domingo, 22 de junho de 2025

VA - More Blue Notes, Milestones Of Jazz Legends [2018] (10 x CDs)

 

SUNDAY JAZZ

BLUE NOTES

VA - More Blue Notes, Milestones Of Jazz Legends [2018] (10 x CDs)

VA - More Blue Notes, Milestones Of Jazz Legends [2018] é um box imperdível com 10 CDs, contendo 17 álbuns originais, uma verdadeira joia para os amantes do jazz. Abrangendo o final da década de 1940 e o início da década de 1960, essas gravações capturam com maestria os anos transformadores do jazz, exibindo sua evolução e o incrível talento de suas lendas.

Esta coletânea é um tesouro de faixas icônicas de diversas lendas do jazz, oferecendo uma experiência auditiva rica e imersiva. Muitas das faixas foram gravadas no lendário Van Gelder Studio em Hackensack e Englewood Cliffs, Nova Jersey. Conhecido por sua acústica excepcional, este estúdio foi o berço de inúmeros álbuns lendários de jazz. Imagine a magia capturada dentro destas paredes, agora disponível para você aproveitar!

Além disso, esta coleção inclui algumas preciosidades raras e menos conhecidas de artistas como James Moody, Urbie Green e Jutta Hipp. Essas faixas oferecem um vislumbre único do início da carreira dessas lendas do jazz, tornando este conjunto ainda mais especial.

O box apresenta uma ampla gama de estilos de jazz, do bop e hard bop ao jazz tradicional. Essa diversidade destaca a evolução do jazz e as diferentes influências que moldaram seu desenvolvimento. É como fazer uma viagem pela história do jazz, uma faixa de cada vez.

Algumas das gravações desta coleção foram feitas em momentos cruciais da história do jazz, capturando a essência da era de ouro do gênero. Essas faixas não são apenas música; são pedaços da história que contam a história da evolução do jazz. Esta coleção é uma celebração da rica herança do jazz. VA - More Blue Notes, Milestones Of Jazz Legends [2018] é uma adição encantadora à sua coleção. 

