizadas sem perder nada da coragem. A raiva ainda estava lá, mas agora estava claramente definida e firme. Eles ainda não eram a máquina bem lubrificada que se tornariam no “Reign in Blood” do ano seguinte, mas ainda eram incríveis.

4. World Painted Blood 

Como diz Return of Rock , se você não gosta de “World Painted Blood”, provavelmente não está tocando alto o suficiente. Bruto, cru e vibrante com ameaça, o álbum destrói, grita e abre caminho por algumas músicas excepcionalmente viscerais. Não é para os fracos, mas que álbum do Slayer é?

3. South Of Heaven


Em 1986, o Slayer lançou seu álbum seminal, “Reign in Blood”. Seguir um sucesso tão massivo nunca seria fácil, mas de alguma forma o Slayer conseguiu. Depois de decidir sabiamente que qualquer tentativa de um “Reign in Blood 2” terminaria em desastre, a banda foi na direção oposta para “South Of Heaven”, adicionando um grind mais lento ao thrash alucinante que só serviu para aumentar o drama. O resultado não correspondeu ao padrão estabelecido por seu antecessor, mas ainda assim foi uma coisa boa, boa.

2. Seasons In The Abyss


O álbum de 1990 do Slayer, “Seasons In The Abyss”, é classificado como um dos seus discos mais avaliáveis ​​até aquele momento. A essa altura, a banda havia encontrado seu ritmo. Eles não necessariamente experimentaram tanto quanto fizeram em álbuns anteriores, mas não precisavam: eles já tinham experimentado o suficiente para saber o que queriam fazer e como fazer. O thrash metal pode já estar em declínio, mas em faixas como “Expendable Youth” e “Dead Skin Mask”, o Slayer ainda soava tão fresco e relevante como sempre.

1. Reign in Blood



Quando se tratava do álbum nº 1, havia apenas um concorrente: "Reign in Blood". Nomeado pela Rolling Stone como o 6º Melhor Álbum de Metal de Todos os Tempos, o álbum inovador do Slayer de 1986 revolucionou o thrash e o speed metal. Da bateria feroz de Dave Lombardo aos gritos igualmente ferozes de Tom Araya, nada poderia ser criticado. A produção foi excelente, aparando, cortando e moldando o som em uma onda de fúria suave, implacável e gigantesca. Não foi necessariamente o álbum mais acessível que a banda já produziu ("Seasons in the Abyss" ganha esse título), mas quem precisa de acessibilidade quando você ouve Araya berrando sobre anjos da morte e criminosos insanos?

Amália Rodrigues “La La La” (1968)

 

O gosto por comunicar com as plateias de vários países nas quais atuava e um interesse igualmente claro em explorar outros desafios e outras músicas levou muitas vezes Amália a cantar em outras línguas, sobretudo em espanhol, francês, italiano e inglês. Mas sempre com a sua clara assinatura vocal. E sempre à sua maneira.

         Em 1968 gravou um single no qual nos apresentou versões das canções que se tinham sagrado vencedoras nas edições desse mesmo ano do Festival Eurovisão da Canção e do Festival de San Remo.

         Composta pelo chamado Duo Dinâmico (Manuel de la Calva e Ramón Arcusa, que se tinham conhecido em Barcelona), a canção “La La La” fora escolhida como representante de Espanha na edição de 1968 do Festival Eurovisão da Canção. E Juan Manuel Serrat estava inicialmente convidado para a interpretar. Porém, ao fazer saber que pretendia cantá-la em catalão Serrat foi afastado e em seu lugar entrou a jovem cantora Massiel, que levaria a canção à vitória na edição desse ano, realizada no Royal Abert Hall em Londres, ultrapassando o favorito “da casa” Cliff Richard.

              Já Canzione Per Te (da dupla Endringo / Bordotti) teve uma vida mais tranquila, conquistando a vitória em San Remo para Sergio Endringo, sendo também ali interpretada por Roberto Carlos. Nesse ano concorreram a San Remo vozes como as de Milva ou Ornella Vanoni e entre as estrelas internacionais convidadas surgiram, além de Roberto Carlos, nomes como os de Louis Armstrong ou Dionne Warwick.

              Acompanhada pelo grupo de guitarras de Raul Nery, Amália transforma consideravelmente a abordagem a La La La, chamando-a claramente a terreno seu, iluminando-a por um lado com uma voz bem mais capaz de criar intesdidade dramática que Massiel, moldando o refrão a um clima mais melancólico, em contraponto com o festim da leitura original apresentada em Londres, no palco da primeira Eurovisão transmitida a cores. Em Canzione Per Te temos outro exemplo da rara capacidade interpretativa de Amália. Este é um single algo esquecido, mas que dá conta não só da sua adaptabilidade mas também do modo como conseguia encontrar caminhos “autorais” para a sua voz em outras músicas.




