quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Sudden Death (EUA) - Suddenly (1972 - 1995)

 


Será que uma banda obscura, pouco conhecida, merece o título de pioneira? Merece ser agraciada pelo protagonismo de ser uma banda desbravadora de um estilo, de um conceito sonoro ou estético? É um assunto que talvez não seja digno de atenção, haja vista que a questão do pioneirismo em um estilo, sobretudo no rock n’ roll, seja muito relativo, afinal seu universo é vasto e inexplorado.

Há muito a se explorar, muitos registros que se perderam nos baús empoeirados do rock obscuro estão ganhando a luz graças a gravadoras undergrounds que os relançam, bem como abnegados anônimos, fãs como eu e você, que disseminam, em todas as ferramentas de comunicação virtual, álbuns, vídeos etc. 

Mas ao ouvir algumas bandas, obscuras, nos perguntamos imediatamente: como não conseguiu atingir êxito em sua carreira discografia, como não teve longevidade? Ou aquelas exclamações fortes e decididas como: Essa banda deve reivindicar seu protagonismo na história do estilo!  Tento não entrar tão a fundo nessas discussões, coadjuvando a música, mas quando ouvi o SUDDEN DEATH e o seu único álbum lançado, “Suddenly”, fora como se eu tivesse sido arrebatado por sentimento de liberdade, de prazer, diante de uma música tão forte, visceral e revolucionária como de seus contemporâneos mais famosos, como Black Sabbath, Led Zeppelin, entre outros.

E falando em contemporâneos e Black Sabbath, essa banda, composta à época, por jovens, garotos, foram selecionados como finalistas em uma pesquisa nacional de artistas chamadas de "American's Answer to Black Sabbath", o que realmente é lamentável, mas era a febre do sucesso do Black Sabbath e a ganância dos empresários da indústria fonográfica em buscar "novos" Black Sabbath, com uma música "rebelde" para ganhar um dinheirão. 


O Sudden Death foi formado em 1970 em Pasadena, Califórnia, nos Estados Unidos, por dois amigos de escola:  John Binkley, baixista e Tim Lavrouhin, baterista. A banda, como tantas outras no seu começo de trajetória, tocava covers de Blue Cheer, The Doors, Cream, Hendrix etc. 

John Binkley

Os caras eram de Los Angeles, ficavam em sua redoma, sem ter contato com a música pesada que florescia, principalmente na Inglaterra. Jimmy Page? Não conheciam! Jon Lord? Menos ainda. Mesmo com esse papo lamentável de concurso do "novo Black Sabbath".

Logo se juntou a banda o guitarrista Joey Dunlop. Eles deram o nome a banda de Sudden Death. Agora precisavam de um vocalista, mas a escolha foi difícil, não aparecia nenhum que pudesse “harmonizar” com a proposta da banda. Até que convidaram um cantor britânico chamado Dave Marci X que teve uma curta passagem pelo Sudden Death, pois o som era muito pesado e ele tinha inclinações blueseiras. 

Joey Dunlop

Então finalmente surgiu o vocalista Greg Magie que foi o elo, a junção necessária e perfeita com o poderio sonoro de que a banda já dispunha. Quando tudo parecia que ia dar certo, quando tudo estava correndo bem, o baterista Tim Lavrouhin deixou a banda. O preenchimento dessa lacuna não foi fácil, afinal, era complicado encontrar alguém que pudesse se encaixar ao som do Sudden Death. A propósito a banda apresentava um hard rock vigorante, com pitadas generosas de psicodelia e agressividade, um heavy metal de vanguarda.

Depois desse período de construção do Sudden Death e da fase de tocar covers, os caras da banda tiveram a mais legítima necessidade de compor material novo. E esse sentimento surgiu logo após a formação da banda em 1971. Joey tomou a iniciativa e praticamente escreveu todas as canções, tendo como inspiração as bandas que faziam covers, como Uriah Heep, Hendrix, Sabbath, Purple, entre outras de sua época. Os ensaios eram verdadeiras jams sections, o que serviu de sustentáculo para as músicas gravadas em "Suddenly".

