sábado, 18 de outubro de 2025

AC/DC: crítica de Rock or Bust (2014)

 



O grupo foi um dos responsáveis por me apresentar o mundo do rock. Os dois primeiros discos que comprei foram dos australianos - `74 Jailbreak For Those About to Rock (We Salute You). Ou seja, temos história. Eles e meus ouvidos.

Um amigo definiu o AC/DC, em uma conversa regada a cerveja, como a mais perfeita definição do rock and roll. Não tem como não concordar. Os riffs certeiros, os solos inspirados, as linhas vocais simples, os refrãos contagiantes, o baixo pulsante, a batida reta. Tudo isso está presente em Rock or Bust, décimo-sexto álbum da turma dos irmãos Young. 

Produzido novamente por Brendan O’Brien - o mesmo do ótimo Black Ice, de 2008 -, Rock or Bust é aquilo que o AC/DC sempre foi: uma banda de rock, e apenas isso. São onze faixas, todas compostas por Angus e Malcolm, como de costume. Rocks básicos, embebidos de blues em certos momentos, recheados de groove em outros. 

Mesmo não apresentando a força de Black Ice, trata-se de um bom disco, que irá agradar os fãs. Os problemas enfrentados pela banda na pré-produção, decorridos da demência de Malcolm Young, certamente influenciaram nesse aspecto. Soma-se isso aos perrengues recentes de Phil Rudd com a justiça neozelandesa, e você tem um quadro complexo pra caramba onde o que menos se esperava seria um álbum com canções inéditas - mas ele está aqui.


Entre as faixas, destaque para a grudenta música-título e “Play Ball” (primeiro single). Como pontos negativos, canções pouco inspiradas e até certo ponto repetitivas como “Got Some Rock & Roll Thunder” e “Hard Times”, onde a banda mostra ter sentido o turbulento período recente. Para efeito de comparação, o tracklist não tem a mesma força apresentada no último trabalho, que era recheado de grandes canções.

Resumindo, Rock or Bust não faz feio na forte discografia do AC/DC. É inferior aos clássicos, como era de se esperar, e até mesmo mediano, porém soa mais agradável aos ouvidos do que os  álbuns lançados no final da década de 1980, por exemplo.


O tempo passa. O rock segue. E a vida, também.




SkyHell - In The Name Of Rock [2011]

 



A banda mineira SkyHell foi formada em meados de 2004 pelos integrantes Michel Platini (voz), Oz (guitarra) e Rafas (baixo); completando a formação, Vinícius Moura (guitarra) e Miguel Bonfá (bateria). Depois de muita estrada e maturidade, o quinteto lançou seu primeiro álbum, "In The Name Of Rock", que reúne composições dos sete anos de banda.

O baixo de Rafas anuncia a paulada Real Faces, que logo nos primeiros segundos tem um agudo destruidor de Platini. Heavy Metal soturno de primeira qualidade. Open The Game segue o mesmo modelo da anterior, mas com vocalizações mais graves e momentos mais melódicos. O trabalho das guitarras solo e rítmica é ótimo e a cozinha contribui com muito peso. Um dos grandes destaques do disco, a acelerada The Fire Sky, é música pra trincar o pescoço bangueando.

Rock Machine vem em seguida com pegada bem chegada no Hard Rock oitentista, principalmente graças à performance de OzAsk Me Why quebra o clima e funciona como uma boa balada Heavy, inspirada em nomes da ala mais melódica do estilo. O single do disco, Pretty Baby, resgata a energia Hard da quarta faixa com êxito: paulada com refrão grudento e tudo o mais. E o melhor, com direito a videoclipe!


Brains Explode dá continuidade ao momento Hard do full-length, com excelentes vocais de Michel Platini. A próxima, Opinion, é um pouco diferente e traz um "quê" de Rage Against The Machine no instrumental - mas só e nada mais. Freedom, um dos destaques da lista, é poderosa e demonstra entrosamento incrível entre os integrantes. O play fecha com Winter's Bird, melódica e quase épica com seus oito minutos de duração e incríveis solos de guitarra.

"In The Name Of Rock" foi lançado sob iniciativa independente e com tiragem limitada, mas foi o primeiro passo de uma banda que, com certeza, se tornará grande no cenário nacional. Em nome do Rock, como diz o título, confira!