The The “Controversial Subject” (1980)

 

É através de Graham Lewis e Bruce Gilbert dos Wire, que entretanto tinham gravado para a 4AD um EP como Cupol, que uma cassete dos The The chega às mãos de Ivo Watts Russell. Em 1980 o grupo ainda não tinha editado qualquer disco, mas em 1978 Matt Johnsson tinha já lançado See Without Beeing Seen, um álbum (na verdade uma coleção de maquetes) lançado apenas no formato de cassete, que ele mesmo tinha vendido em concertos. Entretanto começara a juntar músicos para formar uma banda. Keith Lewis, entusiasta dos novos sintetizadores e do trabalho de manipulação de fitas, foi um dos primeiros a entrar em cena e, reza a mitologia, terá sido ele a sugerir The The como nome para o grupo.

         O fotógrafo Peter Ashworth (que então assinava como Triash) entrou como baterista e o desenhador Tom Johnson, que era na altura o manager do grupo, ocupou o lugar de baixista. É este o quarteto que se apresenta em público por alturas em que o grupo lança pela 4AD um single de estreia que conta com produção de Lewis e Gilbert.

         Controversial Subject é o tema que surge no lado A, sugerindo uma visão que aliava à ideia da canção o desejo em construir um cenário no qual a voz e os instrumentos podem evoluír. Há uma puslão experimental no labor cénico e uma clara presença de eletrónicas, porém segundo caminhos distintos dos que uma emergente nova cena pop então estava a moldar. A mesma demanda por uma canção com espaço em volta surge em Black & White, a canção, mais angulosa e de formas mais ásperas, que surge no lado B.

Esta seria a única edição dos The The pela 4AD. Meses depois assinariam pela Some Bizarre pela qual lançariam em 1981 o seu segundo single.





The Shins “New Slang” (2001)

 

Sempre gostei se sublinhar a relação que algumas canções podem ter com épocas do ano. OU seja, temas que surgiram num single ou num álbum e que, a cada ano, a determinada altura, sabe bem que voltem a fazer parte da banda sonora de cada dia. Nas próximas semanas vão passar por aqui canções que podem, novamente, fazer a banda sonora de um bom dia de Verão.

E começamos com  New Slang, dos The Shins. A banda tinha chamado primeiras atenções em 2001 ao editar o belíssimo Oh Inverted World, no qual surgia esta canção que teve então edição no formato de single (vinil a 45 rotações, quando ainda não era frequente este tipo de opção editorial), com Sphagnum Esplanade no lado B. 

O grupo lançou depois um seguro segundo episódio dois anos mais trarde em Chutes Too Narrow. Mas foi em 2004 que a presença de New Slang na banda sonora de Garden State (ainda por cima apresentada por Natalie Portman como uma canção que “muda uma vida”) lhes deu outra visibilidade.

E assim foi, tanto que a edição em 2007 do terceiro álbum, Wincing The Night Away, correspondeu ao primeiro grande sucesso de vendas do grupo, representando já sinais de mudanças. E isto numa altura em que James Mercer procurou então cruzar a sensibilidade indie que os Ths Shins tinham vivido nos primeiros discos com uma busca de um certo classicismo pop, escutando referências nos grandes livros dos sessentas, encontrando entre os Beatles e os Byrds heranças que expressou segundo uma personalidade mais dada às luzes que às sombras.




Indochine “L’Aventurier” (1982)

 

Um dos nomes maiores da aventura pop feita em francês nos oitentas, os Indochine são hoje um nome algo relativamente esquecido fora das fronteiras da francofonia. No início dos anos 80, e tal como outros seus contemporâneos, refletiam na sua música os ecos da modernidade que chegava de pólos não muito distantes (assimilando quer a new wave inventada entre Londres e Nova Iorque e as electrónicas com alma pop que entretanto haviam partido da Alemanha para o mundo). Mas a tudo isto juntavam não só uma relação com a língua mas também com a identidade francesa. E, da relação com o seu próprio nome, nasceu ainda um interesse pelas culturas do Oriente.

O grupo tinha já editado um single em 1981 com os temas Dizzidence politik e Françoise (Qu’est-ce qui t’as pris ?). Mas em inícios de 1982 não só houve mudanças na formação da banda como um convite que lhes deu visibilidade maior: fazer primeiras partes para concertos dos Depeche Mode e dos franceses Taxi Girl.