Após uma apresentação, um empresário ficou extasiado com o que viu e ouviu e decidiu gerenciá-los! O Sudden Death, após isso, fez vários shows, inclusive participou daquele famigerado festival nacional em resposta ao Black Sabbath e ganharam, mas até que os ajudou a promover a banda e a sua música.

Mas quando tudo parecia que ia bem, mais uma baixa. O baterista original caiu fora do Sudden Death. Mas um processo de garimpo e busca de um novo músico aconteceu. Porém dessa vez não foi tão complicado, porque na ajuda da escolha do novo músico teve a participação da produtora da banda à época, Cathy Dunlop, que foi casada com o guitarrista Joey Dunlop.

Charlie Brow foi recrutado! O cara gozava até de alguma experiência na música tendo tocado em outras bandas locais. Finalmente com a banda já devidamente formada passa a fazer alguns shows locais, como The Ice House em Glendale, a boate de Gazzari na Sunset Strip em Hollywood, a Beach House em Venice Beach. O Resultado dessas performances variou, os donos desses locais preferiam colocar músicas mais “acessíveis” e o Sudden Death era uma banda muita pesada, causando inclusive algum temor por parte do público que também se dividia quanto a sua sonoridade.

E a sorte dos moleques do Sudden Death começou a mudar quando o produtor, cantor e compositor Kim Fowley entrou em cena. Na realidade a banda pediu aquele apoio a eles que junto com Michael Sunday, produtor associado à Epic Records que ouviram e viram a banda, em uma sessão de ensaios e ficaram impressionados.



Marcaram com o Sudden Death uma gravação na CBS Records em Hollywood em março de 1972. Gravaram cerca de 6 horas material suficiente para um álbum. Parecia que a banda dera um passo enorme para um contrato. 

No entanto, os diretores da CBS decidiram não contratar a banda por motivos óbvios, é claro, a música da Sudden Death era pouco palatável e comercial. A decepção foi grande causando a dissolução do Sudden Death na virada de 1972 para 1973 e o álbum foi engavetado. a formação da band que gravou esse material tinha: John Binkley no baixo, Charlie Brow na bateria, Joey Dunlop na guitarra e Greg Magie nos vocais.

O álbum abre com “Come Away With Me”, uma balada introspectiva, sombria, melancólica, que fugiria à regra de todo álbum, com viés mais pesado, mas muito linda e divinamente psicodélica e lisérgica. Mas Road Back Home” já entrega ao ouvinte as credenciais do Sudden Death, começa pesado com riffs avassaladores, solos desconcertantes de guitarra e vocais melódicos e rasgados, ao mesmo tempo.

"Road Back Home"

It's Lonely Here” traz uma atmosfera viajante e psicodélica, com guitarras lembrando acid rock, em algum momento. “The Zoo” começa silenciosa, ameaçadora, mas irrompe em uma explosão poderosa de hard rock com riffs dando “cobertura” ao vocal, mais uma vez rasgado e melódico de Greg Magie.

"It's Lonely Here"

My Time Is Over” sem dúvida é uma das melhores faixas do álbum, sendo pesada, agressiva, densa e que faria, sem dúvida, de muitas bandas vindouras, o seu bê-á-bá musical. É perceptível o quanto essa música traz um quê de avant garde, de vanguardismo, guitarras sujas, pesadas e cadenciadas lembrando um stoner rock muito em voga em bandas de temáticas "retrô" de hoje.

"My Time Is Over"

Leather Woman” segue a proposta da faixa anterior, com muito peso e agressividade, mostrando uma banda coesa, mas também bem despretensiosa. A “cozinha” bem afinada não pode ser negligenciada nessa música, baixo e bateria deu o “tempero” para um prato nutritivo de música pesada. “Country Livin'” tem o destaque logo na introdução, riff de guitarra poderoso, vocal berrado, um senhor petardo sonoro, um heavy rock de pura qualidade.

"Country Livin"

E fecha com “Crazy Lady” com muito peso, um hard mais cadenciado e até mais dançante. “Suddenly” não tem uma boa qualidade no som, afinal é oriundo das fitas demo que não foram trabalhadas pela CBS Records na época, mas ainda assim mostra uma banda vigorosa, poderosa, com um som honesto, genuíno, que preferiu seguir na contramão do óbvio sonoro que sempre, infelizmente, povoou a indústria fonográfica.