01. Real Faces
02. Open The Game
03. The Fire Sky
04. Rock Machine
05. Ask Me Why
06. Pretty Baby
07. Brains Explode
08. Opinion
09. Freedom
10. Winter's Bird

Michel Platini - vocal, teclado em 5
Oz - guitarra solo, violão
Vinícius Moura - guitarra base, backing vocals
Rafas - baixo
Miguel Bonfá - bateria

Músico adicional:
Rodrigo Nepomuceno - guitarra solo em 7




Oasis - MTV Unplugged [1996]

 



Na metade da década de 1990, o Oasis era uma das maiores bandas do mundo. O quinteto, liderado pelos irmãos Gallagher, lotava estádios por todo o mundo, vendia cópias do recém-lançado "(What's The Story) Morning Glory?" e tinha um concerto agendado para 23 de agosto de 1996, no Royal Festival Hall de Londres, para gravar um episódio do MTV Unplugged, quadro da MTV em que as bandas se apresentam em formato acústico - geralmente só se apresentava em determinado momento aqueles que estavam no auge.

Mas, por pouco, este show não aconteceu. Quando o grupo estava prestes a adentrar o palco, o vocalista Liam Gallagher simplesmente afirmou que não iria se apresentar devido a uma dor de garganta. Seu irmão e guitarrista, Noel Gallagher, não se intimidou e entrou para o palco com os outros integrantes, assumindo os vocais e o violão. Enquanto isso, Liam parecia ter esquecido de sua dor de garganta pois acompanhou o concerto bebendo algumas cervejas e fumando cigarros. O frontman justificou sua ausência do palco posteriormente, alegando não gostar do formato acústico.



O registro dessa postagem traz essa apresentação histórica, que não foi lançada em formato oficial, mas merecia, já que o resultado final saiu melhor que muitos outros discos do Oasis. Noel nunca precisou de Liam para brilhar, tanto que, particularmente, o considero um grande vocalista - melhor que seu irmão -, além de ser o compositor de 99% das músicas do grupo. E os músicos de apoio, muito competentes, cumprem com maestria seus respectivos papéis.

Muito bem escolhido porém curto, o repertório contém apenas Live Forever do álbum de estreia, "Definitely Maybe", enquanto que todo o resto é constituído por canções recentes, de "(What's The Story) Morning Glory?" e alguns B-sides de singles, como The Masterplan e Talk Tonight. Os destaques da noite vão para as impecáveis versões de Don't Look Back In AngerSome Might Say e a radiofônica Wonderwall.


01. Hello
02. Some Might Say
03. Live Forever
04. The Masterplan
05. Don't Look Back In Anger
06. Talk Tonight
07. Morning Glory
08. Round Are Way
09. Cast No Shadow
10. Wonderwall

Noel Gallagher - vocal, violão
Paul Arthurs - violão
Paul McGuigan - baixo
Alan White - bateria

Músicos adicionais:
Mark Feltham - gaita
Mike Rowe - teclado, órgão

Há uma pianista e vários outros músicos com violinos, violoncelo e instrumentos de sopro, mas desconheço os nomes.


Domenico Modugno – Canta Nel Blu Di Pinto Di Blu (1958)


A discografia de Domenico Modugno começou em 1954 com dois singles : “Nusciu Niuru” e “Sirinata A 'na dispittusa” . Seu primeiro LP ( La strada dei succesi ) foi lançado em 1958, e naquele mesmo ano o brilhante cantor e compositor italiano alcançou o sucesso mundial com Nel blu di pinto di blu e seu segundo álbum.

Apresentamos aqui justamente esse segundo LP, que teve duas edições simultâneas: a original italiana e esta, sua gêmea nos Estados Unidos.

Sobre Volare , publicamos uma compilação sensacional de covers , e me refiro à apresentação de Paola para entender como esse álbum chegou aos EUA e ao resto do mundo simultaneamente:  “Não foi apenas a música que fez sucesso, mas também, através da televisão, a imagem do aspirante a ator, com a voz gutural e o bigode de Clark Gable, representando um novo tipo de cantor. De fato, para Modugno, o termo “cantattore” (cantor-ator) foi cunhado pelos admiradores do artista da Puglia. O sucesso de Modugno abriu as portas para todos os seguintes movimentos de cantores e compositores italianos: dos genoveses de Paoli, Lauzi, Bindi, Tenco e os milaneses de Gaber e Jannacci, até os cantores e compositores dos anos 70 e 80!”