MUSICA&SOM ☝


Track lists

CD01

01 James Moody And The Modernists - Workshop 3:17

02 James Moody And The Modernists - Tin Tin Deo 2:47

03 James Moody And The Modernists - Oh Henry 2:31

04 James Moody And The Modernists - Moody's All Frantic 2:36

05 James Moody And The Modernists - Tropicana 3:03

06 James Moody And The Modernists - The Fuller Bop Man 2:58

07 James Moody And The Modernists - Cu-Ba 2:38

08 James Moody And The Modernists - Moodamorphosis 3:01

09 Urbie Green Septet - Incubator 4:49

10 Urbie Green Septet - Skylark 3:26

11 Urbie Green Septet - La Salle 3:30

12 Urbie Green Septet - Dansero 3:21

13 Urbie Green Septet - Stairway To The Stars 3:05

14 Urbie Green Septet - Johnbo Mambo 5:12


CD02

01 Jutta Hipp - Take Me In Your Arms 4:53

02 Jutta Hipp - Dear Old Stockholm 4:43

03 Jutta Hipp - Billie's Bounce 4:05

04 Jutta Hipp - I'll Remember April 3:51

05 Jutta Hipp - Lady Bird 3:51

06 Jutta Hipp - Mad About The Boy 3:46

07 Jutta Hipp - Ain't Misbehavin' 5:01

08 Jutta Hipp - These Foolish Things 3:58

09 Jutta Hipp - Jeepers Creepers 3:51

10 Jutta Hipp - The Moon Was Yellow 4:54


CD03

01 Herbie Nichols Trio - The Gig 4:26

02 Herbie Nichols Trio - House Party Starting 5:41

03 Herbie Nichols Trio - Chit-Chatting 4:03

04 Herbie Nichols Trio - Lady Sings The Blues 4:24

05 Herbie Nichols Trio - Terpsichore 4:00

06 Herbie Nichols Trio - Spinning Song 4:55

07 Herbie Nichols Trio - Query 3:28

08 Herbie Nichols Trio - Wildflower 4:06

09 Herbie Nichols Trio - Hangover Triangle 4:01

10 Herbie Nichols Trio - Mine 4:06

11 Sonny Clark Trio - Be-Bop 9:53

12 Sonny Clark Trio - I Didn't Know What Time It Was 4:22

13 Sonny Clark Trio - Two Bass Hit 3:45

14 Sonny Clark Trio - Tadd's Delight 6:02

15 Sonny Clark Trio - Softly As In The Morning Sunrise 6:33

16 Sonny Clark Trio - I'll Remember April 4:56


CD04

01 Jay Jay Johnson Quintets - More Blue Notes - Cd4 4:30

02 Jay Jay Johnson Quintets - Pennies From Heaven 4:20

03 Jay Jay Johnson Quintets - You're Mine You 3:09

04 Jay Jay Johnson Quintets - Turnpike 4:14

05 Jay Jay Johnson Quintets - It Could Happen To You 4:47

06 Jay Jay Johnson Quintets - Groovin' 4:43

07 Jay Jay Johnson Quintets - Portrait Of Jennie 2:59

08 Jay Jay Johnson Quintets - Viscosity 4:25

09 Jay Jay Johnson Quintets - Time After Time 4:14

10 Jay Jay Johnson Quintets - Capri 3:51

11 Julius Watkins Sextet - Garden Delights 4:46

12 Julius Watkins Sextet - Julie Ann 3:36

13 Julius Watkins Sextet - Sparkling Burgundy 4:20

14 Julius Watkins Sextet - B And B 5:02

15 Julius Watkins Sextet - Jor-Du 4:52


CD05

01 J. R. Monterose - Wee-Jay 6:58

02 J. R. Monterose - The Third 5:18

03 J. R. Monterose - Bobbie Pin 8:06

04 J. R. Monterose - Marc V 6:33

05 J. R. Monterose - Ka-Link 9:04

06 J. R. Monterose - Beauteous (Chambers) 5:26

07 Kenny Burrell - Yes Baby 11:04

08 Kenny Burrell - Scotch Blues 7:59

09 Kenny Burrell - Autumn In New York 5:45

10 Kenny Burrell - Caravan 9:59


CD06

01 Bennie Green - Soul Stirrin' 6:50

02 Bennie Green - We Wanna Cook 6:37

03 Bennie Green - That's All 6:24

04 Bennie Green - Lullaby Of The Doomed 6:00

05 Bennie Green - B. G. Mambo 8:14

06 Bennie Green - Black Pearl 5:47

07 Curtis Fuller - Little Messenger 6:18

08 Curtis Fuller - Quantrale 6:12

09 Curtis Fuller - Jeanie 6:48

10 Curtis Fuller - Carvon 6:54

11 Curtis Fuller - Two Quarters Of A Mile 6:31

12 Curtis Fuller - It's Too Late Now 6:50


CD07

01 Louis Smith - Tribute To Brownie 6:39

02 Louis Smith - Brill's Blues 8:22

03 Louis Smith - Ande 6:42

04 Louis Smith - Star Dust 5:20

05 Louis Smith - South Side 8:38

06 Louis Smith - Val's Blues 6:38


CD08

01 Dizzy Reece - Blues In Trinity 6:46

02 Dizzy Reece - I Had The Craziest Dream 3:04

03 Dizzy Reece - Close-Up 10:40

04 Dizzy Reece - Shepherd's Serenade 6:37

05 Dizzy Reece - Color Blind 6:02

06 Dizzy Reece - 'round About Midnight 4:46

07 Walter Davis Jr. - 'smake It 5:07

08 Walter Davis Jr. - Loodle-Lot 5:59

09 Walter Davis Jr. - Sweetness 8:14

10 Walter Davis Jr. - Rhumba Nhumba 6:59

11 Walter Davis Jr. - Minor Mind 6:27

12 Walter Davis Jr. - Millie's Delight 5:07


CD09

01 Leo Parker - Glad Lad 5:18

02 Leo Parker - Blue Leo 5:06

03 Leo Parker - Let Me Tell You 'bout It 4:18

04 Leo Parker - Vi 4:41

05 Leo Parker - Parker's Pals 6:21

06 Leo Parker - Low Brown 5:49

07 Leo Parker - Tctb 6:28

08 Fred Jackson - Dippin' In The Bag 4:02

09 Fred Jackson - Southern Exposure 6:58

10 Fred Jackson - Preach Brother 5:46

11 Fred Jackson - Houtin' 'n Tootin' 4:35

12 Fred Jackson - Easin' On Down 6:19

13 Fred Jackson - That's Where It's At 5:10

14 Fred Jackson - Way Down Home 5:14


CD10

01 Baby Face Willette - Swingin' At Sugar Ray's 6:34

02 Baby Face Willette - Goin' Down 7:24

03 Baby Face Willette - Whatever Lola Wants 7:21

04 Baby Face Willette - Face To Face 6:17

05 Baby Face Willette - Something Strange 6:42

06 Baby Face Willette - Hight 'n Low 7:08




“A História Do Nordeste Na Voz De Luiz Gonzaga” (RCA Victor, 1955), Luiz Gonzaga

 


Até meados dos anos 1950, Luiz Gonzaga (1912-1989) vivia o auge de sua carreira artística, consolidando-se como o "Rei do Baião". Após o sucesso inicial no Rio de Janeiro, ele popularizou o baião, um gênero musical que até meados dos anos 1940, era pouco conhecido fora do Nordeste. O marco foi o lançamento da música "Baião", em parceria com Humberto Teixeira (1915-1979), em 1946, que abriu caminho para uma série de sucessos, como "Asa Branca" (1947) — sua canção mais emblemática — e outras, como "Juazeiro" e "Qui Nem Jiló". 

A partir daí, Gonzaga tornou-se um fenômeno de vendas e uma presença constante nas rádios e nos palcos de todo o Brasil, com sua sanfona, seu chapéu de couro e suas vestimentas típicas do sertão. Durante os anos 1950, ele expandiu seu repertório, misturando baião, xote e xaxado em músicas que exaltavam a cultura nordestina e davam voz às dificuldades do sertanejo, em plena era de ouro do rádio brasileiro. 