Depois da recusa da CBS em gravar o álbum do Sudden Death alguns músicos decidiram seguir seus próprios caminhos e desbravar novos projetos. A banda chegou a um ponto em que Binkley, Charlie e Greg saíram em 1973 para formar uma banda com uma abordagem mais comercial para se posicionarem em clubes que haviam rejeitado o Sudden Death por conta de sua sonoridade suja e pesada. O projeto se chamava "Sky Fire".

Eles encontraram Keith Winnovich na guitarra e Dave Morgan nos teclados, mas tentaram evitar as músicas que todas as bandas estavam tocando à época e até que conseguiram descolar alguns shows nesses clubes que não aceitaram o Sudden Death. Tocaram por um ano, mas também não deu certo. Binkley foi para uma banda local chamada Hammerhead.

Joey formou uma banda chamada Polaris, uma espécie de banda teatral que lembrava Bowie. Tinha um ótimo som, tocaram em Hollywood, mas não teve nenhum contrato assinado com uma gravadora, apesar de alguns interessados terem surgido.

Binkley e Joey mantiveram contato e em 1978, cerca de três anos após a separação do Hammerhead, formaram o Temper com Davee Dickerson na bateria. Mas sofreram com a intensa rotatividade dos músicos que não se encaixavam de maneira nenhuma com a sonoridade da banda. A banda fez, mesmo assim, alguns shows, mas não funcionou e se separaram depois de pouco mais de um ano.

Em 1995 a gravadora Rockadelic Records trouxe de volta o sonho da banda em lançar esta obra obscura e esquecida, dando luz ao rock obscuro do Sudden Death. O nome do álbum escolhido foi "Overtime", inclusive era o nome escrito na embalagem das fitas demo que foram encontradas para ser finalmente gravados oficialmente, mas decidiram renomeá-lo como "Suddenly".

Muita das bandas velozes, pesadas e agressivas com toques melódicos que surgiriam em profusão nos anos seguintes, sobretudo nos anos 1980, certamente lembraria o Sudden Death e quem sabe atribuiriam a mesma o protagonismo dessa proeminente cena musical. 



A banda:

John Binkley no baixo
Charlie Brow na bateria
Joey Dunlop na guitarra
Greg Magie nos vocais


Faixas:

1 - Come Away With Me
2 - Road Back Home
3 - It's Lonely Here
4 - The Zoo
5 - My Time is Over
6 - Leather Woman
7 - Country Livin'
8 - Crazy Lady

Sudden Death - "Suddenly" (1972 - 1995)



Elonkorjuu - Harvest Time (1972)

 


A década de ouro dos anos 1970. Sim, considero os anos 1970 o mais prolífico, o transborde de bandas foi evidente, a olhos vistos para deleite dos ouvidos e da alma. 

O seu início, com estilos embrionários, ganharam substância com o passar dos anos, fazendo com que a oferta de bandas regozijar de alegria os ávidos por uma sonoridade nova, uma juventude transviada e marginal, sem perspectivas de uma vida boa e rica, buscaram nesta revolução sonora que eclodiu nesses longínquos anos, a sua alimentação, a sua fortaleza emocional, bem antes do punk rock, amigos. 

Muitas bandas atingiram êxito, trouxeram o conceito de rock de arena, shows faraônicos, de estádios, ginásios, o rock se entrelaça ao show business. Mas há as bandas relegadas, esquecidas, que caíram no obscurantismo do rock. Contudo não se enganem, não entendam como incompetência, como bandas que falharam perante o mundo sedutor do sucesso, do dinheiro e das turnês gigantescas. 

São bandas que exatamente sintetizou a inquietude da juventude naqueles tempos de outrora, que entregaram a sua verdade sonora, a sua música na mais perfeita ingenuidade criativa, genuína, mas que, por muitos motivos, que torna a discussão tão complexa, não ganharam a luz e não chegou ao máximo de ouvidos e corações possíveis. 