MUSICA&SOM ☝



Domenico Modugno – Con L’Affetto Della Memoria (1971)


MimmoFront

Quem não conhece Volare, Piove (Ciao ciao bambina), Vecchio Frack, Dio come ti amo, de Domenico Modugno, e tantas outras canções maravilhosas! Mas há outro Modugno, aquele com as canções em dialeto siciliano. Ele é um item de colecionador, e quem mais, além do Vampiro, poderia tê-lo dado a mim?
Neste álbum, "Con l'affetto della memoria", Modugno revisita algumas de suas antigas canções em dialeto siciliano e as moderniza, adicionando duas novas: "Amara terra mia" (uma das canções mais famosas e tristes de Modugno, com um texto comovente dedicado à imigração: "Addio addio amore io vado via – amara terra mia amara e bella...") e "Vendemmia giorno e notte". Há também a faixa final, "Con l'affetto della memoria", uma peça instrumental que retoma a melodia melancólica da primeira faixa do álbum.

Sobre este álbum, anos depois, Modugno declarou:
“Eu vinha dizendo a mim mesmo há muito tempo, e aos meus amigos, que queria fazer um álbum desenvolvendo uma ideia básica. Muitas vezes conversei sobre isso com Tonino Coggio e disse: “Tony, aqui temos que fazer um álbum que seja uma bela história!”… A ideia de um álbum conceitual estava pairando na minha mente há muito tempo e eu queria concretizá-la gravando “Con l'affetto della memoria”. É um retorno aos lugares da minha infância e às pessoas do meu mundo como menino e como adolescente, através de canções antigas e novas (La Cia e Frasulinu) e outras revisitadas por Tommaso d'Amalfi (Scioscia popolo e Vendemmia giorno e notte).”

Adicionei como faixa bônus “Amarga tierra mía”, a versão em espanhol de “Amara la terra mia”.

Cúmplice na jornada: Christian

***

Lista de faixas:

01. Vendemmia giorno e notte (D.Modugno)
02. Amara la terra mia (primeira versão de Amara terra mia) (D.Modugno – Enrica Bonaccorti)
03. Salinaru (D.Modugno)
04. Sceccareddu 'mbriacu (D.Modugno)
05. Lu brigante (D.Modugno)
06. Scioscia popolo (Eduardo De Filippo – D.Modugno)
07. Tamburo della guerra (D.Modugno)
08. La…Cia (D.Modugno)
09. Frasulinu (D.Modugno)
10. Lu pisce spada (D.Modugno)
11. La sveglietta
12. Con l'affetto della memoria (D.Modugno)
13. Bitter Earth Mine (Bonus Track)


MUSICA&SOM ☝





Djavan – Malásia (1996)


A facilidade de Djavan em transitar de um som para outro, de um estilo para outro, é mais do que evidente neste álbum. Gravado e mixado inteiramente no Rio de Janeiro, sua voz demonstra mais uma vez por que ele é um dos melhores da música brasileira.

Destaques incluem seus vocais a cappella no final de "Tenha calma ", cantando "Sem voce", de Tom e Vinicius"Sorri", a versão em português de "Smile" , de Charles Chaplin ; e a melhor faixa do álbum e uma das melhores de toda a discografia de Djavan: "Nem um dia " . É simplesmente... perfeita!

Músicos:

Djavan: voz, guitarra
Arthur Maria: contrabaixo
Carlos Bala: bateria
Paulo Calasans: teclados
Marcelo Martins: sax
Walmir Gil: trompete
Francis Lima: trombone
Armando Marçal: percussão





sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Carantonis - Twice Told Tales 1988

 


 

TRACKLIST:

Lato A

Lato B
10. Pity She's A Whore


MUSICOS:

Georges Carantonis - voce, chitarra 
Gianni Maroccolo - basso, chitarra 
Francesco Magnelli - pianoforte, tastiere 
Antonio Aiazzi - tastiere 
Daniele Trambusti - batteria 
Ghigo Renzulli - assolo di chitarra in tracks 6,8


Antonio Aiazzi


Este vinil, lançado pela IRA em 1988 e nunca relançado (também existe uma versão em cassete), tornou-se um objeto de culto ao longo do tempo, muito procurado pelos fãs de Litfiba em particular. Seus preços variam de € 200 a € 400, talvez até mais. O próprio Frank-One me contou que o comprou há muitos anos, intrigado com a presença de Ghigo Renzulli e alguns futuros membros do CCCP-CSI (Magnelli, Maroccolo, Trambusti). Uma pequena anedota: um colecionador americano, que entrou em contato com ele através do Discogs, estava disposto a pagar a exorbitante quantia de € 300 por ele. Em suma, um disco "fetiche" bastante caro. Tê-lo aqui na Stratosphere é uma honra e uma fonte de satisfação.