Para se tornar um grande astro da música brasileira, Luiz Gonzaga percorreu um longo caminho. Nascido em 13 de dezembro de 1912, em Exu, Pernambuco, Gonzaga, desde criança, mostrou talento para a sanfona, influenciado por seu pai, Januário. Aos 13 anos, adquiriu seu próprio instrumento e começou sua trajetória musical. Fugiu de casa em 1930, após desavenças familiares, e ingressou no Exército, onde aprimorou suas habilidades. 

Em 1939, deixou a carreira militar e se mudou para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar em bares. No ano seguinte, adotou músicas nordestinas em seu repertório, ganhando destaque nos programas das emissoras de rádio cariocas, como Calouros em Desfile, de Ary Barroso (1903-1964), onde recebeu nota máxima. Com Humberto Teixeira, compôs clássicos como "Asa Branca", em 1947. 

Luiz Gonzaga em começo de carreira nos anos 1940, ainda sema famosa
indumentária nordestina que o consagraria.

Após mais de 90 discos de 78 rpm lançados por Luiz Gonzaga desde 1941, a gravadora RCA Victor lançou, em julho de 1955, A História do Nordeste na Voz de Luiz Gonzaga, marcando a estreia do “Rei do Baião” no formato LP (long-play). O disco reuniu oito faixas gravadas pelo músico entre 1947 e 1953, mesclando sucessos e canções menos conhecidas. O lançamento ocorreu em um momento de transição: o mercado fonográfico deixava gradualmente o 78 rpm para adotar o LP, formato que revolucionaria a indústria musical. 

Ao longo das oito faixas do disco, Luiz Gonzaga traduz o Nordeste em música: das festas juninas ao trabalho árduo no sertão. Suas letras narram histórias de resistência, enquanto sua sanfona ecoa o vento quente que molda a vida nordestina de seu tempo. Mais que cantor, ele foi se tornando símbolo de um povo e suas lutas, transformando a cultura regional em um retrato sonoro da alma nordestina. 

O disco abre com "Paraíba", composta por Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga em 1946, mas que foi gravada primeiramente por Emilinha Borba (1923-2005) em 1950. Gonzaga só gravaria sua versão em 1952, que foi a que se tornou mais famosa. A música é uma homenagem ao estado da Paraíba, personificado na letra como uma mulher forte e corajosa, que, ao longo do tempo, acabou simbolizando o próprio paraibano. Luiz Gonzaga expressa afeto pela Paraíba, enviando um "abraço pra ti, pequenina", numa alusão ao tamanho do estado. A canção tornou-se um marco da identidade nordestina, destacando a resiliência de um povo que enfrenta os desafios com orgulho de suas raízes culturais e históricas. 

Com um tom bem-humorado e cativante, “Respeita Januário” é uma homenagem de Gonzaga a seu pai, Januário (1888-1978). A narrativa explora a relação de respeito e admiração filial, mas vai além, posicionando a figura paterna como uma metáfora para o próprio Nordeste: resiliente, digno e repleto de valores tradicionais. O arranjo animado, repleto de sanfona, mantém a música leve, mas com uma profundidade que ecoa a herança cultural. 

A saudade, sentimento tão presente na cultura nordestina, ganha forma na canção em que Luiz Gonzaga presta homenagem a Pernambuco, estado onde nasceu. Em “Saudade de Pernambuco”, Gonzaga traduz o tema da saudade com uma simplicidade melódica que contrasta com a profundidade emocional da letra. A música soa como uma conversa íntima, envolvendo o ouvinte em uma melancolia doce e agradável, facilmente compreendida por qualquer pessoa que tenha sentido a ausência de sua terra natal. 

O lado 1 do disco termina com "O Xote das Meninas", um xote que retrata a juventude feminina do sertão. A letra brinca com as aspirações e sonhos das moças nordestinas, misturando humor e lirismo. O ritmo dançante do xote torna a faixa irresistivelmente envolvente, evocando imagens de festas comunitárias e encontros simples, mas cheios de vida. 

Januário José dos Santos, pai de Luiz Gonzaga, e a sua sanfona de oito baixos:
homenageado em "Respeita Januário".

A educação e a cultura sertaneja se encontram em "O ABC do Sertão", baião que abre o lado 2 do disco. Com um ritmo animado e didático, Gonzaga transforma a experiência escolar em um tema musical, celebrando o aprendizado como um valor essencial. A música tem um caráter quase pedagógico, mostrando como o conhecimento é integrado à vida cotidiana do sertanejo. 

A faixa seguinte, “Acauã”, é a mais melancólica do álbum. O canto do pássaro, que dá nome à música, simboliza a ausência de chuva e a luta pela sobrevivência. A toada é carregada de emoção, com um arranjo que amplifica o peso do tema. É impossível ouvir sem sentir a intensidade da dor do sertanejo, retratada de forma tão vívida. 