Quando conhecemos uma banda, depois de tanto tempo em que fora formada, a gente sempre se pergunta: Mas como eu não havia feito a audição desta banda, deste álbum antes? Nos questionamos, inclusive, nos condenamos: Será que gostamos mesmo de rock n’ roll?

Foi o que aconteceu comigo ao ouvir tão recentemente, de uma forma tão nova a banda finlandesa ELONKORJUU que foi formada há mais de cinquenta anos atrás. A banda nasceu para mim, diante dos meus olhos, se instalou, se apossou nos meus ouvidos e me seduziu de forma arrebatadora. 

Como disse o Elonkorjuu foi formada em 1969, em Pori, na Finlândia. No início, como toda banda, com poucos recursos e estrutura, começou a ensaiar em uma adega, muito escuras, silenciosas e que irrompeu em sonoridades cruas, jovens e envoltas em estímulos calcados na música. 

Elonkorjuu

Nesse mesmo ano o Elonkorjuu conquistou o segundo lugar em uma competição na Casa de Cultura de Helsinque. Logo após essa conquista a banda ganhou um belo reconhecimento local, fazendo uma turnê pela Finlândia e ficando ainda mais conhecidos pelo país. 

Um dos seus grandes momentos à época foi a participação em um festival de rock de Turku, onde tocaram para centenas de pessoas. Finalmente o seu debut foi lançado em 1972, alvo dessa resenha, chamado “Harvest Time”, pelo selo underground Shadocks Music

Esse álbum foi construído graças aos infindáveis shows que fizeram na época de seu lançamento, moldando o som da banda, refletindo neste excelente trabalho. Uma curiosidade é que, quando a banda se apresentou na Europa Ocidental, eles adotaram o nome “Harvest” (equivalente ao finlandês “elonkorjuu”) que fez com que as vendas aumentassem. 

A banda, bem como o seu primeiro e grande álbum, traz uma sonoridade edificada no hard rock, psych energéticos, com pitadas generosas de rock progressivo, não permitindo, apesar dos tempos iniciais de estilos que ainda estavam crescendo na época, se estereotipar, flertando com todos eles assinando a sua identidade, seu DNA sonoro. 

É perceptível, sobretudo em “Harvest Time” influências de Cream, Black Sabbath e bandas progressivas do início da década de 1970. A formação da banda em “Harvest Time” tinha: Jukka Syrenius no vocal e guitarra, Veli-pekka Pessi no baixo, Heiki Lajunen no vocal, Ecro Raniasila no rummui e lkka Poijarvi / no urui, guitarra e flauta. 

O álbum abre com “Unfeeling” sendo enérgica, animada, solar, com riffs pegajosos e atraentes, com vocal cativante e altivo, uma música pesada e direta. 


 "Unfeeling"

Swords” tem uma linda introdução vocal e introspectiva que explode um hard rock típico e poderoso com viradas espetaculares de bateria e riffs de guitarra fortes, com alternâncias rítmicas fazendo dessa faixa um clássico hard prog de tirar o fôlego.

 "Swords"

“Captain” traz um pouco de psicodelia, com uma camada interessante de teclado e que vai aumentando o tom graças a bateria pesada acompanhada de riffs gulosos de guitarra até se revelar um hard psych de excelência, tendo, em momentos de calmaria a flauta como protagonista. 

 "Captain"

“Praise to Our Basement” se mostra como uma linda balada com um solo simples, mas envolvente de guitarra. “Future” começa com um baixo pulsante, entregando para uma guitarra frenética e assim seguem em uma espécie de salutar duelo em prol da música, com inclinações jazzística da bateria, é de arrepiar! 

"Praise to our Basement"

"Future"

“Hey Hunter” segue com um hard mais acessível, comercial, mas que não compromete a qualidade do álbum, pelo contrário. 

"Hey Hunter"

“The Ocean Song” tem uma vertente inteiramente calcada no psicodelismo, um beat dançante, com guitarras lisérgicas e teclado arrebatador. 

 "The Ocean Song" em uma TV finlandesa no (1971)

“Old Man's Dream” começa agitada, com o protagonismo da guitarra com riffs pesados e diretos. A cozinha também se mostra muito afiada, com a bateria marcada e pesada, com um baixo pulsante, seguindo o ritmo frenético da música.