Gianni Marrocos

Mas vamos a "Twice Told Tales", atribuída ao guitarrista e cantor de origem grega Georges Carantonis , que atualmente mora em Florença (ou talvez Pisa) . Para a gravação das dez músicas, a gravadora o juntou a uma série de músicos altamente conceituados, quase todos originários de Litfiba. Alguns deles se juntaram posteriormente ao CCCP-Fedeli alla Linea e ao CSI-Consorzio Suonatori Indipendenti.
Gianni Maroccolo, em seu site, discute brevemente o " Caso Carantonis ". Aqui está o texto:

No final de 1988, a IRA lançou um single de 33 rpm bastante peculiar, TWICE TOLD TALES (IRA 36708); era de propriedade de (Giorgio) Carantonis, um cantor e compositor de origem grega, mas adotado por  Florence , que tinha como campo de atuação um pop-rock em inglês não desprovido de bom gosto e elegância. Estamos falando dele aqui porque o disco, além de ostentar a produção de Gianni Maroccolo, foi tocado por uma formação "super" que incluía o próprio baixista, dois de seus companheiros da Litfiba (Ghigo Renzulli  e Antonio Aiazzi) e dois apoiadores habituais da banda (o tecladista Francesco Magnelli e o baterista Daniele Trambusti), todos imortalizados na bela foto de capa de Cesare Dagliana (o fotógrafo histórico da gravadora). Muito agradável e bem feito, o álbum não tem nenhuma  conexão estilística com a produção do grupo ao qual está associado, mas é inevitavelmente objeto de atenção dos "completistas". Foi impresso em alguns milhares de cópias e nunca republicado ."

Ghigo Renzulli





Bill Bruford (YES) - Fusion Jazz Rock (Drums)

 



William Scott Bruford (nascido em 17 de maio de 1949) é um baterista, percussionista, compositor, produtor e dono de gravadora aposentado inglês que ganhou destaque como o baterista original da banda de rock Yes, de 1968 a 1972 e novamente de 1989 a 1992. Após sua saída do Yes , Bruford passou o resto da década de 1970 tocando no King Crimson , fazendo turnês com o Genesis  no Reino Unido e, eventualmente, formando seu próprio grupo, Bruford.

Na década de 1980, Bruford retornou ao King Crimson por três anos, colaborou com vários artistas, incluindo The Roches, Patrick Moraz e David Torn, e formou sua banda de jazz Earthworks em 1986. Em seguida, tocou com Anderson Bruford Wakeman Howe, o que o levou à sua segunda passagem pelo Yes. Bruford tocou no King Crimson em sua terceira e última passagem, entre 1994 e 1997, após a qual continuou com o Earthworks e outras colaborações.

Em 1º de janeiro de 2009, Bruford se aposentou das apresentações públicas. Lançou sua autobiografia e continua a falar e escrever sobre música. Ele administra suas gravadoras, Summerfold e Winterfold Records. Em 2016, após quatro anos e meio de estudos, Bruford obteve seu doutorado em Música pela Universidade de Surrey. Em 2017, foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll como membro do Yes

ALPHA III - Symphonic Prog • Brazil

 



Amir Cantúsio Jr., na verdade Alpha III, nasceu em 1957, em Campinas, Brasil. Aos cinco anos, começou a tocar piano e violão. Mais tarde, estudou música experimental na Universidade do Estado de São Paulo e na Universidade de Campinas. Ao longo dos anos, ganhou diversos prêmios musicais, sendo três vezes eleito o melhor tecladista do mundo. Além de seu próprio trabalho, Cantúsio também se apresentou e produziu para outros artistas e fundou o primeiro selo experimental de eletrônica progressiva do Brasil, a Faunus Records. Mais tarde, formou seu próprio selo, Alpha III Artistic Productions.

Embora elogiada por suas habilidades, a música tem sido criticada por sua falta de substância. Atmosférica e melódica são adjetivos comumente usados. Sugere-se também que a colaboração com outros músicos poderia injetar a criatividade necessária.


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