O baião “Algodão” faz referência ao ciclo de plantio e colheita do algodão, que, na letra da canção, é chamado de "ouro branco", devido ao seu grande valor para a economia nordestina. Além de ressaltar a importância do algodão para a economia do Nordeste, Luiz Gonzaga canta e enfatiza o orgulho do trabalhador rural em exercer o seu ofício. 

A História do Nordeste na Voz de Luiz Gonzaga chega ao fim com a mitológica “Asa Branca”, uma das canções mais importantes da história da música popular brasileira. Ponto alto emocional do disco, “Asa Branca” aborda a diáspora forçada pela seca, simbolizando a luta e a esperança do povo nordestino. O arranjo, simples e poderoso, dá espaço para que a letra brilhe, transformando a canção em um clássico atemporal. 

Em 1962, o disco foi relançado com mais quatro faixas pela gravadora RCA, com uma nova capa e um novo título: O Nordeste na Voz de Luiz Gonzaga. Contudo, duas das oito faixas do disco lançado em 1955, “O Xote das Meninas” e “Algodão”, foram excluídas do relançamento de 1962. Ou seja, da versão de 1955, permaneceram seis faixas no relançamento de 1962, e mais seis novas faixas foram incluídas: “Assun Preto”, “Calango da Lacraia”, “Cigarro de Paia”, “Derramaro O Gai”, “No Meu Pé de Serra” e “Moda da Mula Preta”. 

Ao levar o baião, o xote e o xaxado ao grande público, Luiz Gonzaga não apenas popularizou a música nordestina, mas também afirmou a identidade cultural do sertão no Brasil urbano. Ele deu voz ao sertanejo anônimo, ao vaqueiro e ao retirante, incorporando-os nas grandes narrativas da música nacional. 

O impacto de Gonzaga exerceu influência em várias gerações da música brasileira. Artistas como Dominguinhos (1941-2013), Elba Ramalho e Gilberto Gil, entre outros, beberam dessa fonte criativa, mesclando o baião com novos gêneros musicais. Sua influência ultrapassou o Nordeste, alcançando artistas de todo o país, que fizeram de seu legado um elemento essencial para a música brasileira. 

A História do Nordeste na Voz de Luiz Gonzaga permanece relevante, com sua sanfona ecoando a força e a resiliência do povo nordestino. Cada letra preserva uma parte da história que nunca será esquecida. Gonzaga cantou o Nordeste e o eternizou. Se o sertão tivesse uma voz, certamente ela seria o som inconfundível e acolhedor de Luiz Gonzaga.

 

Faixas

Lado 1

01 – “Paraíba” (Humberto Teixeira – Luiz Gonzaga)

02 – “Respeita Januário” (Humberto Teixeira – Luiz Gonzaga)

03 – “Saudade de Pernambuco” (Sebastião Rosendo – Salvador Miceli)

04 – “O Xote das Meninas” (Zé Dantas – Luiz Gonzaga)

 

Lado 2

05 – “O ABC do Sertão” (Zé Dantas – Luiz Gonzaga)

06 – “Acauã” (Zé Dantas)

07 – “Algodão” (Zé Dantas – Luiz Gonzaga)

08 – “Asa Branca” (Humberto Teixeira – Luiz Gonzaga)


Ouça na íntegra o álbum 
A História Do Nordeste Na 
Voz De Luiz Gonzaga


Herbie Hancock - "Empyrean Isles" (1964)



Hancock estreita as fronteiras entre o hard bop, encontrando brilhantemente um sugestivo equilíbrio entre o bop tradicional, 

injetando-lhe grooves do soul,

e experimental, jazz pós-modal.” 

Stephen Thomas Erlewine,

crítico musical e biógrafo




O jazz já era o maior gênero musical norte-americano desde os anos 20, mas é inegável que as décadas de 50 e 60 foram memoráveis para sua história. A cada ano, vários artistas – muitos em seu auge; alguns, iniciando; outros, veteranos em plena forma – lançavam um ou mais álbuns impecáveis e inovadores, considerados fundamentais até hoje, fosse pela Impulse!, Blue Note, ECM, Atlantic, Columbia, Verve e outros selos. Destes, a passagem de 1963 para 1964 talvez seja a que reúna o crème de la creme pós-Segunda Guerra. Provavelmente, iguale-se apenas ao revolucionário ano de 1959, que presenteou o mundo com as inovações modais de "Kind of Blue", do Miles Davis, com o libelo free jazz de “The Shape of Jazz to Come”, do Ornette Coleman, e o petardo hard-bop “Giant Steps”, do John Coltrane. Se nem tanto em transformação do estilo, o quinto ano da década de 60 não fica para trás em qualidade e importância. Gravaram-se, durante seus 365 dias, por exemplo, joias como "Night Dreamer", do Wayne Shorter, "Matador", do Grant Green” (ambos já resenhados aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS), “Out to Lunch”, do Eric Dolphy, e “Witches and Devils”, do Albert Ayler. Todos completando expressivos 50 anos em 2014.