 "Old Man's Dream"

“Me and My Friend” é mais animada, solar, diria algo pagão, com destaques para o vocal, guitarra e bateria em uma sinergia incrível. 

 "Me and my Friend"

Fecha com “A Little Rocket Song” sintetizando o que foi o álbum: pesado, com riffs viscerais de guitarra, vocal de grande alcance e rasgados. 

"A Little Rocket Song"

A edição original em vinil de “Harvest Time” foi lançada apenas na Finlândia e hoje é uma raridade para colecionadores de todo o mundo. Foi relançado em CD, no ano de 2011, pela German, democratizando um pouco mais esse som fantástico. 

Em 1978 o Elonkorjuu lançou seu segundo álbum, “Flying High, Running Fast”, com o nome “Harvest”, com o intuito de atingir o mercado internacional, mas logo se separou. O guitarrista Jukka Syrenius se mudou para a Noruega e lançou vários álbuns com seu novo grupo Jukka Syrenius Band. 

A banda foi reformulada em 2003, lançando seu terceiro álbum “Scumbag”, em 2004 e, mais tarde, em 2015, lançado seu quarto trabalho, “Footprints”. Uma grande banda, um grande álbum!




A banda:

Jukka "Jusu" Syrenius na guitarra
Veli-Pekka "Hiippi" Pessi no baixo
Eero Rantasila na bateria
Ilkka "Ike" Poijavi na guitarra, órgão e flauta
Heikki "Lossi" Lajunen no vocal, na guitarra, baixo e piano


Faixas:

1 - Unfeeling
2 - Swords
3 - Captain
4 - Praise to Our Basement
5 - Future
6 - Hey Hunter
7 - The Ocean Song
8 - Old Man's Dream
9 - Me and My Friend
10 - A Little Rocket Song 

Dennis - Hyperthalamus (1975)

 


O ano era 1973. O Frumpy encerrava as suas atividades. O baterista original Carsten Bohn (1970 a 1972), que também tocava percussão na banda A. R. & Machines, decidiu iniciar um projeto, uma nova banda. Então fundou o DENNIS. O nome dado a banda foi em homenagem ao seu filho que se chama, claro, Dennis.

Carsten Bohn e seu filho Dennis

Convocou então o seu colega de Frumpy, o guitarrista Thomas Kretschmer, além de Michel Kobs, nos teclados, que também tocou no Thirsty Moon, além do também tecladista Manne Rurup que foi do Release Music Orchestra, Tomorrow’s Gift e A. R. & Machines. Foi convocado também, para o baixo, Klaus Briest, que era do Xhol Caravan, além do também baixista Jim Wiley, junto com Olaf Casalich na percussão que tocou no Ougenweide, Tomorrow’s Gift e A. R. & Machines. Finalmente Willi Pape no saxofone, clarinete e flauta, que também tocara no Thirsty Moon. Pronto, a banda estava formada! 

Dennis

Era a nata da cena krautrock, pertenciam as bandas precursoras do estilo. A sede da banda era uma antiga escola de vila nos arredores de Hamburgo e lá aconteciam ensaios baseados em longas sessões de improvisações e jams sections que foi o sustentáculo da proposta sonora do Dennis, sobretudo quem achava que a nova banda seria um compilado das antigas bandas de seus integrantes. 

O Dennis lançou apenas um álbum, em 1975, chamado “Hyperthalamus”. A sua música era baseada na improvisação coletiva, tendo como base o krautrock, mas sem aquele experimentalismo minimalista do passado não muito distante que deu início a cena kraut. Tinha um pouco da sofisticação do rock progressivo em voga nos meados da década de 1970, mas com a típica introspecção alemã, com passagens jazzísticas e temas psicodélicos, viajantes e um space rock com passagens eletrônicas, distorções de guitarra e momentos de puro frenesi. 