Em 1982 L’Aventurier foi o single de apresentação para aquele que foi o primeiro álbum do grupo francês (no qual apresentavam também uma nova versão para Dizzidence politik). O álbum L’Aventurier, e a canção que lhe dava título em particular exploravam o universo do mundo de Bob Morane, uma personagem criada em romances de aventuras assinados por Henri Vernes, alguns deles depois com expressão no universo da BD. Não foi por isso por acaso que as referências visuais da capa do álbum piscassem o olho a estes mundos.




Amália Rodrigues “Aranjuez, Mon Amour” (1967)

 

Na segunda metade dos anos 60 a cada vez mais evidente notoriedade que Amália conquistara em circuitos internacionais levou-a a gravar em várias outras línguas. O desafio de interpretar ‘standards’ do teatro musical americano ficaria na gaveta por uns anos. Uma ligação mais intensa com Itália iria gerar uma série de importantes edições locais nos anos 70. Mais presentes na segunda metade dos anos 60 foram uma série de lançamentos apontados não só ao mercado francês como à capacidade de comunicação global que a música francesa tinha por esses dias. Nasce então, por exemplo, em 1967, a célebre versão de Inch Allah de Adamo, que levou o próprio cantor a escrever uma carta a Amália, dizendo-lhe que a canção agora era dela… No mesmo disco cantava Gilbert Bécaud (L’important C’est La Rose).

            Meses depois surgia um novo EP em francês no qual uma vez mais ficava bem clara a ousadia e capacidade de transcender as fronteiras dos géneros musicais em Amália. O francês Richard Anthony (uma voz de proa do yé yé) tinha então abordado elementos do Concerto de Aranjuez do compositor espanhol Joaquin Rodrigo. E, acopmpoanhada pela Orquestra de Joaquim Luis Gomes, recriou Aranjuez, Mon Amour. O EP inclui ainda Sur um Air de Guitarre e L’Automne de Notre Amour.



ROCK ART


 

Origami Angel - Feeling Not Found (2024)

"Mas todo esse tempo eu queria me sentir novo. É como se eu estivesse preso em um loop." - Feeling Not Found

Origami Angel tem uma tendência a repetir seus álbuns para o começo. Eles fizeram isso obviamente com The Air Up Here , eles fizeram sutilmente com GG , e então eles fizeram revertendo para o folk start-up em Few and Far Between . No entanto, eles parecem quebrar completamente a corrente neste novo álbum, e parece que eles estão totalmente comprometidos com um mundo onde eles não estão mais andando em círculos. Apesar do que a faixa final quer que você pense, este é o álbum onde Ryland e Pat fazem mais progresso. Isso também mostra musicalmente.

Feeling Not Found segue um caminho mais limpo, mas simultaneamente mais pesado e ainda consegue parecer muito variado. Abrindo com a introdução inflexível de synth-pop Lost Signal , sou lançado de volta para Prince Daddy & The Hyena e sua primeira música, ambos começam lentos e então levam à fúria do emo punk. Esta não é exatamente uma introdução perfeita, mas faz o trabalho bem o suficiente e abre o ouvinte para as próximas 13 músicas - e elas são um grupo impecável.

Gosto da sensação mais rítmica das melodias pop que eles experimentam, Underneath My Skin sendo uma escolha óbvia. Esses acordes de guitarra dissonantes criam uma justaposição interessante. Higher Road é outro exemplo com seu glorioso brilho alt-rock. Mas meus dois favoritos aqui exploram um sentimento que estou desesperado para que Origami Angel leve mais longe: Viral e AP Revisionist History .

O que diabos eles colocaram nessas duas músicas?? Eles têm a personalidade regular de Ryland, mas muito mais sombria e urgente. Eles exploram esse trabalho de guitarra muito grunge - tanto os acordes quanto a textura dão esse peso imenso nos ombros. Não ajuda em quão angustiantes essas letras são. O puro desespero de Ryland implorando para "sorrir mais uma vez", como ele precisa ser salvo de si mesmo é assustador quando você junta tudo isso. É o mesmo quando ele canta sobre ser seguido em todos os lugares que ele vai implacavelmente pelas coisas que ele não pode mudar. A fragilidade que essas músicas representam literalmente as consolida como parte do melhor de todos os tempos de Gami. Eu queria que fossem mais longas. Elas são absolutamente assombrosas, mas ainda no reino do punk corajoso - o que eu respeito totalmente.

Há algumas coisas que eu mudaria neste álbum. Embora eu ame Where Blue Light Blooms, Não tenho certeza se o som um pouco mais suave funciona tão cedo na lista de faixas. A estrutura desta lista de faixas também parece um pouco atrofiada porque falta conexão lírica e melodicamente. Muito disso parece mais um conjunto de músicas do que um álbum - o que funcionou bem para Gami Gang como um tipo de álbum duplo estilo playlist, mas aqui os laços parecem soltos. A faixa-título surgiu do nada.


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