Um dos mais felizes desses cinquentões foi registrado a 17 dias do mês de junho daquele fatídico ano para o jazz. Foi quando, pela Blue Note, um dos maiores mestres da música moderna entrou nos estúdios Van Gelder, em New Jersey, com um timaço que tinha Freddie Hubbard, no trompete, corneta e flugelhorn, Ron Carter, no baixo, e Tony Williams, na bateria. Aquele dia marcaria a sessão de gravação de mais uma obra-prima do jazz: “Empyrean Isles”, do pianista, compositor e arranjador Herbie Hancock. Um dos mais versáteis, influentes, celebrados e até controversos ícones da música mundial, Hancock, aos 64 anos de vida e mais de 50 de carreira, já foi do be-bop ao break, passando pelo afro-jazz, fusion, funk, modal, clássico e outros gêneros, seja pilotando o piano ou o sintetizador. E sempre com a maior integridade, sem perder seu fraseado característico e a complexidade harmônica inspirada em músicos de diversas vertentes como Bill EvansMiles DavisJames BrownGeorge GershwinTom Jobim e Sergei Rachmaninoff. Como seus mestres, serve de referência não só para a geração do jazz que lhe sucedera mas, igualmente, a músicos de outros estilos como Joni Mitchell, Jeff BeckStevie Wonder, Brian Jackson, Dom Salvador, Ike White, Marcos Valle, Public Enemy, entre centenas de outros.

Quinto disco solo do músico, “Empyrean Isles” é o exemplo máximo do hard-bop hancockiano e cuja influência e profusão através dos tempos é das mais fortes de sua trajetória ainda em plena atividade. A começar por dois monumentos do jazz moderno: "One Finger Snap" e "Oliloqui Valley". A primeira, ritmada e pulsante, começa com Hubbard arrebentando na corneta sobre uma base swingada de Williams, que, com as baquetas, conjuga com equilíbrio caixa, chipô e prato de ataque. Mas, como o próprio título sugere, a preciosidade está nos dedos de Hancock. Como diria Ed Motta, “a mão esquerda mais inteligente do mundo”. Um show de agilidade e engenhosidade de improviso. La no fim, quando se pensa que tocaram o chorus derradeiro, Tony Williams ainda apresenta um arrasador solo para, daí sim, desfecharem. Uau!

Já "Oliloqui...” quem começa incrivelmente é Carter, com seu toque trasteado inconfundível. Mais cadenciada e bluesy, nesta é o pianista quem inicia os trabalhos de improvisação, novamente (e como sempre!) com a mais alta qualidade que se pode esperar. Um fraseado limpo, cristalino, soul mas erudito ao mesmo tempo. Hubbard, por sua vez, também não deixa por menos, com um solo de emoção crescente que concilia lirismo e agilidade. O mestre Carter, que havia iniciado tão marcantemente a faixa com sua assinatura sonora, tem a chance de desenvolvê-la ainda mais. É tão bonito e impactante que o restante da banda para que ele toque, voltando, em seguida, todo o conjunto ao riff inicial. Mais um solo de trompete, atilado e curto, para terminar o número em desce-som.

E o que dizer da maravilhosa "Cantoloup Island"? Um colosso da música do século XX. Que base do piano, que harmonia, que groove, que chorus! Os quatro parecem saber tocar a melodia desde crianças tamanha a naturalidade do arranjo, que se resolve entre o quarteto intuitivamente, sabendo com exatidão a hora de cada um entrar, a precisão da cadência, o ataque ou a supressão certa em cada solo. No chorus, repetido a cada estampido seco de Williams na caixa, como um comando, é de uma beleza indecifrável a delicadeza do quase sugestivo último acorde ao final de cada frase, pronunciado propositadamente fraco, como uma respiração, como um suspiro que o ouvido já sabe como será – a adora confirmar o que já sabia depois que o escuta. A sensação que se tem em "Cantoloupe ..." é rara em música. Como Dear Prudence, dos Beatles, seu riff é tão natural e sugestivo que é como se sempre estivesse ali, no ar; só nós que, seres limitados, não o ouvimos. É preciso esses gênios mal acionem as moléculas para que, atritadas, gerem o som e percebamos o óbvio. Longe da conjectura matemática do serialismo dodecafônico, intricada e lógica, a previsibilidade delas é sentida no coração.

Mas mais do que o conhecido riff funky (muito bem “chupado” pelo grupo Us3 em sua “Cataloop”, em 1993, porém inevitavelmente inferior), Hubbard e Hancock desenvolvem solos que experimentam os limites do hard-bop. Hubbard, logo após o primeiro chorus, sobe um tom e entra rasgando, guinada inteligentemente acompanhada por toda a banda no mesmo instante. Um dos solos mais clássicos do cancioneiro jazz. Em seguida, cabe ao próprio Hancock, criador da obra, imprimir-lhe uma carga descomunal de groove como até então não se vira no jazz. Era James Brown materializando-se na “simplicidade complexa” do jazz.