A primeira faixa, “Do Your Own Thing”, começa com a gravação da estação principal de Hamburgo, logo depois surgem discretamente a percussão com suaves dedilhados de guitarra que confere uma atmosfera envolta em mistério, mas que, aos poucos vai ganhando corpo, vigor, uns solos de guitarra floydianos de épocas psicodélicas. Uma música que resgata o experimentalismo do krautrock, mesclado ao sofisticado rock progressivo. Um som relaxado, flutuante, com nuances mais pesadas, sendo alternadas em uma bela sinergia sonora.

"Do Your Own Thing"

A segunda faixa, “Others Do – Already” começa igualmente experimental com o protagonismo da flauta e do piano com uma camada introspectiva e, como em “Do Your Own Thing”, vai encorpando com a bateria mais forte, um baixo mais pulsante, a “cozinha” ganha mais espaço e confere mais substância à música, mas que logo fica brando novamente, com o saxofone entrando em cena, em uma verdadeira pegada jazzística. A música é uma verdadeira jam section! 

"Others Do - Already"

O álbum finaliza com “Grey Presente Tense”, seguindo a mesma proposta da faixa anterior: experimental, viajante, psicodélica, com o destaque pleno e vivo do saxofone, que vai ficando mais agitada, com a bateria mais frenética, um som mais pesado, mas voltado para o jazz rock.

“Hyperthalamus” foi uma espécie de “álbum póstumo”, pois quando fora lançado, em 1975, a banda já não existia mais. Desde que fora formada, dois anos antes, após algumas sessões de ensaio, fez alguns shows, sempre mudando a sua formação, uma espécie de rotatividade com a intenção da busca da perfeição de sua música, de seu DNA musical. 

O álbum não conta com uma grande qualidade da gravação, parece ter sido oriundo de uma gravação da banda tocando, fazendo os seus ensaios cheios de improvisação, ao tipo “alive in studio”, mas ainda expressa uma música na plenitude da liberdade criativa de músicos excelentes. Há quem diga que os projetos dessa natureza, além de efêmeros, é uma perda de tempo de músicos que querem apenas respirar novos ares de suas bandas oficiais ou de antigas bandas, que não traz nada demais, de relevante. Não nos enganemos, pois a história nos brindou com ajuntamentos improváveis e, apesar da precocidade, trouxe o improvável, o respiro que faz do rock mais rejuvenescido.




A banda:

Carsten Bohn na bateria
Thomas Kretschmer na guitarra
Michel Kobs, nos teclados
Manne Rurup nos teclados
Klaus Briest no baixo
Jim Wiley no baixo
Olaf Casalich na percussão
Willi Pape no saxofone, clarinete e flauta

Faixas:

1 - Do Your Own Thing
2 - Others Do – Already
3 - Grey Present Tense




THAMIRES TANNOUS

 


Thamires Tannous apresenta seu álbum de estreia, “Canto para Aldebarã”. Natural de Campo Grande (MS), a cantora e compositora Thamires Tannous apresenta seu álbum de estreia, “Canto para Aldebarã”. A obra encanta por se apresentar como proposta singular no cenário da música brasileira contemporânea.

As 11 músicas do CD atravessam os diferentes universos que ajudaram a compor a história da cantora, desde sua descendência libanesa até sua essência tipicamente brasileira. Grande parte das canções foi criada sobre ritmos e melodias árabes, o que dá ao disco um caráter inédito. Nove das canções são de autoria de Thamires, incluindo parcerias com importantes letristas como Luiz Tatit, Kléber Albuquerque, Estrela Leminski e o português Tiago Torres da Silva.

Composições que falam de amor, natureza e vida moderna passeiam por pandeiros e derbaques, violões e violinos, acordeons e guitarras, djembes e daffs. Tudo isso amarrado pela delicada e intensa voz da cantora, que traz em sua sensibilidade um estímulo a conhecer mais do que há em nossas próprias raízes.

O disco conta com a participação de músicos como Dante Ozzetti, Ivan Vilela, Toninho Ferragutti, Sérgio Reze, Ricardo Herz e William Bordokan.

A produção e os arranjos do trabalho são assinados por Dante Ozzetti, músico e arranjador que já contribuiu com nomes como Itamar Assumpção, Duofel, Ceumar e Ná Ozzetti, dentre outros artistas.

TRAVELING WILBURYS - TWEETER AND THE MONKEY MAN

 


"Tweeter and the Monkey Man" é uma canção do supergrupo Traveling Wilburys que apareceu pela primeira vez no álbum de 1988, Traveling Wilburys Vol. 1Embora o crédito oficial de composição seja dado a todos os membros da banda, acredita-se que Bob Dylan seja o compositor principal porque ele canta os vocais principais e publicou a música sob seu selo Special Rider Music.

"Tweeter and the Monkey Man" é considerada uma homenagem divertida às canções de Bruce Springsteen, que foi frequentemente aclamado como "o próximo Dylan" no início de sua carreira. Os versos incluem os títulos de muitas canções de Springsteen, e a canção emprega muitos dos temas de Springsteen. O cenário da música em si é New Jersey, estado natal de Springsteen e cenário de muitas de suas próprias canções. Locais de New Jersey, como Rahway Prison Jersey City, são mencionados pelo nome. As referências aos títulos das canções de Springsteen incluem: "Stolen Car""Mansion on the Hill", "Thunder Road", "State Trooper", "Factory""The River" e uma canção que se tornou popular por Springsteen, mas escrita por Tom Waits "Jersey Girl". Além disso, "Lion's Den" e "Paradise" são mencionados e enunciados com destaque na música, cada um sendo o título de uma música de Springsteen lançada após o álbum Traveling Wilburys.

Apenas Dylan, Harrison, Petty e Lynne participaram da gravação de "Tweeter and the Monkey Man", tornando-a a única música do Vol. 1 a não apresentar Roy Orbison em nenhuma função. "Tweeter and the Monkey Man" contém cinco versos em 5 minutos e 27 segundos, tornando-se a música mais longa dos Traveling Wilbury já gravada. Dylan canta os versos da música, com o resto do grupo (exceto Orbison) cantando como apoio no refrão. "Tweeter and the Monkey Man" conta a história de dois traficantes de drogas - Tweeter e o Monkey Man - seu inimigo, o "Undercover Cop", e a irmã do policial, Jan, um interesse amoroso de longa data do Monkey Man. Ao longo da balada, são examinados o desaparecimento de Tweeter, do Monkey Man e do Undercover Cop, bem como o destino de JanBob Dylan – vocal principal, violão e backing vocals; George Harrison - violão, dobro , slide guitar e backing vocals; Jeff Lynne – violão, baixo, teclado e backing vocals; Tom Petty – violão e backing vocals; Músicos adicionais: Jim Keltner – bateria; Jim Horn – saxofones; e Ray Cooper – percussão.

BADFINGER - NO MATTER WHAT - 1970

 


NO MATTER WHAT foi um dos grande sucessos da banda inglesa Badfinger durante o início da década de 1970. Esta música, se tornou o maior clássico do grupo, encarrilhado de tantos outros como Day After DayWithout YouBaby BlueSuitcase, etc. "No Matter What" foi composta e cantada por Pete Ham, lançada como single e aparece no álbum NO DICE, de 1970. Foi a primeira faixa composta por Badfinger a entrar no UK Top 10 alcançando o número 5 no Reino Unido em janeiro de 1971. Nos Estados Unidos, atingiu um valente número 8 na Billboard Hot 100. Liderou as paradas e tocou muito em vários países, inclusive no Brasil. Além dos riffs contagiantes, No Matter What também é notável por ser um das primeiras gravações de sucesso associadas ao som Power Pop, utilizando todos os elementos atribuídos ao gênero: letras e melodias belíssimas recheadas de guitarras e solos eletrizantes.

THE BEATLES - ANTHOLOGY 1, 2 e 3 - FULL

 


THE BEATLES ANTHOLOGY foi um projeto retrospectivo multimídia que consistiu em um documentário televisivo, um conjunto de três volumes de álbuns duplos e um livro descrevendo a história dos Beatles contada por eles mesmos. Paul McCartneyGeorge Harrison e Ringo Starr participaram ativamente da produção das obras, que às vezes são conhecidas coletivamente como "Projeto Anthology", enquanto John Lennon aparece em entrevistas de arquivo. A série de documentários foi transmitida pela primeira vez em novembro de 1995, com versões expandidas lançadas em VHS e LaserDisc em 1996 e em DVD em 2003. O livro "Anthology", lançado em 2000, fez paralelo ao documentário ao apresentar a história do grupo por meio de citações de entrevistas. O volume inicial dos álbuns, "Anthology 1", foi lançado na mesma semana da data de exibição do documentário, com os dois volumes subsequentes, "Anthology 2" e "Anthology 3", lançados em 1996.