Para fechar, “The Egg”, em extensos mas nem de longe monótonos 14 minutos, um exercício minimalista brilhante e desafiador. Primeiro, pela base de piano repetitiva em um esquisito tempo 4 + 3. Junto a isso, a bateria de Williams, não menos criativa, mantém o compasso em curtos rufares. Por fim, claro, as improvisações individuais de cada um: prolongadas, em que cada músico usa da inventividade de forma livre, namorando com o avant-garde que Coltrane, Ayler e Don Cherry desenvolveriam a partir de então. O diálogo com a vanguarda já se sente quando Carter surpreende e saca um arco para fazer de seu baixo uma espécie de cello, tangendo as cordas ao invés de dedilhá-las. Nisso, Hancock faz a música ganhar outras dimensões, passeando pelo free jazz, retornando ao cool dos anos 50, mas, mais do que isso, remetendo aos eruditos contemporâneos em lances de pura atonalidade. Quanta musicalidade! Em “The Egg”, Hancock antecipa o jazz fusion que ele mesmo ajudaria a criar anos depois. O fim da faixa, que também encerra o disco, é tão arrojado quanto sua abertura, como se um piano tivesse quebrado e repetisse somente e justo aqueles acordes.

Um disco memorável que, afora a data comemorativa, merece ser reouvido e revisto a qualquer época, tamanha sua qualidade e importância. Junto com outro trabalho definitivo do soul jazz, “The Sidewinder”, do trompetista Lee Morgan (do mesmo ano!), “Empyrean Isles”, com seus riffs e levadas funk somados à sua engenhosidade harmônica, inspiraram toda a geração posterior de jazzistas (Chick CoreaVince Guaraldi, Hubert Laws, irmãos Marsalis) e não-jazzistas, como a Blacksplotation dos anos 70, o pop dos anos 80 e músicos de todas as partes do planeta até hoje que chega a ser difícil até dimensionar. E essa força perdura desde aquele longínquo 1964. A fase era tão fértil que, pouco menos de um ano depois, Hancock comandaria a mesma banda no também espetacular “Maiden Voyage”, avançando ainda mais alguns passos em estética e forma. Mas os 50 anos desta outra obra-prima serão completos somente ano que vem...


Herbie Hancock - "Cantaloupe Island"


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FAIXAS:
  1. "One Finger Snap" – 7:20
  2. "Oliloqui Valley" – 8:28
  3. "Cantaloupe Island" – 5:32
  4. "The Egg" – 14:00
todas as faixas compostas por Herbie Hancock


Helmet - "Meantime" (1992)

 

“Riffs de fusão zeppelinesca com uma precisão pós-hardcore veemente, intensificados por acordes densos e linhas fora de compasso baseadas na formação de jazz formal de (Page) Hamilton.”
Definição do estilo da banda no site oficial do Helmet



Uma das coisas que sempre apreciei no jazz é não somente aqueles solos magníficos, mas, tanto mais, a criatividade na invenção das bases e a execução do chorus, momento em que todos os instrumentistas tocam juntos o “riff” com uma perfeição tamanha que parece sair de uma máquina sonora. Acham que me enganei de estar falando de jazz ao invés do rock pesado do Helmet? Não, não estou equivocado. Talhados no jazz, os músicos do Helmet são o melhor exemplo do quanto o estilo mais americano de todos influenciou até o rock alternativo. Um dos melhores resultados desta alquimia está em “Meantime”, segundo disco de carreira do grupo e auge da maturidade musical do líder, cantor, guitarrista e compositor Page Hamilton.
“Meantime” é um dos grandes discos de rock pesado dos anos 90 – ali, ali com “Chaos AD” do Sepultura e o “disco preto” do Metallica – e do qual guardo a lembrança de ter sido um dos primeiros CD’s comprados por mim e meu irmão logo que este tipo de mídia começou a ser comercializada no Brasil. Além disso, foi o disco que me fez conhecer a banda, depois de vê-los na MTV e surpreender-me com aquele som furioso e, ao mesmo tempo, original e precioso como uma calibrada máquina de produzir barulho. Tal um chorus de jazz. Trata-se de um trabalho que sintetizou os estilos de rock pesado, dando uma roupagem híbrida e toda pessoal às características de massa sonora em volume alto.
Assim, heavy metal, hardcore, punk rock, surf music, grind core, pós-punk; tudo é filtrado pelo som do Helmet. Neles, ouve-se de Led Zeppelin a Exploited, de Trashman a Ratos de Porão, de Ministry a Television. Antes, já tinha escutado o Prong, banda nesta linha, mas na qual faltava alguma coisa que eu não identificava ao certo. Essa “coisa” era exatamente aquilo que o Helmet fez em “Meantime”. Variações rítmicas, transições pouco óbvias entre as várias partes, dissonâncias, afinações e sonoridades bem definidas. Tudo num som seco e direto, que não dá descanso aos ouvidos do início a fim. O feito obteve êxito: “Meantime” foi indicado ao Grammy, levou disco de ouro e botou pilha para que muita banda alternativa se formasse.
“In the Meantime” abre os trabalhos dizendo a que veio. Na introdução, todos os instrumentos entram juntos estourando a caixa, num extenso rolo e em escala ascendente, até dar lugar à bateria funkeada do ótimo John Stanier e a base roncada e “torta”, que quebra a linha de tempo 2 e 2 com um tempo a mais. Além disso, a voz de Hamilton, outro fator peculiar no Helmet, não é, mesmo quando esbravejada, um arroto de trash metal, em que não se entende nada do que se está cantando, nem doce e entoada como um pop suave. Assim como o som da banda, o estilo vocal dele acha um meio termo sutilmente interessante.
“Give It” contrasta o vocal melodioso com o tema bem heavy. O compasso arrastado sofre um pequeno “atraso” da bateria, que sincopa a música entre os urros de guitarra. Também “quebrada”, num esquisito tempo 6x6, “Turned Out” é composta de várias partes que se encaixam em perfeita harmonia. “Ironhead”, outra incrível, tem uma levada acelerada, principalmente durante o solo, onde vira um hardcore pogueado.
Em “Better”, das minhas preferidas, o vocal mais raivoso de Hamilton no álbum dá a falsa impressão de estar fora de sincronia com o instrumental, este, um simples e engenhoso jogo de quatro acordes que se repetem no segundo tempo, mas inversamente. Porém, o ponto alto é justamente o maior sucesso comercial do Helmet: a matadora “Unsung”. Lembrando “California Über Alles” do Dead Kennedy's na introdução, é composta num maluco 1-2-3/ 1-2-3/ 1-2-3 / 1-2-3-4-5-6-7-8-9. Consegue ser pegada e melodiosa ao mesmo tempo. Na base, os ataques de baixo-guitarra entre um breve silêncio e outro, finalizados por um soco da bateria, parecem choques elétricos estridentes que se ligam e desligam de um barulhento aparelho com defeito. “Role Motel”, com uma levada funk da bateria, simétrica como um relógio, fecha o disco sob um mar de distorções, no mesmo espírito que começou.
Como disse noutro post deste blog, quando estive no show da banda , o som do Helmet é simplesmente um rock bem feito: enfurecido, de guitarras distorcidas, bateria pulsante e baixo rosnando, porém sempre inteligente e bem composto, até complexo às vezes, mas sem cair no virtuosismo apelativo. Dá a impressão de que veio por ordem na casa do hard rock, tão combalido entre poucas coisas boas e um monte de porcaria. Parecido, em termos, com coisas de jazz moderno: um Mahavishnu Orchestra, John McLaughlin, VSOP ou uma Carla Bley. Entretanto, acima de tudo, “Meantime”, prestes a completar 20 anos de lançamento, é e continua sendo exemplo de rock ‘n’ roll bem feito. Puto. Potente. Empolgante.

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FAIXAS:
1. "In the Meantime" – 3:08
2. "Ironhead" – 3:22
3. "Give It" – 4:17
4. "Unsung" – 3:57
5. "Turned Out" – 4:14
6. "He Feels Bad" – 4:03
7. "Better" – 3:10
8. "You Borrowed" – 3:45
9. "FBLA II" – 3:22
10. "Role Model" – 3:35





Happy Mondays - "Pills'n' Thrills and Bellyaches" (1990)

 



“Eu vi os Happy Mondays na TV
e eles me lembraram os Beatles
da fase “Strawberry Fields.”
Paul Mc Cartney



Eles foram praticamente os responsáveis pela falência da gravadora que lançou o Joy Division. Tá certo que a Factory era administrada de uma maneira um tanto amadorística pelo ilustríssimo Tony Wilson  mas a viagem para Barbados pra a gravação de um álbum, estourando prazos, orçamento e o saco de todo mundo foi a gota d'água para o já moribundo selo de Manchester. Mas antes de afundar a gravadora, os Happy Mondays foram responsáveis por um dos grandes discos dos anos 90, altamente influente e, de certa forma, um dos precursores da mistura de rock com a house-music. “Pills'n' Thrills and Bellyaches”, embora não fosse um disco eletrônico, tivesse guitarras distorcidas e riffs bacanas, pelas levadas dançantes, pela psicodelia, pelas repetições, pelas programações de bateria e vocais femininos ocasionais, de certa forma reproduzia as diretrizes dos estilos que ganhavam força nas pistas de dança naquele início de anos 90. A clássica “Bob's Yer Uncle” que o diga, com seu ritmo gostoso, sensual, embalado, seu tecladinho grudento e os gemidos femininos no refrão. Exemplar bem característico da mistura do pop britânico com os principios das pistas de eletrônico. Estupenda!

“Loose Fit”, apesar de mais cadenciada também remetia à dance-music, com seu riff infinitamente repetido e programação de bateria constante com tons latinos, assim como “God's Cop” com uma guitarra rascante e cortante mas cheia de funk e embalo. “Holiday”, alegre, ritmada, festiva, de levada de guitarra muito bacana; e “Step On”, com uma linha de teclado gostosíssima, todo seu balanço e uma espécie de vocal “Pica-Pau” também traduzem bem o espírito e ênfase do álbum.

A ótima “Kinky Afro”, um pop rock swingado que abre o disco, foi centro de polêmica por conta do verso “I had to crucify some brother today” pelos quais a banda foi acusada de racismo. A polêmica nunca foi totalmente esclarecida mas, talvez pelo fato da música ser tão legal, tão bacana, tão boa, a maioria das pessoas não deu muita importância para se era ou não, e preferiu dançar, alienadamente ao ritmo dela.