Änglagård "Epilog" (1994)

 

Hoje, os amantes da música pronunciam o nome Änglagård com reverente aspiração. E com razão. Os suecos tiveram a honra de assumir o papel de reencarnação do rock progressivo clássico e também de fundar um novo culto de fãs. Com seu álbum de estreia, "Hybris" (1992), o quinteto de Estocolmo demonstrou de forma convincente que o som "vintage" dos anos setenta permanece relevante. Essencialmente, o álbum foi uma destilação das estruturas conceituais mais bem-sucedidas testadas vinte anos antes. Mas os elogios à banda dificilmente valeriam a pena se sua única conquista fosse o revival de tendências musicais retrô. A identidade criativa deste conjunto escandinavo é rica em características originais. E uma delas é o pensamento harmônico único dos membros do projeto. Afinal, não apenas o artifício anglófilo se tornou uma arma eficaz nas mãos dos nórdicos, mas também os elementos básicos do folclore nórdico enraizado foram imbuídos na essência de suas composições originais. Embora "Hybris" seja amplamente impulsionado por um som poderoso e assertivo, o álbum totalmente instrumental "Epilog" se caracteriza por aspectos sonoros um tanto diferentes. Vamos discuti-los.
O "Prólogo" de dois minutos estabelece o tom menor para a obra. O lamento do Mellotron de Thomas Jonson, os sutis arpejos acústicos do guitarrista Tord Lindman e as linhas melancólicas de um trio de cordas especialmente convidado contribuem para uma atmosfera de profunda tristeza. Vale ressaltar que o encarte do CD inclui versos que refletem o significado de cada faixa. Este prelúdio é acompanhado pelos versos: "Há um sol maior que o meu sorriso / Há um sol maior que o meu ódio / Há um sol maior que a minha vida / Mas não é o sol maior que eu que me extinguirá..." A estrutura da peça épica central, "Höstsejd", ilustra o confronto natural entre o calor vibrante do verão e os ventos impetuosos do outono que se aproxima. Daí a abundância de linhas rítmicas ramificadas e os ataques vibrantes da guitarra de Lindman e Jonas Engdegård. O desenvolvimento geral do tema é contraposto por uma passagem de teclado de Jonsson, sucessivamente retomada em diferentes níveis pelo órgão e piano. A peça em si consiste em diversas seções, nas quais o ouvinte é generosamente banhado por uma torrente de paixões ou, inversamente, agraciado com graciosos e elegíacos motivos eletroacústicos. O esboço filosófico-natural "Skogsranden" abre com um dueto de câmara melancólico para flauta (Anna Holmgren) e piano. Após pouco mais de dois minutos, a beleza neoclássica desmorona instantaneamente sob uma chuva de riffs dissonantes e carmesins e viradas magistrais do baterista Mattias Ohlsson. Mas o frenesi progressivo pesado não dura muito, dando lugar a uma maravilhosa pastoral com corais de Mellotron, dedilhados cristalinos de guitarra, vocais de apoio de Josa Eklund e uma flauta verdadeiramente cativante. O final, no entanto, mergulha novamente em um caos carregado de íons negativos; contudo, tal destruição é inteiramente justificada artisticamente. "Sista somrar" segue um padrão similar, onde, ao lado da energia desesperada do rock, elementos da vanguarda acadêmica estão presentes. O programa se encerra com a reprise ao teclado "Saknadens fullhet", que simboliza a compreensão, por parte do protagonista, de uma grande sabedoria existencial, sempre acompanhada de tristeza...
Em resumo: uma verdadeira obra-prima artística e um dos melhores lançamentos de prog rock da década de 1990. Altamente recomendado.





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