Dois detalhes interessantes sobre a banda: um deles é que o nome Happy Mondays era exatamente uma alusão às avessas à música “Blue Monday” do New Order, como que indicando uma ideia de contramão ao cenário musical do momento.

O outro é que a banda, composta originalmente por Shaun Ryder nos vocais, seu irmão, Paul no baixo, Mark Day nas guitarras, Paul Davis no teclados e programações, e Gary Wheelan na bateria, tinha ainda um integrante quase que simbólico. O carismático Bez, um amigo dos rapazes, parceiro de noitadas, que para não constar que não tocasse nenhum instrumento, creditavam-lhe as maracas, sendo que nos shows, na maior parte das vezes, apenas dançava no palco com uma performance absolutamente singular.

Embora tenham marcado aquele início de anos 90 com um dos gfrandes discos do período, Os Happy Mondays nunca gravaram mais nada de muito interessante. Não como Happy Mondays, pelo menos. Pouco tempo depois do anúncio do fim da banda, surgiram com o interessantíssimo projeto Black Grape, que de certa forma dava continuidade ao trabalho original do grupo, mas com outro tipo de leitura. Mas isso é assunto para um outro ÁLBUM FUNDAMENTAL.

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FAIXAS:
  1. "Kinky Afro" – 3:59
  2. "God's Cop" – 4:58
  3. "Donovan" – 4:04
  4. "Grandbag's Funeral" – 3:20
  5. "Loose Fit" – 5:07
  6. "Dennis and Lois" – 4:24
  7. "Bob's Yer Uncle" – 5:10
  8. "Step On" (John Kongos, Christos Demetriou) – 5:17
  9. "Holiday" – 3:28
  10. "Harmony" – 4:01
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Ouça:




Hank Williams - "Memorial Album (1953)

 

"Poucos compositores deste século
souberam expressar a
profunda dor da solidão
e da saudade por causa do amor
tão sombria e docemente como Hank Williams"
Matt Johnson, The The


Conheci Hank Wiliams através do The The. Seu líder e homem-banda, Matt Johnson, resolveu homenagear o lendário cantor country com a gravação de um álbum só com versões e releituras das músicas de Hank, chamado "Hanky Panky". Matt já havia feito um música numa linha mais country para a trilha do filme "O Juiz" e me deixara uma boa impressão, despertando alguma curiosidade quanto ao que poderia na matéria que se propunha então. Ouvi o "Hanky Panky" do The The, gostei bastante e fiquei bastante curioso a partir disso para ouvir, então, o verdadeiro, o original, uma vez que ouvira muito falar a respeito dele mas nunca havia escutado suas músicas interpretadas por ele mesmo. Até porque o astro country dos anos 40 e 50, tinha a fama de ser maldito, marginal e muito rock'n roll antes mesmo do termo ser efetivamente abençoado por Chuck Berry.
O disco que destaco aqui é um dos poucos dos quais falo nesta seção que não tenho. Ouvi e tenho, na verdade uma coletânea com todos os grandes sucessos do cantor chamada "Hank Willliamms 40 Greatest Hits", mas como o legal aqui é destacar sempre uma obra concebida, seu contexto histórico, suas circunstâncias de produção, etc., aponto como Fundamental o "Memorial Album", terceiro disco de Williams e contentor de alguns de seus grandes sucessos como "Move it on Over e "Your Cheatin' Heart".
"Move it on Over" é uma canção descontraída, alegre, conduzida por um violino e cantada naquela voz anasalada de Williams com uns propositais falseamentos de 'rouquidão' que já eram tradicionais nas suas interpretações; divertida também é a grande "Hey, Good Lookin'", fronteira entre o country, o blues e o rock;  "Your Cheatin' Heart" ainda, até hoje, persiste como uma das  mais belas baladas já feitas e ganhou posteriormente versão de Elvis Presley; e "You Win Again", brilhante, teve versão gravada pelos Stones presente nos extras do álbum  "Some Girls" .
"Cold, Cold Heart", outra balada, tem outra interpretação marcante ; "Half as Much" e "I Could Never Be Ashamed of You", também lentas, de dor-de-cotovelo, fazem o estilo bem campeiro característico; e "a ótima "Kaw-Liga", bem rock'n roll no conceito, tem uma batida indígena forte e marcada acompanhada por um violino.
Influência evidente para artistas como os já citados Elvis e  Rolling Stones , além de outros como Bob DylanNeil YoungJohnny CashThe Smiths entre tantos outros, Hank Williams, ali por aquele final de anos 40 representava mais um passinho que a música dava em direção ao que seria o rock'n roll.

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FAIXAS:
  1. Your Cheatin' Heart
  2. Settin' The Woods On Fire
  3. You Win Again
  4. Hey, Good Lookin'
  5. Crazy Heart
  6. Move It On Over
  7. Cold, Cold Heart
  8. Kaw-Liga
  9. I Could Never Be Ashamed Of You
  10. Half As Much
  11. My Heart Would Know
  12. I'm Sorry For You, My Friend



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